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quarta-feira, janeiro 15, 2020

EXPLOSÃO DA CALDEIRA: 50 ANOS (2)


Explosão da caldeira da Lavandaria da Santa Casa.


Ainda do extinto jornal A Notícia (edição de 15 janeiro 1970), em seu trabalho jornalístico. As fotos ilustram essa tragédia, que julgo ter fornecido à Santa Casa o início de sua derrocada.



O governador Danilo Areosa esteve presente ao local assim que soube da tragédia. Lá permaneceu bastante tempo sendo inteirado das providências e determinado outras para a assistências às vítimas. Veem-se também os policiais Danilo Silva (quase presente à tragédia) e Geraldo Dias, e o dr. Jorge Abrahim, ex-provedor da Santa Casa.


A violência do impacto causado pelo deslocamento de ar da explosão é visível na parede da casa de esquina das ruas Lobo D'Almada com José Clemente. Aí brincavam cinco crianças que foram atingidas. No canto da foto estão presentes os enormes blocos deslocados do paredão de pedra que sustenta o terreno onde se localiza a lavanderia.  

Nota própria: a edificação que aparece ao fundo foi modificada, abrigando hoje uma pastelaria.


Tomada poucos minutos após a ocorrência, a foto mostra os destroços fumegantes da caldeira e os estragos que a explosão produziu no prédio, muro e paredão de pedra.

EXPLOSÃO DA CALDEIRA: 50 ANOS


Ontem, 14 de janeiro, ocorreu o cinquentenário de um trágico episódio: a explosão da caldeira da Santa Casa de Misericórdia. Mortos e feridos e larga destruição marcaram aquela instituição de saúde. O desastre levou os manauaras à consternação, posto que o próprio governador, Danilo Areosa, e o prefeito, Paulo Nery, estiveram no local para acudir às precisões.
No cruzamento das ruas Lobo D’Almada e José Clemente funciona o Caldeira, um bar bem movimentado que guarda no título comercial aquela olvidada explosão. Recorri ao extinto jornal A Notícia (edição de 15) para ilustrar esta tragédia, que julgo ter dado à Santa Casa o início de sua derrocada.

Resultado da tragédia (fotos de A Notícia) 

O seu barulho já era familiar para a vizinhança. Nas noites escuras, era bonito quando, pelas suas chaminés, escapavam milhares de fagulhas que lembravam uma "Maria-Fumaça", arrancando da estação. O seu apito, longo ou curto, criou um anedotário. Quando era curto dizia-se: "morreu um pobre"; se saia longo, era porque havia morrido "um rico". Não era nada disso O apito era o esvaziamento de suas câmaras, aliviando a pressão do vapor, utilizada há mais de 20 anos para lavar a roupa da Santa Casa de Misericórdia.
Ontem, não havia apitado. E o fato não passou despercebido a alguns dos habituais ouvintes. E, às 9h45, explodiu. Pareceu um terremoto. 

Arrebentou casa, paredes, paredão. Levou como um bólido dois dos seus servidores, estatelando-lhes os corpos deformados no asfalto da rua José Clemente, de onde foram recolhidos, disformes, sem vida. Uma outra vítima morreu do choque. Outras ainda sofrem, de modo grave. Até crianças, que brincavam na rua, distantes sofreram. Pedaços de pernas-mancas, pedras volumosas, caliças, voaram a dezenas de metros de distância e foram danificar telhados, janelas, vidraças, paredes e pessoas.

Por que ela explodiu? De velha, disseram uns. Porque já estava rachada e ontem não deveria ter sido posta em funcionamento. Quem a conheceu bem deu-nos sua nacionalidade: era francesa, tinha mais ou menos 20 anos. De válvula manual, o operador devia acioná-la para descarregar a pressão toda vez que esta chegava a determinado ponto. Então, duas hipóteses estão na raiz da tragédia: a pressão subiu além da segurança e o operador descuidou-se, ou estava sem água e esta foi ligada abruptamente e provocou as explosões.
Sim. Pois não foi só uma. Após a primeira, grande, estrondosa, brutal, os socorros foram demorados, pelas outras que se seguiram, acompanhadas, ainda, das descargas elétricas de fios de alta-tensão, que se arrebentaram e tornaram os trechos da [rua] Lobo D'Almada e [rua] José Clemente, um inferno, na manhã de ontem.

Explodiu a caldeira da Lavandaria da Santa Casa.