CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

9 de agosto de 2013

BANDA DE MÚSICA DA PMAM: 120 ANOS (5)


Ainda enfrento dificuldades, tento superar entraves para determinar os regentes da centenária Banda de Música da Polícia Militar do Amazonas, hoje denominada de Coronel Afonso de Carvalho. Contudo, estou certo de ter alcançado o primeiro: Cincinato Ferreira de Souza, que começou em 1892 e terminou, possivelmente, quatro anos depois.
Banda de Música do Corpo de Bombeiros do Pará, a frente,
mestre Cincinato Ferreira (de perfil), em 1904
 
Este maestro nasceu em São Luís do Maranhão, em 1868, e morreu em Belém do Pará, em 1959, aos 89 anos. Parte de sua atuação em Belém acha-se registrada em livro sobre o Corpo de Bombeiros (MENEZES, José. O Corpo de Bombeiros no Pará, 2ª ed. Belém: Delta Gráfica e Editora, 2007), em cuja corporação foi mestre de música. Desta obra, pode-se inferir que este maranhense não demorou muito em Belém, aonde desembarcou em 1890, no alvorecer da República.
Um pouco depois, ou em busca de trabalho ou “indicado” por alguma autoridade, passou a Manaus. Aqui, em 5 de agosto de 1892, Cincinato Ferreira (24 anos) foi contratado para organizar a Banda da Polícia Militar do Estado, que aguardava ou já teria recebido o instrumental comprado na Europa para o corpo musical.
É tudo quanto alcancei. Ainda não foi possível resgatar sua passagem pela música do Amazonas, pois, os registros da Polícia Militar de antanho passam pelo processo de digitalização que impede, ao menos enquanto pesquiso o tema, sua utilização. Por isso, não se pode informar a data de sua exoneração e a retirada de Manaus. Acredito que foi substituído em 1896, pelo professor Aristides Emídio Bayma. Nesse período, quem regeu o governo do Amazonas foi Eduardo Ribeiro, outro maranhense. Coincidência!?
Assim sendo, aproveito para revelar a trajetória de Cincinato em Belém, cujo nome figura em livro sobre os músicos do Pará (SALLES, Vicente. Música e músicos do Pará. Belém: [s.ed.], 1970. Salles consigna que Cincinato Ferreira “regia na condição de alferes a Banda dos Bombeiros, quando esta em 1898 foi transferida da administração estadual para a municipal”. Dizia-se que eram parentes, afinal, ambos são maranhenses. Esta transferência se deve certamente à posse do Intendente Antônio Lemos na prefeitura de Belém (PA), que dirigiu de 1897 a 1912, quando exerceu robusta influência política no Pará.
Cincinato foi promovido a tenente em 22 de dezembro de 1904, e reformado em dezembro de 1911, com vigência a partir de janeiro seguinte, após a Banda ter sido extinta em agosto do mesmo ano. Como se observa, manteve-se na direção da Banda de Música dos Bombeiros enquanto seu parente Lemos esteve na prefeitura de Belém. Com a saída deste, defenestrado pelos políticos e escorraçado pela população, e substituído por um adversário, a Banda desapareceu momentaneamente. Em agosto seguinte, tanto a corporação dos homens do fogo quanto sua Banda foi revigorada. No comando da corporação, assume o bacharel Henrique Hurley, e na musical, o retorno do tenente Cincinato Ferreira. É desconhecida a data de sua saída.
Além da regência na Banda dos Bombeiros, Cincinato esteve na direção da Banda do Instituto Lauro Sodré. Há mais informações no Música e músicos do Pará.
Seu trabalho restou amplamente reconhecido, na condição de autor de várias composições em estilos diversos. Cincinato era “professor de música, regente e hábil orquestrador, autor de valsas, hinos, marchas e dobrados, além de música para teatro”. Comprovação desse desempenho pode ser apreciada em uma produção especializada, cujo disco, patrocinado do Banco do Brasil – Banda de Música de ontem e de sempre, apresenta deste maestro duas composições (Música popular do Norte: no disco 1 – Canto do pai Pedro (polca), gravada por Jane Duboc. E, no disco 2 – Artística paraense).
Cincinato Ferreira é seguramente o primeiro mestre a dirigir a Banda de Música da PMAM.