CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

30 de setembro de 2015

NOTAS SOBRE O CLUBE DOS OFICIAIS DA PMAM

Constituição da 1ª Diretoria

O Clube dos Oficiais, congregando em nossos dias os camaradas da Polícia Militar e dos Bombeiros, reúne-se hoje para restaurar a galeria dos ex-presidentes desta organização. Trata-se de uma pleito meritório, pois relembra a participação daqueles que redobraram esforços em prol dos colegas e familiares.  

Aproveito o ensejo para principiar o registro dessa história marcante. E, como toda trajetória bem-sucedida, repleta de acertos e de muitas trombadas. 

De quem terá partido a ideia de congregar, quem terá arrebanhado a diminuta turma de oficiais, nunca mais se saberá. Afinal, todos os fundadores já se “foram”. Quando escrevi este post, ainda vivia o oficial mais idoso que, a despeito da visão afetada mas bastante sóbrio, poderia nos redesenhar aquele episódio. 

Tratava-se do coronel Francisco Carneiro da Silva (morto no mês passado, aos 93 anos) que, entre outras aventuras milicianas, ingressou na corporação em 1951, portanto, quando da fundação deste clube, ainda era praça. Todavia, a partir de 1958, admitido na esfera do oficialato, serviu como ajudante de ordens ao coronel Assis Peixoto, no primeiro governo de Gilberto Mestrinho (1959-63). 

Banido da corporação pelo Governo Militar de 1964, Carneiro obteve na Justiça Comum o reconhecimento de seus méritos, retornando ao convívio de seus companheiros. A seguir, teve oportunidade de aperfeiçoar-se na PMCE, em Fortaleza, e exercer o cargo de delegado de polícia em Parintins. 

O ano de 1953 é usualmente lembrado pela maior enchente que assolou o Estado, marca superada tão-somente em 2009. Foi neste período que a ideia de agregar os oficiais da Policia Militar em um clube zanzava pelo quartel da Praça da Polícia. Terá contribuído o governo de Álvaro Maia (1951-55), que atravessava um período de embaraços e desesperanças. 

A corporação do mesmo modo arrostava a falta de recursos e o decantado atraso de pagamento. O comando da PM era exercido pelo coronel (da reserva) Adalberto Cavalcanti (tio do coronel José Cavalcanti Campos), que, ao tempo da fundação do clube, já preparava a transmissão do cargo para outro coronel da reserva, Manoel Corrêa da Silva, residente na ainda existente (bastante deteriorada) Vila Georgete, na rua Lauro Cavalcanti, casa 3.

O COPMAM surgiu em 9 de abril, segundo seus Estatutos, presidido pelo coronel Jonas Paes Barreto, um respeitável desconhecido, repetindo um esgarçado clichê. Pouco ou quase nada se conhece desse oficial, tanto que uma fotografia para ilustrar o painel dos ex-dirigentes continua sendo buscada. 

Na primeira diretoria destacavam-se o Dr. Antonio Hosannah da Silva Filho (médico legista, que tem seu nome como patrono do Instituto Médico Legal); o então capitão José Silva (morto como coronel da reserva e que comandou a PM em caráter provisório) e o major Djalma Vieira Passos (que se destacou na literatura e na política amazonense, como deputado estadual e federal), foi o primeiro orador do clube. 

Desprovido de sede social, ainda assim era marcante a empolgação de seus associados. Não muitos, incluídos os oficiais da reserva, eram cerca de uns trinta membros. As primeiras reuniões, como a de Assembleia Geral de 4 de novembro, para aprovação dos Estatutos, aconteceram na Associação dos Professores, cuja sede situava-se na avenida Eduardo Ribeiro esquina da rua 24 de Maio. 

Também foi neste local, já em 1958, como me relatou o saudoso coronel Carneiro, que “a turma se reuniu para exigir do governador Plínio Coelho (1955-59) respeito com o major Júlio Cordeiro”. O fato é o seguinte: este oficial se desentendera com o comandante-geral, coronel Cleto Veras, homem bastante irascível, quase indo os mencionados as vias de fato. Pior, diante da tropa.  

Em represália, coronel Cleto exigia que o oficial da PM fosse cumprir no quartel do 27º BC a punição que ele impusera.  O governador Plínio Coelho entendeu a reivindicação do Clube que, bastante fundamentada, permitiu que a cadeia do oficial fosse cumprida na própria caserna. 

Na década de 1960, o clube ainda permanecia sem sede social. Algumas reuniões aconteceram na sede da Associação dos Servidores Públicos do Amazonas (ASPA), por deferência de seu presidente Aureomar Braz. As duas associações possuíam um ideário muito próximo, estando por isso vários oficiais integrando ambas. Daí a utilização da sede, que então se situava no cruzamento das ruas Joaquim Sarmento com Henrique Martins. Esta associação ainda permanece vigendo, porém, em outro endereço. 


Tenente Nonato, coronéis Ossuosky, Helcio, majores Medeiros e
Fausto (a partir da esquerda)


O Clube dos Oficiais somente começaria a escrever um segundo capítulo de sua história a partir do apoio prestado pelo comando da corporação. Cabe destacar nesse empenho o coronel Mário Ossuosky, assessorado por aguerridos oficiais. 

Outras postagens sobre o clube podem ser lidas neste Blog.