CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

25 de agosto de 2013

BANDA DE MÚSICA DA PMAM: 120 ANOS (7)

Volto ao assunto, lembrando mais um mestre desta corporação musical. Lembro o tenente Mirtillo Fricke de Lyra, que residiu por anos no bairro da Praça 14 de Janeiro.


Mirtillo Fricke de Lyra, 1º tenente
 
Em 1º março de 1950, o sargento combatente Mirtillo Fricke de Lyra foi promovido ao posto de 2.º tenente músico, pelo governador Leopoldo Neves. Assaz estranha esta promoção; no entanto, é facilmente explicável essa manobra: como somente existia esta vaga no oficialato, decidiu o comando promover o amigo, o “peixe”, mesmo que ele não fosse do ramo, aproveitando a barafunda vivente na corporação. Para aclarar esse descalabro, acrescento apenas que a assistia em média a cada dois meses a mudança de comandante. Nessa ocasião, comandava a Polícia Militar o coronel da reserva (aposentado) Temístocles Henrique Trigueiro, que foi substituído em julho. 

Nascido em Maceió (AL), em 24 de abril de 1916, Fricke de Lyra era filho de Manuel Bernardo de Lyra e de Ernestina Fricke de Lyra. Na ficha de inclusão na Polícia Militar foram assinalados alguns sinais característicos: cor morena, olhos castanhos escuros, cabelos castanhos escuros ondulados e com 1m68.

Nos assentamentos do tenente Fricke, não há qualquer registro de atuação musical, salvo quando para, em comissão, receber equipamentos e examinar o corneteiro. Nos registros encontra-se de tudo, inclusive sua destacada atuação no incêndio do Trapiche Satélite, sendo elogiado pelo “desprendimento da própria vida”.

No inicio de 1951, como habitual, foi classificado nas funções de Mestre de Música. Classificar um oficial não indicava que o mesmo exercia a enunciada função, assim ocorreu com o referido mestre. Era tão desnecessário, que a 16 de janeiro, o governador baixou novo ato transferindo-o para o quadro de combatentes e o efetivando no posto de 2.º tenente. Pronto, a manobra estava concluída e o tenente confirmado no posto. Mais adiante, Lyra passou para o quadro da Intendência e, neste, foi promovido a capitão em março de 1962, e transferido para a reserva como major, em janeiro de 1963.

Suponho que quem o substituía ou, na realidade, ensaiava a Banda de Música, era o sargento Nicanor Puga Barbosa, como bem recorda sua viúva – Marina Puga, para essa retrospectiva, em 2013. A meu ver, admitir a substituição é correta, pois foi Puga que, igualmente beneficiado pela conjuntura frouxa que persistia na corporação, sucedeu ao tenente Lyra.

Fricke de Lyra morreu em Manaus, aos 22 de novembro de 1991.