CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

24 de agosto de 2015

ACADEMIA DE LETRAS DO AMAZONAS

Zemaria Pinto

Sábado passado, fui surpreendido com a ausência do acadêmico Zemaria Pinto na mesa diretiva dos trabalhos deste silogeu. Por se tratar do Diretor de Eventos e, seguramente, o realizador desse e de outros encontros. Ele havia sido substituído pelo acadêmico Moacir Andrade. A razão dessa mudança vai exposta abaixo na Carta Aberta de Zemaria Pinto, compartilhada de seu Blog Palavra do Fingidor, ao presidente da Casa, Armando de Menezes.


Carta aberta ao presidente da Academia Amazonense de Letras




Manaus, 10 de agosto de 2015

Caro Armando,

Ao longo de 19 meses, trabalhamos para colocar a quase centenária AAL no centro dos debates e realizações culturais de Manaus. Os planos eram muitos, mas as limitações foram maiores. Além de lançamentos de livros e eventos do calendário ordinário, conseguimos emplacar o Sábado na Academia, com as séries sobre os Patronos (17 palestras); Augusto dos Anjos em dois tempos (2 palestras); Márcio Souza, o mostrador da derrota (4 palestras); O pensamento amazônico (3 palestras); 60 anos do Clube da madrugada (3 palestras); A Amazônia na visão dos viajantes (5 palestras); e Arte em tese (4 palestras). A partir de maio deste ano, com a doação pelas famílias Benchimol/Minev de um piano, promovemos o Sarau na Academia, que bateu recordes de público nas suas três edições, sendo que à mais recente, realizada no último 5 de agosto, compareceram mais de 140 pessoas.

Tudo isso foi feito, meu caro, sem que a Academia tivesse qualquer dispêndio. Para tal, contamos com a colaboração de acadêmicos, escritores, professores da UFAM, da UEA e da Uninorte, além de artistas ligados à música, ao canto lírico e ao teatro. Todos, profissionais da mais alta qualificação.

Por esse motivo, causou-me espanto e profunda decepção ver estampado no folder da 4ª série dos patronos as logomarcas da SEC e da ManausCult – acompanhadas da informação de que todos os eventos da Academia deverão, de ora em diante, estampar as referidas logos.

As subvenções que a AAL recebe desses órgãos destinam-se ao custeio da instituição. Associar essas subvenções a eventos onde os profissionais participam de forma voluntária é tripudiar sobre os eventos e sobre os profissionais, que, ao aceitarem nossos convites, o fazem para a Academia e não para aqueles órgãos, que promovem megaeventos, pagando muito bem por eles.

Lembro que no dia 31 de março do ano passado, organizamos, em conjunto com a ManausCult, um debate memorável intitulado 50 anos do golpe militar. Coube ao citado órgão, devidamente referenciado no folder de divulgação, organizar o coquetel.

Assim, meu caro, sem colocar em jogo nossa amizade que já se estende por mais de uma década, e pelo respeito que tenho a você, por sua trajetória de vida, sirvo-me desta para desligar-me, em caráter definitivo e irrevogável, da função de Diretor de Eventos, que exerço pela segunda vez e que muito me honra.

Desejo sucesso na continuidade dos eventos, colocando-me à disposição para colaborar no que for possível.

Renovando meus votos de consideração e apreço, sou



Zemaria Pinto

22 de agosto de 2015

GINÁSIO AMAZONENSE DOM PEDRO II

Em 1936, para comemorar o cinquentenário do Ginásio Amazonense Dom Pedro II, mais conhecido por Colégio Estadual, sua direção fez circular um Anuário, contendo ligeiro currículo de seus professores.

Escolhi para esta postagem o do professor catedrático em História, Dr. Ricardo Mateus Barbosa de Amorim, bacharel pela Faculdade de Direito do Recife.


Excerto da publicação do Anuário


RICARDO MATEUS BARBOSA DE AMORIM Professor Catedrático de História do Brasil por concurso realizado em 15 de abril de 1926. Nasceu em 7 de fevereiro de 1875, na cidade de Manaus (AM). Matriculou-se no Seminário de São José, como aluno interno, no dia 7 de janeiro de 1887, concluindo aí seus estudos de preparatórios em fins de 1889, após a Proclamação da República.
Iniciou sua vida pública como 2º conferente da Recebedoria do Estado, cargo para o qual foi nomeado, em vista de provas exibidas em concurso público, em 31 de outubro de 1892, no governo do Dr. Eduardo Gonçalves Ribeiro. Promovido a 1º conferente, foi nomeado escriturário efetivo em 25 de agosto de 1898 e Chefe de Secção em 11 de outubro de 1901, pelo governo do Estado.
Colou o grau de bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais no dia 15 de março de 1905 na Faculdade de Direito do Recife. Em 1905, pediu e obteve exoneração do cargo de chefe de Seção da Recebedoria e abriu banca de advogado no Fórum desta capital.Por ato de 28 de outubro de 1910 foi nomeado Chefe de Polícia do Estado no governo do coronel Antonio Clemente Ribeiro Bittencourt; em 1º de novembro de 1911, foi nomeado para exercer o cargo de Procurador Fiscal da Fazenda Estadual. Em 13 de novembro de 1909 foi nomeado lente catedrático de Direito Romano da Faculdade de Ciências Jurídicas e Sociais de Manaus, assumindo o exercício da referida cadeira em 31 de março de 1910.
A pedido do então capitão de mar e guerra e Capitão do Porto neste Estado, José Martini, escreveu um formulário, acompanhado de “notas”, para os processos relativos a graves contravenções ou crimes cometidos a bordo dos navios mercantes — que foi aprovado pelo Ministério da Marinha e foi publicado e mandado observar, no Diário Oficial nº 173 do 55º ano (28º da República) de 25 do mês de julho de 1916, sob o título: Formulário Provisório para o registro de contravenções e delitos ocorridos a bordo dos navios mercantes.
Pela portaria nº 284, de 31 de maio, em virtude da Lei nº 845, de 14 de fevereiro de 1916, e em vista das provas exibidas em concurso, foi nomeado professor efetivo da cadeira de Direito Comercial, da Escola Municipal de Comércio, hoje Solon de Lucena, assumindo o cargo a 2 de junho; a 26 de junho do mesmo ano, pela portaria nº 320, e de acordo com o Regulamento que baixou com o Decreto nº 5, de 31 de outubro de 1917, foi nomeado Diretor efetivo da mesma escola.
Em 26 de março de 1925 foi nomeado para interinamente exercer o cargo de substituto da cadeira de Geografia e Corografia Geral do Brasil e Elementos de Cosmografia do Ginásio Amazonense Pedro II. Em 11 de agosto de 1926 foi nomeado para reger a cadeira de História Universal do mesmo estabelecimento no impedimento do seu proprietário.
Por ato do Governo do Estado, de 27 de abril de 1928, foi nomeado para exercer o cargo de 2º Suplente de Juiz de Direito da vara criminal da capital. Por ato do Interventor Federal no Estado, de nº 700, de 26 junho de 1931, foi nomeado para exercer o cargo de Desembargador do Superior Tribunal de Justiça do Estado.Extinto o Tribunal, por Ato nº 1.253, de 15 de janeiro de 1932, foi mandado reverter ao exercício de seus cargos de lente de História do Brasil do Ginásio Amazonense Pedro II, e professor de Direito Comercial da Escola Municipal de Comércio Solon de Lucena. Em virtude do Ato nº 142, de 26 de março de 1934, foi declarada extinta a cadeira de História do Brasil do Ginásio Amazonense Pedro II, ficando em disponibilidade, com vencimentos íntegros. Por Ato n° 397, de 31 de março de 1936, foi designado para reger as turmas suplementares de História da Civilização naquele estabelecimento de ensino.
Em virtude do Ato n° 1.037, de 17 de abril de 1936, foi nomeado para lecionar a cadeira de História da Civilização bem como as respectivas turmas suplementares, no Ginásio Amazonense Pedro Il. Por Ato do governo do Estado, n° 495 de 5 de maio do corrente ano, foi designado para reger a cadeira de Psicologia e Lógica do Curso Complementar do Ginásio.
Em 17 de fevereiro de 1932 foi nomeado para reger a cadeira de Direito Comercial e Economia Política da Escola Pratica de Comércio da Associação dos Empregados no Comércio do Amazonas. Nos termos da letra C, n° I, 1º e 2º, do art. 21 do decreto n. 21.076, de 24 de fevereiro de 1932, foi designado pelo Chefe do Governo Provisório da República, para membro efetivo do Tribunal Regional Eleitoral do Estado do Amazonas. Nos termos do art. 3º do decreto n° 22.838, de 19 de junho de 1933, foi pelo Chefe do Governo Provisório da República, designado para exercer, em comissão, o cargo de Procurador Regional da Justiça Eleitoral.
Por Ato de 21 de março de 1935 foi nomeado para exercer, em comissão, o cargo de Chefe de Polícia, tendo solicitado sua dispensa da referida comissão em 4 de dezembro de 1935, tendo o Governo do Estado agradecido os relevantes serviços prestados em ofício n° 1.283, daquela data.
É sócio fundador do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas, tendo exercido, durante um biênio, o cargo de vice-presidente.
Foi, em 1911-1912, constituído pelo Governador do Estado, advogado do Amazonas na execução do acordão do Supremo Tribunal Federal na questão de limites entre o Estado do Amazonas e o de Mato Grosso, sendo os trabalhos executados homologados posteriormente pelo mesmo Tribunal.
Ao Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas ofertou dois trabalhos manuscritos de sua lavra — Limites dos municípios de Moura e BarcellosLimites do Estado.

18 de agosto de 2015

LIVRO TOMBO DA PREFEITURA DE MANAUS (1)

Fac símile do mapa
Sacado do Relatório da Comissão Organizadora do Tombo dos Próprios do Município, mandado imprimir pelo prefeito Torreão Franco de Sá, em 1927. Trabalho ilustrado pelo Dr. Raimundo de Miranda Leão, com várias plantas, obviamente com os recursos da época. 

Nº 35 CONSTANTINÓPOLIS


(Ex-Educandos)

Situado na foz do igarapé da Cachoeirinha, margem esquerda, onde funcionou o antigo Instituto de Educandos Artífices, depois Instituto de Artes e Ofícios, ocupando uma área de 130.693m2, cedido pelo Governo do Estado para patrimônio do Município, em virtude do Decreto nº 520, de 26 de setembro de 1901, baixado pelo Governo do Estado e referendado pela Lei nº 370, de 14 de outubro do referido ano.

Em 1901, o superintendente Dr. Arthur Cezar Moreira de Araujo manda proceder a abertura das ruas deste subúrbio e dividir em lotes os seus quarteirões, ficando reservado ao Estado o prédio por ele construído na parte alta.

A 22 de julho de 1907, o superintendente interino Coronel [GN] José da Costa Monteiro Tapajós baixa o Decreto nº 67 dando a este subúrbio a denominação de Constantinópolis.
A 26 de setembro do mesmo ano contrata com o Dr. Gastão da Cunha Lobão os serviços de melhoramentos e embelezamento das ruas deste bairro.

Em 1908, a Intendência Municipal dá neste bairro as denominações de Boulevard Sá Peixoto à rua marginal; Tavares Bastos à praça onde se acha o próprio do Estado; Delcidio do Amaral e Manoel Urbano às ruas leste-oeste; Monsenhor Amâncio de Miranda e Inocêncio de Araújo às ruas norte-sul.

16 de agosto de 2015

REINAUGURAÇÃO DA PONTE DE FERRO

Denominada de Ponte Benjamin Constant, essa festa aconteceu no governo de Eduardo Braga. Foram luzes para todos os lados. Hoje... não há qualquer lâmpada acesa.


15 de agosto de 2015

IGREJA DE N. S. DOS REMÉDIOS (1)


Prossigo com a segunda parte da publicação sobre os vigários desta paróquia, cuja relação foi extraída do livro EGREJA DOS REMEDIOS, de autoria de J. B. (João Batista Faria e Souza), publicado em 1927 pelo Diário Oficial do Estado.


Atual igreja de N. S. dos Remédios (2005)


Os vigários da capela de N. S. dos Remédios desta cidade, desde 1850 à 1927: 


A 19 de agosto de 1882 o padre Dr. Santos Pereira seguiu, doente, para a capital da Bahia, donde era filho. Ali faleceu a 22 de outubro daquele ano. Contava 58 anos de idade, pois nascera em 1824. Fora casado, negociante, lavrador, subdelegado de polícia e capitão da Guarda Nacional na sua província, Bahia.
 Residiu em Manaus por mais de doze anos. Era o irmão mais velho de Dom Manoel dos Santos Pereira, que faleceu como bispo de Pernambuco.
 Dom Manoel nascera também na capital da Bahia, a 12 de março de 1827. Recebeu a ordem de presbítero em 1853. Foi visitador do arcebispado da Bahia em 1856, e depois professor no seminário, cônego da Catedral, examinador sinodal, vigário-geral e desembargador da Relação Eclesiástica. Distinguido com o título de prelado doméstico do Santo Padre Pio IX, serviu, duas vezes, como vigário capitular da Bahia. Em 1890, preconizado bispo titular de Eucarpia e nomeado bispo auxiliar de Dom Antonio de Macedo Costa, no Pará e Amazonas, foi sagrado em São Paulo, a 31 de agosto do mesmo ano.
 Eleito bispo de Olinda em 1893, tomou posse da diocese, a 29 de dezembro desse ano. Sentindo-se agravarem-se os seus padecimentos em Pernambuco, retirou-se para a capital da Bahia, onde faleceu a 25 de abril de 1900.
* * *O padre José Lourenço da Costa Aguiar (que mais tarde foi o primeiro bispo da Diocese do Amazonas), foi nomeado vigário-geral do Alto Amazonas por provisão do Bispo Dom Antonio de Macedo Costa, de 9 de janeiro de 1877, em substituição ao padre Dr. Santos Pereira. Aqui chegando, prestou juramento e entrou em exercício a 16 do mesmo mês. A 29 de abril retirou-se para Belém, onde, ao chegar foi, por Portaria do governador do bispado, cônego Sebastião Borges de Castilho, de 4 de maio, nomeado cura interino da freguesia da Sé e assumiu o exercido no mesmo dia. Foi confirmado no curato, por provisão de D. Antonio, de 22 de novembro desse ano, e nele sempre reconduzido até 1889, quando pediu e obteve exoneração.
 O padre Costa Aguiar, proposto por Dom Antonio, em 2 de agosto de 1876, para a cadeira de cônego da Sé, vaga pelo falecimento do cônego Estulano Alexandrino Gonçalves Baião, foi apresentado, por carta imperial de 18 de janeiro de 1877, pela Princesa regente em nome do Imperador. Confirmado nesse cargo, de acordo com as instituições canônicas, por provisão de 13 de março do mesmo ano, passada pelo governador do bispado, cônego Borges de Castilho, quando o padre Costa Aguiar saiu de Manaus, a 29 de abril, já era cônego da Sé do Pará. O padre Raimundo Amancio de Miranda, nomeado vigário-geral do Alto Amazonas e vigário interino da freguesia de Nossa Senhora dos Remédios desta capital, por portarias do Bispo Diocesano, Dom Antonio de Macedo Costa, datadas de 11 de novembro de 1878, chegou a Manaus a 6 de dezembro do mesmo ano.
 No domingo, 22 do mesmo mês, às 7 horas da manhã, instalou a nova paróquia de N. S. dos Remédios, instituída canonicamente pela provisão de 22 de outubro daquele ano do Sr. Bispo Diocesano. Disse a sua primeira missa paroquial, produzindo nessa ocasião um formoso discurso.
 O Amazonas, o decano da imprensa de Manaus, naquela época, assim noticiou a instalação da paróquia de N. S. dos Remédios, na sua edição de 25 de dezembro:
"No dia 22 do corrente mês, às 7 horas da manhã, foi instalada a paróquia de N. S. dos Remédios pelo vigário-geral da província do Amazonas, o padre Raimundo Amancio de Miranda, que chegou a esta capital no dia 6 do dito mês, vindo a bordo do vapor Marajó.Sua Revma., depois de ter celebrado o santo sacrifício da missa, ato este que foi bastante concorrido, fez uma predica que a todos muito satisfez.
A tão distinto sacerdote, pois, cumprimentamos e dirigimos os nossos emboras, não só pela sua chegada entre nós, como pela mencionada instalação".
 Estão ainda muito vivos na memória do povo, para que os recordemos agora, os assinalados serviços prestados a esta terra, que era a sua, pelo benemérito amazonense padre Amancio de Miranda.
Educado sob os auspícios do genial bispo Dom Macedo Costa, que tinha o segredo, no dizer de um jornalista contemporâneo, "de procurar pérolas esparsas nas densas florestas amazônicas e com elas ornar o céu da ciência." O padre Amancio de Miranda chegou com o talento de que dispunha a emparelhar à figura homérica de seu benfeitor: tal a eloquência de sua palavra, tal o prestígio de sua autoridade.
 O padre Amancio de Miranda não foi só um distinto sacerdote, um orador consumado, um notável jornalista, mas, a par de tão eminentes qualidades de espírito, sua revma. ocupou as mais elevadas posições sociais, que a um amazonense, até então, foram dadas a ocupar em sua terra: foi presidente da Província, por duas vezes; fundador da Santa Casa de Misericórdia e seu provedor; fundador da paróquia de N. S. dos Remédios e do patrimônio da Diocese; diretor geral da instrução pública; diretor geral dos índios; professor do Lyceu Amazonense, hoje Gymnasio Pedro II; diretor do Instituto Amazonense; reitor e professor do Seminário de São José, onde se prepararam muitos moços, que, atualmente, ocupam saliente papel na alta magistratura, no funcionalismo público, no comércio e nas profissões liberais etc.
 Não foi um desconhecido que passasse pelas altas regiões do poder, foi um benemérito da Pátria, filho do trabalho e da pobreza honrada que, no esforço próprio e no mourejar de cada dia, conseguira elevar-se entre os seus concidadãos, exercendo posições eminentes na administração pública do Amazonas.
 No período agitado da Questão Religiosa, o padre Amancio de Miranda, ainda muito moço, prestou assinalados serviços à Igreja, distinguindo-se na tribuna e na imprensa, onde fez espargir as primícias de sua peregrina inteligência ao serviço de uma vasta erudição. Da sua vida de combate intensa e fecunda legou aos seus conterrâneos, à esta terra que ele tanto amara, a lição exemplaríssima de ser grande nos faustos do poder e maior ainda na constrição da adversidade, de ser pobre, quando dispunha do prestigio do governo e ficar mais pobre ainda ao deixar o governo para voltar à obscura mais sublime missão do apostolado católico. Falaremos do padre Amâncio de Miranda mais adiante.
* * *Em 1880, em substituição ao padre Amâncio de Miranda, que fora nomeado reitor do Seminário de São José, foi nomeado vigário interino da paróquia de N. S. dos Remédios o padre amazonense João Rodrigues de Assunção, que residiu cerca de dois anos entre nós e gozou sempre da estima geral, sendo muito querido dos seus paroquianos pelas suas maneiras afáveis e reto espírito.
 O padre João Rodrigues, que exercia também o cargo de professor de Latim do Liceu Amazonense, faleceu, em 10 de julho de 1882, em Tauapessaçu, no rio Negro, para onde seguira em maio, em procura de alívio aos seus sofrimentos.
"A morte desse digno sacerdote, disse o presidente da Província, Dr. José Paranaguá, ocasionou para a instrução pública da Província uma perda bem sensível". (SEGUE


12 de agosto de 2015

IGREJA DE N. S. DOS REMÉDIOS

Este post foi sacado do livro Egreja de Nossa Senhora dos Remedios: uma perigrinação evocadora do passado (Manaus: Imprensa Oficial, 1927), de autoria de João Batista Faria e Souza, que se identificava pelas iniciais J. B. Autor de várias obras sobre a história do Amazonas, todas "fora de catálogo", J. B. desapareceu de nossos cuidados.
Capa da publicação

Apenas, creio eu, segue homenageado pelo IGHA (Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas), na condição de patrono de uma das Cadeiras daquela agremiação.
Na condição de redator do Diário Oficial, J B aproveitou para extrair de documentos oficias páginas e páginas da evolução de nossa cidade e de muitos de seus abnegados habitantes. Ainda de seus cuidados, o IGHA guarda uma hoje pequena parte da coleção de jornais publicados em Manaus, desde a origem da Província, organizada pelo mencionado J. B.

Os vigários da capela de N. S. dos Remédios desta cidade, desde 1850 à 1927:

Incendiada a igreja da freguesia, padre João Antonio da Silva passou a servir na capela de N. S. dos Remédios. Era então Vigário-Geral da Província o cônego Joaquim Gonçalves de Azevedo, que faleceu como arcebispo da Bahia e Primaz do Brasil a 6 de novembro de 1879.
Em fevereiro de 1855, o bispo do Pará e Amazonas, Dom José Afonso de Moraes Torres, resolveu permitir que, na capela do Seminário de São José, se administrassem todos os Sacramentos até que se edificasse uma Igreja Matriz. Nesse ano, a 10 de agosto, pelo aumento de serviço eclesiástico, foi nomeado coadjutor o padre Antonio Tavares Dornelas, que indo ao Rio de Janeiro no ano seguinte regressou a esta capital como capelão alferes da Repartição Eclesiástica do Exército. 
A 9 de novembro de 1856, apresentou-se ao comandante das Armas e, a 10, foi mandado admitir como adido ao Corpo Provisório da Província, "a fim de ser empregado como conviesse ao serviço". O padre Dornelas, que continuou como coadjutor do padre João Antonio, foi nomeado professor da escola de primeiras letras mandada estabelecer na guarnição do Amazonas por Aviso do Ministério da Guerra, de 19 de agosto de 1853. Essa escola foi instalada, nesta capital, a 3 de novembro de 1858.
Em Aviso desse Ministério, de 4 de abril de 1859, foi determinado que o capelão alferes padre Dornelas seguisse para o Rio Grande do Sul, para servir na guarnição dessa Província.  O padre Dornelas seguiu para o Sul a 11 de junho daquele ano, deixando o cargo de coadjutor da freguesia desta capital.
A 26 de março de 1862, prestou juramento e entrou em exercício do cargo de coadjutor o padre José Maria Fernandes, nomeado por provisão de 25 do mesmo mês. A 8 de maio, foi nomeado coadjutor o padre João Antonio de Faria, que, a 16 de dezembro do mesmo ano, foi dispensado, a seu pedido. 
No ano seguinte, a 28 de fevereiro foi nomeado coadjutor o padre Belarmino Francisco Marfins Gafanho, que assumiu o exercício a 8 de março. Assumira a vigararia-geral e da paróquia o cônego Romualdo Gonçalves de Azevedo.
A 25 de setembro, no impedimento do cônego Romualdo de Azevedo, o padre Manoel Justiniano de Seixas assumiu o exercício desses cargos. Dispensado a seu pedido, foi substituído, a 27 de outubro, na paróquia pelo coadjutor padre Inácio Heinze, que havia sido nomeado a 24.
Este foi dispensado a 2 de novembro, sendo substituído pelo padre João dos Santos Ferreira. 
Falecendo o pároco João Antonio da Silva a 26 de fevereiro de 1863, foi nomeado vigário interino o padre Francisco de Paula Cavalcante de Albuquerque que, a 2 de julho desse mesmo ano, foi nomeado coadjutor. O padre João dos Santos Ferreira, chegado a esta capital no dia 22 de julho de 1864, tomou posse, a 23, do cargo de coadjutor, para que fora nomeado pelo Bispo a 16 do mesmo mês.
A 6 de janeiro de 1865 tomou conta da vigararia o padre José Jesus Maria Pinto. Em 31 de outubro do mesmo ano foi nomeado o padre Manoel José Sanches de Brito, vigário encomendado da freguesia desta cidade. Tomou posse a 6 de novembro. Era então coadjutor o padre Augusto Collére.Por provisão do Bispo, de 16 de julho de 1866, foi nomeado o padre Dr. Antonio José Bentes vigário-geral e pároco interino de Manaus. Assumiu o exercício a 23 do mesmo mês. No ano seguinte, a 5 de março, foi nomeado reitor do Seminário de São José, continuando como pároco e vigário-geral. 
A 4 de dezembro desse mesmo ano (1867) o padre Bentes obteve dois meses de licença para ir a Belém. O requerimento em que pedia essa licença ao Bispo era concebida nestes termos:
"Exmo. e Revmo. Sr.O padre Dr. Antonio José Bentes, vigário-geral do Alto Amazonas, pároco interino de Manaus, precisando chegar a cidade de Belém da Província do Pará, a negócios de família, e também conferenciar com V. Exa. a respeito desta paróquia, vem pedir a V. Exa. três meses de licença, para esse fim, deixando encarregado da paroquia o reverendo padre Torquato, residente nesta cidade, do que esperaR. M.Manaus, 25 de novembro de 1867.Padre Antonio José Bentes.
DESPACHO:Concedemos dois meses de licença.Paço Episcopal, 4 de dezembro de 1867.+Antonio, Bispo do Pará".
 Ficou na direção da vigararia-geral do Alto Amazonas e da paróquia de Manaus, o reverendo padre Torquato Antonio de Souza. O padre Antonio José Bentes era doutor in Sacra Teologia pela Academia de Santo Apolinário, em Roma. 
O sitio Caxangá, no igarapé dos Educandos, onde está hoje construída a Usina Brasil Hevea, pertencia ao padre Bentes, que tinha ali a sua residência. O padre Bentes, já então cônego da Catedral de Belém, faleceu a 15 de abril de 1883, nessa cidade.
O padre Bentes, outra vez licenciado, foi substituído pelo coadjutor padre Augusto Collére e, mais tarde, pelo frei Samuel Luciani. 
Por provisão do Bispo, de 31 de março de 1869, foi nomeado o padre Dr. José Manoel dos Santos Pereira, pároco de Manaus e vigário-geral do Alto Amazonas. Foi apresentado por decreto de 12 de janeiro de 1870.
Em 25 de março do mesmo ano prestou juramento, como vigário colado da freguesia de N. S. da Conceição de Manaus. 
Sobre esse vigário escreveu o presidente, tenente-coronel João Wilkens de Mattos, no relatório com que abriu a Assembleia Legislativa da Província, a 25 de março daquele ano:
"Acha-se entre nós o Revmo. padre Dr. José Manoel dos Santos Pereira, vigário-geral da Província, e da paróquia desta capital, em que foi apresentado por decreto de 12 de janeiro último. A presença desse ilustre sacerdote tem levantado do abatimento moral e material o culto divino, que tanto havia sido esquecido nesta capital.A igreja dos Remédios, que serve de Matriz desde 1851, achava-se em um estado pouco decente.Reconhecendo eu o zelo e inteira dedicação no padre Dr. Pereira, não me demorei em prestar-lhe todo o auxílio compatível com as minhas atribuições. De acordo com ele, e sob a direção do chefe das obras públicas, tratei de regenerar, na parte material, o único templo em que os ofícios divinos eram e são celebrados. Essa igreja atesta o zelo apostólico de seu vigário, e contrasta singularmente com o passado.Sois testemunhas dos melhoramentos que esse templo recebeu, e do esmero do seu pároco, cuja palavra se faz ouvir todas as vezes que o cumprimento dos deveres de um bom pastor o exige. Não podem haver justas queixas contra o indiferentismo do atual vigário; ele é incansável, e extremamente devotado ao seu ministério"

* * *
Em 1872, visitaram esta capital os respeitáveis Prelados desta diocese e da do Rio Grande do Sul. Chegaram a 13 e regressaram à Belém a 20 de outubro daquele ano. Ambos pregaram e celebraram na igreja de N. S. dos Remédios.
A população de Manaus mais uma vez manifestou os seus sentimentos religiosos, por ocasião da recepção de tão dignos luzeiros da Igreja Brasileira.
O presidente da Província, que era então o Dr. Domingos Monteiro Peixoto (mais tarde barão de S. Domingos), e o vigário-geral e da paróquia, padre Dr. Santos Pereira, se viram cercados das pessoas mais gradas nas manifestações de apreço aos distintos hóspedes.

* * *
O vigário padre Dr. Santos Pereira percebia dos cofres provinciais os vencimentos anuais de 800$000 réis e o seu sacristão, Antonio José Corrêa (nomeado por provisão do vigário-geral de 30 de abril de 1870) os de 360$000 réis por ano, ou 30$000 por mês.
* * *
O padre Dr. Santos Pereira inaugurou a nova igreja matriz de N. S. da Conceição (hoje Catedral) em 15 de agosto de 1877, pronunciando um belíssimo discurso. (Segue

9 de agosto de 2015

DIA DOS PAIS

Não podia ser diferente, neste domingo destacado no calendário. Minha homenagem ao meu saudoso Pai - Manoel Mendonça.

Foto do passaporte, aos 23 anos

Postal da família, fevereiro de 1950
Mendonça, nos final dos anos 1940


Aos 90 anos, em festa com filhos

Festejando o Natal, em São Paulo-SP

8 de agosto de 2015

LIVRO TOMBO DA PREFEITURA DE MANAUS

Ao tomar posse na direção do Governo Municipal, ao tempo denominado de superintendente, Basílio Torreão Franco de Sá, nomeou, em 20 de setembro de 1920, a comissão composta do Procurador Fiscal, Dr. Francisco Pedro de Araújo Filho, do chefe da 3ª Seção, o engenheiro Adalberto Pedreira, e do chefe da 1ª Seção, João Cesar de Mendonça, “para organizar o Tombo dos próprios desta Municipalidade”.
Palácio do Governo, em 1885, ilustração do livro
Le pays des amazones, do barão de Sant'Ana Nery

Quase dois anos depois, a comissão apresentou ao Superintendente o resultado do seu trabalho. Após a longa pesquisa, foi possível relacionar 63 próprios pertencentes ao município da Capital. De outro modo, não foi possível estabelecer o valor de compra nem o das reparações realizadas.  
Contribuiu com a comissão Dr. Raimundo de Miranda Leão, ilustrando o trabalho com várias plantas, obviamente com os recursos da época. Enfim, o trabalho foi impresso sob o título – Relatório da Comissão Organizadora do Tombo dos Próprios do Município.

Reproduzo o primeiro tópico do Relatório, lembrando que o Paço da Liberdade (denominação atualizada) abrigou a direção da Prefeitura de Manaus por décadas, até ser transformada em Centro Cultural.


Nº 1 - PAÇO MUNICIPAL

Do Relatório do presidente da Câmara Municipal, Sr. Antonio da Cunha Mendes, enviado em 18 de março de 1872 ao Exmo. Sr. Presidente da Província, Dr. José de Miranda da Silva Reis, consta a seguinte solicitação:
“Funciona o Paço Municipal em prédio de propriedade particular, o qual não tem as precisas acomodações para o serviço do Júri; a própria Secretaria está em pequeno quarto onde mal se acha o cartório e a banca do secretário. Paga atualmente essa câmara o aluguel de um conto e duzentos mil réis por ano, tendo sido alugado posteriormente por .... (sic)
A constante progressão das rendas das casas, obriga esta Câmara a solicitar de V. Exa. que lembre ao patriótico corpo legislativo provincial a necessária autorização para esta Câmara fazer aquisição de um prédio ou a consignação de meios para a construção de um em condições adaptadas a satisfazer esta necessidade de primeira intuição.”

Em 24 de setembro de 1873 foi lavrada em notas do Tabelião Bernardo José de Bessa, uma escritura de compra e venda feita a Câmara Municipal de Manaus, por José Antonio de Carneiro e sua mulher, de um terreno situado no bairro de São Vicente, pelo preço e quantia de cinco contos de réis, e às 9 horas da manhã de 1º de janeiro de 1874 realiza no dito terreno a cerimônia da colocação da primeira pedra da fundação do novo Paço Provincial.
Em 24 de janeiro de 1874 a Câmara Municipal, representada por seu presidente, tenente-coronel José Coelho de Miranda Leão, contrata com o Sr. Leonardo Antonio Malcher a construção dos alicerces deste próprio, a razão de catorze mil e quatrocentos réis o metro cubico, e, a 8 de julho, representada por seu presidente, comendador Clementino José Pereira Guimaraes, contrata com o comendador Francisco de Souza Mesquita a conclusão das obras do Paço Municipal, pela quantia de 185$000 réis, paga em prestações anuais.

Em 24 de setembro de 1878, o presidente da Câmara, bacharel Gustavo Adolfo Ramos Ferreira, submete à deliberação da mesma o seguinte:
“O Exmo. Sr. Presidente da Província, Dr. Romualdo de Souza Paes de Andrade, pretende que o novo Paço desta municipalidade seja alugado para servir de Palácio do Governo; fazendo a Câmara as acomodações precisas para a moradia do Presidente e do Secretário de Governo, por quatro contos de réis o aluguel anual; e entende que, não sendo o estado de finanças desta Câmara muito lisonjeiro, pela diminuição de rendas que tem de sofrer com a criação dos dois municípios de Borba e Manicoré, ao passo que se acham suas rendas sujeitas ao pagamento de 16 contos de réis anuais pelo contrato das obras do novo Paço, cuja falta de pagamento a sujeita a juros, submetia à consideração da Câmara essa ocorrência.”

A Câmara resolve anuir às intenções do Exmo. Sr. Presidente, bacharel Gustavo Adolfo Ramos Ferreira, a efetuar o arrendamento do novo Paço Municipal para Palácio do Governo da Província, pela quantia de quatro contos de réis anuais, pagos em prestações trimensais.
À 1º de janeiro de 1880 foi instalado nesse próprio municipal o Palácio e a Secretaria do Governo da Província.

Em virtude das leis municipais nº 16, de 5 de abril de 1893, e nº 456, de 3 de dezembro de 1906, foi o arrendamento elevado, primeiro, a sete contos e duzentos mil réis e, depois, a doze contos de réis.
No governo do Sr. Dr. Antonio Constantino Nery, realiza o Estado nesse próprio as construções de um salão na parte posterior, um sobrado de dois andares e duas pequenas habitações no lado norte, cocheira e cavalariça no lado sul, todas feitas de alvenaria de pedra e tijolo, cobertas com telhas de barro.

Em 1911, o superintendente Dr. Jorge de Moraes contrata com o Sr. Afonso Acampora a reconstrução da ala esquerda desse próprio, danificada diante da abertura de uma vala mandada levar a efeito pela Manáos Improvements, que satisfez por esse prejuízo ao município, a indenização de 45 contos de réis.


Em 17 de fevereiro de 1917, o superintendente Dr. Antonio Ayres de Almeida Freitas, dando execução ao acordo feito com o Contencioso Fiscal do Estado, em virtude da autorização contida na lei nº 882, de 28 de março do referido ano, transfere para este próprio a sede do Governo Municipal.

7 de agosto de 2015

NOTAS PARA A HISTÓRIA DO AMAZONAS (3)

Padre Carlos Fluhr, que também foi vigário
da paróquia de São Raimundo
A história da Catedral de Manaus foi escrita pelo saudoso mestre Mário Ipyranga Monteiro. Outras publicações igualmente secundam esse trabalho. Aqui, recolhido de um vespertino local, reproduzo um texto somente como anotações sobre a igreja da protetora de Manaus - de Nossa Senhora da Conceição.
Sem identificação do articulista, o texto, que pensei ser do padre Nonato Pinheiro, traz duas incorreções: a data da criação da Diocese do Amazonas (1892) e a posse de seu primeiro bispo (1894).

Ao texto, recuperado do Diário da Tarde, circulado em 25 de março de 1946.


Nossa Catedral: Resenha Histórica

Fora a formação histórica da Vila da Barra do Rio Negro presidida por São José, pois o "fortim de São José", garantindo a soberania portuguesa, dera início, em 1669, à nova povoação. No mesmo ano, por aqui andam os padres Jesuítas. Passam-se 26 anos. Em dias de 1695, aqui chegam os padres Carmelitas e, "nas cercanias do fortim, aproveitando-lhe a sombra protetora" erguem logo, pequena e tosca, de madeira e palha, uma capela de Nossa Senhora da Conceição. A Virgem é, desde então, padroeira do nascente Lugar da Barra, hoje a nossa Manaus. Em 1781, já em ruinas, é a capela primitiva, levantada pelos carmelitas, derrubada. 
No ano seguinte, por ordem da Junta Governativa da Capitania, o comandante do fortim de São José, começa a reerguê-la. Manoel da Gama Lobo d'Almada, governador da Província, logo no inicio de gestão, resolve por abaixo a pequena igreja, por achar muito sem arte a construção em andamento, reedificando-a totalmente. 
É a nova matriz o centro da vida cívico-religiosa do Lugar da Barra. Nela se celebram cerimonias oficiais como, em 1822 e 1824, o juramento à Constituição elaborada pelas Cortes. O ato é realizado em presença de todas as autoridades e da Câmara de Serpa (Itacoatiara), que nele vem, especialmente, tomar parte. 
No tempo em que os ideais cabanos agitam a província toda, também, na Matriz, se canta solene Te Deum Laudamus. Em 1850, violento incêndio devora a igreja da Virgem da Conceição. Passa então a servir, provisoriamente, de Matriz, a pequena capela de Nossa Senhora dos Remédios. O nome de Manaus, pequeno e sugestivo, com o sabor de novidade para o resto do Brasil, legado que é de uma tribo guerreira amazônica, substitui o de Barra de São José do Rio Negro, em 1856. 
A cidade cresce. Dois anos mais tarde, a 23 de Julho de 1858, sendo presidente da Província o Dr. Francisco José Furtado, é lançada a 1ª pedra do atual templo de Nossa Senhora da Conceição. É vigário o padre João Antonio da Silva. Em 1862 (sic), criada por Leão XIII a diocese do Amazonas, pelo desmembramento da do Pará, é a igreja de Nossa Senhora da Conceição elevada à Catedral. 
Jubilosa, recebeu Manaus o seu 1º bispo, em 1864 (sic). D. José Lourenço toma posse, na nova Sé Catedral. 
A 29 de junho de 1875, benção litúrgica dos sinos que, até os nossos dias, conclamam os fieis à oração. No mesmo ano, de Lisboa, chegam: a capela-mor, três altares e o batistério, tudo esculpido em pedra de lioz. Imponentes nas suas linhas arquitetônicas — o monumento à padroeira já domina a pequena Manaus. 
Custeadas diretamente pela Província, as obras da Catedral orçam então em 752.213$836. Encarada, desde o seu início, pelos presidentes da Província, como a obra mais importante a realizar e, até aquela data, a única que, sob garantia de lei especial, fora avaliada em preço superior ao da renda anual da Província, o templo se torna, em breve, uma realidade digna dos maiores encômios se apresenta aos nossos olhos a tarefa desempenhada, com dedicação, pelo governo da Província, no período de 1858 até 1875, tudo envidando para dotar Manaus de uma bela Catedral. 
PASSA O TEMPLO POR REFORMAS 
Das reformas por que, no decurso dos anos, passa o templo da Imaculada Conceição, a principal a assinalar é a empreendida em 1915, pelo então vigário, cônego Bento da Cunha. Constitui-se para esse fim uma comissão encarregada de levar a termo o propósito de embelezar a Catedral. Eis a comissão: Dr. Jonatas Pedrosa, governador do Estado, desembargador Raimundo Perdigão, coronel Leopoldo de Matos e Drs. Aristides Rocha e Brestislau de Castro. Tem a Sé, àquela época, um forte protetor no benemérito comendador Joaquim Gonçalves de Araújo. 
Ao tempo de D. frei Basílio Olímpio Pereira, quando é vigário o padre Carlos Fluhr, são feitos pequenos melhoramentos. Em 1945 é ainda a nossa Catedral de uma pobreza extrema: paredes lisas e caiadas. D. João da Matta quer adorná-la internamente, preparando-a para a Sagração. Convoca o seu povo generoso. 
A nave central e a capela-mor são pintadas a óleo, decoradas com símbolos litúrgicos. Orçam as despesas de pintura e decoração em Cr$ 93.801,60. E' seu atual vigário o padre Luiz Machado.
SAGRAÇÃO DO TEMPLO 
Ontem, 24 de março de 1946, 251 anos decorridos sob o olhar vigilante de Nossa Senhora da Conceição, quer a Diocese, quer o povo amazonense, proclamam-lhe os louvores, tributando-lhe fervorosa ação de graça. Por iniciativa de D. João da Malta Andrade e Amaral, o templo da Virgem, Padroeira gloriosa do Estado, recebe nesse dia, a Sagração litúrgica, enriquecendo-se, desse modo, de singulares privilégios: D. Mario de Miranda Vilas-Boas, arcebispo metropolitano do Amazonas, é o oficiante. 
A Cidade da Virgem da Conceição, hoje ainda, como nos dias remotos de 1695, sente-se feliz em ter o trono de sua excelsa rainha assentado à frente da majestosa baía do Rio Negro, definitivo, sobranceiro, a irradiar o seu doce domínio pela vastidão verde da Planície, sobre as cidades e vilas, missões e tabas, igarapés e cachoeiras, florestas e rios. 
Manaus cristã, o cérebro do Amazonas, é uma dádiva de Nossa Senhora da Conceição, a vitoriosa, e por isso é a Cidade Sorriso, o jardim mariano, a capital mais acolhedora e simples do Brasil. Cosmopolita, cidade em miniatura, tem personalidade própria, é culta, é civilizada é, sobretudo, um grito de fé nos destinos da pátria, um grito vibrante de esperança para a igreja católica. 
PROCISSÃO DAS 7 PARÓQUIAS 
Encerrando as solenidades da Semana Sacerdotal, ontem, às 16 horas, partiu da Catedral, terminando na praça Antonio Bittencourt, a grande procissão em que tomaram parte as 7 paroquias da sede episcopal, com todos os colégios e associações religiosas. 
 D. JOÃO DA MATTA ANDRADE E AMARAL 
12 anos fez ontem que, das mãos de D. Sebastião Leme, no Santuário de Nossa Senhora Auxiliadora de Niterói, recebia D. João da Matta a plenitude do sacerdócio. Era sagrado bispo de Cajazeiras, cidade do sertão paraibano. Ali, durante menos de 7 anos, teve atuação inspirada. 
Pio XII quis transferi-lo para mais vasto cenário e, sob as luzes do Espirito Santo, designou-o para a longínqua Diocese de Manaus, no grande Amazonas. A data de eleição foi a de ontem, 24 de março de 1934. 
A 21 de Outubro de 1941, toma posse o 5º bispo de Manaus. E de então aos nossos dias o desvelado pastor tem vivido a palavra de ordem do mestre, que é o seu lema: Pasce agros meos! 
A capacidade de trabalhe e o grande sacrifício que exornam a figura do guia espiritual do Amazonas são notórios. ***