CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

9 de junho de 2015

CENTENÁRIO DO IGHA (3)

Em 1927, centenário da instalação dos cursos jurídicos no Brasil e o primeiro decênio da fundação do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA), a Faculdade de Ciências Jurídicas e Sociais de Manaus utilizou a sede desta agremiação para a formatura. A solenidade ocorreu em 11 de agosto, e a turma, composta de 16 bacharéis, teve como paraninfo o Dr. Waldemar Pedrosa, catedrático de Direito Penal da mesma faculdade.  
Capa da publicação

Este mestre proferiu a alocução intitulada No Limiar da Vida Social, que foi publicada no ano seguinte pelos Armazéns Palácio Real, cujo exemplar integra a biblioteca Genesino Braga, da Academia Amazonense de Letras.

A turma de bacharéis estava assim constituída (por ordem alfabética), e com indicação do Estado natal:

Abílio de Barros Alencar – Piauí | Antonio Felipe Domingos Uchoa – Ceará | Antonio Krichanã da Silva – Amazonas | Esron Wolff da Silva – Maranhão | Francisco Xavier de Oliveira Galvão – Amazonas | Hugo Silva – Ceará | João Pereira Machado Junior – Amazonas | João Rodrigues Coelho – Pará | João Teixeira de Moraes – Piauí |José Arrais de Alencar – Ceará | José Farias Gesta – Amazonas | José Francisco Monteiro Junior – Amazonas | Manoel Afonso dos Santos Junior – Alagoas | Maximiliano da Trindade Filho – Amazonas | Paulino Pedreira – Bahia | Raimundo Arthur Meninéa – Amazonas


A seguir, reproduzo (em três partes) o discurso proferido pelo paraninfo. 

Exmo. SR. DR. PRESIDENTE DO ESTADO
Exmo.
SR. DR. PREFEITO MUNICIPAL
DIGNÍSSIMO REPRESENTANTE DO CLERO
Exmas. SENHORAS E SENHORITAS
                              MEUS SENHORES                                                 _
Exmo. Sr. Dr. DIRETOR DA FACULDADE
MEUS CAROS COLEGAS DE CONGREGAÇÃO
SENHORES BACHARÉIS.

QUIZESTES empanar O brilho desta festa, na qual ressoam, com os hinos da vossa vitória, os carrilhões da Pátria a anunciarem, alvissareiros, os fastos gloriosos de sua vida jurídica, impondo ao mais humilde de vossos mestres o honroso encargo de paraninfar o ato simbólico do vosso bacharelato.

Se houvésseis ensurdecido às vozes de vossos corações, para atenderdes mais aos ditames de vossas consciências, teríeis, de certo, agora, enchendo de fulgores esta solenidade, a palavra mágica e erudita de quem, favorecido dos esplendores do talento e das luzes da experiência, que é a verdadeira sabedoria, melhor dissesse dos vossos triunfos, e qual almenara radiosa, maior resplendor projetasse na estrada ampla de vosso porvir...

Surdos, porém, ao veredito da razão, nada vos demoveu do pendor por aquele que entendestes que aos entusiasmos de vossa juventude e à fé ardente em vossos destinos promissores, devia juntar o ardor da mocidade do seu espirito no dar-vos o adeus da vida estudantina, nesta hora alta e clara de nossa civilização, em que o Brasil comemora a data do centenário de seus cursos jurídicos!Glória, pois, aos nossos maiores de 1827, que ansiando pela cristalização das forças mentais que animavam a mocidade da Pátria, com elas lançaram a pedra fundamental da formação da consciência jurídica do Brasil!

Honra a José Feliciano Fernandes Pinheiro, visconde de S. Leopoldo, que referendou a áurea lei de 11 de agosto de 1827, que instituiu os cursos de S. Paulo e de Olinda, "dois centros de irradiação da cultura jurídica brasileira,” fanais que iluminaram a plêiade de nossos primeiros genuínos juristas, parlamentares, diplomatas, estadistas e sociólogos!

Hosanas a Cotegipe, a Sinimbú, a Souza Franco, a Zacharias, a Nabuco, primeiros revérberos daquelas fontes luminosas e que depois constituíram constelações fulgurantes do segundo império!

Mérito aos luzeiros de nossos primeiros avanços, que difundiram os raios de seu saber na estratificação das doutrinas e dos princípios que formam a nossa cultura jurídica, uma das mais respeitáveis da América e, quiçá, do mundo!

Glória a Tobias Barreto, a Martins Junior e a Silvio Romero, os juristas-filósofos que libertaram o espírito da mocidade de então, dos postulados da velha escola, desvendando-lhe a verdade do realismo científico! 

Glória a Teixeira de Freitas, a Lafayette, a Carlos de Carvalho, a Lacerda de Almeida, a Coelho Rodrigues e a Andrade Figueira, os nossos insignes civilistas!

Glória a Pedro Lessa e a Viveiros de Castro, "sacerdotes da Justiça e da Virtude!”

Glória a Rui Barbosa, símbolo da grandeza moral e intelectual da Pátria!

Ânimo aos joalheiros que vão, no afã de nossos dias, trabalhando em incrustações lavoradas, as custosas joias que enriquecem o tesouro de nosso patrimônio mental!

Eia a Clóvis Bevilaqua, a Eduardo Espinola, a Pontes de Miranda, a Carvalho de Mendonça, a Rodrigo Octavio e a Jorge Americano!

Sus aos romeiros que, há um lustro, transpunham convosco os umbrais dos templos do Direito, trazendo no peito a ardente de uma aspiração justa, e acalentando na mente o devaneio de um sonho que tem hoje entreabertas de luz e se converte em esplendida realidade!

Coragem a vós, que partis agora, armados cavaleiros do Direito, a caminho da vida intensa de amanhã, entre o torvelinho das paixões humanas e o trono soberano da Justiça!

Como me sorri, agora, em vossa companhia de alpinistas do direito, relancear a senda percorrida através da jornada grandiosa que acabais de vencer ...  (segue)