CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

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segunda-feira, setembro 14, 2026

MEUS OITENTANOS (17)

 

FASCÍCULO 17


Cometi de novo um erro grave comigo mesmo ao transferir o comando da Rádio Patrulha, sem aguardar a definição do comando-geral. Entreguei ao subcomandante, capitão Eber Bessa, e, depois de me apresentar ao superior de dia, viajei a Belém, a fim de alcançar meu carro – a Brasília ZG 9432, com a qual segui rumo ao Sul pela BR 153, conhecida por Belém-Brasília. Ia acompanhado da prima Rosinha, que aproveitou a carona para reencontrar a família em Santos-SP. A viagem ocorreu em fevereiro, durante o Carnaval; tanto é que no dia 28, quarta-feira de Cinzas, ao levar o carro a uma oficina precisei aguardar a abertura do banco para sacar o dinheiro. Fui o único motorista: dirigi inicialmente até Anápolis-GO e, então, tomei a direção de São Paulo pela BR 364. Realizei a navegação com o GPS da época – a revista Quatro Rodas – que mostrava as rodovias de forma esquemática, sinalizando pontos de interesses e indicando a quilometragem a percorrer.

Deixando o comando 

                                                                    Enquanto rodava pelo interior, com pouco movimento nas estradas, tudo seguia às maravilhas; todavia, quando alcancei o entorno de São Paulo, minhas pernas tremeram. Ao adentrar a capital paulista os embaraços se ampliaram, mas seguia as placas indicativas para Santos até que, bastou a inobservância de uma delas, me perdi. Adiante, ao avistar uma patrulha da PMESP, estacionei o carro no canteiro. Ao policial surpreso expliquei que chegava de Manaus, bastava que ele conferisse a placa e, ao me identificar, indicou-me o caminho do litoral. A estrada de Santos eu conhecia bastante, em virtude de tantas idas e vindas em anos anteriores, assim, prontamente cheguei à residência dos meus pais e irmãos, e a acolhida foi a costumeira – festiva.

Na Belém-Brasília com minha Brasília


Cometi mais uma imprudência: ao deixar minha viagem para o Rio, onde frequentaria o curso, na véspera da abertura do ano escolar. Era um domingo, dia em que a compra de gasolina era suspensa. Sem ter o que fazer, realizei a viagem economizando combustível ao extremo, porém, estando na avenida Brasil, percebi a proximidade da pane seco. Então, decidi deixar o carro em um posto de gasolina sem qualquer garantia e, de taxi cheguei ao quartel do 2º batalhão, em Botafogo, onde obtive hospedagem. Somente na segunda-feira à tarde, após as aulas, recuperei o meu veículo; devendo assinalar que a Brasília estava coberta por seguro total.

Ainda em 1978, um grupo de oficiais orientado pelos majores Medeiros e Alfaia formou uma Cooperativa para, mediante recursos do sistema financeiro da habitação, construir residências para os policiais; resultando no Conjunto Residencial Tiradentes, edificado no bairro do Aleixo, então em expansão no arrabalde da capital. Foram edificadas casas em amplo terreno, destinadas em princípio aos oficiais da Polícia Militar, porém, encerrado o interesse destes, a venda foi aberta ao público. Aproveitei e adquiri uma casa do empreendimento, a qual recebi ao retornar do curso, no início de 1980.

Casa adquirida no Conjunto Tiradentes


O curso de técnica de ensino destinava-se à especialização de dirigentes de escolas militares, diria que se assemelhava à graduação em Pedagogia, todavia, aplicado em período bem restrito, no caso, nove meses, tanto que utilizei os créditos do curso na Faculdade de Pedagogia da UFAM. A equipe de docentes possuía mais civis que militares, que ajudava bastante no entendimento, e cujas aulas – de segunda a quinta-feira – ocupavam a manhã e à tarde, na sexta, somente aulas matinais. Adaptei-me com facilidade ao currículo, em vista do amplo material de leitura; existiu, porém, certo embaraço com as disciplinas de cunho matemático, em especial, a de estatística. Ainda que sem possuir fundo respaldo nesse campo, dominei a matéria, ao ponto de orientar o colega major Lyra Bastos, da polícia cearense. As provas eram aplicadas sempre às sextas-feiras, dessa forma havia tempo para organizar a preparação.

O Centro de Estudos de Pessoal (CEP), instalado no Forte Duque de Caxias, situava-se na praia do Leme, uma das extremidades de Copacabana, portanto em excelente localização. As aulas obedeciam aos parâmetros voltados ao aperfeiçoamento de futuros docentes. As carteiras na sala de aula estavam dispostas segundo a antiguidade entre os militares, com exceção de dois estrangeiros – os capitães Ramon Montiel, da Venezuela, e Alfredo Fiallos, do Equador. O mais antigo na hierarquia ocupava a primeira carteira – o tenente-coronel Ney Villeroy, descendente do primeiro governador do Amazonas; eu me encontrava quase no final, ainda com a patente de major, entre os majores Bastos Pita, da Bahia, e Carlos de Sá, de Pernambuco, e à frente do major EB Meis Velloso.

Inesquecível foi o mais moderno: o capitão Cláudio Ferreira, do Rio Grande do Norte, talentoso desenhista, que animou a turma com as caricaturas expostas dos colegas. Também fui destaque por conta de um acidente jogando futebol, quando, ao trocar a bola pelo meio fio, sofri uma luxação no dedão do pé direito. Cláudio identificou-me como o “jacaré de pé engessado”. A educação física era realizada no campo de futebol, onde joguei inúmeras “peladas”, e me recorda, além da luxação referida, outra proeza: de óculos, jogava no gol; em certo jogo um forte atacante, que fora jogador juvenil do Botafogo, desferiu aquele chute, levantei os braços para defender, mas a bola passou e explodiu na minha testa. Fui ao chão e os óculos, idem. Acodem os jogadores, porém, nada de grave sucedeu nem a mim, nem aos óculos. Tão pouco, o gol.

Preparação física no estádio. Autor, assinalado


Naquela ocasião, minhas visitas a Santos tinham outro propósito e acolhimento: era a residência dos meus pais; fui repetidas vezes, às vezes usando meu carro, mesmo enfrentando o retorno difícil aos domingos sem posto de abastecimento aberto. Certa vez, na BR Rio-São Paulo, dei carona à duas jovens cujo veículo já não dispunha de combustível. Foi-me conveniente, pois as moças moravam em Botafogo, assim como eu, no quartel do 2º Batalhão, instalado na rua São Clemente.  A estadia naquele aquartelamento revelou-se providencial, não muito longe do CEP e com acesso a diversos pontos importantes. O alojamento abrigava vários oficiais de polícia de diferentes estados; a recepção contribuiu bastante para minhas finanças, já que havia alimentação disponível além do almoço servido pelo Centro. Na metade daquele ano soube da mudança de comando no Amazonas: assumiu o tenente-coronel EB Wilson Raizer, com quem teria um complicado entendimento.

As dependências do quartel do batalhão, contudo, não exibiam bom trato, assim como as viaturas; outro descaso evidenciado via-se no aspecto do pessoal, visto os enormes cabelos e bigodes usados. Ver o comandante chegar ao quartel em carro particular e sem uniforme, me fez indagar a razão. Era o temor dos bandidos, assim, circulava disfarçado. E mais receio, os oficiais me instruíam para não visitar a Baixada Fluminense, onde sempre visitei uma família em Belfort Roxo; nem me identificar como oficial de polícia. Ao ouvir essa admoestação, um colega cearense, rangendo os dentes, assegurou: “no Ceará, os bandidos têm medo da polícia”. Outra revelação de alarme ouvi de um assessor militar da Prefeitura, cuja sede visitei em frente ao batalhão, em antiga residência consular. Perguntei ao oficial como a chefia procedia quando o prefeito desejava visitar uma favela, respondeu-me, sem constrangimento: “faz-se um acerto com o líder comunitário, que, por sua vez, segura os marginais”. Tal artifício beira os 50 anos. (segue)

sábado, agosto 08, 2026

VIAGEM NO TEMPO (1)

A série que hoje se inicia é de autoria do meu irmão Renato Mendonça, que sempre colabora com este Blog. Mês passado, ele veio a Manaus para, entre outros afazeres, celebrar seus 75 anos de idade; nascido na rua Inácio Guimarães, em Educandos, reside no Rio faz uma longa temporada. Estava acompanhado da esposa Alda (foto). Bom, deixo que ele conte a saga empreendida no retorno ao Rio.

 

Expectativa Emocionante

18.07.2026

Quando me convidaram a celebrar o meu aniversário de 75 anos em minha terra natal, hesitei. Considerei um capricho deslocado, uma extravagância sem sentido. Afinal, o aconchego familiar, tão essencial em datas assim, não estaria à minha espera. Era um momento diferente de quase todos os anos passados. O “quase” se justifica porque, algumas vezes, fiquei ausente para cumprir a demanda de trabalho.

Mas, minha intuição se equivocou. Como quem calça o sapatinho de cristal em pés descrentes de uma cinderela, o destino me levou ao baile. A viagem tornou-se fábula: reconciliação numa viagem no tempo, reencontro com memórias que eu nem sabia como guardar. Era como se o relógio tivesse voltado, mas em vez de me aprisionar, me libertava para viver o que ainda não havia sido vivido.

Partimos do Rio ainda na madrugada do dia 26 de junho, sexta-feira, quando os primeiros raios de sol tingiam o céu azul pálido, observados a partir da Linha Vermelha quase silenciosa, como se guardasse um segredo. O Santos Dumont, com seu vai e vem de pessoas, parecia indiferente ao meu coração ansioso. A aeronave da Azul nos levou primeiro a Belo Horizonte, uma pausa programada, como quem respira antes de mergulhar novamente em outra aventura — o voo 4066 — para nos levar ao destino.

E então, rumo a Manaus, o corpo seguia preso ao assento, mas o pensamento já se adiantava: imaginava rever os irmãos e os parentes remanescentes que ainda moram lá; apresentar para minha companheira, Alda, o encontro das águas; um passeio, talvez, para ver o verde infinito da floresta e sentir o calor tropical que nos abraça sem pedir licença — o verão amazônico, típico daquela estação. Cada minuto no ar era como um prelúdio, uma nota que anunciava a aventura amazônica que estava por vir.

Ao pousar às 11h, estranhei apenas a ausência da conferência de bagagem por funcionários do aeroporto internacional Eduardo Gomes — detalhe burocrático que, por um descuido, poderia ameaçar a leveza da jornada. Mas, logo percebi que nada roubaria o encanto de estar novamente ali — quarenta anos depois —, no coração pulsante da Amazônia, onde os rios e a cidade se entrelaçam, e convivem como velhos amantes.

Para nossa comoção, no dia anterior à nossa chegada, a terra tremeu com fúria na Venezuela: um terremoto de magnitude 7,4 espalhou destruição material e baixas humanas. A notícia atravessou fronteiras e, em Manaus, meu irmão Roberto me contou pelo WhatsApp que até ali, em seu apartamento, sentira um leve estremecimento. E foi ele, junto de sua mulher Beatris, quem nos aguardava no aeroporto, com uma solicitude que me tocou profundamente. Conduziu-nos, como quem cumpre um ritual de acolhimento, ao Amazônia Tower Hotel, erguido no coração da cidade, na Avenida Getúlio Vargas.

Naquela mesma tarde, eu e a Alda saímos a pé, em busca de redescobrir a cidade. Mas o que encontrei foi um cenário de abandono pelo poder público municipal: ruas marcadas pelo descuido, lixo espalhado, ausência de lixeiras, e a miséria exposta em cada esquina — famílias inteiras, crianças de colo, transformando as calçadas em palco de um caos social.

Colégio Estadual do Amazonas — Av. Sete de Setembro


O Colégio Estadual do Amazonas, outrora Gimnásio Amazonense Pedro II, erguia-se imponente, mas soturno. O prédio do século XIX, fechado, aguarda reformas. Mais doloroso, porém, é saber que desde o ano letivo anterior não há aulas. O edifício de 150 anos parecia um ancião esquecido, cedendo à intempérie do tempo, testemunha muda de uma história que se desfaz.

Do lado de fora, contemplei a sala de aula onde, há sessenta anos, vivi os melhores ritos da juventude. Era dali que ficava observando as meninas que, no pátio da quadra de esportes, exercitavam educação física, para cumprir a grade curricular. Era como se o tempo tivesse congelado as imagens que a memória soube preservar. Permaneci algum tempo olhando aquela imagem e recolhendo fotos com o celular, não como turista nativo, mas como fotógrafo de lembranças, em busca do ângulo que melhor pudesse eternizar os cinco anos de estudo ali naquele educandário, até concluir o Curso Científico. 

Colégio Estadual do Amazonas — vista lateral.

Uma pesquisa rápida revelou a situação atual do colégio. Descobri que, sob o governo de Wilson Lima — natural de Santarém do Pará e alinhado ao bolsonarismo —, a educação não figurava como prioridade. A ausência de empatia durante a pandemia de Covid-19 parecia ecoar também no descaso com instituições históricas. Também o prefeito, do mesmo viés político do governador, não se preocupa com as mazelas da sociedade. É doloroso perceber que perfis assim ainda conseguem seduzir parcelas da sociedade, sustentados pelo analfabetismo político.

Resta-me a esperança de que o próximo governador tenha sensibilidade para restaurar o nosso CEA, esse relicário de memória coletiva, marcado pelas digitais de gerações inteiras: alunos, professores, bedéis, todos guardados nas paredes centenárias como testemunhas silenciosas de um tempo que não volta. (segue)

sábado, agosto 24, 2024

MORTE DE GETÚLIO VARGAS: 70 ANOS

Reproduzo parte de um texto de propriedade do saudoso Ramayana de Chevalier, que se empenhou ao seu modo, como jornalista e oficial R/2, em prol de Getúlio Vargas (1882-1954), e por quem possuía extremada admiração. Servindo em Manaus, em 1961, na administração de Gilberto Mestrinho, Ramayana escrevia para o jornal A Gazeta. Foi neste matutino, em edição de 20 de abril, que ele resumiu os derradeiros dias do presidente Vargas, encerrados com a morte há 50 anos. 


(...) Assisti, anos mais tarde, à humilhação do gigante. Foi no dia da prisão de Gregório Fortunato, nos jardins do Palácio do Catete. Antes de entrar no automóvel que o levaria ao Galeão, Fortunato ainda discutia no jardim. Cercavam-no soldados da Aeronáutica e oficiais. Junto à grade do lado, eu observava a cena. E no segundo andar, dentre as frinchas da veneziana, vi um vulto que contemplava, em silêncio, toda a teatral prisão do chefe da guarda pessoal.
Era o presidente [Getúlio] Vargas. Nada podia fazer. Nada esperava mais. Tinha prometido ao grupo de emergência, constituído no Galeão, que o levariam até lá, preso, para depor. O homem que viera nas asas da revolução de 30, o chefe político do uma Nação que ele impulsionara para a frente, o Chefe supremo dos exércitos em 1932, o ditador das Américas, o Grande Líder, o presidente Constitucional do Brasil, depois, iria descer do seu pedestal, para comparecer, como um preso comum, diante de oficiais que ele promovera, diante de oficiais que ele havia ajudado a generalar-se.

Era ao crepúsculo e eu não pude ver os seus olhos. Das frinchas, ele se despedia, tristemente, do seu amigo e escudeiro. Durante mais de vinte anos, a sua vida fora guardada por aquele cão de fila negro e fiel. Alguns dias depois, passara eu a noite mal dormida, com os acontecimentos. A cidade do Rio estava com os nervos de poraquê. Pelas oito horas da manhã, abri o rádio, todos acordados em minha casa, esperando a notícia da prisão do Grande Presidente. Foi então que escutamos a mensagem:

.“Alô! Alô! Brasil! Atenção! Acaba de se suicidar no Palácio do Catete o presidente Getúlio Dornelles Vargas”

Foi o maior choque que já sofri em minha vida. Todos, de mim as minhas filhas, a minha pupila, todos choramos. O Rio, o Brasil inteiro chorou. Só não o fizeram os que continuaram a maquinar traições contra sua memória. Tive vontade de sair de casa, armado, para desafiar todo mundo. Era o desespero, era a ferida popular. Se ele tivesse apelado para o povo, nenhum poder o derrubaria! Agradeço, “àquelas quatro velas, estas lembranças estão sentidas. Só havia quatro velas acesas. Mas elas valeram por um milhão delas. Porque foram colocadas pelos que, ainda hoje, choram pelo maior dos brasileiros de todos os tempos. (A GAZETA. Manaus, 20 de abril de 1961)

quarta-feira, junho 23, 2021

ENCONTROS & DESENCONTROS

De retorno ao livro Com a Cara e a Coragem, de Hilton Rego, para mostrar dois fatos que nos baliza, sem nos permitir conhecer. Hilton nasceu em Manaus e migrou com a família para o Rio de Janeiro, onde consolidou sua vida. Nascido em 1936, chegou ao Rio na casa de tios em 1947. No ano seguinte, chegaram seus pais, indo residir em Irajá, onde a família permaneceu por quatro anos.

Capa do livro do Hilton

Assim descreveu ele aquele bairro:

Meu pai conhecia diversos marítimos, entre oficiais e subalternos que moravam no Rio de Janeiro há muito tempo. A maior parte era oriunda do Nordeste. E eu não sei quem deu a ele a infeliz ideia de alugar uma casa na Rua Calmon Cabral em Irajá. Era uma rua sem asfalto com esgoto a céu aberto. Uma coisa horrível a qual não estávamos acostumados.

Irajá naquele tempo não tinha nenhuma rua asfaltada a não ser a Estrada Monsenhor Félix, hoje denominada avenida por onde circulava o bonde em mão dupla em alguns trechos, e em outros havia desvios dos trilhos e os lotações. Na maioria das vezes as pessoas ficavam muito tempo esperando o bonde chegar.

O outro logradouro principal era a Avenida Automóvel Clube, também sem calçamento, por onde transitava o trem maria-fumaça da Estrada de Ferro Rio D'Ouro, também com trilhos que tinham desvios em diversos trechos e terminava na Pavuna.

No leito desta ferrovia atualmente circulam os trens da linha dois do Metrô do Rio de Janeiro. O trem naquela época demorava tanto a chegar em Irajá que os moleques tinham tempo de jogar futebol em cima dos trilhos diariamente.

Junto com a família, eu desembarquei no Rio no Carnaval de 1950. E fomos morar em Irajá na residência do tio Francisco, irmão de meu pai, rua Cláudio da Costa, em tudo igual a descrição acima. Não durou muito a aventura carioca de minha família, pois, em janeiro do ano seguinte, estava de retorno.

Família Mendonça, ao 
embarcar em 1950

Dez anos velho que eu, e por ter frequentado a escola local e residido por mais tempo, Hilton pode descrever melhor as deficiências daquele subúrbio. Todavia, foi essa a impressão da localidade em que morei um ano. Era um “fim de mundo”, tanto que meu pai que trabalhou na construção do Maracanã, reclamava de que somente via os filhos acordados no final de semana, pois saia de madrugada e retornava à noite.

***

Outro fato narrado pelo Hilton diz respeito a um prédio que existiu no cruzamento da rua Duque de Caxias com a Santa Isabel, na Praça 14 de Janeiro, onde hoje funciona a Escola Estadual Farias Brito. Ao tempo da Segunda Guerra ali funcionou um quartel, e dele é lembrado um fato inusitado. Conheci este prédio, mas o detalhe é que, em 1982, adquiri uma casa ao lado deste educandário pela rua Santa Isabel. Leiamos o que nos conta o Hilton:

Assim como no Brasil todo, no Amazonas havia uma campanha para ajudar no esforço de guerra. (...)

 

Em frente à nossa casa na rua Santa Isabel havia uma parede lateral do quartel do Regimento Brasília, unidade de infantaria do exército brasileiro, no qual estavam aquartelados centenas de soldados que diariamente saiam para treinamento e aguardando ordens para embarcar para Recife para se juntar a outras tropas que iam para a Itália.

Certo dia, a parede do quartel do exército que ficava em frente à nossa casa, amanheceu toda pichada com letras garrafais escrita CAGÃO. Era produto dos moleques da rua que souberam que um sargento que havia embarcado não aguentou e teve uma diarreia emocional, desembarcando na cidade de Itacoatiara, no rio Amazonas, voltando para Manaus em outro barco, se internado no hospital, escapando dessa forma de ir para a guerra.

domingo, novembro 11, 2012

SEMINÁRIO DE BOMBEIROS

Em 2006, a convite do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas, compareci ao 8º Senabom (Seminário Nacional de Bombeiros) realizado na cidade do Rio de Janeiro. Este ano, aconteceu a 11ª edição, na capital das Alagoas, Nesse cenáculo, nessa reunião de Corpos de Bombeiros, de combatentes do fogo e de outras tantas calamidades, pude observar que o debate de casos concretos e as demonstrações inspiram os bombeiros nesse serviço especializado.

A oportunidade é propicia aos fabricantes de diferentes tipos de materiais, que comparecem ao encontro. Ao final do dia, farto de fotografar algumas dessas experiências, de múltiplos apetrechos, de ouvir palestras e participar de conversas, relaxei de olhos no aeroporto Santos Dumont.

Então, foi o momento de, diverso do poeta que contava estrelas, contar e fotografar aviões. Algumas dessas “estrelas” estão abaixo.
 
Motocicleta adaptada ao serviço do CB Amazonas
Plataforma, antiga Escada, dos Bombeiros do Rio (abaixo)