CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

22 de setembro de 2013

SEBASTIÃO NORÕES, DELEGADO

Duas notas sobre o finado Dr. Sebastião Norões, que foi funcionário da Polícia Civil, exercendo a direção da DOPS (Delegacia de Ordem Política e Social) e, em caráter interino, de Chefe de Polícia. As notas foram extraídas do matutino O Jornal, de 1943.

O delegado Norões, todavia, marcou seu nome na literatura amazonense como autor de Poesia Frequentemente. Trata-se do primeiro livro lançado por um membro do Clube da Madrugada, que foi fundado em 1954. Outro poeta disputa este privilégio: Jorge Tufic, autor de Varanda de Pássaros, ambos os livros publicados em 1956.

Recorte de O Jornal, 24 fevereiro 1943
 Às 20h10 de ontem, na ocasião em que chegava à frente do edifício da Escola Técnica de Manaus, à avenida 7 de Setembro, onde se realizava uma solenidade, o carro oficial nº 5, guiado pelo investigador Luís de Souza Bastos, conduzindo os Drs. Paulo Marinho, Chefe de Polícia, e Sebastião Norões, delegado de Segurança Política e Social. Foi o mesmo apanhado pelo bonde nº 25, guiado pelo motorista nº 74, Eli Farias Moraes, tendo como condutor o de nº 75, Pedro Moreira de Andrade, que fazia a linha da Avenida-Circular, descendo a avenida 7 de Setembro.
O bonde apanhou o carro da Chefatura de Policia por trás, danificando-o, não tendo, porém, aquelas autoridades sofrido quaisquer ferimentos. Presos, condutor e motorista, foram recolhidos ao xadrez da Delegacia Auxiliar.
Nota: o Chefe de Polícia, Paulo de La Cruce da Grana Marinho, era promotor público e, envolvido com a política, alcançou a chefia do Poder Executivo, transitoriamente.

Dr. Sebastião Nor

Decorre, no dia de hoje, o primeiro aniversário da fecunda e criteriosa gestão do Dr. Sebastiao Norões à frente da Delegacia de Segurança Política e Social, da Chefatura de Policia do Estado, o qual tem impresso, desde os primeiros dias, rumos realmente acertados, definindo-lhe o prestigio como órgão precipuamente dedicado à defesa das instituições e do regime e ao combate à ação subversiva da ordem e do monumento político em que se baseia a vida nacional.

Ainda mais se acentua a obra patriótica daquela especializada, porque se processa sua ação enérgica nestes dias cruciais de guerra, que estamos atravessando, e quanto maior é a soma de deveres e responsabilidades que lhe compete, mais melindrosa a tarefa atribuída à sua máquina repressora e moralizadora.

Austero e sereno, tem se revelado o Dr. Norões uma autoridade à altura da importante missão que lhe foi confiada, podendo servir de exemplo e estímulo, pela austeridade e pela serenidade, a todos quantos fazem da força em suas mãos um elemento de satisfação dos próprios sentimentos, e não um fator de ordem e segurança coletiva.

São, por todos esses motivos, justíssimas as homenagens que preparam ao Dr. Sebastiao Norões, na data de hoje, as pessoas que lhe reconhecem os méritos pessoais e a dedicação à causa pública.

O Jornal, 21 de julho de 1943