CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

21 de fevereiro de 2013

CABARÉ CHINELO E A POLÍCIA MILITAR

Ruínas do Hotel Casina ou do cabaré
chinelo, década passada.
Não há data determinante da modificação do Hotel Casina em “cabaré chinelo”, situado na praça Dom Pedro II, cujo clássico ponto de referência é a sede da prefeitura de Manaus. Argumenta-se que a derrocada da borracha desfigurou o conceituado hotel da virada do século XX, quando hospedava afortunados exploradores do látex.

O desaparecimento dos endinheirados seringalistas e comerciantes permitiu o surgimento de uma classe B, frequentadores notívagos (homens e mulheres) que acabaram cravando nesse endereço o apelido de “cabaré chinelo”. Assim ele segue mais conhecido.

Não se conhece a data da mudança, mas, na década de 1940, acredito que a situação daquela área já estava degradada com a prostituição. Uma informação no mínimo interessante a esse respeito é transmitida pelo comando da Polícia Militar do Amazonas (PMAM). Logo após o Natal de 1945, em documento de circulação diária, o boletim da corporação, o comandante  baixava a seguinte norma:

Proibição de praça comparecer ao Cabaret (sic).

Tendo chegado ao meu conhecimento que praças desta Corporação comparecem frequentemente ao Cabaret da Praça Pedro II, após meia noite e ainda portam-se de maneira inconveniente, resolvo:

a)     – fica terminantemente proibido a praças desta Força frequentar aquela casa de diversões;
b)     – os oficiais que fazem o serviço de dia, enviem patrulha vez por outra àquela casa alegre e façam prender todo e qualquer praça desta Corporação que encontre no seu interior.
Ruinas do cabaré chinelo, vistas dos
fundos, em 1974

Ainda não encontrei, se é que houve, a revogação desta norma. Mas deve ter caducado, com a desativação do cabaré. Agora, quê mistura explosiva: policiamento e prostituição.