CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

31 de março de 2018

PMAM - 181 ANOS (II)

Coronel Trigueiro (à dir.) acompanha o
governador Areosa (esq.) no Hospital
Getúlio Vargas (Jornal do Commerco,
24 abril 1970)

O texto abaixo pertence a Temístocles Henrique Trigueiro, o coronel Trigueiro, que sabe bem o que escreve, pois, ingressando na PMAM como graduado, chegou ao comando e, em dois governos (Arthur Reis e Danilo Areosa), foi chefe da Casa Militar.
Aliás, a família inteira pertenceu aos quadros da Polícia Militar, até o genitor deste contribuiu com o esforço policial. Apesar do escrevinhador não citar datas, as citações registradas são dignas de crédito e de agradecimento da cidade de Manaus, em especial, aos policiais, mão-de-obra efetiva.
  
Na quadra de festejos que a PMAM promove pelo seu aniversário, reproduzo a palavra competente de um saudoso comandante, circulada no Jornal do Commercio (28 abril 1970). 


Nem só como mantenedora da ordem e sob os louros da gloriosa campanha de Canudos, a Polícia Militar do Amazonas tem se mantido desde a sua criação até nossos dias.
Surgindo em vários aspectos da vida quotidiana de nossa Manaus trezentona, ela tem sido um fator de progresso, de assistente social, de colaboradora dos governos que a souberam aproveitar diferente de seu mister.No que diz respeito a construções, com elementos de seu efetivo, participou com turmas de verdadeiros obreiros nas edificações do Teatro Amazonas, da Igreja de São Sebastião, do seu próprio Quartel, do Instituto de Educação, do Atlético Rio Negro Clube, do Parque 10 de Novembro, onde, neste último, vidas foram ceifadas pela malária impiedosa e pelos ofídios traiçoeiros.
Construiu e dirigiu hospedarias de imigrantes, na Capital e no Interior do Estado. Se fez presente, quando da última guerra, com contingentes que trabalharam dia e noite em serviços de estiva do nosso porto. Fez a remoção de toros de nossos igarapés, aos milhares, limpando as águas das vigas e soalhos das casas flutuantes desmanchadas por ordem do Governo e da Capitania dos Portos.
Forneceu, por vários anos, uma sopa aos doentes que frequentavam o Dispensário "Cardoso Fontes" [tratamento da tuberculose]. Organizou e fez distribuições de merenda a todos os Grupos Escolares de Manaus.
Na enchente que desacomodou os ribeirinhos, foi a Polícia Militar que se encarregou de abrigá-los e, posteriormente, quando as águas vasaram, distribuindo material (madeiras e pregos) para que todos pudessem refazer suas casas danificadas pelo afluxo incomum dos rios da planície.
Cuidou de seu próprio jardim fronteiriço ao quartel, colaborando com a Prefeitura Municipal, povoando aquela praça com árvores que vieram embelezá-la, e mantendo um parque infantil para criançada alegre.
Eis, em aspectos diversos, outras fases de atividades de nossa querida Polícia Militar do Amazonas, numa diversificação útil à cidade de Manaus, ao povo que sempre a aplaudiu em todas as épocas.