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sexta-feira, junho 24, 2022

POLÍCIA? ONDE ANDAM AS POLÍCIAS?

 Esta postagem compartilha o Editorial do matutino Jornal do Commercio, circulado nesta data. Usei a imagem do indigenista Bruno Pereira e do jornalista Dom Philipps, mortos há duas semanas em nosso Estado, cuja cena rodou o mundo, para melhor caracterizar o terror que vivemos. Não há mais Polícia!, tenho repetido, seja qual for a gradação administrativa. 

Bruno Pereira + Dom Phillips

Editorial

Nunca convivemos com tanto sentimento de insegurança 

O crime organizado continua mantendo suas atrocidades em Manaus, matando sumariamente seus rivais nas barbas da polícia, que se mostra impotente para frear a violência. Ontem, foi morto o filho de um traficante famoso, que expandiu o seu reinado a partir do bairro da Compensa, zona Oeste da cidade. Ele foi torturado e ainda decapitado, algo que choca e espalha o terror.

Incrível como as facções criminosas se expandem, mantendo suas próprias regras e eliminando quem não se adapta às suas exigências. O tribunal do crime age livremente. Mata em plena rua, invadindo até casas para eliminar seus eventuais desafetos. E a população assiste a tudo com muito medo. O sentimento de insegurança já é muito grande.

Claro, o desenvolvimento econômico vem seguido de mazelas sociais. Nem todos têm a mesma chance de ascender social e economicamente. O capitalismo é selvagem. A desigualdade abre precedentes para milhões de jovens serem cooptados como soldados do crime. Nessa briga marcada por tantas barbáries, eles acabam morrendo precocemente, em tenra idade.

É assim nos grandes centros urbanos. Eles (os criminosos) mantêm um poder paralelo que desafia os órgãos instituídos. Chegam a realizar atentados, numa demonstração de que também são poderosos, deixando um rastro de sangue e famílias enlutadas.

Até quando vamos conviver com situações de tanto terror, sem que os direitos humanos sejam respeitados? Hoje, os aparatos de segurança reúnem equipamentos de última geração. Porém, nem com todas essas novas ferramentas tecnológicas somos capazes de frear a violência.

O problema está na base familiar. Jovens são marginalizados por um sistema injusto. A educação, capaz de transformar vidas, não cumpre o seu papel por falta de mais condições, uma contrapartida que deveria ser prioridade nos programas governamentais. É uma demanda que permanece invisível.

Os desajustes estão em todas as esferas do poder municipal, estadual e federal. A corrupção também é uma agravante. Milhões de recursos são desviados, acabando nas contas de gestores corruptos, prejudicando a população. Eles estarão de volta nas próximas eleições com a promessa de proporcionar mais benefícios, que são apenas retóricas eivadas de muita demagogia.

O eleitor precisa estar vigilante. O voto é a maior arma para mudar um país sangrado pela corrupção que atinge todos os setores. Bolsonaro prometeu extirpar um mal que coloca o Brasil no topo do ranking de países mais corruptos do mundo. Porém, seus discursos caem por terra. Há episódios sobre esquemas que incriminam o seu governo com a participação até de ministros.

O suposto balcão de negócios montado no Ministério da Educação pode ser um golpe de misericórdia contra a sua pretensão de continuar comandando o país por mais quatro anos. O governo Lula também foi marcado por muita corrupção. No entanto, o petista se beneficia de um Bolsonaro claudicante, desnorteado. E tem muitas chances de ser turbinado de novo para a presidência da República.

sábado, agosto 21, 2021

SECRETÁRIO DE SEGURANÇA PÚBLICA (AM)

 Assumiu o comando da Secretaria de Segurança Pública (AM), o general de divisão Carlos Alberto Mansur, substituindo o coronel PM Louismar Bonates, que deixa o cargo alegando “motivos de saúde”. Não se trata do primeiro oficial general a comandar esta Secretaria: o anterior foi Delio Mafra, nos primórdios da SSP.

Coube-lhe a iniciativa de desativar o centenário prédio da Chefatura de Polícia, existente na rua Marechal Deodoro. É isto que nos informa o magazine Polícia em Revista, editado em julho de 1973. O panegírico sobre o general Delio, para maior compreensão, vai abaixo:


 

A SECRETARIA DE SEGURANÇA PÚBLICA E SEU ATUAL TIMONEIRO  

Luiz de Rezende Neto


A Polícia Civil do Amazonas, até antes da redentora Revolução de 1964, era um setor da  pública administração que vivia entregue a sua própria sorte e sem esperança de melhores dias, visto que aquela época de baderna desenfreada, de desonestidade, de descrença, onde a troca de valores, o culto da mediocridade, a astucia para fáceis conquistas de posição e cargos, pareciam oprimir tudo e todos num verdadeiro descredito de confiança aos homens que tanto denegriram as nossas instituições democráticas.

Com o advento da mudança do regime de triste memória, sentimos de imediato o renascimento da Justiça, que passou a dominar como disciplina a ordem das liberdades humanas, impondo os bons costumes em função da vida democrática crista e extinguir, ao mesmo tempo, a corrupção, implantando as bases fundamentais da paz e do progresso dando possibilidade a todos os brasileiros a uma vida mais condigna e honesta! 

E a nossa Polícia Civil passou a ser olhada com carinho pelo poder Revolucionário. E aos poucos foi emergindo-se do charco em que lhe jogaram os pseudos-salvadores da Pátria.

Neste curto espaço de tempo de sua gestão a frente da Secretaria de Segurança Pública, S. Exa. muito tem feito e muito ainda fará em benefício do setor que tão dignamente dirige, graças a maneira eficiente, honesta e dinâmica com que vem exercendo o tão espinhoso cargo, em consonância com a política desenvolvimentista ditada pelo eminente governador Joao Walter de Andrade. 

Contando com a eficiente e leal cooperação das Polícias Civil e Militar, em perfeito entrosamento de imprescindível convergência, tendendo a acautelar a ordem e a tranquilidade públicas, conseguiu transformar uma expectativa inicial em franca realidade.

Para isso, no discurso inicial de sua investidura no alto cargo, em Palacio Rio Negro, expos com franqueza e honestidade, os princípios norteadores de sua agenda, concitando os homens dignos para a labuta árdua, mas nobilitante, das funções policiais. Com o seu pronunciamento másculo e oportuno, deixou bem claro que a sua maior preocupação, portanto, foi Segurança Pública de esforçar-se para achar a fórmula de integração, sob a égide do bom entendimento e harmonia e sem distinção ou predileções de todos quantos, compromissados na manutenção da ordem e segurança públicas, constituem exatamente a POLÍCIA, no rudimentar sentido do vocábulo.

0 povo amazonense, que ver no ilustre Secretário de Segurança Pública, um irmão de coração, nele deposita suas melhores esperanças. 

E graças as realizações do governador Joao Walter de Andrade, em prol da recuperação do Estado, foi nomeado em tão boa hora para dirigir a Secretaria de Segurança Pública o ilustre e benquisto general Delio Mafra, cujo homem público passou, de logo, a merecer da comunidade manauara o verdadeiro sentimento de admiração, amizade e respeito dado a sua probidade no cumprimento exato do dever, distribuindo a todos sem distinção de classe ou cor, justiça e revelando, apesar de sua lhaneza e fidalguia de trato, uma firmeza inabalável no cumprimento da lei.