CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

quarta-feira, novembro 06, 2013

ETELVINA GARCIA


O início da atividade jornalística da jovem Etelvina Norma Garcia, hoje conhecida escritora e editora de livros sobre a história do Amazonas, ocorreu em A Crítica. De sua responsabilidade, a coluna “Vinte e quatro horas na sua profissão” entrevistou algumas personalidades.
Recorte de A Crítica, 17 junho 1958
Transcrevo parte da entrevista que ela produziu com o saudoso padre Bernardo Lindoso, pertencente ao clero amazonense, e com se verá atuando na JOC (Juventude Operária Católica), parte da Ação Católica. Bernardo era irmão de outro sacerdote, Moisés Lindoso, e do ex-governador José Lindoso (1979-82), do qual foi secretário de Estado. Ao participar do governo, Bernardo já havia “deixado a batina”, ou seja, abandonado o sacerdócio.
A foto que ilustra o texto assinala que se trata de Moisés Lindoso. Não, era mesmo Bernardo nos verdes anos de vida.
 
VINTE E QUATRO HORAS NA SUA PROFISSÃO
Brasil sofre com problemas do operariado 

Texto de Etelvina Norma Garcia (*)

 
Há alguns dias, no desempenho de suas atribuições de assistente eclesiástico da Juventude Operária Católica (Região Norte), encontra-se em nossa capital o sacerdote amazonense Pe. Bernardo Lindoso, que veio até Manaus a fim de se avistar com o novo metropolita, D. João de Souza Lima.
 
O Pe. Bernardo Lindoso tem sobre seus ombros o mister árduo de assistir a mocidade operária nos estados do Pará, Amazonas e Maranhão, bem como nos Territórios do Acre, Guaporé, Amapá e Rio Branco, sendo de se salientar que acaba de participar de duas semanas nacionais da juventude trabalhadora, realizadas ambas no Distrito Federal, e nas quais foram debatidos e equacionados os problemas mais graves e mais complexos da massa operária constatados pelos militantes jocistas no trabalho árduo de  todo dia, quando a mocidade das oficinas, dos escritórios, das fabricas principalmente, se debate com dificuldades infindas, advindas do meio em que vivem.

A reportagem do “melhor jornal da cidade”, em conversa com o Pe. Bernardo Lindoso, que se pôs a par da intensidade com que se processa em todo território nacional esse movimento firmado à base da compreensão e da fraternidade, engrossado ainda pela mística da ação, que lhe imprime um caráter humano e cristão, realizando no sentido mais amplo e mais profundo, a igreja missionária no âmbito do laicato, saindo-se para o setor operário.
 
Apoiada (e abençoada) pelo papa Pio XII, a Ação Católica, surgida com a JOC, nos tempos de Pio XI, teve em monsenhor Cardjin a sua mola propulsora, como advindo de uma técnica de ação intensificada e aprofundada, descendo às minúcias dos problemas que afetam a massa e se refletem na elite, buscando suas raízes e procurando colocar um “agir” que se coadune com a razão de ser da coisa e atue decisivamente. 

PROBLEMA DO ADOLESCENTE 

Falando à reportagem e dizendo do que foram as semanas da juventude operária católica, realizadas de 4 a 13 de maio (setor feminino) e de 13 a 22 do mesmo mês (setor masculino) no Rio de Janeiro, com a participação de todos os dirigentes e assistentes eclesiásticos das seis regiões brasileiras (Norte, Nordeste, Centro-Oeste, Leste, Sul e Extremo Sul) o Pe. Bernardo Lindoso declarou que através de um trabalho meticuloso de penetração da ação basilar da JOC nos diversos pontos do país, levando-se em conta as dificuldades que o movimento encontra para uma ação efetiva, o problema do adolescente desorientado foi constatado nesse encontro como um dos mais angustiantes para a massa operária.

“Jovens obrigados pelas injunções da vida de família, com as dificuldades inerentes ao tempo a deixar os estudos em idade precoce, lançando-se no campo do emprego, sem uma compensação satisfatória, monetária, e socialmente falando, fazendo jus a um salário insignificante que não dá margem a que o individuo supra as suas necessidades mais elementares. Cada ano, em todo o mundo (deixando-se de parte o problema nacional e abrindo-se as janelas para todo o globo) uma média de 20 milhões de estudantes são forçados a deixar a escola em busca de trabalho para garantir o próprio sustento. No Brasil (e atestam os inquéritos e as estatísticas), uma média de 400 mil jovens deixam a vida de estudante, passando a enfrentar as agruras e as dificuldades infindas das fábricas, das oficinas, sem poderem sequer almejar um âmbito de vida mais confortável”.

CARDJIN E A JOC

Muito se fala e muito se ouve falar de ação católica. À primeira vista, a impressão que se tem é a de que seja uma associação religiosa como tantas outras que se espalham pelas paróquias, escudadas na fé, e amparadas pela direção da igreja. No entanto, se descermos às minúcias, vamos encontrar a Ação Católica e todas as suas ramificações com a participação ativa do laicato na hierarquia eclesiástica, como uma ação decisiva em todos os setores da vida humana, através dos militantes de suas fileiras. Encararmos mesmo a Ação Católica como uma ação social ampla que se firma na mística cristã.

Abordamos então o assistente regional da JOC sobre as raízes do movimento ao que nos adiantou: “A Ação Católica nasceu como não se desconhece, com a própria JOC. Mons. Cardjin a idealizou, lançando-lhe as sementes por volta de 1914, sendo que somente em 1925 foi fundada a JOC, na Bélgica, tendo apoio do papa Pio XI, seu grande incentivador.

A penetração maior da JOC, no entanto, deu-se depois da última guerra mundial. Cardjin, preso durante a guerra, taxado de comunista, tem tido uma vida eivada de grandes tormentos, que é, ao mesmo tempo, um poema de idealismo e de persistência.

Atualmente é assistente do Bureau Internacional da JOC, donde promanam as diretrizes do movimento no âmbito universal. 

(*) A Crítica, 17 de junho de 1958 (quando eu completava 12 anos)

quinta-feira, outubro 24, 2013

CASAMENTO DO DIEGO & CAROL



Diego & Carol
A fundação desta nova família ocorre hoje e, sem modéstia, abrilhanta a festa dos 344 anos da fundação de Manaus. Aproveito o espaço para expressar as minhas despedidas ao garoto Diego, que é a maneira cordial como saúdo o filho. Aos 25 anos, desliga-se da casa paterna para assumir as obrigações de “dono de sua casa” e de outros designativos próprios e impróprios.
Quando meu filho -- Diego Valois -- nasceu, eu havia ingressado nos “quarentanos”. Apesar dessa “pouca” idade, seu nascimento me trouxe algumas aflições. Preocupações que se fundavam em assistir suas conquistas básicas: a do ensino fundamental, que ele começou na Escolinha Sonho Infantil. O ensino do primeiro grau, longo para o pai que já ultrapassara meio século de idade, ocorreu em escolas de Manaus, de Recife e de Curitiba. Esse primeiro passo escolar, Diego o concluiu no Colégio Santa Doroteia.
O secundário, mais curto, parecia fácil, acompanhei-o em três escolas de Manaus. Lembro-me de que, em teste, enfrentou o vestibular da Ufam, cursando o 2º ano. Foi aprovado. Houve um alvoroço em casa, com o intuito de que se aproveitasse essa conquista. Mas, desistimos. Diego seguiu adiante e, no vestibular seguinte, ingressou na Universidade Federal. E nela conquistou o curso de Química. E ainda haverá de conquistar outros títulos.
Há anos frequenta com entusiasmo inconteste a Nova Igreja Batista. E foi entre esses jovens que encontrou a Caroline Brelaz, a qual atende por Carol.  Um dia, decidiram casar. No primeiro instante, tomei um sobressalto. Logo eu que já havia superado diversos, por isso tentei timidamente que ele adiasse um pouco mais esta respeitável decisão. Ele foi incisivo, decidido e, para provar o acerto, marcou a data do casamento. Ocorre hoje, com as festas que as famílias e os amigos compartilham, tuitam e espalham pela web.
Painel com belos momentos do noivo
Chegou o dia, Diego. Acompanhei os preparativos por meses, opinei sobre alguns detalhes da festa de casamento, assim como da nova residência e da viagem nupcial. Tudo dará certo, porque sei o quanto você se organiza para vencer, como vencia aos adversários nos jogos eletrônicos, por exemplo. Da mesma maneira como me conquistou para “torcer” pelo seu Palmeiras.

Chegou a hora, vá em frente! Tenho convicção de que você e a Carol hão de triunfar, hão de superar os embates da vida. Mas, se alguma eventualidade o afligir, se algum duro revés o inquietar, e precisar de auxílio, pode chegar sem cerimônia, Diego. A nossa casa, repetindo uma sentença do velhinho, seu avô Mendoza, “estará de portas abertas”. Foi então que compreendi a sentença do apóstolo Paulo aos Efésios:
“Por isso, o homem deixará pai e mãe, para se unir à sua mulher, e serão dois numa só carne”.

sábado, outubro 19, 2013

BANCO DA AMAZÔNIA (2)


Anúncio do Banco inserido no
quinzenário
Anísio Mello, saudoso multiartista, empreendedor prodigioso, foi funcionário do Banco da Amazônia (Basa). No quinzenário Folha do Norte, de sua direção, conta parte da história do Basa. A seguir a parte final.
BCA: Vinte anos - Dez presidentes (*)
Já em 1950, a 20 de dezembro, por ter sido eleito deputado federal pelo Maranhão, José Matos pedia demissão, sendo substituído no cargo pelo então chefe de Departamento, Guilherme de Menezes Vieira. A esse período, sucedeu a administração Dr. Gabriel Hermes Filho, pois foi este nomeado para a Presidência por decreto de 23 de fevereiro de 1951, do presidente Getúlio Vargas, já então reconduzido ao Governo do país, pelo sufrágio popular.

Assumindo Gabriel Hermes a presidência do Banco, em 21 de março desse ano, foi eleita nova diretoria, composta por Francisco de Paula Valente Pinheiro, Guilherme de Menezes Vieira, Abelardo Condurú e Walter Putz.

Dois anos depois, em setembro de 1953, Francisco Pinheiro se licenciava da Diretoria, para servir à Valorização Econômica da Amazônia, integrando a Comissão de Planejamento da mesma, como representante do Governo do Guaporé (hoje Rondônia). Foi, então, nomeado para substitui-lo outro destacado elemento do funcionalismo do Banco, José Castanheira Iglésias.
A 12 de setembro desse ano, ainda, portanto, na presidência de José da Silva Matos, era substituído o diretor Manuel Veloso de Oliveira Dias, com a nomeação na mesma data de Eliezer de França Ramos Filho, outro elemento integrante dos quadros de nosso funcionalismo.

A 11 de novembro de 1954 empossava-se novo presidente do Banco, Arnóbio Rosa de Farias Nobre, para o cargo nomeado pelo Governo da República, ao mesmo tempo que nova diretoria era eleita para com ele servir, em princípios de 1955, integrada por Álvaro Sinfrônio Bandeira de Melo, Expedito Augusto Nobre, Luís Gudolle Cacciatore e Sílvio Leopoldo Macambira Braga.
Remy Archer, presidente do BCA,
indica o texto ao presidente JK
Finalmente, a 29 de dezembro desse mesmo ano de 1955, era nomeado presidente do Banco, em substituição ao Arnóbio Nobre, o Sr. José da Silva Matos, que administrou o banco com a mesma diretoria eleita a 26 de março de 1955, e composta de Álvaro Sinfrônio Bandeira de Melo, Expedito Augusto Nobre, Luís Gudolle Cacciatore e Sílvio Leopoldo Macambira Braga. Este último, havendo se candidatado a deputado federal, como foi realmente eleito, em 16 de novembro de 1958, renunciou ao cargo, sendo substituído por Rubem Ohana, do quadro de funcionários da Casa, nomeado no dia imediato.

A 24 de setembro de 1959, o presidente da República nomeava novo presidente para o Banco, recaindo a escolha na pessoa do Dr. Remy Archer, o qual tomou posse em 1º de outubro do mesmo ano. Antes, porém, havendo se encerrado em março o período de quatro anos para o qual haviam sido eleitos os diretores então em exercício, uma nova diretoria foi, não mais eleita, porém, nomeada em sessão de Assembleia-Geral, realizada a 30 de março daquele mês de março de 1959, com mandato de um ano, sendo ela composta de Rubem Ohana, Cervantes de Carvalho Couto (também do quadro de funcionários da Casa), Dr. Paulo de Menezes Bentes e Manoel Veloso de Oliveira Dias.
Terminado o prazo para o qual foi nomeada essa diretoria, outra foi eleita pela Assembleia-Geral, em sessão de 2 de abril de 1960, para o quatriênio de 1960-64, compondo-a Eliezer de França Ramos Filho, José Castanheira Iglésias e Rubem Ohana, todos três funcionários da Casa, e, ainda, Everaldo Estélio de Oliveira e Silva, funcionário do Banco do Brasil.

A 3 de outubro desse mesmo ano, entretanto, falecia, bruscamente, no Rio de Janeiro, José Castanheira Iglésias, sendo, então, nomeado para substituí-lo outro funcionário da Casa, Joel Victor de Oliveira. Essa diretoria, porém, em fins de 1961 (deve ser 1960) com o advento do governo Jânio Quadros, renunciou às suas funções, ao mesmo tempo que o presidente da República nomeava para a presidência do Banco, em 27 de março, o Dr. Hélio Palma de Arruda. Então, em sessão de Assembleia-Geral, realizada a 22 de abril de 1961, foram eleitos novos diretores: Nelson de Castro Ribeiro, Murilo Berredo Martins, Expedito Augusto Nobre e Wanderley de Andrade Normando, os três últimos do quadro de funcionários do Estabelecimento.

Com a renúncia do presidente Jânio Quadros, em agosto desse mesmo ano, e assumindo a presidência da República o vice-presidente, Dr. João Belchior Marques Goulart, foi por este nomeado presidente do Banco Raimundo de Alcântara Figueira, que assumiu o cargo a 26 de outubro, iniciando atividades com a mesma diretoria a essa data em exercício.
A 11 de dezembro do mesmo ano - 1961 - a Assembleia-Geral elegeu, porém, nova diretoria, composta de Eliezer de França Ramos Filho, Dr. Euclydes Mijtos, Dr. José dos Santos Freire e Osvaldo de Castro Rebelo, este último funcionário do estabelecimento.
Essa é a Diretoria que presentemente (1962) orienta os destinos do Banco.

Sem dúvida que instituído assim, numa época de suma gravidade, o Banco teria de enfrentar não poucos percalços inclusive no empenho de vencer praticas que já se haviam feito rotineiras, exigindo, por isso mesmo, redobrado trabalho para superá-las. Os primeiros passos tinham de ser, dessa maneira, cautelosamente medidos, vacilantes aqui e ali. Mas, os primeiros magníficos frutos da grande obra não tardaram a aparecer e, aos pequenos tropeços esparsamente registrados, consequência do açodamento com que as exigências da guerra impunham se buscasse o fim colimado, respondiam vitórias soberbas, crescendo a produção nacional da borracha a 24.548 toneladas em 1943, a 28.476 logo no ano imediato, para chegar a 32.930 toneladas em 1947.
Satisfazia, assim, o Brasil, pelo trabalho do Banco, seus compromissos com as Nações Unidas, na luta pela defesa da Democracia. De princípio, atingia apenas a 10 o número de Agências e Escritórios do Banco pelo país, das quais, somente Manaus; Rio Branco, no Acre; Guajará-Mirim e Porto Velho, no então Território do Guaporé; e Cuiabá, em Mato Grosso, dentro da faixa amazônica.

Antes que a guerra terminasse, porém, novas filiais foram sendo criadas, à medida que o crescimento da produção assim o exigia. Terminada a guerra, as tarefas da consolidação da paz impunham continuasse o Banco a sua marcha ascensional. E isso foi feito em toda a sua extensão, para, a 30 de agosto de 1950, pela Lei nº 1.184, do presidente Eurico Dutra, serem-lhe traçados novos e mais largos horizontes, com sua transformação em Banco de Crédito da Amazônia, que hoje é.
Seu capital se ascendera dos 50 mil contos de réis dos primeiros dias a 150 mil cruzeiros e o raio de suas atividades se estendera enormemente, no amparo e defesa já não apenas da goma elástica, mas de todos os produtos básicos da economia do Grande Vale.

A juta e tantas outras fibras em que é fértil a região, assim como a pecuária e a pequena agricultura, nesta tomando lugar destacado a pimento do reino, mereceram, de pronto, o amparo do Banco, que a cada uma possibilitou, através de investimentos mais largos, notável crescimento, a ponto de conduzir à autossuficiência nacional, como no caso da juta e da pimenta.
Hoje (1962), 48 agências do Banco de Crédito da Amazônia se espalham por todo o país, a Planície crescendo e se fortificando na razão direta do crescimento e da força do próprio Banco. O transcurso dos 28 anos de instituição desta Casa de Crédito, hoje transcorrendo, é, por tudo isso, um acontecimento festivo para a região. São 28 anos de lutas, a serviço da Amazônia, 28 anos de lutas e de vitórias, que nada há de marear, nem fazer arrefecer o entusiasmo com que a ela nos atiramos.
 
(*) Correio do Norte. São Paulo, 2ª quinzena de julho de 1962

quinta-feira, outubro 17, 2013

BANCO DA AMAZÔNIA (1)



Autorretrato de
Anísio Mello
Anísio Mello, saudoso multiartista, empreendedor prodigioso, foi funcionário do Banco da Amazônia (Basa). Três detalhes, contudo, necessitam ser revelados: AM ingressou nesta Casa de Crédito em 1954, quando residia na capital de São Paulo e aquela se intitulava Banco de Crédito da Amazônia.
Alguns anos depois, ainda em São Paulo, AM fundou e dirigiu por cinco anos um jornal, o quinzenário Folha do Norte, empenhado em divulgar os diversos acontecimentos, como apregoava, da região nortista.  Foi da coleção desse periódico que saquei o texto abaixo, que conta parte da história do Basa. As ilustrações também pertencem ao editor do jornal, pois sua capacidade artística assim permitia. Na ausência de foto, entrava em ação o lápis ou as tintas do Anísio Mello.
Logo do quinzenário de Anísio Mello
BCA: Vinte anos - Dez presidentes
O primeiro presidente do Banco de Crédito da Amazônia S. A., àquela altura Banco de Crédito da Borracha S.A., foi o então capitão (do Exército) Oscar Passos que, com três diretores - um brasileiro e dois norte-americanos – constituiu a superior       administração do novo instituto de crédito que, sob tão notáveis auspícios, assim surgia. Esses três diretores eram Sady Carnot Brandão, Edmond Eugene Long e James A. Russel Jr. Pouco depois, entretanto, Sady Carnot renunciava, entrando a substitui-lo Ruy Mário de Medeiros.

Posteriormente, foram criados mais dois lugares na diretoria, ocupados por nacionais, recaindo a escolha do Governo Central, para esses dois cargos, nos prof. Abelardo Condurú e José Dias da Cunha, funcionário do Banco do Brasil, na capital do País.
Durante o exercício de 1943, renunciaram José Dias da Cunha e os dois diretores americanos, estes últimos substituídos, Long por Edward Russel Jobson e o Russel, por Walter Eckstein Kluppert, que tendo pedido licença e, a seguir, renúncia, foi substituído, primeiro, por John N. Neuman e, finalmente, por George Edward Pell, enquanto Inácio Soriano de Amorim Caldas, àquela altura exercendo as funções de superintendente, no Banco, entrava para a diretoria, a substituir Dias da Cunha.
Nesse mesmo ano, a 25 de janeiro, o presidente Getúlio Vargas assinava decreto nomeando para a presidência do Banco o Dr. José Carneiro da Gama Malcher, em substituição ao já major Oscar Passos.
 
A administração José Malcher se estendeu até janeiro de 1946, quando, ascendendo ao Governo da República, o general Eurico Gaspar Dutra nomeou para a presidência do Banco o Dr. Firmo Ribeiro Dutra, constituindo-se, então, logo a seguir, a diretoria com Ruy Medeiros, Abelardo Condurú, Inácio Caldas, Carl L. Reed e Edward Bacon Hamill. Em janeiro do ano seguinte, renunciava Ruy Medeiros, enquanto lamentável desastre verificado nas águas do rio Guamá, quando a lancha em que viajava explodiu, arrebatava a vida de Inácio Caldas.
Simultaneamente, terminava o prazo de administração do prof. Abelardo Condurú, que vale dizer três vagas se abriam, dessa maneira, na superior administração do Banco. Com isso, em 31 de março desse ano, a Assembleia-Geral do estabelecimento, reunida, preencheu as vagas, elegendo diretores aos Dr. Otávio Augusto de Bastos Meira, Francisco de Paula Valente Pinheiro, já a essa altura exercendo destacada função no Banco, e Dr. Francisco Vieira de Alencar, nome prestigioso, do seio do funcionalismo do Banco do Brasil, o qual, entretanto, não aceitou, por motivos ponderáveis, a honrosa incumbência, levando a Diretoria, com base em disposição estatutária, a nomear para o cargo o então gerente da Agência de Manaus, Raimundo de
Alcântara Figueira (genitor de Angelus Figueira, ex-prefeito de Manacapuru), que assim completou a Diretoria.

Cessada, em 30 de junho de 1947, a vigência dos Acordos de Washington, retiraram-se da Diretoria os diretores americanos, passando, dessa maneira, a superior administração do Banco a ser integrada apenas de brasileiros.
Pouco mais de dois anos, porém, durou a administração instituída em janeiro de 1946, pois a 30 de março era nomeado pelo Poder Central, para a presidência do Banco, o Dr. Otávio Augusto de Bastos Meira, uma vez que se
exonerara do cargo o Dr. Firmo Dutra. E, a 8 de abril desse mesmo ano, era eleito para a vaga do Dr. Otávio Meira, na diretoria, José da Silva Matos, enquanto o hoje general José Faustino dos Santos e Silva era também eleito
diretor, na vaga aberta com a morte de Inácio Caldas, até então exercida em caráter temporário por Raimundo Figueira. Este, porém, continuou na diretoria, como elemento para ela nomeado. (segue)