CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

segunda-feira, janeiro 08, 2018

BOMBEIROS VOLUNTÁRIOS [1]

Raríssimos são aqueles que se lembram de que prosperou em Manaus um corpo de Bombeiros Voluntários. Há mais de 50 anos, situado no bairro de Aparecida, dirigido pelo comandante Ventura. 
A morte deste, antecedida pela do subcomandante, apressou o encerramento desta organização. Reproduzo abaixo dados do desastre que vitimou a Constantino Machado, extraídos do Jornal do Commercio (sexta-feira, 13 maio 1960). 
Já escrevi neste Blog sobre o comandante Ventura e seu primoroso trabalho.


Perde a vida quando no cumprimento do dever o Subcomandante dos Bombeiros Voluntários

Constantino Machado um dos esteios da corporação perde repentinamente a vida na colisão do carro 3 dos Bombeiros com o ônibus 18 da Transportamazon — Estavam terminando os serviços de incêndio na fábrica Três Unidos — Capotou espetacularmente o carro dos bombeiros — Três feridos e um morto o balanço — Os passageiros do ônibus nada sofreram

Um choque de veículos na esquina da Eduardo Ribeiro com a 7 de Setembro, entre o ônibus 18 da Transportamazon com o carro número 3 dos Bombeiros Voluntários, resultou em uma morte e 3 feridos, todos pertencentes aquela corporação.



O CHOQUE
Descia a avenida Eduardo Ribeiro o Transportamazon 18 quando, ao atravessar aquele cruzamento com sinal em seu favor, surge descendo a 7 de Setembro o Carro 3 dos Bombeiros com a sirene aberta, em grande velocidade. Ao perceber o carro dos bombeiros o chofer do ônibus não teve mais tempo de frear seu carro, tentou atravessar a rua antes do outro para evitar o desastre no que foi infeliz, pois o Carro 3 foi atingi-lo à altura das rodas traseiras, capotando em seguida na sarjeta que dá para a Matriz.

CUSPIDOS DO VEÍCULO
Com o impacto, dois bombeiros que vinham trepados na passadeira do carro pipa, foram cuspidos à distância o que lhes valeu, pois os dois que vinham na boleia, o chofer e o subcomandante, foram mais infelizes.

OS FERIDOS
Saíram feridos da colisão os seguintes bombeiros voluntários: Mario Garcia da Cunha, condutor do Carro 3, solteiro, chofer, residente à rua Miranda Leão, 341, que sofreu fratura da perna direita; Milton Dib Nunes, com 18 anos de idade, estudante e bombeiro voluntário, solteiro, residente à rua Leovigildo Coelho, 313, com escoriações no braço esquerdo; e Claudio Barbosa Santos, com 19 anos de idade, solteiro, comerciante, residente à avenida Airão 317, com escoriações generalizadas.

O MORTO
A nota triste e lamentável foi a morte quase instantânea do subcomandante dos Bombeiros Voluntários Constantino Machado, ourives de profissão e um dos grandes esteios da corporação ao lado do Comandante Ventura. Constantino teve morte quase instantânea, pois transportado para o Pronto Socorro, logo ao chegar faleceu. Como se sabe desde as 11 horas da manhã os bombeiros voluntários estavam trabalhando no incêndio da fábrica Três Unidos, quando já ao término da missão, o manto negro atinge em cheio a briosa e destemida corporação roubando um de seus mais entusiasta e lutador. Constantino fiel ao seu ideal, morreu em serviço
O subcomandante Constantino residia na sede do Luso Sporting Clube, de onde era figura destacada, fazia parte também do círculo teatral de Manaus, onde por várias vezes atuou em peças as mais variadas. O mesmo era entusiasta da arte cênica, dinâmico cooperador da administração da sociedade dos portugueses, terra que lhe serviu de berço.
Deixa com sua morte uma grande lacuna em todos os setores de que fazia parte, por sinal difícil de preenchê-la, dado o seu entusiasmo e capacidade de trabalho.

PRESO OS CHOFERES
O comissário Walter Rodrigues da Delegada de Trânsito prendeu os dois choferes em flagrante delito, para proceder interrogatórios necessários que deverá instruir o competente inquérito. O chofer do ônibus 18 da Transportamazon é o senhor Mardock de Oliveira Pacheco Duarte, filho de Francisco Pacheco Duarte e de Generosa Oliveira, cearense, com 34 anos de idade, casado, residente à rua Belém, Vila 5 Irmãos, casa 5 [certamente Cachoeirinha].

PASSAGEIROS NADA SOFRERAM
Felizmente os passageiros do coletivo nada sofreram com o impacto, saindo todos sãos, levando apenas o susto, isso em face do local do baque e do grande peso do veículo. 

domingo, janeiro 07, 2018

TESTEMUNHAS DE JEOVÁ (III)

Teatro Amazonas, 2003
Nova contribuição para a história desta organização religiosa no Amazonas, reproduzindo a publicação do extinto O Jornal (18 março 1962). Na ocasião, informa o noticioso, o Teatro Amazonas foi utilizado para a realização do congresso anual.

Enquanto não possuíam sede em condições de abrigar seus irmãos, a direção buscava ocupar espaços públicos. Já listei antes a Escola Técnica, agora o Teatro Amazonas, mas já passaram pela Universidade Federal e o Sambódromo. Hoje, tal não acontece, pois, os congressos são realizados em um centro edificado na BR 174.



Recorte do matutino 
MAIS uma Assembleia de Distrito está programada para os dias 12 a 15 de abril vindouro, onde intenso preparativo sendo feito a fim de que a mesma seja coroada de êxito.

Segundo informou-nos o Departamento de Notícia desta organização, o local para a realização da mesma é o Teatro Amazonas, e que espera-se lotar totalmente as dependências.

O tema escolhido para esta Assembleia é o mesmo lançado nas demais que vêm sendo realizadas em séries simultaneamente em todo o globo terrestre. A finalidade destes congressos é equipar homens, mulheres e crianças dedicadas com o conhecimento progressivo, e treiná-los para a obra ministerial. Vai mais além ainda, pois expande os benefícios educacionais mais efetivamente a inteira comunidade. Instrução, treinamento e exortação apresentados por intermédio de discursos bíblicos, demonstrações, entrevistas e experiências é o lema principal que caracterizam as Assembleias dos Adoradores Unidos. 

Talvez alguém chegue a pensar que tais assembleias é novidade em nossos dias, mas podemos afirmar que estas festas remontam há milhares de anos muito antes até mesmo de o homem existir, pois Jeová Deus já reunia os Anjos para receberem instruções especificas quanto aos seus serviços e ao mesmo tempo ficarem mais qualificados, e isso podemos provar no livro de Jó e outros das Escrituras Sagradas.

No Brasil, a sede do alimento espiritual aumenta dia a dia, e isto foi observado em São Paulo, quando 48.094 pessoas assistiram num só dia a conferência bíblica, em que a arquibancada se estendeu até o gramado.

No Amazonas vai longe a nossa expectativa, quanto o auge de assistência, e esperamos não o mesmo número, mas contamos pelo menos 1.000 pessoas.

Portanto, todos estão convidados desde já para esta monumental festa teocrática, que terá a duração de 4 dias consecutivos, e todos serão bem vindos e acrescentamos que a entrada é grátis e não se fazem coletas.

sábado, janeiro 06, 2018

BRANCO SILVA (1892-1959)

Vinicius Ruas, Niterói-RJ, em 2016
Transcrevo neste post o folheto sobre este saudoso grande artista, a mim ofertado por seu filho Vinicius Silva, residente em Niterói (RJ). Não se trata de uma biografia ou arte semelhante, porém registros de lembranças filiais.

Aos 93 anos, Vinicius segue colecionando troféus, ainda em dezembro passado esteve em Manaus para receber uma homenagem.



Mais conhecido pelo seu presépio do que pelas suas pinturas, Branco Silva (que é comumente chamado de Branco “e” Silva) na vida real chamava-se Leovigildo Ferreira da Silva. Amazonense, nascido no Seringal São João, nas barrancas do rio Purus na entrada do rio Tapauá, em 1892, era filho de um rico comerciante português que fez fortuna na época como exportador de borracha.

Com um ano e meio de idade viajou para Europa acompanhado de suas irmãs, de alguns parentes mais próximos e dos velhos. Fez o curso primário em Berna [Suíça], depois estudou em Lisboa, no Liceu de Artes e de Ofícios e Artes.

Com a queda da borracha, seu pai mandou buscá-lo de volta para Manaus. Além disso, Branco já estava na idade de servir ao Exército. No 27º BC teve como companheiros Álvaro Maia [que foi interventor e governador do Estado] e Américo Antony [competente poeta].

Ao chegar a Manaus ele sentiu-se como um "peixe fora d'água", explica o filho. "Ele vinha de um meio intelectual mais sofisticado, falava e escrevia bem o espanhol, o francês e o alemão. Montou o ateliê de pintura, trabalhou como cenógrafo e produziu placas para o comércio de Manaus, além famoso pelas decorações que fazia para as festas de Carnaval dos Clubes".

Branco Silva, tela existente
no ateliê do filho
Além do ateliê, ensinava e produzia pinturas, Branco Silva gravitava em torno das iniciativas privadas dos europeus funcionando como intérprete.
Segundo seu filho, o presépio que Branco Silva começou a esculpir em 1929 funcionava como “caça-níqueis" que ajudava seu pai a sustentar a família. Para visitar o presépio era cobrado ingresso e o público não se cansava de admirá-lo. Fora da época natalina eram apresentadas cenas de amazônicas feitas por ele em papel-marché também mediante pagamento de ingresso.

Os navios que faziam a rota para Manaus incluíam no seu roteiro turístico uma visita às exposições do Branco Silva.

Em determinada época da sua vida, o pintor partiu de Manaus para fazer um levantamento das propriedades da família no Purus. Ali passou um ano inteiro. O contato com a exuberante natureza r a para sempre a sua obra paisagista.

Nos anos 40, através da sua amizade com Ademar de Barros (na época, governador de São Paulo), Branco Silva sai do Amazonas. 


Atualmente em Manaus encontram-se pouquíssimos quadros pintados por Branco Silva. Seu filho ofereceu a explicação para o fato dizendo que, na partilha dos bens, os quadros ficaram com seus irmãos que moram em Manaus, com ele ficou o presépio. 

MANAUS: ONTEM & HOJE

Desconheço donde saquei estas fotos antigas, postei porque datadas e de pontos conhecidos do Centro Histórico de Manaus. As coloridas, realizei nesta manhã. 



Acima, foto a partir da primeira ponte. A segunda ponte, abaixo.





Penso que as legendas antigas estão trocadas, a primeira
 pela segunda ponte. Ed Lincon pode ajudar


Acredito que este igarapé foi canalizado em Petrópolis