CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

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sábado, maio 16, 2026

HISTÓRIA DE MANAUS

 Quando da passagem do terceiro centenário de criação da capital amazonense, em1969, o acadêmico Robério Braga publicou o artigo aqui postado.

Circulado no Diário da Tarde, 26 outubro 1969

Manaus, tem uma área de 14.500 quilômetros quadrados, com uma população de aproximadamente 300.000 habitantes, sua temperatura média é de 26° C. Está a 40m33 acima do nível do mar, situada à margem esquerda do rio Negro, a 1.700 km do Oceano Atlântico. Há duas estações, não são propriamente o Inverno e o Verão, e sim, a temperatura de chuva e a de estiagem. Conta com mais de 270 Grupos Escolares diversos Ginásios, sendo uns mantidos pelo Estado, outros pela Prefeitura, e há ainda os particulares. Além das bibliotecas de cada colégio, existe a Biblioteca Pública do Estado, a do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia e a do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas.

Existem 5 jornais, 4 emissoras de rádio, e uma estação de televisão; 10 cinemas, e além dos teatros de cada escola nós temos o Teatro da Divina Providência, o Teatro do Luso e o Teatro Amazonas, um monumento histórico de real valor arquitetônico, que desafia as épocas da nova arquitetura.

Na formação esportiva, conta com cerca de 12 clubes, sociais e esportivos, possuidores em sua maioria de quadra para esportes, além de academia de Judô, Defesa Pessoal e Luta Livre. Como forja de formação dos jovens em Manaus, podemos citar o Escotismo, para o qual existem 10 Grupos, com aproximadamente 600 escoteiros.

Temos ainda clubes de caráter intelectual, como o Clube da Madrugada, Clube Mário de Andrade, Teatro Escola Amazonense de Amadores, Teatro Jovem do Amazonas, Teatro Experimental do SESC-SENAC, Teatro Universitário, e vários outros grupos da arte que em Manaus, teve nos últimos tempos, seu expoente máximo na pessoa de Américo Alvarez, para, no campo do cinema, encontrarmos o GEC (Grupo de Estudos Cinematográficos).

São 5 as faculdades que compõem a Universidade do Amazonas, e vale aqui ressaltar a existência da Escola Professor Abílio Alencar, no quilômetro 35 da Estrada Manaus-Itacoatiara [hoje AM-010].

COISAS DO PASSADO DE MANAUS

Em 1906, o Dr. Afonso Pena, à época presidente da República, veio assentar a “primeira pedra” do prédio da atual Alfândega de Manaus e tal empolgado ficou pelo desenvolvimento desta terra, que em seu discurso disse: “Manaus é uma revelação da República”. Pouco tempo depois, faleceu, quando então surgiram conversas de que “ele foi morto, porque se interessou pelos problemas do Amazonas”.

— Antônio Bittencourt foi preso, quando deixou por uma das vezes o governo, de pijama quando estava passeando na calçada de sua casa com seus netos. Voltando ao governo determinou a prisão, por um dos seus homens do determinante de sua prisão anterior, que foi levado para a Força Policial em trajes bem menores (cueca).

—  Rêgo Monteiro, determinava a prisão dos ladrões e prostitutas, após o que mandava que se pelasse a cabeça dos mesmos para um desfile pelas ruas com a Banda da Força Policial à frente. Era Chefe de Polícia, o Coronel José Travassos Maranhão.

— Eduardo Ribeiro, com seu tradicional terno de listras e seu eterno acompanhante o guarda-sol e chapéu de massa, supervisionando as obras do Teatro Amazonas, percebeu que a massa (cimento), que estava sendo usada não era a que havia sido contratada com o mestre daquela obra, preparou com suas próprias mãos a verdadeira massa e determinou em seguida a derrubada de toda a parte esquerda da amurada do Teatro Amazonas. Referente ao caso, disse à altura um pedreiro de nacionalidade portuguesa: “se o AMAZONAS tivesse 3 “pensadores”, esta terra seria um colosso”.

— Antônio Bittencourt, governador em época de revolução, deu a sua palavra, segurando em seu característico cavanhaque, que não permitiria a sua queda do governo, para o que recebeu o apoio do seu Cmt da Força Policial, que espalhou bombas por toda a atual Praça da Polícia, e ficou acompanhado de um corneteiro e seu ordenança, sentado à porta principal, com o acionador das mesmas em mãos, para defender a qualquer preço o sistema de governo do Coronel Bittencourt. Porém, pensando melhor, disse ele, com muitos conselhos que lhe foram dados, o Coronel António Bittencourt resolveu, chamar seu Cmt Coronel Pedro de Souza, por sinal cearense, para avisá-lo de que desistia do governo. Pedro de Souza, após dirigir palavras de caráter informativo, zangou-se e arrancando os galões de sua farda, jogou-os em cima do governador, saindo em seguida. Daí, Antônio Bittencourt seguiu para Belém, para retornar com ordens de assumir novamente o governo.

sábado, maio 02, 2026

BAIRRO DE SÃO RAIMUNDO (2)

O texto pertence ao falecido Áureo Nonato (1921-2004), filho do bairro em que relembra sua infância, e as famílias mais destacadas da Colina. De certo modo complementa a postagem de ontem, que oferece uma reportagem jornalística. A publicação original ocorreu no Jornal do Commercio, em 05 de abril de 1981, portanto, são passados 45 anos.

Jornal do Commercio, 05 abril 1981

“... até bem pouco tempo não se falava no Amazonas, e vamos e venhamos: por que falar do que não se sabe. O sujeito que no Leblon ou no “Antonino” declama sobre o Amazonas é, na melhor das hipóteses, um cínico. Teríamos que ir lá, fisicamente, teríamos que apalpar, farejar aquela imensa e florestal Sibéria. O Amazonas não é um mundo, são vários mundos”. Nelson Rodrigues.

Áureo Nonato é redator da Rádio Roquete Pinto, emissora oficial do Rio de Janeiro e Assessor de Imprensa da Fundação Casa do Estudante do Brasil.

As lembranças de minha infância em Manaus, passada no meu pequeno bairro de São Raimundo, lá pelos começos dos anos 30, são tantas e variadas que as vezes não sei por onde começar um relato mais precioso e mais preciso das mesmas, pois como que se entrelaçam nas suas vivências e recordações.

Como esquecer a minha, a nossa rua da Sede, onde nós os meninos do bairro: Dióla; Aurélio, meu irmão; Nano; Higino; e tantos outros, passávamos tardes e noites intermináveis, ora em combativas “peladas”, outras vezes em compridas conversas na calçada da sede do São Raimundo Sport Clube, algumas outras ouvindo, entre espantados e atentos, as estórias fantásticas de “seu” Estandelau, e muitas e muitas outras vezes, em fantásticas noites enluaradas, comendo as melancias que íamos comprar, a mando do papai, nas praias a beira do igarapé.

Como esquecer as famílias que moravam ali e com as quais dividíamos as nossas atenções e as nossas amizades?! Do “velho” Chato, da Dona Marieta, sua mulher, da Rita, da Nathalia, do Xiloca, do Juquita e da Das Neves, seus filhos. Da “velha” Mariquinha, que morava numa casa que todos acreditavam ser mal-assombrada e de suas duas misteriosas filhas, já trintonas, Maria Gága e Izaura. Do “seu” Antonio Macedo, de sua mulher Dona Antonia Bandeira, e de seus filhos Raymundo Macedo, um dos “mocinhos” do bairro; Maria Macedo; e Lourdes Macedo, uma das meninas mais bonitas que já conheci!

Toda essa gente, gente simples, gente boa e honesta, povoa as lembranças de minha infância!

Nossa casa ficava já quase no fim da rua, esquina com a rua São Francisco, ou “rua da Bosta” como era mais conhecida. Nela, logo depois da casa mal-assombrada da “velha” Mariquinha, morava o “seu” Zuza, da família Cavalcante e irmão de “velho” Chato, com sua mulher Dona Laura e seus filhos: Loló, uma moça morena e bem vistosa; Amadina; Ribamar e Aureliano, e já quase no fim da rua morava uma numerosa família negra descendente de escravos e na qual se destacavam impressionantes tipos como o “nego” Tota; a Rosária; a Dona Dora, uma mulher mansa e humilde de coração, e com a qual tínhamos em nossa casa uma estreita e sólida amizade, pois além de ser a nossa “lavadeira de roupa”, nos aconselhava como se fosse uma nossa “mãe preta-velha”.

Bem me lembro de nossa revolta, quando um dia soubemos que iam “tirar” o nome da nossa querida rua da Sede. Era a Prefeitura que queria homenagear um membro de família ilustre de Manaus: o Doutor Araújo Jorge. A nossa rua nunca aceitou o novo nome e até hoje ela só é lembrada e referida por todos nós como rua da Sede.

Eram numerosas as famílias do bairro de São Raimundo. Os Bessas, os Almeidas, os Normandos, os Mouras Nascimento, os Rebouças, os Macedo e os Cavalcante formavam os grandes clãs do bairro. Para citar somente um deles: o clã dos Cavalcantes. Esse era formado pelo “seu” Zuza e o “velho” Chato que eram irmãos de “seu” Francisco das Chagas Cavalcante, sua mulher dona Francisca Rebouças Cavalcante e seus filhos: Edina, Enedino, Enedito, Enéas, Esmeraldino, Edgard (este afilhado de meus pais), João, Francisquinha, Maria Rosa, Raimundo (que atende pelo nome de Beloso) e Adhemar.

Hoje, decorridos quase cinquenta anos, muita gente dessa gente ainda vive ali no meu querido bairro de São Raimundo.

terça-feira, outubro 28, 2025

ANIVERSÁRIO DE MANAUS: 24 DE OUTUBRO

 Ainda estamos usufruindo da sequência de feriados e pontos facultativos iniciados na data dos 356 anos de existência da capital. Mas todos sabem que não é bem assim, que esta data é uma junção de anos e meses e dias distintos. Como escreveu um respeitado doutor de História da Ufam: isso é uma data "frankstein". Como a consolidar a opinião, acabo de recolher de arquivos a página do extinto jornal Diário do Amazonas, edição de 17 maio 1988, o recorte que ilustra a postagem, e os 140 anos se referem ao ano de 1848, quando foi oficializado o nome da cidade: Manaus. Não a criação. 

Jornal Diário do Amazonas, 17 maio 1988

Manaus em 140 anos

PROGRESSO VEIO EM DUAS ETAPAS

Manaus completa este ano 140 anos. Mas as transformações profundas na cidade ocorreram apenas em dois momentos: o primeiro, no final do século passado, no governo de Eduardo Ribeiro, quando a riqueza proporcionada pela borracha possibilitou mudanças definitivas; o outro, nos últimos 20 anos, depois da implantação da Zona Franca, que modificou mais uma vez o aspecto da capital, fazendo surgir um parque industrial dos mais modernos, mas, também, permitiu o aparecimento de novos bairros, que não conseguiram acompanhar o ritmo de crescimento de Manaus e padecem da falta de infraestrutura e saneamento básico.