CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

terça-feira, outubro 05, 2010

Memorial Amazonense XXXVI

Outubro, 5



1897 – Ocorreu o encerramento de um dos episódios mais sangrentos da história pátria: a Campanha de Canudos. Conta-se que entre as forças que ali combateram, 25 mil pessoas foram mortas, e se varreu do mapa o Império do Belo Monte, criação de Antonio Conselheiro.
Na quarta expedição contra Canudos (como melhor ficou conhecido), alistou-se o 1º batalhão do Regimento   ilitar do Amazonas, hoje Polícia Militar, sob o comando do tenente-coronel Cândido Mariano.
As versões sobre o fato são bem distintas, uma das mais repetidas saiu da lavra de Euclides da Cunha, em seu livro Os sertões.


Outra comprovada presença é a de Candido Mariano, que opinou ao escrever o Relatório encaminhado ao governador Fileto Pires.

O cronista Julio Uchoa (1897-1970), escrevendo sobre o assunto, salientou com exatidão a selvageria dessa luta fratricida:

Canudos. O Jornal. Manaus, 25 setembro 1949


1942 – Getúlio Vargas sanciona o decreto-lei nº 4791, com o qual institui o Cruzeiro como novo padrão de moeda no País, em substituição aos réis. Este padrão, entre as variadas mudanças sofridas no combate à inflação, perdurou até o início de 1990.

Fachada da Assembleia
Legislativa, 2003


A Crítica,
agosto 1980
1989 – Promulgada a vigente Constituição Estadual, pela Assembléia Legislativa do Amazonas, em evento ocorrido sob a presidência do deputado Átila Lins de Albuquerque. A elaboração desta Carta contou com a participação popular, e teve como presidente da Comissão Constitucional o deputado Josué Cláudio de Souza Filho e, como Relator Geral, o deputado Eduardo Braga.

Manáos versus Manaus IV

Volto a mostrar um detalhe do Centro Histórico, o cruzamento da avenida Joaquim Nabuco com a rua Lauro Cavalcante, onde hoje se encontra o edifício David Novoa.
A foto antiga, possivelmente de 1950, mostra a Fábrica de Móveis Teixeira & Couteiro, ambos portugueses. Os móveis eram fabricados com madeira de lei, como recomendava o catálogo da época. Pode-se perceber os trilhos de bondes que circulavam naquela artéria, e o poste de ferro sem nenhum acessório, para a distribuição da energia elétrica.
Na porta do comércio-residência encontra-se seu Joaquim Teixeira e família. Sentado, ele cuida do "fila brasileiro"; dona Laurinda, a esposa, da Rosalina, enquanto, escondido pelo pai, vê-se com esforço o Fernando.


Fábrica de móveis, de Teixeira e Couteiro, c1950
 O casal ainda teve mais filhos. Um deles, o Jorge Leite, me relatou esses pormenores. Amigo de longa data, Jorge tem bons poemas escritos, apenas os esconde com o carinho e o ciúme peculiar dos poetas. Um dia, hei de publicá-los.


Couteiro, no Luso,
1º maio 1977

Seu Couteiro, o outro proprietário, pertencia à direção do Luso Sporting Clube. E a foto dele que ilustra a postagem foi tirada por ocasião dos 55 anos daquela sociedade, em 1977.

A sociedade dos portugueses na movelaria durou até 1954. Seu Teixeira, então, instalou-se na rua Ipixuna, agora sob a denominação de Fábrica de Móveis São Jorge. Entre as realizações da marcenaria, Jorge Leite lembra que o pai fabricou a primeira cadeira episcopal para Dom Alberto Ramos; e elaborou a mobília da casa "bolo confeitado", pertencente ao saudoso Ermínio Barbosa, ainda existente na avenida Joaquim Nabuco.



Ed. David Novoa, outubro 2010
Novoa, ainda importante edificação do Centro
No início dos anos 1970, foi levantado o prédio David Novoa. Depois que os trilhos desapareceram sob o asfalto e o poste de ferro trocado por de cimento. Imponente para os primeiros momentos da Zona Franca de Manaus, o Novoa dispunha de dezessete andares e amplos apartamentos com quartos de bom tamanho. Como ainda não se desconfiava da proliferação de automóveis, são poucas as vagas para estacionamento. 

segunda-feira, outubro 04, 2010

DIA DE SÃO FRANCISCO #1

Outra paróquia em que este santo é celebrado fica no bairro da Colônia Oliveira Machado, sob a denominação de São Francisco das Chagas.

Igreja da Colônia, em A Crítica.
Manaus, 5 outubro 1971
Pequenos esclarecimentos sobre o bairro e a criação da paróquia são contados pelo saudoso padre Luiz Ruas, no texto abaixo publicado em A Crítica, de 17 de agosto de 1980. Acerca do texto, devo acrescentar que conheci a capela primitiva de madeira. Entre 1956 e 1959, na condição de seminarista, colaborei com o padre Antonio Plácido nas duas igrejas: a de Educandos e da Colônia.


SÃO FRANCISCO DA 
COLÔNIA OLIVEIRA MACHADO 
Em sua obra Sociologia de Manaus: aspectos de sua aculturação, André Araújo escreve o seguinte: “Em 1897, os bairros de S. Raimundo e Colônia Oliveira Machado, tinham as visitas do superintendente voltadas para a sua higienização, iluminação, com o fim de atrair a gente do centro da cidade para ali”.
Seria necessário fazer-se uma pesquisa mais detalhada sobre a origem da Colônia Oliveira Machado, inclusive mais detalhada aproveitando-se a sobrevivência de moradores mais antigos daquele bairro, que ainda guardam algumas preciosas memórias de suas origens antes que tais pessoas desapareçam. Sabe-se, no entanto, que por volta do século passado, quando a produção da borracha estava no seu período áureo, talvez o mesmo superintendente de que fala André Araujo em sua obra, localizou à jusante de Manaus, à margem do rio Negro, em barracas de lona, um grupo de imigrantes, com certeza, nordestinos, foi a origem do bairro Colônia Oliveira Machado, aí por volta de 1894 ou 1895.
Certamente a débâcle da borracha, na primeira década deste século e o retorno a Manaus de levas de seringueiros vindos de seringais desativados pela pequena produção ou pelo baixo preço do látex, e que se instalaram no bairro de Educandos, devido à proximidade maior com o centro da cidade, contribuíram para que a Colônia Oliveira Machado não tivesse o mesmo desenvolvimento obtido pelo seu vizinho bairro de Educandos. Apesar disso, porém, a Colônia que é um dos mais antigos bairros de Manaus ao lado de São Vicente, Remédios e Cachoeirinha, embora em ritmo mais lento, continuou progredindo e sua população aumentando de ano para ano.
Consta que, segundo depoimentos de moradores da Colônia, em 1896, foi doado um terreno para a construção de uma capela dedicada a São Francisco das Chagas, o que bem denota e confirma que os primeiros moradores daquele bairro eram mesmo nordestinos e, com certeza, na sua maioria, cearenses. Como Educandos, a capela de São Francisco da Colônia Oliveira Machado, inicialmente esteve sob a jurisdição eclesiástica da paróquia de Nossa Senhora dos Remédios da qual, anos mais tarde, foi vigário coadjutor o Pe. Antonio Plácido de Souza, recém-chegado de Fortaleza onde se ordenara e que, posteriormente, viria ser o primeiro vigário da paróquia de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro de Educandos, onde viveu até o fim da sua pobre vida, inteiramente dedicado ao trabalho pastoral, tanto em Educandos quanto no interior, em 1967.

Criada a paróquia de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, em Educandos, a capela de São Francisco das Chagas ficou sob sua jurisdição. A primeira capela era de madeira. Pe. Antonio Plácido de Souza que já havia iniciado a construção da nova igreja de Educandos iniciou também, com os precários recursos de que dispunha, trabalhando ele mesmo como pedreiro e carpinteiro e contando com a ajuda de seus paroquianos, a construção de uma nova capela na Colônia Oliveira Machado, esta, de alvenaria. (...)


Deve-se salientar, de justiça, os trabalhos de urbanização realizados naquele bairro nas administrações dos ex-prefeitos de Manaus, Dr. Frank Lima e Coronel Jorge Teixeira de Oliveira, sentindo não só a necessidade de dar aos moradores melhores condições de vida, mas também, levado pela preocupação de criar novas vias de tráfego em Manaus. Foi assim que Jorge Teixeira alargou e asfaltou a principal via de acesso da Colônia unindo por ela aquele bairro ao de Educandos. Deve-se, também, a Jorge Teixeira a construção da nova igreja da Colônia, o que foi feito a título de indenização já que a nova estrada cortou o terreno da antiga igreja.


Ao lado destas preocupações materiais por parte da administração pública, também a Igreja de Manaus sentiu a necessidade de dar maior assistência religiosa à Colônia Oliveira Machado. Por isso é que Dom Milton Corrêa Pereira houve por bem criar a nova paróquia de São Francisco das Chagas com sede naquele populoso bairro.


A nova paróquia de São Francisco das Chagas já tem uma tradição religiosa antiga, podendo-se salientar a festa do padroeiro que é uma das mais tradicionais e das mais animadas de Manaus, como o é também a festa de São Pedro – a festa dos pescadores, com a sua procissão fluvial que, neste ano, teve a insigne honra de ser presidida pelo Papa João Paulo II. (...)


O desenvolvimento acelerado dos últimos anos ao lado dos benefícios trouxe também, como sempre acontece, muitos problemas. E, principalmente, problemas de ordem social. Os moradores da Colônia Oliveira Machado reclamam especialmente da falta de policiamento, da falta de mais escolas e de assistência medica, embora o Inamps já esteja implantando ali uma unidade médica.


Por enquanto, a nova paróquia de São Francisco das Chagas que será instalada, solenemente, neste domingo, dia 17 de agosto, às 9h30, por Dom Milton Corrêa Pereira, continuará sob os cuidados pastorais do Pe. Francisco da Silveira Pinto, vigário de Educandos, até que seja designado o novo vigário.


Espera a Igreja de Manaus, nas pessoas do Sr. Arcebispo e do Pe. Francisco Pinto, que a criação da nova paróquia sirva de estímulo para a população da Colônia Oliveira Machado e se opere naquele populoso bairro uma verdadeira renovação espiritual e social.

DIA DE SÃO FRANCISCO

É sabido que a Igreja Católica venera São Francisco sob algumas denominações. Por isso, nesse dia dedicado ao santo franciscano, relembro duas paróquias que o tem por patrono.

Nesse dia, em 1956, Dom Alberto Ramos, arcebispo do Amazonas, cria a paróquia de São Francisco de Assis, no bairro do mesmo nome, nomeando seu pároco ao padre Manoel Bessa Filho, ordenado em 1954. Sempre envolvido com atividades educacionais, além da atividade política, padre Bessa permaneceu pouco tempo na direção de seus paroquianos. O bairro de São Francisco estava em implantação, em processo de urbanização, por isso, necessitava de todo o apoio governamental.


Dias desses, em conversa comigo, o ex-padre Bessa relembrou sua atividade sacerdotal, em São Francisco. Lembrou-se de uma família humilde, a família Encarnação, cuja matriarca cuidava da igreja e o filho Raimundo ajudava a missa, era o coroinha. Décadas depois, Bessa reencontrou o Encarnação, agora coronel da Polícia Militar, no Quartel da Praça da Polícia.


A igreja primitiva, em  Jornal do Commercio.
Manaus, 11 julho 1971
Depois veio o finado padre Onias Bento (também ex-padre), que iniciou a construção da igreja que vemos na foto. Esclareço que a publicação dessa foto veio a propósito do abandono em que se encontrava a igreja. Sem dispor de vigário para a celebração de missas e administração de sacramentos, os católicos eram obrigados a se dirigir a igreja de Adrianópolis.

É óbvio que a paróquia acolheu novos dirigentes, que a fez evoluir satisfatoriamente, e hoje – 54 anos depois, a igreja de São Francisco de Assis (rogai, por nós!) nada lembra o começo tão embaraçoso.