CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

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domingo, abril 07, 2024

MANAUS: JORNAL CULTURA

A extinta publicação JORNAL CULTURA, órgão da SEDUC (Secretaria de Educação e Cultura), editada pela FCA (Fundação Cultural do Amazonas), circulou por décadas. Com periocidade trimestral, possuía o apoio do Diário Oficial do Estado e a colaboração de inúmeros escritores e ilustradores (designers), como se observa neste número. Trata-se do nº 14, referente a julho-setembro de 1985, quando governador do Estado Henoch Reis.

Recorte da capa do Jornal
A mensagem principal saúda a data magna do Amazonas: o 5 de Setembro, com mensagem do titular do Poder Executivo. Mais adiante, relembra o IX Congresso Eucarístico Nacional, realizado nesta capital, em julho do ano anterior, cujo marco construído de madeiras regionais, de autoria do arquiteto Severiano Porto, segue ancorado no pátio da igreja de Nossa Senhora de Fátima, no bairro da Praça 14 de Janeiro. 
Recordação do encontro eucarístico

Enfim, a página compartilhada do JORNAL foi ilustrada por José Barroncas (de quem nada sei).

Ilustração de Barroncas


sábado, maio 27, 2023

POESIA DO SÁBADO

 De autoria do saudoso padre Nonato Pinheiro, membro da Academia Amazonense de Letras, que foi colaborador de todos os jornais que circularam em Manaus. Este poema foi compartilhado do Jornal Cultura (março 1983), encarte do Diário Oficial do Estado. Certamente por descuido do revisor, no fecho do poema deve-se "tronco" em lugar de "trono".




sábado, maio 13, 2023

POEMA PARA O SÁBADO

 Reavido do extinto Jornal Cultura, produzido pela Fundação Cultural do Amazonas e impresso na Imprensa Oficial, aqui vai uma obra poética do saudoso Afrânio de Castro, artista das letras e dos pinceis, morto tragicamente. E tragicamente esquecido por nosotros!

Recorte do Jornal Cultura n. 8, jan. fev. mar. 1974


quarta-feira, maio 10, 2023

NONATO PINHEIRO & FERREIRA DE CASTRO

 O texto do falecido padre Nonato Pinheiro foi compartilhado do Jornal Cultura (edição de outubro 1982), publicação da Fundação Cultural do Amazonas.

Recorte da citada publicação

Tomei conhecimento de que os Amigos de Ferreira de Castro, à frente o escritor e artista Moacyr Andrade, presidente do Instituto Brasileiro de Antropologia da Amazônia, vão erigir, sob os altos auspícios do Consulado de Portugal, um monumento a Ferreira de Castro, o celebrado autor de A SELVA, romance que o inseriu definitivamente no elenco dos intérpretes da Amazônia.

Acolhi com muita simpatia a iniciativa. Embora escritor português, o romance de Ferreira de Castro é amazônico, por essência e por excelência, já que a trama ficcionista se teceu por inteiro no seringal PARAÍSO, aquele "rasgão da floresta, aberto, como um átrio, à beira do rio", como lembraria o romancista na pequena história sentimental de A Selva.

O romance foi escrito em sete meses, de 9 de abril a 29 de novembro de 1929, tendo sido publicado em maio de 1930. Segundo depoimento do próprio ator, a obra foi acolhida em Portugal, o que não ocorreu no Brasil, onde se notou a famigerada "conjuração do silêncio", conhecida e maquiavélica trama dos que se inquietam com o brilho alheio, que incomoda os espíritos mesquinhos... Como o que é bom de difunde, a cortina foi rompida e A SELVA teve seu merecido realce nos círculos literários brasileiros. Foi reconhecido o valor do romance e proclamaram-se as excelências do prosador lusitano, sobretudo como admirável paisagista.

Examinem-se estes dois cromos fascinantes:

"E era aí que a luz dava um ar da sua graça, branqueando e tornando luzidio o pescoço de algumas árvores mais altas e restituindo, pela transparência, às asas de milhares de borboletas as suas verdadeiras cores de arco-íris fantástico". (p. 110 da 23a edição (a definitiva).

"A selva era, agora, um jogo fantástico e espetaculoso de sombras e claridades. O sol, onde encontrava furo, derramava-se em cataratas e vinha por ali abaixo, em linhas irregulares, vestindo de prata os troncos, galhos e folhas e dando transparência aos rincões obscuros. Na própria terra, ao longe, vislumbravam-se, por esta e aquela fresta, grandes toalhas de luz, sobre as quais se banqueteavam essas policromas”. (p. 129).

Busto de Ferreira de
Castro, em Manaus

Meu primeiro contato com o romance de Ferreira de Castro foi de emoção e deslumbramento. Manifestei meus sentimentos no artigo A Epifania da Selva, inserto no extinto vespertino A GAZETA. Na minha total insciência, meu saudoso amigo Figueiredo da Cruz, vice-cônsul de Portugal, enviou-lhe o recorte. Éramos quase vizinhos. Certo dia, a grande surpresa: "Honro-me em entregar-lhe esta carta de Ferreira de Castro". E ao notar meu espanto, logo acrescentou: "Enviei-lhe seu artigo e cá está a resposta". Foi o início de um intercâmbio epistolar que perdurou até ao tramonto (deixe-me usar o italianismo!) de sua fecunda existência.

Se Ferreira de Castro não possuiu a torrente verbal de Aquilino Ribeiro, o festejado autor de "Lápides Partidas" e "O Arcanjo Negro", guapo prosador e profundo conhecedor do idioma, nem as excelências estilísticas de Miguel Torga, brilha como paisagista e produtor de páginas comovedoras e empolgantes, assomando como verdadeiro precursor de neorrealismo português, entre cujos princípios alcançaram notável realce Alves Redol e Fernando Namora.

Além de A SELVA, outras obras apreciáveis nos deixou o laureado escritor, entre as quais: Os Emigrantes, A Tempestade, Eternidade e A Lã e a Neve. Foi um dos escritores portugueses mais traduzidos, ingressando com altivez no Panteão da Literatura Universal!

Divulgação (internet)

No banquete que a intelectualidade brasileira lhe ofereceu no Rio de Janeiro, comemorativo do Jubileu de A SELVA o Amazonas esteve presente. Frutas regionais ornaram a mesa festiva, enviadas de Manaus por Ildefonso Pinheiro.

Desejou, antes que se lhe apagassem as pupilas, rever o PARAISO, em cujo cenário viveu os dramas dilacerantes da selva misteriosa e implacável, como a classificou no pórtico de seu grande livro. Proibiram-no os médicos: o fatigado coração não resistiria ao maremoto das emoções em tumulto...

Sugiro que o pedestal do monumento assuma a forma de um livro, reproduzindo o frontispício da primeira edição de A Selva, lembrando aos contemporâneos e aos pósteros a importância da floresta amazônica como castália de escritores e artistas!

sábado, maio 06, 2023

POEMA DO SÁBADO

 De autoria do poeta Luiz Bacellar, que dispensa apresentação, circulado no Jornal Cultura, órgão da Superintendência Cultural do Amazonas, em outubro de 1982.



sábado, abril 29, 2023

POEMAS DO SÁBADO

 Compartilho a produção de dois poetas amazonenses - Alencar e Silva e Luiz Bacellar - encontrada no Jornal Cultura, circulado em outubro de 1982. 




sábado, julho 14, 2018

LITERATURA AMAZONENSE

Autor, traço de Anísio Mello
Para comemorar 25 anos de poesia, o saudoso poeta Jorge Tufic elaborou uma série de poemas sobre temas regionais. Deu-lhe o título de "Os mitos da criação e outros poemas", e assim reinaugurava a circulação do Jornal Cultura, publicação do Fundação Cultural do Amazonas - Seduc, relativo a março/abril de 1980. 
Compartilho este poema, cujo tema nos é bem conhecido.

Recorte da publicação
 O BOTO 
Rema, Senhor: festança vai começar.
Vento cheira à baunilha. As sombras andam
para trás, como exércitos em fuga.
Margem leste caminha vem trazendo
a lua. São Jorge fica mais perto
enquanto o dragão lhe atiça a fogueira.
Noite agora é um clarão, clarão de festa,
onde o boto apessoado comparece
com seu terno de linho. Madrugada
ele volta ao perau. Leva, nos braços
a cabocla que dorme e que parece
consentir no feitiço que a tornara
dona de um reino aquático, ou talvez
de um sonho que mãe-d’água lhe contara.