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quarta-feira, abril 22, 2026

BAIRRO DE SÃO LÁZARO (1973)

Trata-se de recordação pouco significativa sobre este bairro, estampada há mais de 50 anos no jornal A Crítica, à época em que apenas se conhecia a situação da cidade através da imprensa. O São Lázaro evoluiu, obviamente, mas em nossos dias as informações em todos os sentidos circulam pela Internet em seus variados aplicativos.


Parece um bairro esquecido. Os moradores relembram os bons tempos em que os ônibus percorriam a rua principal, São Vicente, facilitando a comunicação com os demais pontos da cidade. Hoje, tudo é diferente. A Rua São Vicente está abandonada e os buracos aparecem com frequência transformando certos trechos em verdadeiras crateras. Esta é a realidade do Bairro de São Lázaro.

A Crítica, 8 maio 1973


DRAMA COTIDIANO

Para quem mora em São Lázaro, chegar ao emprego, é um verdadeiro drama. O indivíduo tem que caminhar por muito tempo enfrentando buracos e lama até atingir a Estrada do Contorno, onde pode apanhar a condução. Geralmente o coletivo demora a passar e quem mora no bairro chega sempre atrasado ao trabalho.

Em certos trechos como nas proximidades do Sítio “São Jorge”, a erosão pluvial formou uma verdadeira cratera e a tubulação de água colocada pela Cosama, através da SIT, está exposta apesar de ter sido instalada a mais de dois metros de profundidade.

São casos assim que desanimam os moradores do bairro. Os poucos veículos que enfrentam a buraqueira passam maus momentos, principalmente na entrada da Travessa São Vicente. E todos sonham com o asfalto, solução final para um bairro populoso.

Ónibus não aparecem desde novembro do ano passado, quando o senhor Cassiano Assunção, proprietário da Empresa “Ana Cássia”, resolveu retirar a linha de coletivos que serve o bairro pela condição quase intransitável da rua.Da parada costumeira o ônibus foi se afastando para as proximidades da Subdelegacia e finalmente para a Estrada do Contorno.

 Alguns moradores já recorreram ao Departamento Rodoviário Municipal, solicitando algumas carradas de terra nos trechos mais atingidos. E já houve um plano para que os próprios moradores consertassem alguns trechos, desde que houvesse disposição de algumas carradas de terra. A senhora Nadir Rosa de Lima, moradora da casa 144, na Rua São Vicente, diz que o bairro é bom. — O maior problema são os buracos.

ASFALTO EM JULHO

O senhor Cleber Mendes Faneco, presidente do diretório da Arena, do Bairro de São Lázaro, ouviu as reclamações dos moradores e depois de verificar o verdadeiro estado da principal artéria solicitou providências ao prefeito Frank Abrahim Lima. O ofício resposta datado de 3 de maio, ontem já estava nas mãos do presidente do Diretório. Nele, o prefeito Frank Lima estabelece o asfaltamento da Rua São Vicente para o segundo semestre deste ano.

Este é o texto: "Está dentro de nossa programação para o segundo semestre deste ano, o asfaltamento da Rua São Vicente. Não poderia de maneira nenhuma esquecer esse bairro tão simpático no qual tive a felicidade de fazer bons amigos. Deverei até o final deste, fazer uma visita oficial aos bairros, para comunicar o início dos trabalhos, estando o amigo autorizado a dar ciência aos nossos companheiros". Frank Lima.

 

terça-feira, março 10, 2020

BAIRRO DE SÃO LÁZARO

Para contribuir com a história deste bairro, reproduzo uma reportagem do extinto jornal A Notícia (5 março 1970). Aproveito para expor algumas recordações daquele espaço, pois o conheço desde dez anos antes desse registro jornalístico. Afinal, passei a morar no Morro da Liberdade no final de 1959.

Recorte da reportagem
Havia uma capela com este orago, bem no alto, onde a turma do Morro comparecia por ocasião de festas, em especial a do padroeiro. Certa oportunidade, em companhia de meu irmão, tomei uma "carreira" dos caras daquele pedaço. Já existia o GE Antóvila Vieira, na estrada que nos conduzia ao aeroporto de Ponta Pelada. no mais, era um casario construído de madeira e palha. Água, como detalha a reportagem, era encontrada em cacimbas, e transportada em "lata d'água na cabeça". enfim, para se chegar ao São Lázaro era obrigado a enfrentar um forte aclive, ou seja, ladeira acima.

Manchete da reportagem (A Notícia, 5 março 1970)
Com exceção de um moderno grupo escolar (o Antóvila M. Vieira), que serve as crianças do Morro da Liberdade, da Lagoa Verde, parte de Santa Luzia e ao próprio bairro, São Lázaro, que já está completando 13 anos de formação, não tem luz, não tem água encanada e suas principais ruas estão intransitáveis. Os seus moradores — os mais pacatos — recolhem-se às 18 horas, todos os dias, porque não têm segurança necessária, devido ao policiamento precário, quase inexistente e à escuridão reinante em todo o local.
Eles adoram uma chuva, pois isso permite encher os vasilhames, e assim não precisam carregar água das cacimbas. Em compensação, as crianças não podem brincar nas ruas, cujo aguaceiro as transforma em autênticos lagos. As valas são imensas.

TRANSPORTE
Neste contato que a NOTÍCIA teve com o bairro de São Lázaro, deparou-se nos um drama: quem quiser chegar até lá, de taxi, terá que contar com um motorista amigo e pagar “táxi extra”, simplesmente porque todos, ou quase todos, se recusam fazer essas corridas, devido ao estado deplorável das artérias. Os ônibus foram obrigados a encurtar a linha, pelo mesmo motivo. Uma visita só é completa, a pé.
Os que moram lá mais adiante, esses é que sofrem. Não podem deixar seus filhos comparecerem sozinho à escola, tal a falta de segurança aqui. Existem vagabundos às pampas, maconheiros, desordeiros, tudo enfim. O policiamento, infelizmente, é pouco — disse o sr. Mario Batista Gonçalves, amazonense, 37 anos, que ali mora um ano depois que que São Lázaro apareceu no mapa da cidade. Tem seis filhos e sente-se privilegiado porque reside bem perto da escola e da delegacia. Além disso, São Lázaro, que antigamente era chamado de Lagoa Verde, até aqui não tem posto médico, não tem mercado público, nem “feira”. Todos vivem como a Maria: com a lata d'água na cabeça.

CACIMBA
Ilustração da reportagem (A Notícia, 5 março 1970)
Para se conseguir água, aqui — concluiu o sr. Mario Gonçalves — os moradores recorrem aos poços. Cada um faz o seu. Furam a terra e só com a profundidade mínima de 13 metros é que ela aparece. Mas, é limpa, bem limpa; clara, parece água mineral. A CEM [Companhia de Eletricidade de Manaus] já esticou por aqui alguns fios, mas não chegou a concluir o trabalho, deixando a grande maioria sem luz elétrica.
Conheço gente que já comprou televisão, mas o aparelho continua encaixotado. O mercado mais próximo é o do Morro da Liberdade, que abastece São Lázaro. Em suma: São Lázaro sofre como sovaco de aleijado. Felizmente o Governo do Estado está resolvendo o problema d’água, com o novo sistema em ritmo de instalação. Os outros dependerão, agora, da Prefeitura, da Secretaria de Saúde etc. Oxalá esses também se penalizem desta gente.

quarta-feira, março 14, 2018

EDUCANDOS E SÃO LÁZARO: ANOTAÇÕES



Da mensagem governamental (março de 1964), a última assinada pelo governador Plínio Coelho, à Assembleia Legislativa, extraí esses tópicos, que sirvam a história dos bairros de Educandos e São Lázaro. 
O assunto diz respeito a Segurança Pública, que sempre foi um assunto complexo. Nessa oportunidade, o gerenciamento superior cabia à Secretaria de Interior e Justiça, pois existia a Chefatura de Polícia, a quem cabia a cessão do pessoal. 
9. GARANTIAS A LIBERDADE DE CULTOS
Expedimos instruções ao Delegado Geral de Educandos para assegurar a liberdade de culto das Igrejas Evangélicas ou Protestantes, situadas naquele populoso bairro, fazendo valer o § 7º do art. 141, da Constituição Federal vigente, isto para atender solicitação do Pastor Geraldo Dias da Rocha, da Igreja Batista de Constantinópolis.

12. SUBSTITUIÇÃO DO DELEGADO DE POLÍCIA DE EDUCANDOS
Através do Of. G-SIJ/850-63, de 10.7.63, solicitamos de Vossa Excelência a exoneração do senhor AMÉRICO NOGUEIRA DO AMARAL, que exercia aquela função acusado por inúmeras pessoas, residentes naquele barro, da prática de corrupção, violência arbitrária e abuso de poder. Para ratificação dessas denúncias conseguimos apreender naquela Delegacia Geral: palmatória, pilão, cavalete, usados pelo mencionado Delegado como instrumento de espancamento e tortura, como outrora acontecia na Idade Média antes das ideias renovadoras do Marquês de Becaria que humanizaram o Direito Penal, até aos nossos dias. Em boa hora o referido Delegado foi exonerado por Vossa Excelência sendo nomeado para aquelas funções o comissário EUDES DE ARAÚJO COSTA.


15. SUBDELEGACIA DO BAIRRO DE SÃO LÁZARO.
Atendemos Vossa Excelência o abaixo assinado de moradores deste novel núcleo populacional engastado na periferia suburbana de nossa capital, foi-nos encaminhado o referido documento para que esta Secretaria verificasse a possibilidade de ser criado o mencionado órgão policial.
Imediatamente, tomamos as medidas necessárias e mandamos ouvir tanto a Secretaria de Viação e Obras Públicas (SVOP) como o DESP (Delegacia Especializada de Segurança Pública) que se manifestaram favoravelmente pela criação dessa Subdelegacia. Através do setor competente, elaboramos o devido projeto que já foi transformado em Lei, publicado no Diário Oficial de 23 de dezembro último, criando a Subdelegacia do bairro de São Lázaro.