CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

29 de fevereiro de 2016

CORONEL FRANCISCO CARNEIRO (1922-2015)

No sábado passado 27, a família de FRANCISCO CARNEIRO DA SILVA, saudoso coronel da Polícia Militar do Amazonas, reuniu-se no oratório da corporação para lembrar o sexto mês de seu falecimento.  Ao encerramento do ato litúrgico, foi lido o texto abaixo que colaborei na composição, ao lado de seu filho Prof. Dr. Francisco Filho.

Carneiro, como restou conhecido, foi incorporado na Polícia Militar do Amazonas (PMAM) nos heroicos tempos desta corporação, no início da década de 1950. Heroicos porque o Estado passava por extrema dificuldade financeira, situação que se estendia obviamente à administração. Carneiro foi incorporado como soldado. Dedicado como sempre foi, recebeu a promoção a cabo e, quando 3° sargento, foi colocado à disposição do Corpo de Bombeiros de Manaus, ao tempo uma entidade da competência da Prefeitura da capital. Nessa situação, foi enviado para um curso no Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro, então a mais importante organização do gênero no país, junto com o tenente Edmundo Monteiro. No longínquo ano de 1952. 
Um fato curioso ocorreu ao final dessa temporada, na então Capital Federal, porquanto faltasse o pagamento de vencimentos e vantagens, a dupla de Bombeiros recorreu à imprensa. Essa publicou em Manaus a reclamação dos bombeiros, resultado: ao retornar, para surpresa de ambos, foram punidos disciplinarmente. Carneiro retornou à PM, onde obteve a promoção ao oficialato. 
Nesta condição, foi destacado pela primeira vez para comandar um destacamento policial militar no interior do estado, assumindo assim, a Delegacia de Polícia do município de Tefé, onde nesta função enfrentaria, com seus comandados, situações críticas de desordem pública, como conflitos sangrentos entre famílias por disputa de terras e vinganças pessoais. 
Em 1959, o saudoso governador Gilberto Mestrinho nomeou "coronel comandante da Polícia Militar do Amazonas", ao Dr. Assis Peixoto. Peixoto fez do tenente Carneiro seu ajudante de ordens. Nessa condição, viajaram a Porto Alegre (RS) para um encontro com a cúpula das PMs do Brasil. Uma foto histórica mostra, além dos citados amazonenses, o então governador gaúcho. 
Militar por vocação, Carneiro seguiu prestando suas obrigações, no quadro de intendência, tendo ocupado a função de Aprovisionador e pouco depois, a Tesouraria da instituição. O Estado prosperava paulatinamente sob o governo trabalhista de Plínio Coelho e Gilberto Mestrinho. Auxiliado por oficiais do Exército que estiveram no comando da Força Policial. 
Com a instalação do Governo Militar, em 1964, o governador determinou a apuração de desagregação no comando da PM. Carneiro, então capitão, dirigindo a Tesouraria, foi atingido pelas normas do Ato Institucional, sendo obrigado a se afastar do serviço ativo. Recorreu à Justiça, a qual o reabilitou ao serviço, cujo retorno aconteceu em 1968.
Novos tempos no país e no governo estadual promoveram a recuperação da PMAM. Carneiro comandou a Companhia de Comando e Serviços. E, em 1972, na PM do Ceará, frequentou com sucesso o Curso de Aperfeiçoamento de Oficiais (CAO). Promovido a major, esteve em Parintins, na condução da Delegacia de Polícia local e do Destacamento de policiais, que deu origem ao atual batalhão de polícia. 
Ao deixar aquelas funções, retornou ao quartel da Praça da Polícia, onde seguiu exercendo funções de seu posto. A reserva ocorreu e, ainda assim, Carneiro se empenhou em atividades correlatas, como atividades administrativas no extinto Deram e posteriormente na Setram, onde durante sua permanência naquele órgão, sempre se via incumbido de realizar sindicâncias e inquéritos administrativos. Da mesma forma, atuou nos quadros da antiga estatal Cosama, onde se tornou responsável pelo setor de pagamentos de funcionários do interior do Estado. 
No âmbito familiar, Francisco Carneiro da Silva fez por merecer a nobre lembrança de pai e marido amoroso e um avô apaixonado por seus netos e bisnetos. Ao lado da esposa, Sra. Ana Barros Carneiro, em 63 anos de matrimônio, dedicou seus derradeiros anos de vida a um convívio harmonioso e repleto de paz e ensinamentos para todos os familiares. 
Era, ao falecer, o oficial mais idoso da corporação, possuía 93 anos de vida, na qual galgou de singelo soldado ao topo do oficialato, após ter passado praticamente por todas as graduações e postos da hierarquia de um policial militar, numa trajetória sempre muito honrosa e rica em vitórias e, sobretudo, rica em verdadeiros amigos, os quais sabia como ninguém, soube conquistar e preservar. 
Missão cumprida, Coronel Carneiro!