CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

3 de julho de 2013

QUINTINO CUNHA (1875-1943)

Parte do poema manuscrito
Há 70 anos morria o autor do poema Encontro das águas. Quintino Cunha morreu em Fortaleza, a 2 de junho de 1943. Sua lembrança, em Manaus, somente não desapareceu completamente devido as circunstâncias deste poema.
Para relembrar esta data e o olvidado poeta, reproduzo o verbete constante da História Literária do Ceará, de Mário Linhares. 

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Detalhe da folha de rosto do livro
Com a morte de Quintino Cunha ocorrida em Fortaleza, a 2 de junho de 1943, perdeu o Ceará um dos seus mais inspirados poetas. Nascido em São Francisco de Uruburetama, a 24 de julho de 1875, Quintino foi aluno da antiga Escola Militar do Ceará, advogado provisionado no Amazonas e formado pela Faculdade de Direito do Ceará, a 3 de dezembro de 1909.
Era um dos últimos representantes de uma geração de homens de letras que muito brilho deram (sic) à inteligência do Norte brasileiro. Estreou na imprensa aos 11 anos e, aos 17, começara a advogar(exerceu a advocacia como solicitador, aqui em Manaus, ver Faceta de Quintino Cunha, postada em 8 de maio).
No júri ou nos comícios populares, era considerado um dos maiores oradores cearenses, pela fluência de linguagem, pela improvisação surpreendente no jogo expressivo das imagens, pela eloquência com que sabia conduzir o pensamento no ímpeto, por vezes desordenado das ideias, na defesa das causas populares, dos injustiçados e dos humildes. Tudo isso era temperado por uma grande veia humorística que o notabilizou como um dos mais temíveis esgrimistas da sátira.
Neste sentido, há dele vasto e curiosíssimo repositório, de que uma pequena parte Renato Soldon reuniu em volume, com o título de “Piadas do Quintino”, com várias edições esgotadas. Rodrigues de Carvalho, fazendo, em 1899, o retrospecto da vida literária cearense, escreveu a seu respeito:
“Quintino Cunha, gênio de Bocage, transmigrado para um cérebro que não tem acomodações. É o mais humorista dos poetas cearenses e, como lírico, tem verdadeiras belezas. Seria um nome gloriosamente reputado, se não tivesse no crânio talento demais a desarmazenar-se. Repentista, alma da troça e da sátira... a Quintino Cunha só falta o meio de domar a impetuosidade das correntes de sua inteligência.”
Como poeta, principalmente, os seus versos cercaram-se de uma aureola de grande prestigio na região em que viveu. Inspiração natural animada de efusão lírica, suas trovas correm, de boca em boca, cantadas pelo sertão. A grande maioria de sua produção poética se acha espalhada pela imprensa. Sua obra principal, Pelo Solimões – publicada em 1906, em Paris (FRA), mereceu os aplausos da crítica nacional.

São versos que o poeta chamou de “norte-brasileiros”, onde vibra a voz ingênita da raça, em vivas emoções do amor à gleba. Quem não guarda de memória aquela linda quadra do poema em que o poeta, descrevendo o encontro das águas do rio Negro com o Solimões, que forma o Amazonas, diz:
Se estes dois rios fossemos, Maria,
Todas as vezes que nos encontramos,
Que Amazonas de amor não sairia
De mim, de ti, de nós que nos amamos...