CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

11 de fevereiro de 2016

ADRIANO JORGE (1879-1948)

Na passagem do 48º aniversário do saudoso médico, presidente da Academia Amazonense de Letras, o matutino O Jornal (edição de 20 agosto 1937) publicou o texto abaixo.
Adriano Jorge


Consagra-se o dia de hoje à existência augusta e luminosa de Adriano Jorge. Não só entre a família de jornalistas de O JORNAL. Estimam-no e admiram-no todos da coletividade manauense. Muito logicamente.

Difícil encontrar-se, na Cidade, quem não deva, ao seu diagnóstico prodigioso, fortuita assistência.

Acontece que esse grande médico, dono da maior clinica local, é um homem bom, por vocação e filosofia, sendo o seu melhor prazer a pratica, indistinta, do bem.

Depois, o nosso aniversariante é a legenda mais complexa e expressiva da inteligência daqui. Professor de várias matérias, jornalista político, cujos artigos, contra os sobas de  ontem, no "Correio do Norte", ficaram na memória do povo, pela eficiência, e na dos profissionais do panfleto, como modelo, cronista das artes plásticas, ensaísta, atualíssimo de assuntos filosóficos, literários e astronômicos, o preclaro presidente da Academia Amazonense de Letras destaca-se, principalmente, como orador de raça, com as suas orações perfeitas, ouvidas, sempre, com o mais vivo entusiasmo, nas reuniões acadêmicas, na Assembleia Legislativa e nos comícios de praça pública, aonde, ombro a ombro com o saudoso e estupendo Heliodoro Balbi, tirou os resultados mais satisfatórios dos sentimentos cívicos da nossa gente.

E' um artista completo. Sua forma prestigia as nossas letras com a intensidade de movimento à Euclides da Cunha ou Fialho, uma sintaxe à Aloysio ou Francisco de Castro e a rica lexicologia de Camilo. Esse o Adriano Jorge, autor de "tantas páginas, que, enfeixadas em volumes, seriam fontes consultivas, partituras da sinfonia amazônica, noturnos de um coração bom".

O Dr. Álvaro Maia, "que aprendeu, com Adriano Jorge, nos recintos ginasiais, a amar a poesia do idioma", e defendeu, "ao sol da mesma trincheira, os problemas de sua terra e as aspirações de seu povo", disse, dele, certa vez: "A esse artista desassombrado, que defende o povo, mas não corteja a popularidade, surdo ao vozear dos medíocres e senhor das próprias atitudes, devemos justas consagrações, que lhe nunca fizemos, porque não as aceitaria, satisfeito com os aplausos da própria consciência".

A homenagem, que a Academia se dignou preparar-lhe, obterá, certamente, êxito de apoteose.