CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

Mostrando postagens com marcador Marcio de Menezes. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Marcio de Menezes. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, setembro 17, 2020

MAIS UMA CARTA RECEBIDA

Quando dei início as pesquisas sobre a participação da Polícia Militar amazonense em Canudos, visitei a Casa de Rui Barbosa, na capital do Rio. acolá, encontrei um conterrâneo - Geraldo Menezes, que muito me ajudou. Como lhe falasse sobre os comandantes da Força Estadual, ele me lembrou do capitão EB Marcio de Menezes, seu primo, na direção desta corporação (1949-50).

Para ampliar uma biografia do Marcio, Geraldo me prometeu recolher junto à família Menezes os dados disponíveis.  Não conseguiu. Então, sem qualquer obrigação, enviou-me a carta aqui compartilhada para explicar o desacerto.


Rio de Janeiro, 18 de março de 1994

Ilustre amigo

Coronel Roberto Mendonça

Conforme havíamos combinado – após seu amável telefonema, logo que aqui chegou, em fevereiro último –, tentei um contato com o amigo, em primeiro de março, mas já não o encontrei no Hotel, segundo informação da gerência.

Todavia, com a maior lealdade, quero lhe informar que o pedido que formulei à minha prima Maria Leonor (filha do coronel Márcio), objetivando atender ao interesse do nobre conterrâneo, em relação à coleta de subsídios para a biografia do meu primo, por incrível que pareça, não surtiu o efeito que eu evidentemente esperava.

Foi para mim uma decepção total, partindo sobretudo de quem deveria envidar todos os esforços para ver satisfeito o proposito gentil de um historiador consciente de seu ofício.

Fiquei, em face disso, profundamente envergonhado, manifestando de viva voz à viúva do Marcio o ato deselegante da falha, oportunidade em que declarei a decisão de escrever ao ilustre amigo, pedindo-lhe desculpas por essa desatenção impecável.

Quero adiantar que mandarei cópia da presente carta à prima faltosa e indelicada, que não honra o sobrenome de saudoso parente.

Renovando, pois, as minhas desculpas pelo negligente ato que me deixou constrangido, (partindo de quem não tinha o direito de praticá-lo), deixo aqui, e no Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, os meus préstimos, para outros pleitos que, eventualmente, dependam de minha pessoal consideração.

Com muito apreço, receba as saudações cordiais do conterrâneo e admirador


sábado, fevereiro 22, 2020

NOTA PARA A HISTÓRIA DA PMAM

Muito já propalou sobre o estado falimentar do Amazonas na década de 1950, em particular na sua primeira metade. 

Renovo a conversa indicando o efetivo da Polícia Militar do Estado para o ano de 1950, autorizado pela lei nº 438/49. Transcrevo o Mapa do Efetivo e, sobre este, elaboro algumas considerações, esclarecendo que àquela época o efetivo era estabelecido anualmente.

Recortado do Diário Oficial do Estado (17 outubro 1949)
Para a população de 100 mil habitantes na capital, em nossos dias a população de Itacoatiara, a Força Estadual poderia contar com até 328 homens. Ou seja, esse era o número previsto na PM que, normalmente, não alcançava. Desse modo, exercia o trabalho com o efetivo existente. A estrutura era totalmente da Força Terrestre: comando; estado-maior; duas companhias de fuzileiros e uma de metralhadora. A única intromissão estadual era o pelotão extranumerário, que abrigava o pessoal de apoio, os ordenanças, auxiliares da secretaria, da casa das ordens, do serviço de saúde, além de especialistas de oficinas e administrativos (tesouraria e aprovisionamento), total de 102  homens, sendo um oficial, perto de 30% do pessoal.

Resumo do efetivo, do mesmo periódico

Resumindo o Mapa: a PM podia dispor de 34 oficiais (pouco mais de 10%), e quase sempre o quadro estava completo. Entre estes, dois médicos (um capitão e um tenente) e um dentista (tenente). O total de subtenentes e sargentos era de 36 (12%); cabos e soldados eram 41 e 180, respectivamente.
Não há indicação para o Corpo de Bombeiros, porque este serviço passou para a responsabilidade da Prefeitura de Manaus.
Finalmente, a Banda de Música, sob a regência de um 2º tenente, podia contar com 30 músicos, divididos entre 1os, 2 os e 3 os sargentos, sendo 8 para cada graduação, e os seis restantes eram cabos.
Indicativo dos governantes
A Polícia Militar do Estado do Amazonas (PMEA) teve no ano de 1950 alguns comandantes: Marcio de Menezes (capitão do Exército), Themistocles Henrique Trigueiro, Adalberto de Albuquerque Cavalcanti e Gonzaga Tavares Pinheiro (todos coronéis PM da reserva)

quinta-feira, fevereiro 13, 2020

PMAM EM MENSAGEM DO GOVERNADOR


Para a história da Polícia Militar do Amazonas (PMAM), registro mais esta nota, compartilhada da Mensagem governamental de 1950. Ao ingressar em seu derradeiro ano de mandato, o governador Leopoldo Neves encaminhou à Assembleia Legislativa a costumeira prestação de contas referente ao ano anterior. Dela, extrai o capítulo sobre a Polícia Militar do Estado, que dispunha de efetivo previsto de “328 homens”.


Duas minúcias me atraíram: a reforma do coronel Hugo de Queiroz Lima, que encontrei em Fortaleza (CE), 23 anos depois, em bom estado. E, mais importante, a construção da Vila Militar Jardim. Sem que haja qualquer indício de sua localização. Apenas que soldados a construíam. Intrigado, amanhã vou em busca dela. Lembro que algo similar com esse empreendimento aconteceu com terras contíguas ao Instituto de Educação do Amazonas, pela rua Ramos Ferreira, destinadas a oficiais da PMAM. O desfecho foi negativo, não obstante o governo ter destinado cem mil cruzeiros “para a construção de casas para oficiais, sargentos e praças” (lei 636/1950).
  
Caput do capítulo sobre a Força Estadual

Substituindo o capitão do Exército Antônio Antonino Pará Bittencourt, que solicitou exoneração do seu cargo tão eficientemente desempenhado, para frequentar as aulas do Curso do Estado Maior, assumiu o comando da briosa Força Policial do Estado o capitão do Exército Marcio de Menezes, cuja fé de ofício lhe atesta a idoneidade e a competência. O movimento e as ocorrências desta corporação militar, cuja disciplina se manteve sempre em grau muito elevado, estão anotados, referentes ao ano de 1949 no relatório enviado ao Governo, em cumprimento dos dispositivos regulamentares.
Houve várias alterações no quadro de seus oficiais. Foi reformado o coronel Hugo de Queiroz Lima, faleceu o capitão reformado José Marques Galvão e foram promovidos: a tenente-coronel, o major Temístocles Henrique Trigueiro; a major, o capitão Jonas Paes Barreto [1º presidente do Clube dos Oficiais]; a capitão, o 1º tenente Caetano Felix do Nascimento; e a 1º tenentes, os 2°s tenentes Jorge Fernandes de Lima e Edson Epaminondas de Melo. Foi transferido do quadro de 0ficiais combatentes para o quadro da Justiça, o 1º tenente Rodolpho Lopes Martins Filho; sendo comissionado no posto de 2° tenente, o subtenente Júlio Cordeiro de Carvalho [faleceu como tenente-coronel], e revertido ao serviço ativo do batalhão, o 2° tenente Carlos Barbosa de Amorim, que se achava em disponibilidade.
Informa o coronel comandante que a instrução militar em 1949, foi ministrada segundo o programa previsto nas respectivas diretrizes organizadas pelo comando da corporação, obedecendo-se as prescrições dos regulamentos em vigor.
Nas subunidades, ao ser ministrada a instrução, teve-se que levar em conta a conveniência do serviço, obtendo-se, não obstante os múltiplos  encargos atribuídos a PM, como sejam os serviços da construção da “Vila Militar Jardim”, da horta e da padaria  da corporação, um resultado bastante satisfatório, atendendo-se, dessa forma, dentro do possível, a interesses tão dispares, como seja a instrução e o serviço policial, tendo-se em vista o problema constante da exiguidade de efetivos, desproporcionais os serviços reclamados do Corpo, para garantia da ordem pública.
Os artífices e especialistas, notadamente os da oficina mecânica, receberam instrução adequada, obedecendo-se aos programas especialmente elaborados, com o fim de ampliar os conhecimentos dos profissionais e capacitar novos, para o desempenho e exercício das suas funções.
A instrução de tiro mereceu atenção especial e foi bem cuidada, realizando-se exercícios regulares e um campeonato de tiro ao alvo em que tomaram parte elementos civis e da Guarnição Federal.

A Companhia de Bombeiros, como subunidade especial, recebeu instrução própria, dentro das possibilidades, pois, infelizmente, está ainda desaparelhada para o seu mister, seja em pessoal, seja em material, apesar do envidado esforço deste Comando junto ao Comitê Local Amazonense de Seguros, Associação Comercial e o Município, tendo, para isto, vindo de ordem do governador Leopoldo Neves, um oficial do Corpo de Bombeiros do Distrito Federal para dizer das medidas e reorganização dessa Companhia, a fim de atender à sua real finalidade.
Extraímos ainda do extenso e minucioso relatório os seguintes dados, relevante interesse para melhores esclarecimentos sobre o assunto:

ESTADO SANITÁRIO - O estado sanitário da tropa é bom, segundo atestou em seu último relatório, o capitão-médico chefe do Serviço de Saúde [Dr. Ramayana de Chevalier]. Com enfermaria própria, as praças recebem tratamento adequado, sendo gratuito com fornecimento de medicamento, conforme estabelece a lei n° 82, de 25 de novembro de 1947. De par com o Serviço Médico, o Serviço Dentário foi deveras apreciável.

VILA MILITAR JARDIM - Uma das maiores preocupações deste Comando está na construção da “Vila Militar Jardim”, que decerto trará grandes vantagens para o pessoal desta corporação, levando-se em conta tão grande dificuldade de habitação nesta cidade. Estamos no seu início, lutando com grandes dificuldades, empregando soldados na extração de lenha, barro e madeira, que tem trazido ótimos resultados até agora.

quinta-feira, setembro 18, 2014

ELEIÇÕES




Quartel da Polícia Militar, em 1936
Por se falar na disputa eleitoral que se fere na abertura do mês de outubro, catei um texto de Antonio Dejard Mendonça (nenhum parentesco comigo), publicado em Arquivo aberto (crônicas), editado pela editora Sergio Cardoso, 1959. Dirigia a crônica abaixo a um candidato ao governo do Estado – major Marcio de Menezes, do Exército, que foi então comandante da Polícia Militar do Amazonas.
Marcio não “ouviu” o conselho do parente, do Dejard, e manteve a candidatura. O resultado já conhecemos: foi eleito Gilberto Mestrinho.

MARCIO, CUIDADO!

Meu caro Marcio Menezes, bom dia! Pertencemos à mesma árvore genealógica. Entre mim e você, portanto, existe um veio consanguíneo. Nascemos à mesma sombra e os mesmos carinhos educacionais nos foram ministrados de acordo às tradições de nossa raça, no entretanto os nossos destinos se tornaram divergentes: você traçou caminhos mais floridos, embora antes muitos sacrifícios vencera para a segurança da sua nova trajetória.
Eu, porém, órfão muito prematuramente, aos dois anos, só hei, até hoje, conhecido veredas escuras, acidentadas, sem résteas de luz, sem as belezas dos terrenos planos: barreiras e obstáculos, eis os entraves aos meus passos. A minha luta se há determinado, graças a minha origem, sob a intransigência de um ideal sadio, firme, fixo e inabalável. E por isso hei recebido pedradas dos maus ou dos ainda não justos para comigo. Quanto mais os apupos, mais resistência espiritual se me manifesta, se me apresenta vigorando minhas energias, ou, melhor, revigorando-as.
As dificuldades econômicas se refletem, aos meus olhos, assim uma espécie de tônico aos meus músculos, à minha carne ou à minha índole. E' na luta, meu caro Marcio, o ponto alto da nossa personalidade, nela enfrentamos e recusamos a subserviência, as vaidades, os orgulhos e as presunções prejudiciais à nossa formação espiritual. Você também há sido um lutador, fez-se corajosamente iludindo com a sua temeridade valorosa e com o seu desprendimento a todas as ameaças irônicas do destino irônico. Você calejou as mãos nas oficinas e nas forjas ou no cabo pesado dos malhos sobre a eterna mártir sujeita a todas as pancadas, a contínua amoldadora dos metais sem forma ou adaptação, a bigorna resistente... Mas você persistiu e venceu, chegou ao ápice glorioso de uma carreira gloriosa, invejável e a conseguiu com bravura disciplinar, com civismo e com inteligência, acima de tudo. Enquanto eu, Marcio amigo, continuo sempre no martirizante destino da paciente bigorna...
Ouvi falar, meu caro Marcio, na sua provável candidatura à governança do Estado, às próximas eleições outubristas de 1958. Não sei se me senti bem com a notícia ou se alguma má previsão se me estalou na cabeça. Vejo-o um homem forrado com o arminho das mais intangíveis virtudes morais para dirigir os destinos amazonenses. Você nasceu no Amazonas, está, portanto, à altura, não se discute, de governá-lo com retidão: o seu passado é um mapa sem linhas curvas e sem desvios de rumos. Um mapa traçado numa só relação moral ou numa monografia histórica da sua pessoa sem acidentes: mapa catalogado na virtude indesviável da linha reta.
E a sua vida, Marcio, moralmente geométrica há sido evidentemente sobre lances retilíneos. Mas, meu estimado amigo, a mentalidade do nosso povo ainda se gosta de distrair com as tempestades demagógicas, com os vozerios insultuosos e com as refregas dos qualificativos virulentos. A palavra construtiva não gera nem levanta opiniões favoráveis, é considerada tal covardia ou medo. As massas admiram os tribunos com faixas de campeões da violência verbal, com os emblemas do "heroísmo" demolidor da linguagem puras singela ou orientadora.
O povo ainda é presa fácil à hipnose da demagogia artificial, improdutiva e mistificadora. O verbo elevado, construtivo, apontando diretrizes à urna colaboração em conjunto, é melodia sem ritmo convincente nos ouvidos encerados das coletividades adormecidas pela influência dos barulhos preponderantes à boca dos demagogos ou chefes das chamadas facções populares.
O Amazonas lucraria bastante se você, por determinação independente do seu eleitorado, alçasse à responsabilidade de dirigi-lo, mas você irá para as paliçadas, sem dúvida, desfraldando uma nova bandeira sem pingos e sem manchas, bandeira alva nos seus losangos ou na sua esfera, símbolo do verbo construtivo, da palavra artística na sua expressão ou nos seus tons políticos. Será inútil, meu caro Marcio, e você guardará estas ponderações do seu irmão amigo e, ao final da luta, há de procurar-me para um aperto de mãos em sinal de aprovação à minha advertência, em hora precisa, profética e alertante. E infelizmente não ouvida por você. Aguardemos, Marcio, o epílogo do próximo drama eleitoral a três de outubro, 1958...
Repito: o Amazonas muito lucraria com a sua investidura ao Governo. Quando me falaram no assunto, reafirmo, fiquei meditando: querem fazer o Marcio governador do Estado. Ideia inspiradora se o povo já se encontrasse inspirado a aceitar os homens lúcidos e bem intencionados.
Mas, penso, é uma ideia arriscada, comprometedora para um homem digno, inatacável e honesto. Depois, retornando a mim mesmo, falei. O Marcio é de maior idade, tem senso, é refletido, a ele portanto a solução do problema: este é exclusivamente seu. O Amazonas precisa de homens de sua têmpera, Marcio amigo, mas o exército nacional jamais poderá prescindir dos seus serviços de soldado com a sua formação equilibrada ou, melhor, com a sua bravura moral e cívica. E o Brasil tem, em você, um dos seus grandes servidores nas fileiras do invencível exército de Caxias.
Pense e medite, Marcio. Eu estou apenas apontando-lhe, ao longe, uma nuvem escura: a nuvem das decepções imprevistas. Reflita, meu bom parente e amigo e, mais tarde, após o ensarilhar das armas, procure ver quem foi sincero para com você: eu, procurando afastá-lo do charco, ou os incoerentes empurrando-o para o atoleiro.
Marcio, cuidado!...

quarta-feira, março 23, 2011

Deu em... O Jornal

Já descrevi em vários posts a atuação da SAGA (Sociedade Atlética Guarda de Aparecida), entidade criada pelos padres redentoristas. A finalidade era congregar do melhor modo possível a sociedade do bairro. Também se empenhava na educação dos jovens, inclusive na atividade esportiva.


Marcio de Menezes era um oficial do Exército empreendedor. Quando capitão estivera no comando da Polícia Militar, e buscou modificar a situação dos bombeiros. As dificuldades do Estado não permitiram. Quando coronel, comandante do 27º Batalhão de Caçadores, resolveu construir em Manaus um estádio. Espaço existia, o próprio Exército dispunha de ampla área na atual avenida Constantino Nery.
Jornalista João Bosco de Lima entrevista o coronel Marcio de Menzes,
abaixo, a reportagem. O Jornal, Manaus, 5 out. 1957



Onde existia o estande, queria o coronel levantar o Estádio Olímpico. Para saber dos detalhes foi entrevistado pelo jovem repórter João Bosco de Lima, muito depois vice-governador e, morto senador, em 1979. Novamente, o coronel teve que arquivar seu plano.
O Jornal. Manaus, 8 out. 1957
Em 1957, a aviação para Manaus melhorava a cada decolagem. Bem demonstra a oferta de viagens da Panair do Brasil.

O Chefe de Polícia de então dirigia as polícias do Estado, além de atribuiçoes sobre a Penitenciária. Era de prestígio este cargo. O recorte anuncia a substituição do então bacharel José Bernardo Cabral pelo saudoso dr. Antonio Alexandre P. Trindade, efetuada pelo governador Plínio Coelho.
O Jornal. Manaus, 3 out. 1957

domingo, fevereiro 13, 2011

CORPO DE BOMBEIROS DE MANAUS (III)

Mais um incêndio esquentava a estatística de outubro de 1948. Aconteceu na Serraria Rodolfo, situada à rua Wilkens de Matos, em Aparecida, (O Jornal, 22 out. 1948). A situação dos bombeiros era precaríssima, pois, sequer o local dos hidrantes, das “bocas de incêndio”, os soldados do fogo conheciam. Os empregados da serraria tiveram um papel preponderante no combate ao incêndio, “muito embora, estivessem presentes os soldados do fogo”. Conhecedores dos equipamentos da serraria souberam aproveitar o motor de sucção e racionar a água disponível.

Acionados, os soldados do fogo chegaram ao local sinistrado “providos de todo o seu material”. As mangueiras, todavia, não serviram porque o “líquido precioso faltou na hora H”. O diretor dos Serviços de Águas e Esgotos do Estado, Dr. Antonio Oliveira, esteve à frente da manobra para equacionar a deficiência. Conseguiu em cerca de 30 minutos, quando bombeiros e elementos do 27º BC controlaram a situação.

Em maio de 1949, o capitão EB Marcio de Menezes assumiu o comando da PMAM, a quem cabia o serviço de combate ao fogo. Por isso, sabendo das dificuldades da corporação, em setembro prestou esclarecimentos a imprensa.

O Jornal. Manaus, 11 set. 1949
Elencou uma série de providencias, a fim de dotar a cidade de um sistema de bombeiros adequado. Acreditava no entendimento com as companhias de seguro, idéia que vinha da província. Sem resultado.

Outra necessidade era a adoção de curso para oficiais e sargentos, e que alguns pudessem frequentar curso no Sul do País. Para isso, os primeiros elementos viajaram em 1953.
Levantamento total das “bocas de incêndio”, esperando obter com isso o indispensável apoio ao trabalho dos bombeiros. Esquecia o comandante da precariedade da energia elétrica e, em consequência, de água.
Montar uma escola de bombeiro voluntário. O plano era salutar, pois consistia em preparar bombeiros em casa comercial e outros estabelecimentos. Muito tempo depois, as indústrias possuem as brigadas de incêndio. Restauração do material existente. Outro plano simples, mas o governo não possuía recursos.


Ao que tudo indica, o comandante Marcio de Menezes nada conseguiu. Deixou o comando da PMAM no ano seguinte. Quando coronel, voltou a Manaus para comandar o 27º BC. Depois, em 1958, candidatou-se ao governo do Estado. Nada.


Favor anotar este número: 1390. Era o fone de atendimento dos bombeiros. Local: Quartel da Polícia Militar, situado na Praça da Polícia. Em 17 de dezembro de 1949, o 1.º tenente PM Jorge Fernandes de Lima assumiu o comando da Companhia de Bombeiros.