CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

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quinta-feira, fevereiro 16, 2023

YANOMAMI - PALAVRA DE MESTRE

 Ainda muito se fala da situação dos ianomâmi, das operações sobre o garimpo ilegal, por isso estou compartilhando parte do artigo publicado por Cristovam Buarque (professor emérito da UnB), no jornal Correio Brasiliense (7 fev. 2023), tratando do episódio sobre o aspecto do genocídio.

 

Recorte do título do mencionado artigo

(...) Os genocídios têm nomes diferentes, provocam mortes em números diferentes, sob formas diferentes, mas têm as mesmas causas — arrogância da civilização ocidental, ganância de lucro dos investidores, voracidade de consumo pelos ricos, racismo e supremacia dos brancos sobre as outras raças e, a maior de todas, a indiferença dos que assistem e se beneficiam de seus resultados, por Zyklon B, por mercúrio ou pela corrupção nas prioridades.

Os alemães foram coniventes com o genocídio de judeus, os brasileiros são coniventes com os genocídios dos índios, dos escravos, dos analfabetos e dos sem-escola de qualidade. Todos coniventes, mas alguns culpados e diretamente responsáveis. É preciso dar nomes aos genocídios e apontar os nomes dos genocidas.

Na Alemanha, os responsáveis pelos crimes dos nazistas se suicidaram ou foram levados ao Tribunal de Nuremberg, onde foram condenados à morte ou a longos períodos na prisão. Precisamos recusar a banalidade do mal e despertar contra todos os genocídios brasileiros, escondidos sob outros nomes, cometidos por todos que sonham com o progresso que elimina índios, usa escravos ou concentra educação para manter a desigualdade social. Mas também levarmos aos tribunais aqueles que no Brasil demonstraram, por palavras ou atos, responsabilidade com o específico genocídio contra o povo ianomâmi.

terça-feira, abril 21, 2020

BRASÍLIA & ZEMANUEL AOS SESSENTANOS


Hoje, no feriado de Tiradentes, a cidade de Brasília e o Zemanuel (meu irmão) entram na década dos sessentanos.

Torre de TV Brasília

Quando a Capital Federal foi inaugurada, estava eu internado em colégio religioso de Manaus. Conheci o fato pelas notícias difundidas pelos jornais e rádios da cidade. Afinal, que me dizia a troca da sede do governo? Dois anos depois, creio, como leitor ávido de jornais, fui cutucado por um anúncio que prometia ao acertador um lote em Brasília. Para isso, bastava descobrir o “animal” escondido no desenho apresentado (artimanha ainda circulante). Todo empolgado, grifei o desafio e o enviei para a caixa postal. Dias depois, recebi a resposta vitoriosa, porém, com o valor a pagar. Lembro que meu pai fez divulgar na Voz de Constantinópolis esse mico. Foi quando o “animal” aqui, depois de alertado do golpe, abandonou o lote.

Somente em 1967, inaugurei a cidade de JK, ao efetuar a conexão na primeira viagem aérea com destino ao Rio. Retornei no final desse ano, em nova conexão. No ano seguinte, de fato senti a cidade, ao efetuar uma viagem a São Paulo parei em Brasília, de onde segui de ônibus. Era julho, e a repressão do governo militar apertava. A Universidade de Brasília fora tomada pelos estudantes.

Ao retornar de São Paulo, abriguei-me no quartel da PM/Distrito Federal. E, ao encontrar a tropa de prontidão, desconfiei de ter entrado em outra fria. Assim, logo na manhã seguinte, fui mandado para o aeroporto apesar de viajar somente à tarde, porque a PM partiu para resgatar a UnB. O resto da história é notória.

Retornei repetidas vezes àquela cidade como oficial da Polícia Militar do Amazonas. Porém, à época da Constituinte, em 1987-88, fui nomeado consultor parlamentar da corporação. Esse título pomposo me fez circular entre Manaus e Brasília com mais constância. Também à época, meus filhos migraram para Brasília, onde se estabeleceram.
Aparecem cinco netos, o primeiro é amazonense, os
demais nascidos em Brasília (foto 2018)
Há alguns anos aposentado, tenho anualmente visitado a capital do país, a fim de abraçar as filhas (Valeria e Gabriela) e os netos. Em nome dos netos brasilienses – Emanuelle, Rafaela, Caio e Gabriel – reverencio os 60 anos de Brasília.

Zemanuel Mendoza é meu irmão, um ano mais idoso que Brasília. Pertence ao segundo casamento de nosso pai Mendoza, tendo nascido no bairro de Educandos, no mesmo ano em que mudamos para o Morro da Liberdade. Mais adiante, na década de 1970, a família migrou para Santos (SP), onde ele estudou e ingressou na Petrobras.
Retornou a Manaus por birra do seu Mendoza, que recambiou a família, em 1980. Aqui assentou o trabalho e segue desfrutando da vida, ainda trabalhando. Abraços, meu irmão. Saúde e fique em casa. Depois comemoramos.