CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

sábado, outubro 19, 2019

DESASTRE DE AVIÃO EM CANUTAMA: 50 ANOS



Já estava eu há três anos na Polícia Militar do Estado e, em diversas ocasiões, tivera contato com o deputado estadual Danilo Correa, quando aconteceu esse trágico acidente. Resultou numa consternação no quartel da Praça da Polícia, afinal era nosso representante na Assembleia Legislativa. O sepultamento ocorreu com as honras de praxe; recuperei a lembrança neste matutino. Detalhe: a PMAM somente voltaria a eleger um deputado próprio em 1984, com a eleição do coronel José Cavalcanti Campos.

Abaixo a reprodução da reportagem do Jornal do Commércio, de 19 outubro de 1969. Exatos 50 anos!



Lamentavelmente confirmou-se, às primeiras horas da tarde de ontem, o desaparecimento do avião Catalina da Cruzeiro do Sul, prefixo PP-PCW, ao tentar o pouso no rio em frente a cidade de Canutama. A informação foi trazida a Manaus através do rádio de bordo do avião PP-PEB, que saiu de Manaus em missão de busca e salvamento, sob o comando do comandante Edil.
Mais tarde essa informação era confirmada oficialmente ao governador Ruy Araújo pelo prefeito de Canutama, sr. Francisco Belmino de Pontes, e pelo juiz de direito, sr. Joaquim Maciel Parente.

COMO OCORREU O DESASTRE
Segundo o depoimento de pessoas que presenciaram a tragédia, por ocasião da descida do Catalina, desabava um forte temporal sobre a cidade, com fortes ventos, o que tornava o rio bravio e perigoso. O aparelho assim mesmo tentou descer, iniciando o primeiro “toque” nas águas do rio, para na segunda tentativa, quando arremetia, ir de encontro às águas de nariz, elevando-se uma das partes do aparelho, e em seguida, com a violência das águas, partir-se ao meio.

PÂNICO A BORDO
Com o impacto violento contra as águas, os passageiros foram tomados de pânico, jogando-se para fora do aparelho, alguns machucados, sendo em seguida socorridos pelas lanchas que se encontravam no porto de Canutama, que vieram, logo em auxílio. Entre essas lanchas estavam as da Malária, de particulares, incluindo a embarcação que aguardava o pouso do avião para levar a bordo os passageiros que embarcariam em Canutama para Manaus.

FICARAM PRESOS NO AVIÃO
Dos 10 passageiros que o Catalina PP-PCW transportava, quatro ficaram presos no seu interior, provavelmente impedidos de sair, por encontrar dificuldades para desatar os cintos. Um deles, o deputado estadual Danilo de Aguiar Corrêa, segundo o depoimento de um dos sobreviventes, teria batido com cabeça, perdendo os sentidos. Estes afundaram com os restos do aparelho, e só não foram socorridos devido ao pânico que se estabeleceu, pois o PP-PCW ainda ficou boiando por cerca de 15 minutos, mas os salvadores não imaginaram que ainda tivesse ficado alguém a bordo.

OS DESAPARECIDOS
Estão no fundo do rio, presos ao avião as seguintes pessoas: deputado Danilo de Aguiar Corrêa; Raimundo Bentes da Silva, radiotelegrafista do DER-Am, que vinha de Lábrea, onde fora montar uma estação de fonia; senhora Maria Alves, e a menor Maria Neide Alves, embarcadas em Lábrea.

Recorte do JC, edição 19 outubro 1969


O deputado Danilo de Aguiar Corrêa cumpria seu sexto mandato ao falecer no desastre aviatório da tarde de anteontem. Eleito para a Assembleia Constituinte de 1947, desde então se ligou ao Legislativo, ocupando os mais diversos cargos nas várias comissões parlamentares.
Nascido a 4 de janeiro de 1913, formou-se em Medicina na Universidade do Pará. Retornou logo em seguida a Manaus, onde passou a exercer a profissão. Ingressou nos quadros da Polícia Militar como médico, tendo sido reformado no posto de coronel. Era ainda médico sanitarista do Ministério da Saúde.
Em sua intensa vida política foi, também, prefeito de Barcelos. Todavia, sua grande base eleitoral era o rio Purus, ou mais precisamente o município de Boca do Acre. Ao sofrer o desastre fatal, regressava de Lábrea.

sexta-feira, outubro 18, 2019

CLUBE FILATÉLICO DO AMAZONAS (CFA)


Semana passada, o CFA comemorou seu cinquentenário. 


Ocorreu uma festa simpática, em dependência dos Correios, reunindo os novos colecionadores que lembraram com desvelo os fundadores e outras conquistas. No rastro do saudoso Nelson Porto, fundador e presidente desta agremiação, busquei os velhos jornais da cidade para contar a história deste colecionismo. As primeiras colunas traziam a assinatura do Clube, e eram divulgadas no Jornal do Commercio, porém redigidas pelo presidente Porto.


Não demorou para que Nelson Porto assumisse a paternidade da coluna, que durou enquanto viveu este exuberante filatelista. Reproduzo uma das primeiras publicações, inserida no JC, edição de 27 de setembro de 1970.



quinta-feira, outubro 17, 2019

CLUBE DA MADRUGADA: 65 ANOS



Por iniciativa do Celestino (Lé) Neto, admirável lutador cultural com um quiosque-sebo na Praça da Polícia, veremos uma manifestação naquele logradouro em comemoração aos 350 anos de Manaus. A exposição possui a singela designação de Manaus: Livros e Poesia.

Em parceria com o Zemaria Pinto vamos cuidar de pequena retrospectiva sobre o Clube da Madrugada. O Movimento cultural realizado na cidade, a partir de 22 de novembro de 1954. São passados 65 anos.

Recolhemos livros e jornais e fotos para contar essa trajetória. Os livros sobre o CM ilustram esta postagem.





domingo, outubro 13, 2019

SEMINÁRIO SÃO JOSÉ (5)



Dom João da Matta
Dom João da Matta, 6º bispo do Amazonas (1941-48), encontrou fechado este estabelecimento de formação sacerdotal. Isolado há décadas. Tomou-se de brio e, em 1943, reabriu o seminário. Para tanto, cedeu a residencial episcopal, junto ao Colégio Dom Bosco, e entregou a direção aos padres Salesianos. Do outro lado da praça, estava o quartel do 27 BC (atual Colégio Militar).
Do seu pronunciamento efetuado na solenidade, o trecho seguinte:

Este Seminário é um quartel da Igreja a se defrontar com o quartel da Pátria. Ali se formam os soldados para a defesa da soberania da nação – aqui se formam os soldados do Evangelho para a defesa do patrimônio da fé, que nos legaram os nossos maiores. A cruz e a espada, no correr da nossa História, sempre estiveram entrelaçadas. Foi aos clarões do sol da eucaristia que, lá na gloriosa Bahia, a cintilar sobre a espada de Pedro Álvares Cabral e a cruz de frei Henrique de Coimbra, amanheceu para o mundo e para a história o gigante da América, o Brasil.