CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

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domingo, junho 09, 2019

POETAS AMAZONENSES


Não alcancei esta antologia produzida por Walmir Ayala, mas conheci os poetas locais ali elencados: são dois padres, L. Ruas, nascido em Manaus, e Moisés Lindoso, nascido em Manicoré; o acreano Jorge Tufic e o itacoatiarense Elson Farias.
Pe. Moisés Lindoso, 1979
Os sacerdotes e seus livros tive o prazer de conviver com estes no Seminário de Manaus (1956-65). Com Tufic foram algumas rodadas de Chá, inclusive em minha residência. Elson, segue produzindo.
Sobre o falecido L. Ruas já escrevi bastante e ainda tenho material dele para publicar. Lindoso saiu de Manaus acompanhando o bispo do Amazonas, dom Alberto Ramos, que assumiu a igreja de Belém (PA). Daí, Lindoso passou para o Recife, onde encontrou o lembrado bispo, dom Helder Câmara. Instalou-se na cidade do Cabo (PE), onde faleceu. Era irmão do governador José Lindoso.

A postagem compartilhei do jornal A Crítica, edição de 5 jan. 1963 

Jornal A Crítica, 5 janeiro 1963

Acaba de ser lançado no Rio de Janeiro a “Novíssima Poesia Brasileira”, na série cadernos brasileiros. A iniciativa que tem tido a maior repercussão nos meios intelectuais da Guanabara é do crítico Walmir Ayala, que chamou a si a responsabilidade de selecionar editar o referido livro.
 Na “Novíssima Poesia Brasileira” encontramos a amostra da poesia de 75 novos poetas e Ayala faz, na introdução interessante estudo do sentido dessa poesia, de suas fontes de influência.Dentre os 75 poetas que comparecem na “Novíssima Poesia Brasileira” foram distinguidos 4 poetas do Amazona e Acre e que são os seguintes:
Elson Farias, nascido em Itacoatiara, publicou “Barro Verde”, em 1960, pertence ao Grupo Madrugada tendo sido publicado o Poema 1 e um Soneto, do seu livro editado. Jorge Tufic, nascido em Sena Madureira, Acre, e vive em Manaus, sendo membro do Clube da Madrugada. Já publicou “Varanda de Pássaros” (1956), “Pequena Antologia Madrugada” e foi premiado em concurso promovido pela Folha do Norte, em Belém, sob o patrocínio da SPVEA, tendo sido publicado dele Poema e Ode Amarga ao Espelho. Pe. L. Ruas, nascido em Manaus, pertence ao Movimento Madrugada, publicou “Aparição do clown”, notável poema, é professor da Faculdade de Filosofia, tendo sido publicado na antologia de Ayala as seguintes composições de sua autoria: Estudo e Didática. Pe. Moisés Lindoso, nascido em Manicoré, com estudos eclesiásticos concluídos em Roma, técnico em trabalho de educação de grupo e engajado no movimento da Juventude Operária Católica, sendo atualmente Assistente de JOC, em Belém, publicou um livro “Plenitude”, sendo o representante da poesia tipicamente religiosa; tendo sido editado na Antologia a sua produção literária intitulada Poética. Se é verdade que na Antologia não compareceu (sic) Luiz Bacellar, um poeta já definitivamente consagrado, Faria de Carvalho, com uma produção literária interessante, Sebastião Norões, que se revela senhor de uma técnica de poesia apurada, e outros nomes de relevo, havemos de assinalar que os revelados ao Brasil por Ayala são poetas de mais alta categoria. 

quarta-feira, novembro 06, 2013

ETELVINA GARCIA


O início da atividade jornalística da jovem Etelvina Norma Garcia, hoje conhecida escritora e editora de livros sobre a história do Amazonas, ocorreu em A Crítica. De sua responsabilidade, a coluna “Vinte e quatro horas na sua profissão” entrevistou algumas personalidades.
Recorte de A Crítica, 17 junho 1958
Transcrevo parte da entrevista que ela produziu com o saudoso padre Bernardo Lindoso, pertencente ao clero amazonense, e com se verá atuando na JOC (Juventude Operária Católica), parte da Ação Católica. Bernardo era irmão de outro sacerdote, Moisés Lindoso, e do ex-governador José Lindoso (1979-82), do qual foi secretário de Estado. Ao participar do governo, Bernardo já havia “deixado a batina”, ou seja, abandonado o sacerdócio.
A foto que ilustra o texto assinala que se trata de Moisés Lindoso. Não, era mesmo Bernardo nos verdes anos de vida.
 
VINTE E QUATRO HORAS NA SUA PROFISSÃO
Brasil sofre com problemas do operariado 

Texto de Etelvina Norma Garcia (*)

 
Há alguns dias, no desempenho de suas atribuições de assistente eclesiástico da Juventude Operária Católica (Região Norte), encontra-se em nossa capital o sacerdote amazonense Pe. Bernardo Lindoso, que veio até Manaus a fim de se avistar com o novo metropolita, D. João de Souza Lima.
 
O Pe. Bernardo Lindoso tem sobre seus ombros o mister árduo de assistir a mocidade operária nos estados do Pará, Amazonas e Maranhão, bem como nos Territórios do Acre, Guaporé, Amapá e Rio Branco, sendo de se salientar que acaba de participar de duas semanas nacionais da juventude trabalhadora, realizadas ambas no Distrito Federal, e nas quais foram debatidos e equacionados os problemas mais graves e mais complexos da massa operária constatados pelos militantes jocistas no trabalho árduo de  todo dia, quando a mocidade das oficinas, dos escritórios, das fabricas principalmente, se debate com dificuldades infindas, advindas do meio em que vivem.

A reportagem do “melhor jornal da cidade”, em conversa com o Pe. Bernardo Lindoso, que se pôs a par da intensidade com que se processa em todo território nacional esse movimento firmado à base da compreensão e da fraternidade, engrossado ainda pela mística da ação, que lhe imprime um caráter humano e cristão, realizando no sentido mais amplo e mais profundo, a igreja missionária no âmbito do laicato, saindo-se para o setor operário.
 
Apoiada (e abençoada) pelo papa Pio XII, a Ação Católica, surgida com a JOC, nos tempos de Pio XI, teve em monsenhor Cardjin a sua mola propulsora, como advindo de uma técnica de ação intensificada e aprofundada, descendo às minúcias dos problemas que afetam a massa e se refletem na elite, buscando suas raízes e procurando colocar um “agir” que se coadune com a razão de ser da coisa e atue decisivamente. 

PROBLEMA DO ADOLESCENTE 

Falando à reportagem e dizendo do que foram as semanas da juventude operária católica, realizadas de 4 a 13 de maio (setor feminino) e de 13 a 22 do mesmo mês (setor masculino) no Rio de Janeiro, com a participação de todos os dirigentes e assistentes eclesiásticos das seis regiões brasileiras (Norte, Nordeste, Centro-Oeste, Leste, Sul e Extremo Sul) o Pe. Bernardo Lindoso declarou que através de um trabalho meticuloso de penetração da ação basilar da JOC nos diversos pontos do país, levando-se em conta as dificuldades que o movimento encontra para uma ação efetiva, o problema do adolescente desorientado foi constatado nesse encontro como um dos mais angustiantes para a massa operária.

“Jovens obrigados pelas injunções da vida de família, com as dificuldades inerentes ao tempo a deixar os estudos em idade precoce, lançando-se no campo do emprego, sem uma compensação satisfatória, monetária, e socialmente falando, fazendo jus a um salário insignificante que não dá margem a que o individuo supra as suas necessidades mais elementares. Cada ano, em todo o mundo (deixando-se de parte o problema nacional e abrindo-se as janelas para todo o globo) uma média de 20 milhões de estudantes são forçados a deixar a escola em busca de trabalho para garantir o próprio sustento. No Brasil (e atestam os inquéritos e as estatísticas), uma média de 400 mil jovens deixam a vida de estudante, passando a enfrentar as agruras e as dificuldades infindas das fábricas, das oficinas, sem poderem sequer almejar um âmbito de vida mais confortável”.

CARDJIN E A JOC

Muito se fala e muito se ouve falar de ação católica. À primeira vista, a impressão que se tem é a de que seja uma associação religiosa como tantas outras que se espalham pelas paróquias, escudadas na fé, e amparadas pela direção da igreja. No entanto, se descermos às minúcias, vamos encontrar a Ação Católica e todas as suas ramificações com a participação ativa do laicato na hierarquia eclesiástica, como uma ação decisiva em todos os setores da vida humana, através dos militantes de suas fileiras. Encararmos mesmo a Ação Católica como uma ação social ampla que se firma na mística cristã.

Abordamos então o assistente regional da JOC sobre as raízes do movimento ao que nos adiantou: “A Ação Católica nasceu como não se desconhece, com a própria JOC. Mons. Cardjin a idealizou, lançando-lhe as sementes por volta de 1914, sendo que somente em 1925 foi fundada a JOC, na Bélgica, tendo apoio do papa Pio XI, seu grande incentivador.

A penetração maior da JOC, no entanto, deu-se depois da última guerra mundial. Cardjin, preso durante a guerra, taxado de comunista, tem tido uma vida eivada de grandes tormentos, que é, ao mesmo tempo, um poema de idealismo e de persistência.

Atualmente é assistente do Bureau Internacional da JOC, donde promanam as diretrizes do movimento no âmbito universal. 

(*) A Crítica, 17 de junho de 1958 (quando eu completava 12 anos)