CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

quarta-feira, julho 20, 2011

CÂNDIDO JOSÉ MARIANO

Uma noite dessas, “googleando” (desculpe o palavrão) por aí, esbarrei com as informações que desejei coletar no devido tempo. Ou seja, a ascendência deste mineiro que firmou seu nome na historiografia amazonense.

Cândido Mariano, em Jornal
do Commercio, Manaus
Apenas para esclarecer a nova geração: Cândido Mariano (repito, não confundir com o marechal Rondon) desembarcou em Manaus no início do governo de Fileto Pires (1896-98), sucessor do governador Eduardo Ribeiro. Todos eram oficiais do Exército.

Mariano veio para integrar a Polícia Militar, tendo sido nomeado comandante do 1.º batalhão, o mesmo que marchou em agosto de 1897 contra o arraial de Antonio Conselheiro, na Bahia. Integrou as forças militares que destruíram o povoado de Canudos.


Em seu livro Os sertões, Euclides da Cunha descreveu com brilhantismo essa epopeia. Nele, o autor enfatizou a presença de Candido Mariano, lembrando o colega da Escola Militar que encontrou com outros, entre os combatentes. Mais adiante, em 1905, quando Euclides esteve em Manaus, pode reencontrar ao engenheiro Cândido, então prefeito de Sena Madureira (AC), e outros participantes daquela peleja sertaneja.

Lembro ainda que Euclides da Cunha, antes da campanha de Canudos e de publicar Os sertões, residiu em Campanha (MG), na região de Alfenas. Portanto, teve contato com os familiares próximos de Mariano.

Pois bem. Em http://www.arvore.net.br/ encontrei a ascendência de Cândido Mariano, nascido em Alfenas (MG) e morto no Rio de Janeiro (RJ). Ele descende, pelo lado materno, de Bernardino Teixeira de Toledo, cavaleiro da Ordem de Cristo, batizado em 1761 e falecido em 1814, em Campanha da Princesa (MG) e sepultado na matriz de Santo Antônio do Val.
Bernardino foi o pai natural de Rita de Cássia Gomes, que gerou Maria Joanna Gomes, e esta a Francisca Leopoldina Gomes, mãe de Cândido Mariano.

Francisca Leopoldina Gomes nasceu em 17 jul. 1847, em Campanha (MG). Casou-se, aos 18 anos, com o Dr. Cândido José Mariano Júnior, filho do capitão Cândido José Mariano e Anna Xavier da Veiga, em 6 maio 1865, em Alfenas (MG). 
Dr. Cândido nasceu em 1841, em Campanha (MG) e faleceu em 21 abr. 1883, em Alfenas (MG), quando o filho homônimo tinha 12 anos incompletos.

Dr. Cândido e Francisca tiveram os seguintes filhos:
Anna Gomes Mariano nasceu em 1866 e faleceu em 29 maio 1867, em Alfenas (MG).
Antônio José Mariano nasceu em 13 dez. 1867 em Alfenas (MG).
Cândido José Mariano nasceu em 22 maio 1870 e faleceu em 21 nov. 1941.
Maria Ricardina Gomes Mariano nasceu em 3 maio 1873 em Alfenas (MG).

Igreja de São José e Dores, em
Alfenas - MG
Encaminhei ao mencionado site as seguintes notas:
Cândido foi batizado na igreja de São José e Dores, ainda existente.
Antonio Gomes Mariano (sobrenome mais correto, como os demais irmãos) morreu em Sena Madureira-AC, em 5 março 1909. Conforme a publicação do jornal Alto Purus, o finado possuía 40 anos de idade e era solteiro.

Candido José Mariano sempre esteve acompanhado da mãe (Francisca) e dos irmãos (Antonio e Ricardina). Tanto que residiram em Manaus (AM), depois em Sena Madureira (AC) e, por fim, no Rio de Janeiro, onde morreu Cândido. Tudo indica que as duas também morreram naquela cidade.

CJM casou com a gaúcha Fanny Ribas (20 anos), em 22 maio 1897, em Manaus-AM. Aqui tiveram dois filhos:
1. Lucy Ribas Mariano, nascida em 3 nov. 1901 e falecida no Rio, em 1.º jun. 1994. Manteve-se solteira, mas adotou dois filhos: Jorge e Beatriz Torres, ainda residentes no Rio.
2. Floriano Ribas Mariano, nascido em 17 ago. 1903 e falecido no Rio, em 4 out. 1960. Do seu casamento com Sonia Areosa Mariano, nasceu Sonia, que apresentava deficiência mental, por isso, solteira. Não sei se ainda vive.

Dessa maneira, interrompeu-se a descendência de Cândido Mariano.

terça-feira, julho 19, 2011

Memórias Amazonenses (LIV)

Julho, 19


1975 – Morreu no Rio de Janeiro, o professor Agnello Bittencourt, consagrado pelo estudo da história e geografia do Amazonas. Foi autor de vários trabalhos literários, com destaque para a Corografia do Amazonas (1925) e Dicionário Amazonense de Biografias: vultos do passado (1973). Pertenceu ao Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas e a Academia Amazonense de Letras, apenas para citar as entidades locais.
Lembrança da missa de
30.º dia


2009 – Morreu em Manaus, Gilberto Mestrinho de Medeiros Raposo, ex-governador do Estado. Exerceu longa trajetória política (três vezes governador do Amazonas), apesar de impedido temporariamente pelo Regime Militar. Também foi prefeito de Manaus (1955), deputado federal pelo então Território Federal de Roraima (1963), e senador pelo Amazonas (1999-2006). Para melhor conhecê-lo, veja o trabalho da professora Iraildes Caldas Torres, Arquitetura do poder: memória de Gilberto Mestrinho (Manaus: Edua, 2010).

Bombeiro obeso

A Crítica, hoje
Tá no jornal de hoje, veja a ilustração. Leonardo de Oliveira conquistou no Tribunal de Mato Grosso do Sul a oportunidade de pertencer aos Bombeiros. Para ele, a superação do obstáculo se revestiu de extremo sucesso, pois, usufrui de respeitáveis 110 quilos (cento e dez quilos!).


Ao meu ver, duas lições podem ser aprendidas: uma, é preferível empenhar seu dinheiro com advogados para conquistar uma sentença duvidosa. Outra lição, a de que há tantos bombeiros com o mesmo peso ou mais.

Leonardo poderia se empenhar em obter o peso ideal, que faria bem para sua saúde e, especialmente, para seu bolso. A propósito, a TV Globo promove um trabalho nessa direção, a da conquista do peso ideal (digamos assim) com alimentação e exercícios adequados. Dinheiro bem mais adequado que o disposto com a justiça.

De outra maneira, quando falei em dúvida na sentença é porque o Leonardo terá que se submeter a um curso interno, para consolidar o sonho dele de ser bombeiro. Torço que ele suplante mais esse obstáculo, que não é fácil, quando não haverá recursos à justiça. Será o candidato em busca de se suplantar.
Policiais militares com certo sobrepeso, em festa
Sim. A segunda lição, Leonardo, se estende aos policiais. Quantos barrigudos, em todos os graus hierárquicos, são vistos nos veículos, preferencialmente, pela cidade. Tanto sobrepeso, deixa-nos a duvidar da operacionalidade desses homens e mulheres policiais.
Coronel Rommell cumpre dieta

Creio, enfim, que tá na hora das corporações militares estaduais colar o curso da Rede Globo, quando coloco seus apresentadores “rechonchudos” na esteira. Grato, muito grato, deve estar meu amigo Dudu Monteiro de Paula.

segunda-feira, julho 18, 2011

Ildefonso Pinheiro (II)


por Francisco Bacellar,

pai do poeta Luiz Bacellar, publicado no livro
Uma Vida... (Manaus: Editora Sérgio Cardoso, 1963)

Uma vida..., seleção de crônicas publicadas no Jornal do Commercio, de Manaus, representa, sob o aspecto de reminicências do autor, a cristalização de um passado de lutas firmado dentro de uma bela tradição de tenacidade, civismo e honestidade que honram e dignificam sobretudo a sociedade que testemunhou e ainda assiste o exemplo edificante do roteiro traçado, palmilhado e rememorado pelo autor. (da orelha do livro)


Sede do Jornal do Commercio,
na avenida Eduardo Ribeiro

Ildefonso sempre teve a sua reserva. Cumpridor perfeito das suas obrigações e possuidor de alto senso de responsabilidade não admite, por isso, imposições descabidas nem excesso de autoridade; quando isto acontece o "faça favor, tire a minha conta" resolve a situação, isto numa época em que perder um emprego consistia a maior calamidade para quem dele dependesse.

Vencendo as maiores dificuldades procura se instruir e o faz graças a existência de um homem a quem Deus concedeu o dom da benemerência: Alfredo Garcia, com a aparência de um filósofo hindu, trazendo em si a sabedoria de um Buda, a paciência, a obstinação e a renúncia de um Gandhi e a predestinação de um Tagore, sem ceder à canseira, não buscando o conforto, não aspirando o poder pecuniário nem a gratidão humana, na sua "Santo Antonio Comercial School" ensina de manhã à noite.
Procuram-no os humildes, os necessitados convictos, os empregados que não dispõem de tempo. Recebe, ali, Ildefonso, as bases com as quaest, autodidata, pode adquirir os variados conhecimentos que dia a dia vai aprimorando.

Tem início, então, a consolidação do pequeno homem de negócio, do economista em potencial; dura prova, porém, se lhe depara, consequência natural dos seus impulsivos "faça favor, tire a minha conta". Ildefonso torna-se estivador do porto, no serviço mais pesado de então para o qual escolhida turma de portugueses alentados é empregada. A desistiva do carvão coke é feita em cabaças de vime que, formada a fila, -- jogada de mão em mão desde o ponto do enchimento ao do despejo. O recém-estivador, o intruso era franzino, a enfibratura, porém, era rija.

A princípio, os gigantes desdenhavam do pequeno colega e tratam de testá-lo. Se não bastasse ser-lhe o soco das cabaças propositadamente maior a falta de prática do novato não evitava que as pontas de talas despregadas dos vasilhames rasgassem-lhe a carne dos braços. A resistência e a obstinação do neófito tocaram aquela gente simples e nobre. A mofa transmuda-se em admiração.

Depois desta prova de fogo o estivador passa à pracista. Nesta profissão vence galhardamente. Outro impulsivo "faça favor, tire a minha conta" joga-o para o Ideal Clube onde vou encontrá-lo no posto de mordomo. Na sua convivência com os gentis-homens do Ideal faz ele o seu estágio. Prepara-se para a escalada decisiva aos píncaros o que lhe foi relativamente fácil.

Rara virtude lhe orna o espírito. A de servir e servir bem, "em desdouro para si próprio, sem humilhação para quem dele precisa. Conta-se entre os seus amigos, grandes e pequenos, humildes e poderosos, pobres e ricos, cultos e não cultos, para ele só há distinção na virtude que os exalce. Também rara felicidade lhe acompanha: a de jamais ter tido necessidade de recorrer ao irrecorrível a quem quer que seja.

Presto, vemô-lo na A Tropical, onde vencendo inveja, derrubando preconceitos, mudando tradições e costumes, transformando, aliás, a feição de uma época, torna-se comerciante. Ali dá largas ao seu espírito caritativo e mecenas das artes e das letras, lhe vale ser armado "cavalheiro" da mais restrita ordem que jamais existiu.
Quatro membros apenas, não violentos nem vingativos como os do Apocalipse, mas "espíritos fogosos e sonhadores”. O agraciador foi um poeta em nome de "O Satã". No tempo de A Tropical a minha cruz foi tareada com pesadíssima sobrecarga de chumbo. Carrega-Ia tornou-se-me bem penosa.

Ildefonso constituiu-se meu cirineu; exigiu que todos os domingos fosse com ele almoçar. Os acepipes eram preparados pelas suas próprias mãos. O meu lugar, o de honra na cabeceira da sua mesa.

Depois de A Tropical, a sua plena situação econômica e financeira é atingida. Torna-se proprietário e acionista da Eletroferro em pura e honesta forma sobre a qual nem ao menos paira qualquer suspeita. (segue)


O financista em estado latente ensaiava os passos para se desenvolver. Nunca esteve desempregado. Não podia estar, era do seu trabalho que provia o seu sustento. Econômico por índole, por precaução e por imposição da natureza do seu trabalho, pois, folga, só raramente em alguma tarde de um domingo.