CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

quarta-feira, abril 13, 2011

INCÊNDIO NO "GABRIELA"

Restaurante Gabriela, 1980
O pomposo restaurante denominado Gabriela, mais conhecido como a “Casa dos Barões”, que funcionou por anos no boulevard Álvaro Maia, desapareceu na final de janeiro de 1980, quando as chamas lamberam-no do roteiro gastronômico. Seu proprietário, John Dalani, estimou o prejuízo em 15 milhões de cruzeiros, mas que tudo estava no seguro.

A edificação estava situada ao lado do supermercado Xeque Mate (depois Casa Roma). A casa de pastos atendia onde ontem funcionava o estacionamento do Roma, que a expansão urbanística igualmente devorou. Ao acidente, o jornal A Notícia, também desaparecido, emprestou aquele destaque.

John Dalani, dono do
Gabriela
A delegada Graça Figueiredo, do DOPS, acompanhada do perito Orsine Ribeiro, prometeu não somente ouvir os envolvidos, mas buscar informações nos bancos sobre a situação da empresa. Em resumo, fumaça de curto-circuito.

O resumo do incêndio que destruiu o Gabriela é de A Notícia (31 jan. 1980):

O incêndio começou às quatro e meia da madrugada e seqUenciou-se com uma série de explosões, devido à quantidade de garrafões de gás existentes na cozinha, local onde principiou o fogo. John Dalani despertou com as explosões. Ele não sabia que a essa altura a parte da cozinha estava sendo destruída.
O Corpo de Bombeiros da Policia Militar utilizou seis carros pipas para trabalhar na debelação (sic) das chamas. Do outro lado da rua, John Dalani assistia calidamente à destruição do seu restaurante. Para ele, era como se estivesse acontecendo um show de “comedores de fogo”.

terça-feira, abril 12, 2011

POLÍCIA MILITAR DO AMAZONAS (XXI)

Em 1955, ao assumir o governo do Estado, Plínio Coelho declarou em mensagem que havia encontrado a Polícia Militar do Estado em decadência. Trouxe para comandar esta Força Auxiliar o major do Exército Cleto Potiguara Veras, que fez o que foi possível.

O Jornal. Manaus,
20 dez. 1962
Deixou iniciativas, como a instalação do policiamento do Cosme e Damião, que ainda em nossos dias patrulha a cidade. Não conseguiu, contudo, renovar o quadro de oficiais, que seguiam sendo promovidos sem curso de formação. A ascensão ao oficialato ocorria ou com o aproveitamento de sargentos ou pelo comissionamento de oficiais da reserva.
Gilberto Mestrinho substituiu a Plínio Coelho em 1959, e nomeou em 7 de março, para comandar a Força Policial ao Dr. Francisco de Assis Peixoto. Assis Peixoto, como era conhecido, era advogado conceituado, além de ter exercido o mandato de deputado estadual.

Apesar das dificuldades de cunho militar, Assis Peixoto foi um excelente administrador. Uma de suas iniciativas prosperou fartamente: o encaminhamento de policiais para as escolas de oficiais.

A turma pioneira, constituída de Hélcio Rodrigues Motta, Pedro Câmara e Pedro Rodrigues Lustosa, seguiu para a Escola de Formação de Oficiais da Guanabara, hoje Rio de Janeiro. Talvez a escola mais conceituada de então. A viagem aconteceu em 27 de fevereiro de 1960.


A partir da esq. coronel Neper (subcomandante), aspirantes Câmara,
Lustosa, Helcio e coronel Farini (chefe da Casa Militar)
Os primeiros cadetes amazonenses enfrentaram uma “barra”, pois tiveram que disputar o curso com dez cariocas. Saíram-se uito bem. Aprovados em final de 1962, foram recebidos em Manaus na condição de aspirante a oficial, o primeiro grau na escala de oficial. E, a partir desse momento, a formação de oficiais mudou substancialmente.

Hoje, os três pioneiros são coronéis da reserva, tendo dois deles – Hélcio Motta e Pedro Lustosa – comandado a corporação.


Coronel Pedro Câmara

Coronel Helcio Motta


Coronel Pedro Lustosa

segunda-feira, abril 11, 2011

CONVITE À POESIA

Roberto Mendonça (ao fundo) fala no
lançamento de Convite à Poesia
Hoje à noite, conforme programado, ocorreu na Livraria Valer o lançamento do livro Convite à Poesia, de Anísio Mello. Trata-se de um livro póstumo deste artista, que faleceu ano passado nessa data. A apresentação da obra foi realizada pelo poeta Zemaria Pinto.

Os amigos abrigados na confraria do Chá do Armando promoveram a edição, e hoje reuniram outros amigos e admiradores do insigne poeta e prosador e artista plástico, entre outras referências, para as homenagens.

A edição trouxe outro ineditismo, a capa e a contracapa foram invertidas. Ainda não se sabe o motivo, pois o livro foi impresso em Fortaleza (CE) e os originais foram transmitidos pela internet. Algum vírus preconceituoso interferiu, certamente. 

Desejo salientar que se trata da primeira publicação do Chá do Armando edições. Estamos contentes com o desfecho da iniciativa, esperando repeti-la em junho, quando será aberta a exposição O Legado de Anísio Mello.

Falando na reunião noturna, li o texto que o poeta Jorge Tufic enviou de Fortaleza (CE), lembrando o saudoso amigo Anísio Mello.

Queridos amigos do Chá do Armando: 
 A memória que tenho de Anísio Mello remonta aos fins dos anos quarenta do século XX, por assim dizer, aos antecedentes do Clube da Madrugada. Sua mãe, dona Esther, era professora de desenho e pintura na própria casa onde moravam, à rua Dr. Moreira, em cujo porão, sempre aberto aos amigos, Anísio, que também desenhava e pintava, mantinha um prelo quase de brinquedo, no qual imprimia seu jornal de estudante do Ginásio D. Pedro II, chamado ¨O Eco¨.
Acadêmico Jorge Tufic
Ali, pois, nos reuníamos: Alencar e Silva, Guimarães de Paula, Farias de Carvalho, eu, além de outros menos frequentes ao papo literário porque mais chegados às serestas das noites amazônicas, esse outro grupo a que Anísio também pertencera. Na verdade, sendo múltiplo em suas atividades artísticas e culturais, esse poeta que hoje se edita com sua obra póstuma, jamais se ausentara dos círculos boêmios e letrados, quer estivesse em São Paulo, quer em Manaus, a partir de 1977, quando lhe dera na telha aventurar-se pela região do Juruá (Eirunepé), fixando-se, após, naquele famoso ateliê da avenida Joaquim Nabuco.

E agora, a revelação: deslumbrou-me a primeira visita que fiz ao Chá do Armando, vendo-me cercado por tantos poetas e intelectuais de nossa terra, e o nosso Anísio Mello no centro dessas movimentadas noites de sexta-feira! Tal qual o víamos no porão da rua Dr. Moreira, há cinquenta anos!

Para finalizar, embora fisicamente distante, considero-me presente a essa festa de lançamento do livro de Anísio Mello, ainda e sempre movido por aquele sentimento poético solidário e fraterno que até hoje nos une.
Parabéns, amigos do Chá do Armando!  
Jorge Tufic

ANÍSIO MELLO (1927-2010)

Anísio Mello
Completa-se hoje o primeiro ano de morte de Anísio Thaumaturgo Soriano de Mello. A amizade que ele dispensou a muitos, a alegria e as cores de tantos projetos nem sempre sucedidos, reuniram os admiradores deste multiartista.

Anísio Mello, tendo herdado dos pais a vocação pelas letras e pelas artes, começou em 1939 pintando seu primeiro quadro a óleo; depois veio Lira Nascente (poesia), em 1950. Na orelha, o respeitado poeta Américo Antony, gravou: "Anísio encerra em si a trilogia da sensibilidade estética: é pintor, é músico e é poeta. Só isto afirma indubitavelmente a esperança da flor que começa a nascer".

Quanta responsabilidade, deixou escrito o agraciado, para um jovem que havia encerrado o curso Clássico (2º grau) e buscava novas conquistas, na Manaus acabrunhada da metade do século XX. Depois de breve passagem por Eirunepé (AM), onde conquistou a esposa Lindalva Mello, partiu para o Sul, fixando-se em São Paulo.

Desembarcou no início das comemorações do 4º Centenário da grande metrópole. Começou produzindo para esse evento e não mais parou. Fez jornalismo ao editar o jornal Correio do Norte e participar de outros. Conquistou o emprego no então Banco de Credito da Amazônia e a Faculdade de Letras, especializando-se em línguas latinas.

Foram tantas as exposições, não apenas de caráter individual, mas as coletivas em São Paulo, Curitiba e uma itinerante pela Europa. Vieram os prêmios, os mais importantes, em 1960, a “Medalha Marechal Rondon”, da Sociedade Geográfica Brasileira, em São Paulo. E em 1977, o Prêmio Governo do Estado do Amazonas, pelo conjunto de suas obras.

Duas outras honras registradas pelo próprio Anísio Mello: os painéis pintados em várias igrejas, com destaque para os três pintados em Eirunepé (AM).
Em 1884, com a morte de sua mãe, assume a direção do Liceu de Artes Ester Mello, onde ensinou até ano passado quando ambos desapareceram.

Convite à Poesia, de Anísio Mello
São vários e diversificados os livros publicados, tanto em São Paulo como em Manaus. Mas, o número dos inéditos, prontos e acabados, supera os editados. Um deixou de ser inédito, Convite à Poesia – será lançado hoje na Livraria Valer, para marcar a data de sua morte.
Encerro com as palavras do poeta Sérgio Pereira: “quem teve a oportunidade de palmilhar passo a passo a caminhada vitoriosa do grande espírito, que foi Anísio Mello, terá tido a ventura de compartilhar a vida e o sacerdócio do mais autentico artista que eu e o Amazonas conhecemos. Por isso estes rabiscos são desnecessários. Anísio Mello foi mestre incontestável”.