CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

14 de fevereiro de 2018

JORGE TUFIC (1930-2018)



Jorge Tufic
Morreu hoje, em São Paulo, o poeta Jorge Tufic. Ainda ontem, à noite, em visita ao poeta Almir Diniz conversamos sobre o autor do Hino do Amazonas (Amazonas de bravos que doam, / sem orgulho nem falsa nobreza, / aos que sonham, teu canto de lenda / aos que lutam, mais vida e riqueza.) e senti nas palavras do Diniz a preocupação com o silêncio de Tufic, sem sabermos que o mesmo se encontrava na UTI. A madrugada de Cinzas compartilhou a pesarosa notícia. 
Então, não sei por que motivo, lembrei-me da Marcha da quarta-feira de Cinzas, doutro poeta, de Vinicius de Moraes.

Acabou nosso carnaval
Ninguém ouve cantar canções
Ninguém passa mais brincando feliz
E nos corações
Saudades e cinzas foi o que restou

Praça da Polícia
Talvez, nada a ver com a aflição que possa atingir a cidade. Ou, oxalá seja verdadeira a dor que vai nos agoniar.

Abençoado fui, pois tive múltiplas oportunidades para confraternizar, para conversar, para tomar o Chá com o poeta nascido em Sena Madureira (AC). Guardei alguns brindes, um turbilhão de palavras e tantas considerações. Aprendi o quanto quis sobre o Clube da Madrugada, do qual ele foi presidente e um dos maiores sustentáculos, exímio condutor.
A propósito, o velho “mulateiro” na Praça da Polícia, sob o qual madrugou este Clube, parece escoltar a expiação do velho presidente. Diria que já se encontra na UTI, resiste apenas com uns poucos ramos, mostrando a desintegração (foto). Não sei se conto a ele do desaparecimento de Jorge Tufic.

Um dia, em minha residência no Igarapé de Manaus, para comemorar o aniversário de outro poeta, o falecido Sergio Luiz Pereira, o Chá do Armando se reuniu. Jorge Tufic prestigiou a festança, ocasião em que fotografei este momento prazeroso.

Jorge Tufic e as minhas (Beatris e Sofia), 2011