CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

24 de setembro de 2013

NPOR - PRIMEIRA ETAPA (2)


Mais uma contribuição de aluno do NPOR, órgão do Exército que funcionou nesta cidade durante a Segunda Guerra Mundial. Esta, o tema do artigo publicado há 70 anos, em O Jornal, 12 de agosto.
 
 
Quando da deflagração da guerra atual, e dos sucessos obtidos a princípio pelos nazifascistas, o mundo teve ocasião de assistir a derrocada de vários países. Os povos que se deixaram iludir pelos propósitos de paz, mantidos nos aplausos dos representantes das nações em Genebra, quando os países que representavam, às escondidas preparavam-se para o trágico 2 de setembro de 1939, data em que novamente se pôs em choque o poderio militar das potencias mundiais, sentiram a necessidade de um preparo maior, a fim de defenderem o que de mais precioso haviam conquistado no terreno social, político, econômico e religioso.
A mesma Alemanha que em 1914 fizera estalar (sic) o conflito mundial, atravessando a fronteira polonesa, naquele dia levou a fome, a destruição e a morte à infeliz Polônia. Não parando aí as suas investidas, cedo a guerra atingiu todas as partes do mundo, vindo até nós, trazida pela felonia malsã dos piratas germânicos, afundando navios nacionais e ceifando vidas preciosas de patrícios nossos.
O Brasil soube repelir a afronta sofrida, declarando guerra ao nazismo e a seus asseclas, ao mesmo tempo em que lançou um apelo aos seus filhos, chamando-os ao cumprimento do dever, nos campos, nas fábricas, nas oficinas e nos quarteis. O Brasil mobilizou-se militar e economicamente. E a guerra foi recebida por todos nós, como uma medida extrema, porém, necessária, dada a nossa índole de povo pacífico.
Sempre fomos uma nação consciente e respeitadora da soberania alheia. Não se queira com isso, ver na formação nacional de nossa pátria, uma atitude inversa a que sempre ditaram os postulados cívicos do Brasil. Ao contrário, nunca nos esquecemos do dever a cumprir nos instantes precisos, não diminuindo a resistência e o valor próprios quando necessários, ao mesmo tempo que não deixávamos relegado ao esquecimento o preparo moral e material de  nosso Exército.
A prova concreta disso tivemos agora, quando da nossa mobilização. Enquanto não se desencadeava a borrasca, no Brasil pensava-se em dotar o nosso país de um preparo técnico militar. Devemos os benefícios advindos desse grandioso plano da defesa nacional ao ilustre tenente-coronel Correia Lima, militar consciente e de raras virtudes, que previu a necessidade de um dia o nosso Brasil chamando os seus filhos à luta, contar com valiosos meios de defesa. Possuíamos uma reserva considerável, é verdade, dado o serviço militar obrigatório, mas, que não satisfazia uma circunstância premente, como a atual pela deficiência do número de oficiais.
As necessidades da guerra moderna exigem forças capazes e dotadas de um preparo, sem que nada se pode realizar no teatro das operações bélicas. O Exército brasileiro é dotado de ótimos elementos, formando uma elite de homens devotados, capazes intelectual e profissionalmente, mesmo assim não se poderia dar uma rápida solução que o caso exigia. O número de oficiais seria pequeno em relação às convocações. Faltava, portanto, para o Brasil uma reserva de oficiais. Dessa forma, a ideia de Correia Lima foi aplaudida e a nação brasileira teve a satisfação de ver milhares de brasileiros, que hoje são oficiais, acorrerem aos Centros de Preparação, visando no oficialato a defesa da honra, da dignidade e do território nacional, quando para isso a Pátria precisasse.
Cedo se colheram os frutos dessa grande obra. Com a declaração de guerra, difundiu-se em vários Estados do Brasil, a formação desses elementos. O Amazonas também foi dotado de uma escola desse gênero, e a mocidade amazonense preocupada com os destinos do nosso país, ingressou no Núcleo de Preparação de Oficiais da Reserva, escola de civismo, técnico-profissional, onde se ensina a defender a Pátria, ministrando os conhecimentos necessários a um oficial, incutindo nos cérebros jovens, o respeito, a obediência, a camaradagem e a disciplina sob a orientação de oficiais competentes.