CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

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sábado, março 11, 2023

POEMA PARA O SÁBADO

Na semana passada, dia 3 (sexta-feira), o Sétimo Comando Aéreo Regional (VII COMAR) festejou os 40 anos de sua criação. 

Nos Céus da Amazônia, de autoria de Álvaro Botelho Maia (1893-1969), publicado em O Jornal (23 fev. 1965), que foi administrador de nosso Estado, mas sobretudo respeitado por sua cultura, faz uma analogia ao Hidroavião, aparelho que severamente marcou nosso passado. 

O Jornal, 23 fevereiro 1965


sexta-feira, janeiro 06, 2023

CATALINAS: ADEUS

 Nascido em Alagoinha (PB), em 1913, e falecido em Manaus (AM), em 2010, Waldemar Baptista de Salles chegou ao Amazonas muito moço, tendo realizado o curso primário no Colégio D. Bosco e o secundário no mesmo colégio e no Ginásio Amazonense Pedro II. Diplomado contador pela Escola de Comércio Sólon de Lucena; engenheiro-agrônomo pela Escola de Agronomia de Manaus; e bacharel pela Faculdade de Direito do Amazonas, onde foi professor assistente. Foi procurador e secretário estadual da Fazenda.

Eleito para a Academia Amazonense de Letras, cadeira 40, foi empossado a 25 de julho de 1969 na presidência de Djalma Batista, saudado por Mendonça de Souza.

Além de farta produção esparsa nos jornais de Manaus, Salles publicou os seguintes títulos:  Pétalas Rubras, 1956; Aspectos Geográficos do Amazonas, 1966; Uma Voz Dentro da Noite, 1975; Geografia Econômica do Amazonas, 1971; O Amazonas: o meio físico e suas riquezas naturais, 1967; Nosso Tempo, 1980.

De sua produção em jornais, compartilhei esta postagem sobre o lendário avião Catalina, publicada em A Crítica (24 julho 1984), sinalizando “a despedida dessa aeronave da região amazônica”.
 

Fragmento do referido jornal


A região amazônica é imensa. Conhecê-la e conquistá-la tem sido um trabalho duro, cansativo, pleno de heroísmo e dedicação. Nesse desbravamento, já se referia o engenheiro Leopoldino Cardoso Amorim Filho em relatório publicado em Manaus – 8 de novembro de 1972, tratando de pioneirismo e desenvolvimento. Ele nos afirmava: "2 – a aviação continua com sua característica de pioneirismo e aqui também representada pela Força Aérea, pelos táxis-aéreos, pelas empresas de transporte regular, por aviões particulares e helicópteros: profissionais, homens idealistas, outros imbuídos do espírito de aventura, todos unidos como nos velhos tempos, executando as tarefas que lhes são atribuídas através do transporte aéreo".

Atualmente esta cidade de Manaus, encravada na selva imensa, é servida por aviões Bandeirantes; a jato, de diversas companhias, sem contarmos as pequenas aeronaves, que fazem as linhas para o interior do Estado, cruzando municípios distantes, pousando às vezes em campos inadequados, onde a experiência do comandante é fator importantíssimo no cumprimento de suas atividades e missões. Porém, há muitos anos, entre os diversos tipos de aviões, que integravam as várias companhias, existiam os chamados "Catalinas", usados pela extinta Panair do Brasil S/A, e pela FAB, aparelhos esses que levantavam voos e pousavam no aeroporto da Ponta Pelada.

Eram aviões anfíbios, porque pousavam em terra e em águas tranquilas e prestaram, na região amazônica, grandes e inestimáveis serviços. Viajar de navio, lancha e motores pelos inúmeros rios da área continua sendo uma tarefa demorada e exaustiva. E, anteriormente, para abreviar as distâncias e atender compromissos inadiáveis, fossem eles de interesse público ou particular, os “Catalinas” resolviam a situação.

Antigamente para se ir de Manaus ao Sul do país, de avião, antes do jato, era muito demorado e cansativo. Os aviões quadrimotores rumavam de Manaus com escalas em Santarém, Belém e, no pinga-pinga danado, pelo litoral. Os passageiros entravam na aeronave às sete horas da manhã e chegavam ao Rio de Janeiro à noite.

Quantas vezes, de férias na repartição, não fizemos este trajeto. Era preciso paciência e tempo. Em Belém do Pará chegávamos na hora do almoço. Desembarcava todo mundo e, depois de uma hora, reiniciávamos a viagem de novo, no mesmo avião, para o Rio de Janeiro, onde, lá pelas oito ou nove horas da noite, desembarcávamos no aeroporto Santos Dumont. Uma verdadeira prova de resistência, paciência e coragem.

Mas, em nossa região, usados pela Força Aérea Brasileira, na sua difícil e gloriosa missão de desvendar os recantos da pátria, os aviões "Catalinas" desempenhavam papel importante, de reconhecida utilidade. O povo, na sua ironia cabocla, os chamava de "pata choca", pelo tamanho das asas e volume, bojudo, meio lento, comparado com os atuais aviões a jato, que encurtam as distâncias.

Um saudoso Catalina em operação, em algum rio amazônico

No regresso a mesma escala, de Parintins à Manaus, passando por Maués, onde o desembarque era em canoas, lanchas e pequenas embarcações, que ficavam rodando em torno do hidroavião. E, em dias da semana passada, conforme já noticiaram a imprensa e a televisão, os “Catalinas” se despediram da região amazônica, na qual serviram durante mais de quarenta anos, cruzando fronteiras, firmando a nacionalidade, integrados na aviação civil e na Força Aérea Brasileira, cruzando os céus do Brasil. Na realidade foram os pioneiros e inestimáveis serviços prestaram a todos nós, que vivemos na terra dos grandes rios, imensas paisagens, e enormes distâncias...

sexta-feira, dezembro 16, 2022

DESASTRE DO PP-PDE: 60 ANOS (4)

Amanheceu o sábado (15.12) imediato ao desaparecimento do Constellation da Panair do Brasil. Todos os esforços eram empregados na busca da aeronave, tanto que o próprio presidente da empresa aérea desembarcou em Manaus na noite anterior, acompanhado de bom número de dirigentes. A caça ao avião enfim teve êxito quando, pela manhã, o comandante Patrick, pilotando o Catalina Papa, Charles, Zulu da própria Panair, avistou uma clareira aberta na selva. Determinado a esclarecer o achado, empreendeu idas e voltas com seu avião até esclarecer a infeliz descoberta, assim como marcar os azimutes de localização.


Detalhe da primeira página de O Jornal, 16 dez. 1962

Patrick constatou que no fundo do vale estava o PP-PDE e que, pelo desarranjo e estado do sítio, era presumível que não houvesse sobreviventes. De fato, o desastre veio a se confirmar: todos mortos. 

Prontamente as autoridades tomaram as providências para enviar o resgate por via terrestre, posto que a floresta não recomendava que os paraquedistas vindos da BABE saltassem sobre o local. As forças da Aeronáutica eram insuficientes, restando à Força Terrestre a “obrigação” de processar a busca. As forças estaduais, incluindo os Bombeiros municipais, em nada podiam contribuir, os organismos da Segurança Pública era então um descalabro. 

Ao final da tarde desse dia, os jornalistas locais foram acomodados em um Catalina da FAB para um sobrevoo na área do acidente. As imagens publicadas são precárias, pois o aparelho era impróprio para as fotos e, ademais, as máquinas fotográficas eram mais ainda. 

Diante desse quadro, sobrou (gíria castrense) para o 1º tenente EB Manuel Luís Braga Vieira que foi acordado neste sábado com a missão de reunir uma tropa e se apresentar no aeroporto de Ponta Pelada para seguir em busca do PP-PDE. O tenente Braga havia concluído a AMAN em 1959 e chegara a Manaus em 1961. Nascido em São Paulo, Braga, servindo no 27 BC, pouco conhecia da selva em que se desmanchara o avião e seus ocupantes. Ainda assim, foi o maior artífice do resgate. O BIS ou o CIGS deve-lhe uma homenagem. 

A estrada Manaus-Itacoatiara estava sendo finalizada, a obra era executada pela Pavinorte, sob a supervisão do Deram. Os mateiros desta repartição contribuíram grandemente com a tropa do 27 BC.  A “sepultura do Constellation”  distava 15 quilômetros desta rodovia, distância que pode ser alcançada em quatro horas de marcha. No entanto, como os militares necessitavam abrir picadas, subir e descer os barrancos, desviar-se de obstáculos de diversas amplitudes, levaram 4 dias. Acrescidos de mais dois dias até que o comando das buscas decidisse que a entrada na selva seria pela rodovia. 

Em suma, foram gastos oito dias, entre a queda e o alcance dos destroços e despojos. 

quinta-feira, maio 26, 2022

AVIAÇÃO NO AMAZONAS: NOTAS

 Às voltas com o desastre do Constellation da Panair do Brasil ocorrido em 1962, revisitei vários arquivos: das Forças federais e estaduais, da agência local da Panair, do Deram e de outros órgãos, como a Petrobras. No Arquivo Público encontrei a Exposição do interventor Álvaro Maia ao presidente Getúlio Vargas, referente a 1942. Nele, Maia registra os primeiros "voos" nessa área.
Capa da Exposição

Dois detalhes sobre o assunto: a Panair do Brasil já voava de Belém a Manaus com o hidroavião Catalina desde 1937. A pista do futuro aeroporto de Ponta Pelada será construída nesta época para facilitar o transporte da borracha, em apoio aos Estados Unidos na Guerra (mas isto é outra história).

NAVEGAÇÃO AÉREA

Intensificou-se a navegação aérea neste último ano, tanto para o interior do Estado, ligando vários rios e municípios, como para o resto do país e para os Estados Unidos. Abrem-se campos de aviação em Manaus, Fonte Boa, João Pessoa [atual Eirunepé]; as demais sedes principais são atingidas por hidroaviões.

Além das linhas comuns da Panair para os rios Madeira e Solimões, também sobrevoados pelos aparelhos da "Rubber Corporation", temos comunicações aeroviárias com os municípios dos rios Negro e Juruá. O Purus é beneficiado pela linha recém-inaugurada da Cruzeiro do Sul, em conexão com a Panair.

As primeiras viagens de Miami à Manaus, por aviões cargueiros, realizam-se com êxito, assim como as viagens experimentais entre Manaus e Talara, no Peru, entroncando o Vale Amazônico às rotas da Panair, ao longo do Pacífico. O Amazonas torna-se efetivamente o centro de ramificações aéreas na América do Sul, conjugando linhas para os Estados Unidos e Argentina, para o Pacífico, e o Atlântico, as quais se unem, por sua vez, às empresas de navegação aérea em todos os países sul-americanos.

Mapa aeroviário do Amazonas (1961)

Anuncia-se, por outro lado, uma linha entre Manaus e Rio de Janeiro, pelo interior do nosso país, escalando, possivelmente, em Cuiabá e Goiânia. Já se realizaram experiências nesse sentido, por aviões nacionais. Evidencia-se a necessidade imperiosa da máxima aprendizagem do Aeroclube do Amazonas, do qual já saíram as primeiras turmas de pilotos, cuja instrução se completa em outros Estados por falta de aparelhos de postos avançados.

Prestigiado pelo senhor doutor Salgado Filho, ministro da Aeronáutica, doutor Avelino Pereira e demais membros da Diretoria do Aeroclube se esforçam para dotar o Brasil de novos pilotos. O campo do Aeroclube encontra-se no bairro de Flores. O Estado tem procurado incentivar o programa dessa patriótica associação. Alguns alunos brevetados prestam serviços no próprio Aero Clube e em companhias comerciais.

É difícil resolver os problemas da Amazônia, tanto os de administração como os de ordem econômica, tanto os de saúde como o de desbravamento, sem a navegação aérea. Planície recortada de rios paralelos, com uma população extraordinariamente esparsa ou nucleada em lagos e terras firmes, apresenta os obstáculos da distância e do tempo, vencíveis pelo avião.

Comunicações de trinta e quarenta dias, perturbadas pelas florestas ou pelas cachoeiras, são resolvidas em horas de aviação, como sucede nos municípios acreanos e nos rios Negro e Branco. A supervisão do Governo Nacional solucionou esse problema.

Rio amazonense e seus afluentes e nenhuma habitação

sábado, outubro 19, 2019

DESASTRE DE AVIÃO EM CANUTAMA: 50 ANOS



Já estava eu há três anos na Polícia Militar do Estado e, em diversas ocasiões, tivera contato com o deputado estadual Danilo Correa, quando aconteceu esse trágico acidente. Resultou numa consternação no quartel da Praça da Polícia, afinal era nosso representante na Assembleia Legislativa. O sepultamento ocorreu com as honras de praxe; recuperei a lembrança neste matutino. Detalhe: a PMAM somente voltaria a eleger um deputado próprio em 1984, com a eleição do coronel José Cavalcanti Campos.

Abaixo a reprodução da reportagem do Jornal do Commércio, de 19 outubro de 1969. Exatos 50 anos!



Lamentavelmente confirmou-se, às primeiras horas da tarde de ontem, o desaparecimento do avião Catalina da Cruzeiro do Sul, prefixo PP-PCW, ao tentar o pouso no rio em frente a cidade de Canutama. A informação foi trazida a Manaus através do rádio de bordo do avião PP-PEB, que saiu de Manaus em missão de busca e salvamento, sob o comando do comandante Edil.
Mais tarde essa informação era confirmada oficialmente ao governador Ruy Araújo pelo prefeito de Canutama, sr. Francisco Belmino de Pontes, e pelo juiz de direito, sr. Joaquim Maciel Parente.

COMO OCORREU O DESASTRE
Segundo o depoimento de pessoas que presenciaram a tragédia, por ocasião da descida do Catalina, desabava um forte temporal sobre a cidade, com fortes ventos, o que tornava o rio bravio e perigoso. O aparelho assim mesmo tentou descer, iniciando o primeiro “toque” nas águas do rio, para na segunda tentativa, quando arremetia, ir de encontro às águas de nariz, elevando-se uma das partes do aparelho, e em seguida, com a violência das águas, partir-se ao meio.

PÂNICO A BORDO
Com o impacto violento contra as águas, os passageiros foram tomados de pânico, jogando-se para fora do aparelho, alguns machucados, sendo em seguida socorridos pelas lanchas que se encontravam no porto de Canutama, que vieram, logo em auxílio. Entre essas lanchas estavam as da Malária, de particulares, incluindo a embarcação que aguardava o pouso do avião para levar a bordo os passageiros que embarcariam em Canutama para Manaus.

FICARAM PRESOS NO AVIÃO
Dos 10 passageiros que o Catalina PP-PCW transportava, quatro ficaram presos no seu interior, provavelmente impedidos de sair, por encontrar dificuldades para desatar os cintos. Um deles, o deputado estadual Danilo de Aguiar Corrêa, segundo o depoimento de um dos sobreviventes, teria batido com cabeça, perdendo os sentidos. Estes afundaram com os restos do aparelho, e só não foram socorridos devido ao pânico que se estabeleceu, pois o PP-PCW ainda ficou boiando por cerca de 15 minutos, mas os salvadores não imaginaram que ainda tivesse ficado alguém a bordo.

OS DESAPARECIDOS
Estão no fundo do rio, presos ao avião as seguintes pessoas: deputado Danilo de Aguiar Corrêa; Raimundo Bentes da Silva, radiotelegrafista do DER-Am, que vinha de Lábrea, onde fora montar uma estação de fonia; senhora Maria Alves, e a menor Maria Neide Alves, embarcadas em Lábrea.

Recorte do JC, edição 19 outubro 1969


O deputado Danilo de Aguiar Corrêa cumpria seu sexto mandato ao falecer no desastre aviatório da tarde de anteontem. Eleito para a Assembleia Constituinte de 1947, desde então se ligou ao Legislativo, ocupando os mais diversos cargos nas várias comissões parlamentares.
Nascido a 4 de janeiro de 1913, formou-se em Medicina na Universidade do Pará. Retornou logo em seguida a Manaus, onde passou a exercer a profissão. Ingressou nos quadros da Polícia Militar como médico, tendo sido reformado no posto de coronel. Era ainda médico sanitarista do Ministério da Saúde.
Em sua intensa vida política foi, também, prefeito de Barcelos. Todavia, sua grande base eleitoral era o rio Purus, ou mais precisamente o município de Boca do Acre. Ao sofrer o desastre fatal, regressava de Lábrea.

sexta-feira, setembro 20, 2019

ÚLTIMO CATALINA



Jornal do Commercio, 19 outubro 1969
O último

A foto acima é do último Catalina da frota comercial brasileira ainda operando na Amazônia. O PP-PEB é visto quando regressava ontem de Canutama trazendo os sobreviventes do desastre ocorrido com seu irmão gêmeo no Juruá (sic). Ficará agora sozinho, com a missão de atender  aos nossos irmãos que residem nas cidades do interior amazônico, desprovidas de aeroportos...



Em outubro de 1969 aconteceu um acidente com o avião Catalina PP-PCW, operado pela SA Cruzeiro do Sul, em frente à cidade de Canutama (AM), no rio Purus. Entre os quatro mortos, estava o deputado estadual Danilo de Aguiar Correa, que cumpria o sexto mandato e era médico da Polícia Militar do Estado.

A história desse modelo de avião ainda entusiasma a muitos, em particular aos moradores da região amazônica, onde, sem aeroportos, restavam-lhes a presença dos Catalinas. Com a exuberante rede hidrográfica da região era possível atender a todas as cidades.

O hidroavião Catalina desenvolveu-se no percurso da Segunda Guerra, em particular na Amazônia, para sustentar o conflito. Encerrado este, os aviões seguiram operando agora pela Panair do Brasil, até 1965, quando o Governo Militar fechou esta empresa de aviação, provocando relativo isolamento de cidades da Amazônia. A concessão então passou à Cruzeiro do Sul, até o desaparecimento do último Catalina (foto) e a fusão desta com a Varig. 

Desconheço o destino do derradeiro Catalina, que voou no Amazonas.

Nota: desculpem os canutamenses, já efetuei a correção do nome do rio que abriga a cidade de Canutama, no texto que escrevi. Acima, em vermelho vai a cópia da produção jornalística. 

quinta-feira, outubro 26, 2017

AVIÃO CATALINA

Em janeiro de 1973, o saudoso Waldemar Batista de Salles publicou este artigo, no qual registra sua consideração para com os aviões Catalinas. Operados tanto pela aviação civil quanto pela FAB, aproximou e socorreu nossos distantes e quase inalcançáveis municípios.


Os Catalinas, pioneiros

A região amazônica é imensa. Conhecê-la e conquistá-la tem sido um trabalho duro, cansativo, pleno de heroísmo e dedicação. Nesse desbravamento, já se referia o engenheiro Leopoldino Cardoso Amorim Filho em relatório publicado em Manaus — 18 de novembro de 1972, tratando de pioneirismo e desenvolvimento. E nos afirmava:
“a aviação continua com sua característica de pioneirismo e aqui também representada pela Força Aérea, pelos táxis-aéreos, pelas empresas de transporte regular, por aviões particulares e helicópteros: profissionais, homens idealistas, outros imbuídos do espírito de aventura, todos unidos como nos velhos tempos, executando as tarefas que lhes são atribuídas através do transporte aéreo.”

Atualmente esta cidade de Manaus, encravada na selva imensa, é servida por aviões Bandeirantes; a jato, de diversas companhias, sem contarmos as pequenas aeronaves, que fazem as linhas para o interior do Estado, cruzando municípios distantes, pousando às vezes em campos inadequados, onde a experiência do comandante é fator importantíssimo no cumprimento de suas atividades e missões.

Porém, há muitos anos, entre os diversos tipos de aviões, que integravam as várias companhias, existiam os chamados Catalinas, usados pela extinta Panair do Brasil S.A. e pela FAB [Força Aérea Brasileira], aparelhos esses que levantavam voos e pousavam, no aeroporto da Ponta Pelada. Eram aviões anfíbios, porque pousavam em terra e em águas tranquilas e prestaram, na região amazônica, grandes e inestimáveis serviços.


Viajar de navio, lancha e motores pelos inúmeros rios da área continua sendo uma tarefa demorada e exaustiva.