CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

segunda-feira, janeiro 09, 2023

HAJA POLÍCIA (2)

Dias passados, sob o mesmo título, relatei a ofensiva de uma motociata pelas ruas do bairro onde moro, violentando intensamente o Código de Trânsito. Volto hoje para relatar dois fatos, que me levam a reafirmar a máxima: não há Polícia no país. Ou seja, devem existir, entre federais, estaduais e municipais, DEZ organizações policiais, porém...

Fato número um – estava hoje na feira da Eduardo Ribeiro, quando observei um cidadão saindo de um prédio aparentemente abandonado com enorme feixe de alumínio, telhas, divisórias etc. nos ombros. Em seguida, outro com o mesmo material, e ainda um terceiro.

Imóvel em desmanche na 
avenida Eduardo Ribeiro

Surpreso, perguntei a um frequentador da feira: o edifício está em reparos? E a resposta foi taxativa: Não, trata-se de invasão, estando em desmonte criminoso, zombando das autoridades.

Mais surpreso fiquei ao observar os ladrões passando – sem serem molestados – por uma equipe de Policiais Militares amazonenses, em serviço na área, porém, mais preocupados em aproveitar a refrigeração de uma loja. Minutos depois, um dos malandros foi visto por mim passando pelo Palácio Rio Negro, com o produto do saque no ombro em direção, quem sabe, ao comércio de metais ao lado do Atacadão.

Este fato foi exposto pelo conhecido Portal do Holanda, em cujo espaço se encontra outras fotos. Para quem segue o Holanda, não é novidade de que o Portal está diariamente recheado de assassinatos, cada qual mais bárbaro, ocorridos em Manaus. E temos um GENERAL - ao que parece - secretário de (in)Segurança.

Seria oportuno que o Governo Federal também impusesse uma intervenção na Segurança local, a fim de que tenhamos ao menos “a sensação de segurança”. Cuidemo-nos!

Aspecto da invasão do Congresso Nacional, 08 jan.

Estava com esta desgraça me catucando, quando assisti via fibra ótica a invasão da sede dos Três Poderes em Brasília. Onde a Segurança do Distrito Federal somente apareceu quando o desastre havia sido consumado. O absurdo foi exaustivamente noticiado pela imprensa televisiva, por isso deixo de comentar. Todavia, esse terrorismo veio robustecer meu conceito sobre a Segurança Pública em nosso país: Não há mesmo Segurança.

domingo, janeiro 08, 2023

EDIFÍCIOS CONSERVADOS EM MANAUS

 

Sentido horário: Palácio Rio Branco | Sede do Luso Sporting Clube |
Vila Ninita, anexo do Palácio Rio Negro | Instituto de Educação
do Amazonas | Academia Amazonense de Letras |
Casa 22 Paulista (fotos de Gunter Engel) 

sábado, janeiro 07, 2023

PONTA PELADA: DETALHE DE SUA HISTÓRIA

 Breve nota para a história do aeroporto de Ponta Pelada. O texto foi publicado em O Jornal (edição 5.393, circulada em 10 ago. 1953), e compartilhado do livro Phelippe Daou, o jornalista, organizado por Abrahim Baze.

Capa do livro

Relata a presença em Manaus do ministro da Aeronáutica, brigadeiro Nero Moura (1910-94), em inspeção às obras neste campo de pouso. Este oficial conduziu o Ministério durante o último governo de Getúlio Vargas, de quem era amigo, nomeado em 1º|jan|1951 e afastado em 18|ago|1954, portanto, uma semana antes do suicídio de Vargas.

Lamentável que o jornalista tenha se olvidado de mencionar algum oficial operando em Manaus na construção do Ponta Pelada.

 

Recorte da página do livro mencionado

Realizando uma viagem de magna importância para a navegação aérea e, consequentemente, para a economia nacional, chegou ontem a esta capital o brigadeiro Nero Moura, ministro da Aeronáutica, que, viajando em avião da Força Aérea Brasileira, se fez acompanhar de brilhante comitiva.

No aeroporto da Ponta Pelada, já se encontrava o governador Álvaro Maia e outras altas autoridades de Estado, quando ali pousou o aparelho da FAB, em que viajava o titular do Ministério da Aeronáutica. Pouco depois de sua descida do aparelho, o brigadeiro Nero Moura, em companhia de sua comitiva e do governador Álvaro Maia, passou a inspecionar as obras em andamento do aeroporto da Ponta Pelada, demorando-se em examinar os trabalhos já realizados.

A IMPORTÂNCIA DA VIAGEM DO BRIGADEIRO NERO MOURA

Está o Ministério da Aeronáutica interessado vivamente em dar por terminada o mais breve possível a importante rota Rio-Manaus, compreendido no acordo firmado entre o Brasil e os Estados Unidos, cujas principais cláusulas estabelecem rotas americanas para o Brasil e o trafego aéreo em várias direções do nosso território.

Nesse sentido, ou melhor, para maior garantia da navegação naquela rota, vem o Ministério da Aeronáutica trabalhando ativamente no senti de dotar os aeroportos de Aragarças, Xavantinas, Cachimbo e Jacareacanga do aparelhamento necessário, equipamento de auxilio básico à navegação aérea, para melhor balizamento da rota Rio-Manaus. Esse trabalho, de importância para nova linha a ser inaugurada, está em franco andamento.

A COMITIVA DO MINISTRO

A comitiva do ministro está constituída das seguintes pessoas: brigadeiro Raimundo Vasconcelos Aboim; coronéis aviadores Cazemiro Montenegro Filho, Jussura Fausto de Souza; tenentes-- coronéis Paulo Emilio de Camargo Ortegal e Lino Romualdo Teixeira; major aviador Haroldo Veloso e major Celso; capitão aviador Henrique; sargentos Inácio, Hélio Ameno, Rubens, Mirabele e Ludendorf.

O REGRESSO DA COMITIVA

O ministro da Aeronáutica e sua comitiva regressaram na manhã de hoje, viajando com destino a Cametá e Belém, de onde prosseguirá tocando em diversos pontos da rota costeira.

sexta-feira, janeiro 06, 2023

CATALINAS: ADEUS

 Nascido em Alagoinha (PB), em 1913, e falecido em Manaus (AM), em 2010, Waldemar Baptista de Salles chegou ao Amazonas muito moço, tendo realizado o curso primário no Colégio D. Bosco e o secundário no mesmo colégio e no Ginásio Amazonense Pedro II. Diplomado contador pela Escola de Comércio Sólon de Lucena; engenheiro-agrônomo pela Escola de Agronomia de Manaus; e bacharel pela Faculdade de Direito do Amazonas, onde foi professor assistente. Foi procurador e secretário estadual da Fazenda.

Eleito para a Academia Amazonense de Letras, cadeira 40, foi empossado a 25 de julho de 1969 na presidência de Djalma Batista, saudado por Mendonça de Souza.

Além de farta produção esparsa nos jornais de Manaus, Salles publicou os seguintes títulos:  Pétalas Rubras, 1956; Aspectos Geográficos do Amazonas, 1966; Uma Voz Dentro da Noite, 1975; Geografia Econômica do Amazonas, 1971; O Amazonas: o meio físico e suas riquezas naturais, 1967; Nosso Tempo, 1980.

De sua produção em jornais, compartilhei esta postagem sobre o lendário avião Catalina, publicada em A Crítica (24 julho 1984), sinalizando “a despedida dessa aeronave da região amazônica”.
 

Fragmento do referido jornal


A região amazônica é imensa. Conhecê-la e conquistá-la tem sido um trabalho duro, cansativo, pleno de heroísmo e dedicação. Nesse desbravamento, já se referia o engenheiro Leopoldino Cardoso Amorim Filho em relatório publicado em Manaus – 8 de novembro de 1972, tratando de pioneirismo e desenvolvimento. Ele nos afirmava: "2 – a aviação continua com sua característica de pioneirismo e aqui também representada pela Força Aérea, pelos táxis-aéreos, pelas empresas de transporte regular, por aviões particulares e helicópteros: profissionais, homens idealistas, outros imbuídos do espírito de aventura, todos unidos como nos velhos tempos, executando as tarefas que lhes são atribuídas através do transporte aéreo".

Atualmente esta cidade de Manaus, encravada na selva imensa, é servida por aviões Bandeirantes; a jato, de diversas companhias, sem contarmos as pequenas aeronaves, que fazem as linhas para o interior do Estado, cruzando municípios distantes, pousando às vezes em campos inadequados, onde a experiência do comandante é fator importantíssimo no cumprimento de suas atividades e missões. Porém, há muitos anos, entre os diversos tipos de aviões, que integravam as várias companhias, existiam os chamados "Catalinas", usados pela extinta Panair do Brasil S/A, e pela FAB, aparelhos esses que levantavam voos e pousavam no aeroporto da Ponta Pelada.

Eram aviões anfíbios, porque pousavam em terra e em águas tranquilas e prestaram, na região amazônica, grandes e inestimáveis serviços. Viajar de navio, lancha e motores pelos inúmeros rios da área continua sendo uma tarefa demorada e exaustiva. E, anteriormente, para abreviar as distâncias e atender compromissos inadiáveis, fossem eles de interesse público ou particular, os “Catalinas” resolviam a situação.

Antigamente para se ir de Manaus ao Sul do país, de avião, antes do jato, era muito demorado e cansativo. Os aviões quadrimotores rumavam de Manaus com escalas em Santarém, Belém e, no pinga-pinga danado, pelo litoral. Os passageiros entravam na aeronave às sete horas da manhã e chegavam ao Rio de Janeiro à noite.

Quantas vezes, de férias na repartição, não fizemos este trajeto. Era preciso paciência e tempo. Em Belém do Pará chegávamos na hora do almoço. Desembarcava todo mundo e, depois de uma hora, reiniciávamos a viagem de novo, no mesmo avião, para o Rio de Janeiro, onde, lá pelas oito ou nove horas da noite, desembarcávamos no aeroporto Santos Dumont. Uma verdadeira prova de resistência, paciência e coragem.

Mas, em nossa região, usados pela Força Aérea Brasileira, na sua difícil e gloriosa missão de desvendar os recantos da pátria, os aviões "Catalinas" desempenhavam papel importante, de reconhecida utilidade. O povo, na sua ironia cabocla, os chamava de "pata choca", pelo tamanho das asas e volume, bojudo, meio lento, comparado com os atuais aviões a jato, que encurtam as distâncias.

Um saudoso Catalina em operação, em algum rio amazônico

No regresso a mesma escala, de Parintins à Manaus, passando por Maués, onde o desembarque era em canoas, lanchas e pequenas embarcações, que ficavam rodando em torno do hidroavião. E, em dias da semana passada, conforme já noticiaram a imprensa e a televisão, os “Catalinas” se despediram da região amazônica, na qual serviram durante mais de quarenta anos, cruzando fronteiras, firmando a nacionalidade, integrados na aviação civil e na Força Aérea Brasileira, cruzando os céus do Brasil. Na realidade foram os pioneiros e inestimáveis serviços prestaram a todos nós, que vivemos na terra dos grandes rios, imensas paisagens, e enormes distâncias...