CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

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domingo, fevereiro 25, 2024

RELÍQUIA POLICIAL MILITAR AM (1)

 A fotografia, aqui postada, foi impressa em um banner que esteve exposto no Museu Tiradentes da corporação. Com a transferência do acervo para a Secretaria de Cultura, este material foi descartado. Esta cópia pessoal realizei no hodierno quartel do CPM (Comando de Policiamento Metropolitano), quando o material do Museu aguardava mudança para a “nova casa” (Palacete Provincial).

Certamente a foto foi realizada no pátio interno do Quartel da Praça da Polícia, devido a arquitetura das janelas ao fundo. Apresenta o comandante da corporação entre 1941-45, major Gentil João Barbato. Convém destacar, no período da II Guerra.

Oficiais e praças da Força Policial do Amazonas, 1941

Empregando os policiais, coube-lhe administrar no Porto, o embarque e desembarque de passageiros e cargas; diante da escassez de gêneros alimentícios, foi gestor do cumprimento da tabela de venda no comércio; além desses encargos, a PM amparou com afinco a construção do prédio do Escola Normal, depois IEA (Instituto de Educação do Amazonas), visto que esta escola funcionava nos altos do quartel da Praça.

Na imagem, são vistos oficiais e praças devidamente fardados. Ressalto que somente há identificação do comandante, oficial do Exército, nascido em Santa Catarina. Todavia, é possível distinguir pelo fardamento alguns membros do Corpo de Bombeiros, à época incorporado à Força estadual.

sexta-feira, junho 10, 2022

PMAM E O ARRUAMENTO DE MANAUS

 Em 1942, a Polícia Militar do Estado estava em recuperação depois da temporada de desativação. O major EB Gentil Barbato havia assumido o comando e enfrentava alguns percalços: o principal era que o quartel da Praça da Polícia estava dividido com as alunas da Escola Normal. Para suplantar o desconforto, o pessoal da PM auxiliou com afinco a edificação do Instituo de Educação do Amazonas.

Agora encontrei esta publicação em Diário Oficial, registrando a abertura da rua Duque de Caxias pelos soldados da PM. O fato é que no entroncamento dessa artéria com a rua Dr. Machado, onde hoje se encontra a Maternidade Balbina Mestrinho, havia o Piquete de Cavalaria (ora quartel de várias OPM). E o pessoal da corporação tinha necessidade de se deslocar para o Centro. 


Assim nasceu a Duque de Caxias!

sábado, novembro 21, 2020

PRAÇA DO CONGRESSO OU DO BITTENCOURT

Para lembrar um antigo logradouro de Manaus, a Praça Antonio Bittencourt, que o popular apelidou de Praça do Congresso, reproduzo o folheto que foi distribuído na ocasião de sua última restauração, quando governador Omar Aziz.


Capa do folheto que marcou a restauração da praça


O patrono

Antônio Clemente Ribeiro Bittencourt nasceu em Manaus, no dia 3 de novembro de 1853, pouco mais de um ano após a instalação da
Província do Amazonas. Filho do tenente José Ferreira Bittencourt e Damiana Filipa de Souza. Ingressou nas tropas que serviriam na Guerra do Paraguai, destacando-se como militar de carreira. Começou na condição de Alferes, passou à Guarda-Aduaneiro, Amanuense da Secretaria Geral da Província,
progredindo em todas as funções e aposentando-se como Oficial Maior, ou
Diretor Geral, com 25 anos de serviço.
Integrou o Partido Democrata, chefiado por Emílio José Moreira com o qual rompeu em 1896. Foi deputado provincial e deputado estadual em diversas ocasiões. Foi Secretário-Geral do Estado no governo de Silvério Nery
(1900-04) e candidato ao Senado da República (1903). Foi indicado e eleito vice-governador do Estado na chapa de Antônio Constantino Nery (1904-08). Eleito Governador do Estado, no período de 1908 a 1912, com apoio
partidário e do presidente Affonso Penna.

Foi deposto do cargo em 1910, quando do célebre bombardeio de Manaus, mas reconduzido ao cargo por ordem do presidente da República, Nilo Peçanha.

O período foi de grande tumulto político e de graves consequências para as finanças e a ordem pública, mas ainda assim, Bittencourt foi austero em sua administração e honrado em toda a sua vida.
Foi um dos fundadores do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas, em março de 1917, assumindo a presidência logo após a gestão de Bernardo Azevedo da Silva Ramos. Integrou a maçonaria amazonense, galgando
todos os graus e exercendo os mais destacados cargos administrativos.
Casou-se com Antônia de Andrada Bittencourt, com quem teve os filhos Raymundo, Francisca e Agnello. Quando viúvo, casou-se com sua prima Amélia de Souza Bittencourt, com quem teve vários filhos, entre eles Dalila e Ilza.

 

O Lugar
Ainda no tempo do Império do Brasil (1822-89), tudo começou no espaço chamado de Largo do Paiçandu – homenagem ao território uruguaio tomado em 1865. Desapareceu com o aterro do igarapé do Espírito Santo e a abertura de ruas e loteamentos, formando na parte final da região, o Jardim do Palácio Novo.
Uma Comissão de Saneamento do Estado propôs a bifurcação da avenida Eduardo Ribeiro, em frente ao Palácio do Governo, para facilitar o trânsito de veículos, e para este fim desapropriou áreas, iniciando-se o movimento de terras. As obras passaram a ser realizadas em derredor do Palácio e essa ampla esplanada, anos depois, foi sendo reduzida por cessão de terras públicas para edificações particulares, resultando na sua formação atual. Já designada de Praça Cinco de Setembro - em homenagem à elevação do Amazonas à categoria de Província, o jardim foi completamente reformado, na administração municipal do professor Gilberto Mestrinho, sendo o desenho artístico elaborado pelo Dr. Areolino de Azevedo.

 

Os Nomes Antigos
Constituiu-se inicialmente como Largo do Paiçandu. A denominação seguinte foi de Praça Cinco de Setembro. Recebeu o nome de Praça Antônio Bittencourt em homenagem ao político renomado da época - Antônio Clemente Ribeiro Bittencourt. Popularmente foi chamada de Praça da Saúde, em razão do edifício sede da Repartição de Saúde Pública, ali existente por muitos anos. A denominação popular que mais se fixou na memória coletiva foi Praça do  Congresso, referência direta ao 1° Congresso Eucarístico Diocesano de Manaus e à comemoração dos cinquenta anos de criação do Bispado do Amazonas, realizado naquele logradouro em junho de 1942.


Monumentos
Durante muitos anos a Praça permaneceu sem monumentos, constituindo-se em uma esplanada aberta diante do antigo Palácio, e só recebeu melhoramentos quando dos preparativos para o 1.° Congresso Eucarístico Diocesano de Manaus, de 1942. Para esse evento foram edificados o mastro para a Bandeira Nacional e o monumento a Nossa Senhora da Conceição. Anos depois, o prefeito Manoel Ribeiro mandou edificar um busto em bronze em homenagem ao governador Eduardo Ribeiro, substituído na reabilitação e restauração do logradouro no governo Omar Aziz, por meio da Secretaria de Estado da Cultura.

 

Vizinhança
O entorno da Praça foi valorizado por vizinhança ilustre, ainda que tenha perdido o sentido da proposta original, de um grande jardim frontal ao Palácio do Governo. O palacete de esquina da rua Monsenhor Coutinho serviu de residência e gabinete de trabalho do Dr. Thomas, importante médico e cientista inglês que atuou em Manaus por longos anos. No mesmo palacete, anos depois, pelo prefeito Amazonino Mendes, foi instalada a Biblioteca João Bosco Pantoja Evangelista – importante professor e escritor amazonense. Na mesma quadra se encontram a residência da família Bulbol, comerciantes respeitados de Manaus, a casa de residência do diretor do Colégio Militar de Manaus e que serviu também de residência dos generais comandantes do GEF – Grupamento de Elementos de Fronteira e da Região Militar, Rodrigo Octávio Jordão Ramos quando comandante Militar da Amazônia.
Ao centro e ao alto, no local onde seria o Palácio do Governo, está o Instituto de Educação do Amazonas, ali instalado pelo governo Álvaro Maia. Do lado oposto, em linha com o Instituto Benjamin Constant, antigo Instituto Elisa Souto, encontra-se a residência do médico Arlindo Frota e o prédio do Departamento de Saúde Pública, este já demolido. Completando o entorno, no local do antigo e belíssimo palacete Miranda Corrêa, está o edifício do mesmo nome, e o Ideal Clube, de imponente arquitetura.

sexta-feira, abril 05, 2019

PMAM - NOTAS PARA SUA HISTÓRIA (2)

Capa do Relatório

Na Mensagem referente ao período de 1943-44, enviada ao Governo Federal, o Interventor amazonense subscreveu o texto abaixo: 

FORÇA POLICIAL DO ESTADO
A Força Policial do Estado acha-se definitivamente instalada na sua própria caserna, o que se verificou somente neste ano com a construção da sede do Instituto de Educação, instalada no antigo quartel, à praça João Pessoa. O coronel Gentil Barbato, em espírito de disciplina e de trabalho, vem dirigindo as obras de readaptação, de acordo com os imperativos militares modernos.

Os oficiais e soldados da Força Policial, a começar pelo respectivo comandante, são operários permanentes do Estado. Onde há uma necessidade pública, onde se verifica uma urgência de execução, explicável pela hora que atravessamos, falta de trabalhadores e de materiais, há o auxílio dos componentes da Força Policial.

Não apenas nos exercícios de preparação para a defesa do Brasil, onde se fizer necessária, como na manutenção da ordem, na Capital e nos postos do interior, na árdua abertura e escavação das rodovias, na construção de casas para trabalhadores, em carvão e lenha, na estiva para apressar a saída dos navios, no fornecimento de merenda aos escolares nossos soldados têm sido eficientes. O Quartel da Força abriga operários fardados, prontos para qualquer necessidade. 
* * *
Está em construção, no velho terreno que se destinava anteriormente à instrução de tiro, um stand nos moldes modernos, para o que concorreu a Interventoria, desapropriando pequenas casas contíguas. Estão sendo criadas oficinas para o movimento da corporação, produzindo-se já borzeguins para praças e oficiais, e uniformes.
Observações:

1. É sabido que a definitiva posse do quartel da Praça da Polícia pelo seu antigo ocupante, a Polícia Militar do Estado, aconteceu após a construção do Instituto Estadual do Amazonas, no altiplano da avenida Eduardo Ribeiro. Igualmente se sabe que os policiais foram os operários, os participantes deste e de outros empreendimentos do Estado, assegura o Interventor Álvaro Maia.

2. À época, a Praça da Polícia era intitulada de João Pessoa, em homenagem ao governante paraibano morto por ocasião da revolução de Vargas (1930). Hoje, a homenagem cabe ao amazonense Heliodoro Balbi.

3. O estande de tiro mencionado foi construído na área onde hoje se encontra a EE Getúlio Vargas, ao final da avenida Castelo Branco, diante de imenso barranco e ao fundo de um covão com igarapé. Mais tarde perdeu seu espaço para a instalação do bairro de São Francisco.

4. Ainda que não revelado, creio que o antigo Piquete que existiu na rua Dr. Machado (atrás da atual Maternidade Balbina Mestrinho), que já foi quartel da Rádio Patrulha e de outras Unidades e, em nossos dias, abriga o Comando do Policiamento da Capital, deveria abrigar as oficinas de sapataria e alfaiataria. Acolá encontrei esta, passados vinte anos.

domingo, outubro 16, 2011

L. RUAS, OITENTANOS (2)

Outra homenagem aos 80 anos de nascimento do padre-poeta Luiz Ruas, que completaria em 28 de novembro. Entre 1957 e 58, o homenageado exercitou sua aptidão jornalística em A Crítica. Escrevia a coluna às vezes diária, intitulada Ronda dos Fatos.

Padre Luiz Ruas
Como o título deixa entender, L. Ruas articulava de tudo quanto a cidade de Manaus reclamava ou exibia. Reproduzia também acontecimentos nacionais, posto que era ávido leitor de jornais e revistas nacionais. Lembrando aos de hoje que esses periódicos chegavam a Manaus com dias de atraso.

Para homenagear o Dia do Professor, ontem comemorado, reescrevo a crônica de L. Ruas, tema de sua Ronda. Ele falava com propriedade, pois foi durante a vida um professor de várias gerações.

15 de outubro de 1957

No dia consagrado aos professores não me ocorrem os que já exercem o magistério ou os que já exerceram por muitos anos e por muitos heroísmos, mas me vêm à lembrança aqueles que se preparam para exercê-lo. Digamos aquelas que se preparam porque a maioria dos professores de escola primária são professoras. E é até bom que seja assim. Se a escola, o jardim da infância, o grupo escolar são uma continuação da família convém que a criança continue a experimentar aí os carinhos maternos e aquela peculiar energia materna o que encontrará com facilidade nas professoras algumas ou muitas das quais além do tirocínio de mestras já exerceram o de mãe.

Todas as manhãs encontro-me com elas. Alegres. Rindo. Conversando animadamente aos grupos de três, de quatro, de duas, raramente, sós, elas se encaminham sob a luz auripurpúrea do sol nascente, sobraçando os livros e os cadernos de pontos, metidas na jovial saia azul e blusa branca, nos pés uns sapatinhos pretos que me evocam imediatamente as sapatilhas de balé ou de um balé irrequieto, desmedido, garantia de que dançam nos corredores do Instituto de Educação, nas salas de aula, das carteiras para o quadro negro, na animação dos recreios.
L. Ruas (à dir. em pé), na Academia de Letras, na posse de Jorge Tufic 
Não sei se todas elas, as morenas, as louras, as da primeira série ou as da quarta, as que têm os cabelos curtos, as que usam rabos de cavalo, não sei, só sei que elas estão conscientes da grande missão que as espera.
A mocidade tem um jeito especial de encarar as coisas mais difíceis e mais árduas da vida. Há certa audácia na confiança que ela deposita em suas próprias forças. Para alguns desinformados esta confiança quase absoluta pode parecer petulância ou mesmo leviandade. Geralmente não se trata nem de uma coisa nem de outra. Não é nem petulância nem leviandade. É o jeito mesmo da mocidade.

Esta certa despreocupação, este otimismo exagerado, esta alegria oportuna é importuna, tudo isso é a mocidade. As pessoas mais velhas, os que já travaram a luta impiedosa da vida ou que já sofreram os ataques da existência, os que carregam em sua pele as cicatrizes do mundo e, de suas ciladas, exasperam-se ao ver o modo trêfego dos inexperientes moços. Às vezes vai nesta zanga muito amor. É que essas pessoas mais velhas querem impedir que os moços caíam nas mesmas armadilhas nas quais afinal de contas, mais cedo ou mais tarde, todos cairemos, inclusive os moços e as crianças que muito amamos.

Justamente por isso não posso fazer um juízo certo sobre as nossas futuras professoras e sobre o conhecimento que elas têm da importância do trabalho que daqui a uns poucos anos elas terão em sua frente e em suas mãos. Não só da importância, mas também da fadiga, da canseira, dos suores, das decepções, das tristezas.

Não sou um técnico no assunto, mas sei que o curso das nossas professorandas não corresponde mais às necessidades da pedagogia moderna. Sei também que o curso atual não está correspondendo nem mesmo às necessidades da pedagogia antiga. Poderia citar fatos. Não faço porque sei que a culpa não é dos daqui de casa. Pelo menos toda a culpa. O grande mal ou a causa do grande mal está mais longe, está nesta ausência absoluta de outras escolas superiores.

A mocinha é filha de pais pobres. Os pais pobres da mocinha não possuem somente a mocinha possuem mais futuras mocinhas e futuros rapazinhos. Dia a dia a vida se torna mais difícil. É preciso arranjar um meio de vida para a mocinha pelo menos se sustentar e aliviar os pais na manutenção da casa e na criação dos irmãozinhos.

A mocinha terminou o curso primário. Mas com o curso primário somente não se consegue um bom emprego. No máximo se consegue ficar enjaulada atrás de um balcão de loja. É preciso ter um diploma de curso superior. E a mocinha corre os olhos pela paisagem circundante. Um deserto. Só há um oásis surgindo ao longe de portas escancaradas: o Instituto de Educação. No mínimo dentro de quatro ou cinco anos a mocinha terá uma cadeira que lhe dará certa independência não só em relação aos pais mas, quem sabe, casamento hoje em dia é coisa tão difícil, em relação ao futuro marido.

Então ela ouve, mais ou menos como Joana d’Arc, vozes do alto, de baixo, de dentro e de fora que lhe ordenam: Em frente, marche! E a mocinha não duvida. De passos certos e firmes ela caminha para as escadarias que lhe darão preparação de vida.

Há, porém, o caso menos necessitante e não menos doloroso da outra mocinha. Se os pais não são tão pobres e nem possuem muitos filhos. O emprego do pai e as costurinhas da mãe dão para viverem mais ou menos com certa comodidade. Não há urgência precisa da mocinha cavar um emprego e a mocinha gostaria mesmo de cursar medicina ou filosofia ou talvez química industrial. Gostaria de fazer um curso universitário.

Então ela faz a inspeção do terreno. A mesma inspeção da mocinha pretendente e chegará à mesma conclusão. No quarto imenso ela vislumbra somente a questão das portas abertas. Ouve as vozes que, de repente não são mais as vozes da necessidade ignorância, mas da necessidade cultural; a ordem porém é a mesma: “Em frente, marche”. E aí vai a mocinha rumo as escadarias que lhe darão uma culturazinha mais elevada.

Aí ela se encontra com a primeira mocinha e todos os dias quando o sol ainda é aquela mistura de amarelo de cor gostosa, as duas, rindo, cantando e conversando alegremente, sobraçando os livros, de saia azul marinho e blusa branca onde está gravado nas duas letras I e E, mas de um comum para vocações tão diversas, elas seguem para as mesmas escadarias que absolutamente não justificam sua vida embora as alimente com leite e café, de pão e de saber.

Agora me respondam os responsáveis pelo assunto: essas mocinhas podem ter interesse nos estudos? Essas mocinhas poderão no futuro serem professoras cem por cento professoras? Como exercerão o magistério essas duas mocinhas? Como um sacerdócio? Quem pode exigir dessas mocinhas amor a uma vocação que não é a delas? Quem pode exigir dessas mocinhas que se imolem diariamente sobre uma pilha de cadernos por corrigir? Quem poderá exigir que amanhã essas mocinhas se entreguem ao exílio no interior? Quem?

E, no entanto, tudo isso será exigido de vocês, minhas caras professorandas. E, depois de amanhã, quando, a gosto ou contragosto, as crianças com suas peraltices houverem pintado de branco os cabelos de vocês; desenhado rugas nos rostos de vocês; quando os vossos rins não se dobrarem mais de tanto levantar meninos caídos nas brincadeiras de manja nos recreios dos grupos escolares; quando, reunirem vocês todas num salão quase vazio dos homens importantes que vocês à custa de caminhadas ao sol quente e à chuva e cheio de saudosas recordações; quando reunirem vocês todas num salão para homenagearem o professor, no dia do professor, vocês carregarão no mais escondido e secreto recanto de suas almas a tristeza de um eco de vozes distantes que encaminharam os passos de vocês para um caminho que, absolutamente, não devia ser o de vocês.