CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

30 de outubro de 2014

MANAUS: 345 ANOS | 3


Brasão do Corpo de Bombeiros

O centenário periódico Jornal do Commercio vem há década promovendo a circulação de uma edição especial pelo aniversário de Manaus. Assim, no passado dia 24, para rememorar os 345 anos de existência da capital amazonense, novo caderno circulou. Agora mais expandido, pois descreve, ainda que sucintamente, “a história dos seus bairros e da região metropolitana”.
Além do campo de abrangência da publicação, um ente governamental foi apreciado: o Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas. Coube ao jornalista Evaldo Ferreira (eferreira@jcam.com.br) a produção da matéria, que vai aqui reproduzida por dois motivos: renovando minha homenagem aos Bombeiros, em nome do coronel BM Roberto Rocha e, segundo, porque a matéria mencionada utilizou meu trabalho sobre a corporação dos “homens e mulheres do fogo”.
Meus agradecimentos, pois, ao comandante e ao amigo jornalista.

Uma história resumida a salvar


Eles chamam a atenção por onde passam, sobre o carro
vermelho, com sirene apitando e pressa, muita pressa, pois
seu trabalho se resume a salvar vidas e bens em situações
de tragédia, os bombeiros. Como heróis que a profissão os
força a ser, os heróis do fogo (e em muitos casos, das águas,
também), como são conhecidos acabaram de ganhar uma
homenagem digna de seus méritos, o livro "Bombeiros do
Amazonas: retrospectiva 1876-1998", escrito pelo coronel
PM da reserva e historiador Roberto Mendonça, e editado
pela Editora Travessia.

No livro, Mendonça recorda os primeiros incêndios ocorridos
em Manaus, muito antes mesmo da existência dos bombeiros.
"Estruturei esta obra em três fases", escreveu o historiador
na apresentação do livro, "a primeira narra desde a criação
do serviço de extinção de incêndios até meados do século
passado, cujo balizamento foi a passagem desse ofício para a
competência da Prefeitura de Manaus. A segunda, iniciada
em 1951, prospera até 1973, quando o Corpo de Bombeiros
de Manaus foi incorporado à Polícia Militar do Amazonas.

A terceira, com duração de 25 anos, cobre a
responsabilidade do Estado com os serviços, enquanto
competência da Força Pública. A partir de 1998 abre-se
novíssima idade, quando o encargo do combate ao fogo
prossegue com o Estado, porém, desvinculado da Polícia
Militar, a corporação veleja autônoma".

A história dos incêndios em Manaus começa com grandes
catástrofes como a ocorrida em 2 de julho de 1850, poucos
meses antes de o Amazonas se tornar província quando a
igreja matriz desapareceu consumida pelas chamas, ou com
o incêndio do trem de guerra (conjuntos de petrechos que
acompanham a força terrestre) acontecido em junho de 1874.
"Durante cerca de uma hora, rezam as crônicas, a cidade
inteira ouviu aterrados os estampidos provenientes da
combustão do trem de guerra... ", escreveu o historiador
Mário Ypiranga Monteiro.

Emancipados e profissionais

Na década de 1950, conforme Roberto Mendonça, teve
início o segundo período na história dos bombeiros mas,
como até aquela época, os integrantes da instituição
tinham que ser heróis duas vezes. "Nesse ano (1953), ainda
restavam em apreciáveis condições de utilização um acervo
de peças e equipamentos para o combate a incêndios. A
autobomba, a diesel, marca Henshell, de fabricação alemã,
adquirida em 1937 que, por falta de manutenção e peças de
reposição, repousava em um depósito de veículos inservíveis
da prefeitura", escreveu, ou "O carro bomba, mais bomba que
carro, deixou uma impressão entre amarga e bizarra. (...) os
bombeiros realizavam todos os serviços pra a Prefeitura (1955 e
1957), menos de bem combater o fogo".

O terceiro período começou após 1972, quando finalmente o
Corpo de Bombeiros se profissionalizou passando a integrar a
Polícia Militar. "Consolidada a incorporação, em dezembro de
1972, desembarca em Manaus uma missão francesa. Na direção,
monsieur Robert Abbadie, oficial superior dos bombeiros de
Paris, acompanhado de engenheiros civis. De retorno à França,
essa equipe produziu um Memorial, expondo ao governo
amazonense as necessidades materiais para melhor adequar a
corporação".

A partir de 1998, houve a emancipação do Corpo de Bombeiros,
da Polícia Militar, conforme o Artigo 55, da Emenda Constitucional
31, de 26 de novembro. "A resolução legislativa apontou nova
definição aos seus integrantes e consolidou sua destinação e
incumbência de dirigentes, contudo, entre partidas e tropeços,
atingiram a esse patamar".

"Marcar a história de forma positiva é um desafio para qualquer
gestor. As dificuldades são muitas. O dia a dia é repleto de
empecilhos e entraves. Porém, a despeito de tudo isso, não há
nada mais gratificante que ver sonhos se tornando realidade, ver
aquilo que todos julgavam ser impossível ganhar forma, fazer
crescer essa grande corporação que tanto bem faz à sociedade.

O livro do coronel Roberto Mendonça só vem nos mostrar isso. Ele
é bom tanto para quem é da corporação quanto para quem quer
conhecer a sua história desde os primórdios", concluiu o coronel
Roberto Rocha Guimarães da Silva, comandante-geral do CBMAM;
secretário-executivo de Ações de Defesa Civil e presidente do
Conselho Nacional de Gestores Estaduais de Proteção e Defesa
Civil.