CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

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segunda-feira, novembro 27, 2017

MANAUS: "POINTS" SAUDOSOS


Hotel Cassina, estágio atual
Estas lembranças pertencem ao saudoso jornalista e empresário Belmiro Vianez, expressas em sua página, circulada em A Critica (edição de 16 maio 1999).
Há dias, circulou na rede um trabalho acadêmico sobre os locais de encontro na cidade, mais conhecidos por "zona", entre outras alcunhas. Talvez esta postagem possa, tomando o testemunho de um frequentador, emprestar uma linha mais ao esforço daquele pesquisador.

➤ Coluna do Belmiro


Saudades e Boêmia

DO HOTEL CASSINA E DO BAR DE FLORES

Hoje, o Hotel Cassina exibe os andrajos de um tempo em que imperou como uma das referências da boêmia e o Bar de Flores lembra a velha eletrola se "esgoelando", com as mesas apinhadas de cervejas "estupidamente" geladas.

E tome samba do bom e do melhor, por onde rodam os soirés de Paris, trazidos da Europa pelas polacas que com duas "maçãs no rosto" parecendo nanquim ao natural, e tome polcas, e tome maxixes, e tome boleros, e tome tangos embalando as frescas madrugadas.

O dia raiando em estilhaços de vida, os odores exalando a Royal Briar, a L'Origam e a Epreuve du Coty.

Tudo acabou, o tempo levou!

O Promessa e o Madeiras do Oriente da “Mirurgia”, marcas das melhores fragrâncias da época num tempo que se esvaiu... mas que ainda se ouve a Volta do Boêmio - com o Nelson Gonçalves de todas "as zonas", a lua lá fora espelhada no leito do Rio.

E o vento sussurrando imemoriais confidências dos Boêmios no melhor tempo das nossas serenatas da nossa juventude. Ah! tempo de paz! onde o crime e a irracionalidade não existiam e muito menos a praga da Aids. Acabou tudo!

Polacas com duas maçãs no rosto como se fossem nanquim, fazendo sala "no amor livre", das casas livres de todas as latitudes da liberdade plena.

Ah! tempos de paz! Da nossa juventude ainda sem a ameaça terrível da Aids, tempo festejado com a amizade dos verdadeiros amigos, onde o crime e a brutalidade não existiam. E muito menos a Aids. 
Acabou tudo até mesmo o épico "Café do Pina", dele restando saudades e sombras, pedaços de lua e estrofes imortais como as do nosso saudoso Farias de Carvalho, o poeta insubstituível sempre lembrado na dor e no pranto que a todos nos deixou o Clube da Madrugada, que não acaba nunca ...imortalizou-se

quarta-feira, novembro 01, 2017

DIA DE TODOS OS SANTOS

1º novembro - Dia de Todos os Santos
Lembro bem desta data quando de meu tempo de seminarista: Dia de Todos os Santos. A igreja católica lembrava os vivos, para, no dia seguinte, cultuar os mortos. Hoje os "santos" perderam a hegemonia, aparecem apenas nas charges de tantos seguidores de app virtuais.

Dito isso, vou repetir um trecho da coluna do saudoso Belmiro Vianez, veiculada em A Crítica (15 fevereiro 1976). 

Belmiro, como era mais conhecido, era português e proprietário de lojas de confecção. Participava ativamente da imprensa escrita e do rádio, como comentarista esportivo. Permaneceu na nossa lembrança até que sua última Belmiro’s fechou as portas.

CHORANDO OS NOSSOS MORTOS

Os tempos imemoriais bailam tristezas nas telas da minha saudade, reavivando contornos inesquecíveis gravados indelevelmente para sempre, por entre vivas aquarelas.

Os cinemas, os bares, as ruas de pedra, as silhuetas dos sobrados coloniais, a cidade-criança, o bonde da "Saudade" pejado de ilusões, o meu amado Olímpico assanhando rivalidades, a Kamelia, o Kandu, o Juca, os confetes, as serpentinas, o Rio Negro de faixa preta no peito, na postura do presidente Aristófano.

O desfile monumental da arte de Branco e Silva deslizando alegorias na cintilação de todos os carnavais. Tudo lindo, tudo belo, tudo arte, tudo formando caleidoscópios de sonho, no sonho da minha saudade.

O Cinema Avenida, às sextas-feiras, odorizando colos e corpos na sua Sessão das Moças. E tu, velho estandarte de uma época que te inscreveu como um dos símbolos da minha cidade! Tu, meu querido Aurélio Antunes, biologicamente passando, espiritualmente fixado no milagre da eterna juventude que tu exibias sem rugas, duas maçãs ao rosto, vendo passar a vida na filosofia de um monge. Tu e tua Yayá, por tantos anos a fio, tecendo fios d'oiro no filão das nossas vidas.

Morreu Aurélio Antunes, ali na [rua] Henrique Martins! — Por incrível que pareça, a terrível noticia, foi-me transmitida do Rio para Manaus, por um comum amigo nosso, o Calderaro, que tu viste como a nós nos assististes nos filmes de Mickey Rooney, transando com a Shirley Temple.

E eu aqui, a seis jardas da tua urna, soterrado na materialização desta cidade, já agora despojada de tudo, sem saber da tua partida. Incrível, mas pura verdade. Morreu Aurélio Antunes, como antes já havia morrido o nosso Cinema Avenida.

E nem um registro. E nem uma lágrima vertida por uma comunidade que ingratamente te esqueceu. A ti, que foste página esmaltada da sua história que é a estória de toda a gente que aqui nasceu, e que aqui viveu durante três partes de um século.


Li no Bazar do Limongi. E só. Mas aqui tens, meu velho e saudoso Aurélio Antunes, a fragrância da nossa ternura exalada pelo perfume das rosas e das musas do nosso respeito e da nossa saudade... 

terça-feira, agosto 31, 2010

Memorial Amazonense XXXI

Agosto, 31


1925 – Nasceu em Póvoa de Varzim (POR), Belmiro Gonçalves Vianez, filho de Abel e Maria Abadia Gonçalves Vianez. Aos 13 anos, desembarcou em Manaus, onde concluiu o ensino médio no Colégio Dom Bosco. Ingressou como office boy na Casa Chico Preto e, em 1971, fundou a loja Belmiro’s, na avenida Sete de Setembro. Esta marca, que ainda se encontra funcionando, teve forte presença na cidade.
Como jornalista, teve participação no rádio e TV da Capital, em especial, nos comentários esportivos bem humorados. Em 1949, participou da fundação do jornal A Critica. Foi casado com Maria Ambrozina de Albuquerque Vianez.
Foi agraciado com o título de Cidadão do Amazonas e com a medalha do Mérito Cidade de Manaus. Morreu em Manaus.

1946 – João Nogueira da Matta assume como interino a Interventoria Federal do Amazonas. Adiante, passou o governo ao tenente-coronel EB Sizeno Sarmento

2001 – Osias Rodrigues Monteiro tomou posse na Superintendência da SUFRAMA.

2004 – Morreu em Manaus, Maria Luiza Antony Parente, filha de Aristophano Antony e viúva do ex-senador Raimundo Parente.

2009 –Morreu em Manaus, vítima de acidente de trânsito, o professor Garcytilzo do Lago e Silva. Nascido em Parintins (AM), foi professor da Universidade Federal do Amazonas, por décadas. Seu corpo foi velado no Instituto Cultural Brasil-Estados Unidos (Icbeu), situado na av. Joaquim Nabuco, e sepultado no cemitério São João.