CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

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terça-feira, dezembro 17, 2019

BEA: BANCO DO ESTADO DO AMAZONAS


O BEA (Banco do Estado do Amazonas) desapareceu no início deste século, quando foi incorporado pelo Bradesco. Todavia, cumpriu sua destinação ao tempo que os Estados possuíam sua Casa Bancária, pouquíssimos ainda a mantém. Voltando ao BEA. Ele chegou distante, tanto que fundou uma agência no então estado da Guanabara, em nossos dias Rio de Janeiro.
Quem nos oferece um descorado registro desse avanço é Armando Segadilha, de certo um funcionário do banco. Em texto publicado no Jornal do Commercio (9 novembro 1969). 
Recorte do mencionado jornal
Não é possível negar a feliz iniciativa do nosso Governo, criando aqui na Guanabara uma filial do Banco do Estado do Amazonas. Entidade creditícia que em pouco tempo já está com sua condição firmada em todos os setores deste Estado, pelo acerto, zelo e probidade dos seus dirigentes, tendo à frente o senhor Raimundo Carvalho de Viveiros, gerente, Otaviano Gonçalves Cardoso Neto, subgerente, Cesar Gondim Pereira, tesoureiro, Maria do Perpétuo Socorro Freire Cardoso, chefe de Serviço, Marcondes da Silva Zany, subchefe de Serviço, e todos os demais funcionários, que com dedicação e fidalguia de trato atendem todos quantos necessitam dos serviços do nosso Banco.
Verificar a plenitude do progresso do Banco do Estado do Amazonas na Guanabara, onde proliferam bancos de todos os Estados do Brasil e porque não dizer do Mundo inteiro, é ter a afirmação da segurança e equilíbrio nas operações efetuadas, cujo lema é: atender bem para bem servir. A expansão do movimento bancário é a prova provada, da confiança que o povo já adquiriu com a lisura e idoneidade de suas transações.
E mais ainda, a agência do Banco do Estado do Amazonas na Guanabara, como atestado positivo da sua grande atuação, conseguiu nos Estados Unidos da América, com banqueiros alemães, um empréstimo de Dez Milhões de Dólares, a fim de que o DERAM [Departamento de Estradas de Rodagem do Amazonas] possa dar execução aos seus programas rodoviários, concretizando as metas traçadas, que se transformarão em realidade para benefício geral de todo o gigante Amazonas.
Parabéns ao Governo do Amazonas, à direção e demais funcionários da nossa Agência no Estado da Guanabara. 
Rio de Janeiro, 5 de novembro de 1969

quinta-feira, agosto 12, 2010

Revolução ginasiana - 1930

A Crítica. Manaus, 11 agosto 1980

Os protagonistas desta cena memorável, certamente já prestaram contas com o Altissimo. Acredito que o último deles foi o professor Mário Ypiranga Monteiro, morto há cinco anos.

A Crítica. Manaus, 11 agosto 1980

Hoje - 12 de agosto - o movimento de rebeldia realizado pelos estudantes do Ginásio Amazonense, em 1930, completa 80 anos, marcando a história revolucionária do Amazonas. Este conflito, bem regional, prosperou na esteira de outro bem mais revolucionário, que acabou por substituir o presidente da República. O resto da história, nós conhecemos com profundidade.

Dois estudantes de então - Armando Segadilha e Ney Rayol - na comemoração das bodas de ouro, narram com detalhes o motim. Embora esqueçam alguns fatos e supervalorizem outros, culpam eles à velhice, os textos oferecem a dimensão do empenho juvenil, que, apoiado por mestres do Ginásio, obteve a seu modo consagradora vitória.
Não pode ser esquecido outro ginasiano competente, que contou em livro a rebelião: trata-se do saudoso Mário Ypiranga, autor de Motim Ginasiano.

Vitoriosos, em novembro, com a posse de Getúlio Vargas, os ginasianos ocuparam a porta do Palácio Rio Negro para exigir a saida do Governador, Dorval Pires Porto. E mais, caçaram aos policiais civis que integraram a repressão de agosto.
Segadilha relembra que empossado Vargas, em Manaus, desapareceu a Polícia Militar. E, nessa condição, Manaus foi "policiada" pelos estudantes. Deve ter sido um primor de Cidade.
Há 50 anos ainda havia quem fosse à Igreja para rezar por aqueles "jovens" entusiasmados. Hoje, nada haverá. Fica aqui o registro.

A Crítica. Manaus, 11 agosto 1980