CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

16 de agosto de 2013

BANDA DE MÚSICA DA PMAM: 120 ANOS (6)



Afonso de Carvalho, patrono
da Banda de Música

Apesar dos bloqueios, tento superar entraves para alcançar os regentes da centenária Banda de Música da Polícia Militar do Amazonas, hoje denominada de Coronel Afonso de Carvalho. Escrevo hoje sobre o mestre Nicanor Puga Barbosa. Antes, porém, vou relacionar os MESTRES ou REGENTES ou ENSAIADORES deste corpo musical, ainda que a relação esteja truncada pelas dificuldades nominadas.
Já dissertei sobre o primeiro mestre – Cincinato Ferreira de Souza, que a dirigiu entre 1892 a, possivelmente, 1896. Os demais dirigentes foram:

·      Aristides Emídio Bayma, 2º tenente (1897-1908);
·      Domingos Sotero da Costa, músico de 1ª classe (1908-11);
·      Manoel Napoleão Lavor, capitão (1911-12);
·      Manoel Felix do Nascimento, 2º tenente (1912?-22);
·      Manoel Ramos do Nascimento, 1º sargento (1922-24);
·      Benedito Tavares de Azevedo (1925-28 e 1936-41);
·      Albino Ferreira Dantas, 2º tenente (1942-45);
·      José Arnaud, 2º tenente (1945-48);
·      Mirtilo Fricke de Lyra, 2º tenente (1950);
·      Nicanor Puga Barbosa, 2º tenente (1951-54);
·      Joaquim Henrique de Souza, 2º tenente (1954-60);
·      Manoel Belarmino da Costa, capitão PM do Pará (1961);
·      Dirson Costa, maestro (1962);
·      Ernane Puga, 2º tenente (1963-67);
·      Raimundo Alves Bezerra, 2º tenente (1967-75);
·      Francisco Sales de Araújo, 1º sargento (1975);
·      Antônio da Costa Franco, 2º sargento, depois 2º tenente (1976-84);
·      Raimundo de Sena Ferraz, 1º sargento (1987-88);
·      Francisco das Chagas Souza Lima, 1º sargento (1987-94);
·      José Cândido de Figueiredo, 2.º tenente (1994-2006);
·      José Antônio Valério da Silva, 2.º tenente (2006-)

NICANOR PUGA BARBOSA, 2º tenente músico

Exonerado o tenente Lyra, em 1951, no dia imediato, 17 de janeiro, o governador promoveu o 1º sargento Nicanor Puga Barbosa, “por merecimento intelectual”, ao posto de 2.º tenente músico. Nesta função, tenente Nicanor se manteve até 4 de maio de 1954, quando foi transferido para a reserva.
Nicanor Puga Barbosa, mestre da Banda de
Música (1951-54)
Este regente possui relação bem alongada, interligada por familiares, com a Banda de Música amazonense. Na virada do século XX e, com garantia, até agosto de 1967, este curto e peculiar sobrenome ancorou a música militar tanto na Força Policial quanto no Exército. A linhagem emana do genitor, o espanhol Manuel Puga Rivera, que começou tocando e ensinando a arte musical na marajoarense Soure (PA). Evoluiu e, na capital paraense, participou da Banda de Música da Polícia Militar.
Nem sequer a família conhece o detalhe, todavia, um dia o espanhol Manuel Puga desembarcou em Manaus, puxando a família, dentre os membros, os filhos Nicanor e Ernane. Logo arranjou emprego no Batalhão Militar do Estado, como músico de 1.ª classe. O único assentamento sobre este músico registra que ele foi encostado (admitido) em 1922 e que, na ocasião, tomou o nº 12. Não se denominava ainda engajamento, mas sim contrato, por dois anos, dessa maneira, em 1º abril de 1924, Manoel Puga teve o contrato rescindido. Para situar a conjuntura estadual, era governador o inesquecível desembargador Rego Monteiro, que estimulou com seu desgoverno a rebelião de Ribeiro Junior (julho de 1924). O músico espanhol Puga morreu em 1930. 
 
Nicanor, filho do citado músico espanhol e de Honorina Puga Rivera, nasceu em Soure (PA), em 29 de maio de 1918. Aos 12 anos ficou órfão de pai, aprendendo música com o mestre Agostinho Palheta (formado por seu pai). Em Manaus, fez seus estudos no colégio Rui Barbosa. Em 1934, aos 16 anos, ingressa na Banda de Música do Corpo de Bombeiros de Manaus, devo lembrar que nesse período a Polícia Militar seguia desativada. Quando da reativação desta, dois anos depois, a mesma banda foi incorporada à força estadual.

Nicanor possuía domínio sobre instrumentos de sopro, destacando-se no clarinete. Aos 24 anos, casou-se com a professora Marina dos Santos Puga Barbosa (diretora de colégios, como o GE Getúlio Vargas), com quem teve os filhos: Sebastião (padre, já falecido); Mário (falecido funcionário do TCE-SP); Francisco (professor aposentado, Mestre/Ufam); Maria do Perpétuo Socorro (aposentada da Ufam); Alberto (advogado e professor da Ufam); Zeneida (médica) e Rita Maria (professora/Doutora/Ufam).
Após ingressar na inatividade em 1954, mestre Puga ainda ensinou música no Seminário São José (aonde fui seu aluno). E dedicou-se à educação de filhos e netos, falecendo em Manaus-AM em 17 de setembro de 1997, aos 79 anos.