CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

sexta-feira, setembro 15, 2017

CANUDOS: 120 ANOS


Mural existente no Palacete Provincial,
antigo quartel da Praça da Polícia 
No próximo mês, o final da Campanha de Canudos completa 120 anos. Algum movimento no sentido de relembrar a luta fratricida nos sertões baianos pode ocorrer em Manaus. De minha parte, que muito me empenhei quando do centenário, tenho pronto a 2ª edição de meu livro Cândido Mariano & Canudos, que a Editora da Ufam (Edua) então publicou.

Para esta nova edição, escrevi um P.S. (post scriptum) desejando complementar as informações passadas ao leitor do original. A fim de dar partida a tradição da efeméride, reproduzo este texto.

P.S.

Escrevi a 1ª edição deste trabalho embevecido pelas conquistas próprias no trânsito de minhas pesquisas e na antecipação do centenário de Canudos. Cada vez mais empolgado pelas leituras consumadas, assim como pelas conversas com os aficionados pelo funesto acontecimento, cheguei a rascunhar o seguinte título para o livro: “A gloriosa epopeia da PMAM em Canudos”. Evoluiu, pouco adiante, para “Candido Mariano, o herói da PMAM em Canudos”. Ainda bem que uma “consultora” me advertiu do burlesco. Pois... como resume de maneira primorosa Consuelo Novais Sampaio (org.), em Canudos: Cartas para o Barão (São Paulo: Edusp/Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 1999),

“A Guerra de Canudos não foi apenas mais um capítulo da história do Brasil. Ela revela com precisão a grande distância que, neste país, sempre separou – e no limiar do século XXI, ainda separa – o “povo miúdo”, a população pobre e miserável, das classes dominantes. Em todos os níveis de tomada de decisão, o movimento conselheirista foi manipulado para a satisfação de interesses pessoais e de grupos políticos em luta pelo poder”.

São passados 20 anos desde o lançamento de meu Cândido Mariano & Canudos (Manaus: Edua, 1997) que serviu, entre outros empregos, para compartilhar o centenário de Canudos em Manaus. Festividade que foi patroneada pela extinta Fundação Djalma Batista, dirigida pelo Professor José Seráfico, que volta nesta edição a emprestar seu apego aos movimentos culturais e sociais, com sua palavra culta e diplomática.

Passadas duas décadas, reformulei meus conceitos (desculpe o leitor o chavão) sobre Canudos e seus personagens. Nesse lapso, quase olvidei ao comandante Cândido Mariano, que espero ainda esteja sepultado no cemitério São João Batista carioca. Outra iniciativa: repassei quase uma centena de livros adquiridos sobre o tema para a Universidade Estadual de Pernambuco – Campus Petrolina, ao tempo da gerência do Professor Ms. Moisés Almeida.

Da Polícia Militar do Amazonas, no entanto, não descurei, por uma singular motivação: anualmente, em 8 de novembro, esta corporação perfila-se para relembrar a campanha de Cândido Mariano e dos policiais amazonenses em Canudos. Estou convencido de que se trata da única Força Estadual (as demais participantes dessa refrega são a do Pará, da Bahia e de São Paulo) no país a renovar ciclicamente as acerbas lições canudenses. 
Produção do Governo
para lembrar Canudos

A fidelização corporativa me impulsionou a elaborar esta nova edição com a indispensável revisão ortográfica e com o acréscimo de substancial material literário elaborado por Cândido José Mariano, e difundido quando de sua atuação na prefeitura de Sena Madureira (AC). Enfim, há cinco anos, elaborei o folheto Canudos em Quatro Tempos: a participação da tropa da Polícia Militar do Amazonas na Campanha de Canudos, 1897 (Manaus: s/ed., 2012)) para relembrar a efeméride festiva de novembro.

Vivemos novos tempos, sei. O correr do relógio me ensinou, e me levou a percorrer novos caminhos para alcançar o desfecho de Canudos. Acredito ter assimilado as lições, porém, uma questão ainda me inquieta: onde posso encontrar os nomes dos policiais integrantes do Batalhão de Cândido Mariano? Lamentavelmente, mexidas e mais mexidas operadas no extinto Quartel da Praça da Polícia espalharam por estranhos departamentos estaduais os registros históricos. Todavia, eu prometo: ainda os alcançarei.


No mais, o tão estudado tema Canudos passa por uma temporada de baixa estação. Oxalá o sesquicentenário, ainda bem distante (em 2047), traga novidades e inovados subsídios. Contudo, diante dessa longínqua distância cronológica, lego com este trabalho minha contribuição.

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