CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

19 de novembro de 2016

CLUBE DA MADRUGADA

Ainda em 1987, o Clube da Madrugada, como se demonstra com esta postagem, ainda funcionava. Esta agremiação que completa 62 anos na próxima terça-feira, era então presidida pelo saudoso multi-artista Anísio Mello.
Na segunda-feira, o jornal A Crítica circulava com a coluna intitulada Madrugada. Neste espaço se via  o esforço desesperado de seu presidente para não deixar este clube desaparecer. Não foi capaz, apesar de seu esforço em escrever e ilustrar, pois, bem antes de seu falecimento (2010), o Madrugada tornara-se somente uma referência na cultura amazonense. 

A Crítica, 31 agosto 1987
O post compartilha um texto sobre a Banda de Música da Polícia Militar do Estado, quando esta costumeiramente apresentava-se nos coretos da cidade, e outros recantos, alegrando aos ouvintes.

Reconhecimento

Richard Clayton

Praça da Saudade, sexta-feira, 21 de agosto, cerca de oito horas da noite. Movimento normal: casais de namorados, alunos retardatários (ou fugitivos?) do Instituto de Educação, os atletas e futuros ases de futebol, paqueradores e paqueradoras, o mesmo pessoal nos botecos e barracas da Praça — tudo como sempre. 
Inesperadamente, aparece um caminhão da Polícia Militar cheio de soldados e pára: o que será? — uma "blitz", batida policial, o quê? 
Aí vê-se o brilho dourado de instrumentos musicais — nada disso: é a Banda da PM. Dirige-se ao palco atrás da Sham [esta repartição funcionava em prédio, que foi demolido na última reforma da praça, situado à frente do Rio Negro Clube,]; os músicos afinam seus instrumentos, assumem suas posições no palco — a batuta do regente sobe e depois desce — temos Música! 
Não rock, "heavy metal", jazz ou outros atentados importados mas, sim, boa música brasileira — valsas, choros, sambas, chorinhos, marchas e ranchos — que beleza! A Praça vibra e revive — em poucos minutos, centenas de pessoas aproximam-se da banda para ver e ouvir melhor, aplaudindo os músicos nos intervalos. 
Algumas horas — infelizmente, de menos — agradáveis. No final, uma homenagem tão inesperada quanto singela. Um menino, não mais que quatro anos, sai de perto de seu pai e, saquinho de pipoca na mão, corre para perto do regente (mal dá na altura de sua cintura) e cutuca sua coxa. 
Quando este se vira e olha pra baixo, o garotinho apanha uma pipoca e dá na mão do maestro, que come e agradece seu pequeno fã. Até os pequeninos reconhecem o que é bom! 
Obrigado e parabéns, maestro, a você e seus colegas da banda! Obrigado e parabéns coronel PM Pedro Lustosa [comandante-geral da PMAM entre 1987-89] repita a dose, por favor — a amostra aprovou!