CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

23 de novembro de 2016

CANUDOS: RETORNO DA PMAM

Quartel da Praça da Polícia, 1950
O calendário festivo da Polícia Militar do Amazonas soleniza, a cada ano, o dia 8 de novembro, quando ocorreu o retorno de sua tropa da Campanha de Canudos. São passados 119 anos daquela refrega fratricida.
Neste mês, o evento foi lembrado no dia 11, quando o comando-geral, além de reverenciar o Patrono da corporação, outorgou a Medalha Cândido Mariano a diversas autoridades civis e militares.
Na ocasião, como de praxe, foi lida a Ordem do Dia, assinada pelo comandante-geral da PMAM coronel PM Augusto Sergio Farias Pereira, abaixo transcrita.

ORDEM DO DIA
ALUSIVA AO RETORNO DA TROPA
DA CAMPANHA DE CANUDOS

Prezados senhores,

É com honradez e dever de reconhecimento que a Polícia Militar do Estado do Amazonas relembra, nesta solenidade militar, o retorno vitorioso e emocionante do contingente Policial Militar que combateu na Guerra de Canudos, o movimento liderado por Antônio Vicente Mendes Maciel, conhecido popularmente como "Antônio Conselheiro".

O movimento de caráter político-religioso iniciou-se na localidade conhecida por Canudos, entre 1896 e 1897, pelo fato da população local estar insatisfeita com a autorização do governador, para cobranças de impostos aos habitantes do interior do Estado da Bahia. A mobilização chegou a abranger diversas localidades, repercutindo nacionalmente e preocupando os governantes, o que levou a uma reação enérgica por parte do governo da época. O fato é muito bem retratado no livro denominado Os Sertões, de autoria de Euclides da Cunha.

"Antônio Conselheiro" juntamente com seus seguidores deslocaram-se para o interior da Bahia e, no município de Bom Jesus, às margens do Rio Vaza-Barris, criaram a Comunidade Revolucionária de Canudos, como uma das ideias do líder era de emancipação, logo o movimento repercutiu em todo o Estado da Bahia.

As Forças Federalistas enfrentavam incomensuráveis dificuldades para derrotar os inimigos da Nação. Após as três primeiras expedições terem sido derrotadas sumariamente, o Governador do Estado do Amazonas, à época, Fileto Pires-Ferreira, atendeu à convocação do Governo Federal e determinou sob o comando do tenente-coronel Cândido Mariano o envio de um contingente policial militar da Força Pública Estadual, denominado de Batalhão Amazonas. Composto por 24 oficiais e 249 praças, partiu de Manaus em 4 de agosto daquele ano, no vapor Botelho rumo à Belém e, posteriormente, no vaso de guerra Carlos Gomes, até os Estados do Maranhão e Pernambuco, alcançando seu destino, Salvador, no dia 24 do mesmo mês.

No combate, a tropa amazonense destacou-se a partir de setembro e conquistou várias frentes sob o comando do coronel José Sotero de Menezes, do Corpo Policial do Estado do Pará, que, de forma conjunta com as milícias do Pará e de São Paulo, empunharam as armas e conquistaram um ponto estratégico: a estrada Uauá-Canudos, fechando assim o sítio da Troia Jagunça.

De 24 de setembro a 1º de outubro, a tropa do Amazonas enfrentaria diversos combates estreitando cada vez mais o cerco ao arraial e, finalmente, tomando o reduto defensivo das igrejas Nova e Velha, bem como grande número de casas do oponente, em "horrível combate corpo-a-corpo".

Do resultado das lutas sangrentas no sertão baiano, morreram: um oficial do posto de capitão; e 12 praças, 23 praças ficaram feridos e 15 desaparecidos. Em 8 de outubro de 1897, finalmente, a Campanha foi encerrada e o Batalhão Amazonas desembarcou, em 8 de novembro de 1897, vitorioso na capital amazonense, sendo recebido na Praça da Polícia, de braços abertos com ímpar satisfação popular, em uma das mais belas aclamações públicas registradas na história do nosso Estado.

Passados 119 anos, a Campanha de Canudos não representa apenas um acontecimento vitorioso da Polícia Militar do Amazonas, e sim, uma demonstração de coragem, disciplina e heroísmo dos nossos antepassados, o quais refluem com obstinada determinação.

Atualmente o espírito dos pioneiros permanecem nas ações desenvolvidas nos mais longínquos rincões do Amazonas e da Pátria, através de contingentes hipotecados à Força Nacional de Segurança Pública, preservando a Ordem Pública durante os Jogos Olímpicos no Brasil, bem como efetivo ombreado nas Forças de Paz da Organizações das Nações Unidas (ONU) — destacadamente as missões de paz no Haiti e na Guiné-Bissau. Continuamos deixando viva em nossa memória a lembrança de que a grandeza desta instituição também foi feita com o sangue daqueles que, envergando sua farda, tombaram defendendo seus valores e seu pavilhão, exemplos esses que nunca serão esquecidos, mas, sim, irradiados dentro da Instituição Policial Militar.

Neste momento solene, paira o espírito de gratidão à Deus, o excelso criador do Universo, quando relembramos os feitos do herói e Patrono da Polícia Militar do Amazonas, tenente-coronel Cândido Mariano, bem como dos 273 aguerridos policiais empenhados nessa singular incumbência, onde suas virtudes são tomadas como molde e inspiração para os nossos Policiais Militares.

Rogamos ao nosso Deus para que nos conceda PACIÊNCIA, COMPREENSÃO, HARMONIA e UNIÃO para que assim possamos proporcionar a segurança almejada pela sociedade amazonense!

Pela paz!
Pela ordem!
Sempre atentos!
Soldados da Polícia Militar!