CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

sexta-feira, abril 05, 2024

ARQUIVO HISTÓRICO DO CORPO DE BOMBEIROS (2)

O CBMAM (Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas) foi criado em julho de 1876, meses depois do surgimento da Guarda Policial, atualmente Polícia Militar do Amazonas (esta
a posteriori demudou sua data de inauguração). Os Bombeiros surgiram não como entidade militar, mas apenas como acerto de funções que diversos órgãos provinciais executavam em caso de incêndio. Desse modo se manteve até o advento da República, embora sem grande definição, pois a mudança de governantes estaduais ocorria de modo confuso.

Cópia do decreto

Somente no governo de Eduardo Ribeiro (1891-96) acontecem algumas importantes iniciativas: o desembarque em janeiro de 1892 de graduados do Corpo de Bombeiros do Distrito Federal para instruir o pessoal amazonense; os Bombeiros são subordinados à Força Estadual e, finalmente, em 15 de dezembro do mesmo ano a promulgação do decreto 12, estabelecendo o Regulamento da Companhia de Bombeiros do Estado. Trata-se da primeira legislação a dirigir os serviços de extinção de incêndios na capital amazonense.

quarta-feira, abril 03, 2024

PM AMAZONAS: AOS 187 ANOS

Amanhã, 04, a PMAM (Polícia Militar do Amazonas) completa 187 anos de vivência. Diante desta existência, é óbvio que foi contemplada com etapas brilhantes e outras nenhum tanto, como sua desativação (1930-36) à época do regime de Getúlio Vargas. No mesmo diapasão, a mudança de nomenclatura em decorrência da centenária Rebelião de Ribeiro Junior (1924). Todavia, “em Canudos, com sangue batizado” celebra com ênfase a participação naquele conflito fratricida, ocorrido na Bahia (1897).

Cartão Postal cerca de 1910

É regra castrense a elaboração da Ordem do Dia sobre a efeméride, desse modo, são tantas disponibilizadas quantos os aniversários. Escolhi, todavia, o texto do saudoso prof. Mário Ypiranga Monteiro sobre a Polícia Militar do Estado, circulado em A Crítica, de 6 de abril de 1983. Assim sendo, homenageando a corporação por sua data magna. Nele introduzi entre parênteses algum dado para melhor compreensão do leitor. 

Recorte do artigo referenciado

Quando se comemorava o aniversário de criação da Polícia Militar do Estado do Amazonas, calculando-se apenas o evento do ato que criou o Regimento Militar, por Eduardo Gonçalves Ribeiro, sugeri ao então coronel comandante Luci (Vicente Coutinho 1973-75) que a vida daquela corporação era mais dilatada e ofereci os subsídios mais ou menos suficientes para que se houvesse uma noção do testemunho da força pública da Província e do Estado nos eventos nacionais. Então eu já estava com uma considerável cópia de fichas e de anotações e a história redatada em parte, só esperando uma oportunidade para publicação. A oportunidade chegou quando o coronel Pedro Lustosa (chefe da Casa Militar) mostrou-se interessado e concluí a primeira redação. O livrinho foi publicado sob o título geral de SÍNTESE HISTÓRICA DA POLICIA MILITAR DO ESTADO (Imprensa Oficial, 1972) com apresentação de Genesino Braga, no governo João Walter (1971-75). Foi sobre esse documentário que as Relações Públicas (PM5) da mesma corporação fez publicar nos jornais de Manaus uma súmula, deixando de aparecer meu nome por mero esquecimento.

Entre os fatos mais consagratórios da posição dessa milícia de que me honro de ser filiado por condecorações e por amizade continuada, figuram a sua reação heroica às turbulências provocadas no dia oito de outubro de 1910 e a que me referi recentemente numa série de artigos. Foi a essa reação desigual que me referi também no meu ELOGIO HISTÓRICO DA POLICIA MILITAR DO ESTADO, palestra realizada a 4 de abril de 1973, no Teatro Amazonas, elogio que de certa forma dependeu mais da atitude sentimental do historiador sem que a história sofresse com os rasgos de elevação retórica: não houve felizmente nenhuma influência. Andava eu no primeiro ano de idade quando a família foi obrigada, com milhares de outras, a procurar refúgio nas matas distantes do bairro de São Raimundo Nonato, porque o excelente senhor presidente Nilo Peçanha se dera ao luxo ignominioso de mandar bombardear uma cidade pacífica. O que ponho de relevo é que foi nos ombros do miliciano Reis, músico, que me transportei, enquanto, horas depois e por todo o dia aziago, a metralha assassina destruía propriedades e ensanguentava lares inocentes, tudo isso sob a calma assistência do doutor (Antonio Gonçalves Pereira de) Sá Peixoto (vice governador).

É daquele discurso no Teatro Amazonas o trecho abaixo, transcrito das notícias publicadas nos jornais quando da passagem dos 139 anos de existência da corporação: Verdadeiros heróis do silêncio, às vezes morriam abraçados ao silêncio, agônicos, febrentos, os olhos felizes bebendo a alegria triunfante que cantava alto nas dobras do pavilhão nacional. Heróis mudos da Pátria! trouxestes à nossa Polícia Militar as glórias que não foram decantadas, mas eu imprimo na comovente comemoração desta história singular a saudade do vosso destemor caboclo, da vossa bravura moral. (...)

De qualquer sorte, foi a nossa Policia Militar, em todos os tempos, uma corporação que esteve presente em todos os conflitos em que o Amazonas foi chamado a intervir: guerra contra o Paraguai, guerra de Canudos, guerra contra o Acre, guerra contra o Pará, revolução de 1924 e a última de 1930. Possui, portanto, um acervo de glórias e a sua bandeira não foi ainda gratificada com outras condecorações merecidas.

Nota: o mestre Monteiro cometeu alguns enganos, cujos reparos efetuei na edição da Síntese Histórica.

sexta-feira, março 29, 2024

ARQUIVO HISTÓRICO DO CORPO DE BOMBEIROS

Em fevereiro de 1920 assumiu o comando do Corpo de Bombeiros o capitão PM Arthur Martins da Silva, pernambucano que aprendeu o ofício de “homem do fogo” em Belém do Pará. Somente deixou o comando 18 anos depois em decorrência de seu falecimento (julho de 1938). A trajetória deste oficial na corporação foi marcante, tanto que em decorrência da Rebelião de Ribeiro Junior, em julho de 1924, assumiu o comando da Força Pública. Todavia, não deixou um retrato para adornar a Galeria de Comandantes, talvez pela ausência de família, dado sua condição de celibatário.

À época, a condição econômica do Estado era de decadência, após o desastre da borracha. Situação idêntica enfrentavam os organismos estaduais, consequentemente a Força Estadual. Os Bombeiros subordinados à Prefeitura local padeciam da mesma situação. Para ilustrar a postagem recolhi do arquivo corporativo páginas de livros de coleção de Boletim Interno. Ao menos se conhece o nome de um Bombeiro, 1º sargento Antonio Barbosa Abreu, cuja caligrafia impressiona.

 

Coleção mensal de BI 


Coletânea de BI mensal


quarta-feira, março 27, 2024

ARQUIVO HISTÓRICO DA PM AMAZONAS (1)

 A PMAM (Polícia Militar do Amazonas) comemora sua criação em 4 de abril próximo (referente a 1837). No entanto, já teve outra data marcante em sua história, a de 3 de maio de 1876. Nessa data foi (re) criada com o título de Guarda Policial do Amazonas, e manteve esta efeméride até 1972, ocasião em que um estudo indicou – e segue mantida – a de 1837.

Quartel da Praça da Polícia à época

Detalhe: houve uma terceira data: a de 26 de abril de 1936, com duração de um quinquênio, lembrando a reativação da Força Estadual, inativada pelo governo de Getúlio Vargas em novembro de 1930.

O texto aqui postado abona a criação de 1876, circulado na passagem do cinquentenário. Era comandante interino da Força o major Floriano da Silva Machado, cujo pai Rafael Machado – professor do Ginásio Amazonense Pedro II - integrou como voluntário, com o posto de capitão, a campanha de Canudos ao lado de Cândido Mariano.

 

Recorte do Boletim alusivo à data - 3 de maio de 1926

I – MEIO CENTENÁRIO DA FORÇA

Camaradas: Faz hoje 50 anos que, o Governo Provincial, pondo em execução a Lei n. 339, de 26-4-1876, criou esta Força, então Guarda Policial, tendo sido o sou primeiro comandante o major Severiano (sic) Euzebio Cordeiro.

Corporação destinada à manutenção da ordem pública e das leis, vem prestando, aos seus fins, reais serviços. Salientando-se, nesse longo período o papel eficiente que lhe coube na campanha de Canudos sob o comando do Cel. Candido Mariano, que teve por auxiliares intrépidos camaradas que ainda prestam os seus valiosos serviços ao nosso Estado.

Decorridos tantos anos, é sobremaneira confortador atingirmos ao meio centenário numa fase nova do ressurgimento quando todos nós, sem discrepância, - com convicção o proclamo - conscientes da elevada missão social que nos é ditada pela lei,  procuramos fortalecer o prestígio do bom nome da Força, contribuindo destarte para o engrandecimento do Estado que, graças à segura orientação que lhe imprime o nosso chefe supremo Sr. Presidente do Estado, com a prática das mais severas normas administrativas, entrou definitivamente pela senda do progresso, que é o trabalho em bem da causa pública. Esforcemo-nos, portanto, nessa profícua colaboração.

 Ao dirigir-vos, meus camaradas, estas palavras de congratulação por tão auspiciosa data, seja-me lícito declarar, servindo-me do ensejo, que este Comando sente a maior satisfação em poder afirmar que reconhece da parte de seus comandados a mais perfeita noção de seus deveres pela observação rigorosa da disciplina e de acatamento a todos os preceitos regulamentares, o que demonstra o elevado grau de adiantamento da Força, constituída, como está, de elementos que são a garantia da ordem neste nosso grandioso Estado.

Complemento do Boletim com a indicação do comandante