São dois poemas de AMÉRICO ANTONY (1895-1970) publicados em A Crítica, em dezembro de 1957. Meus abraços aos Pais de minha casa.
Nas divinas cisternas de astros louros
Meu pensamento vai bebendo a Vida
Daquelas sendas da manhã vivida
Nas peregrinas vozes dos tesouros;
É dele o sonho em fontes, bebedouros
Onde a alma se alimenta, já ferida
Como ave triste, sem pousada, caída
Dos temporais, dos torvos sorvedouros;
Lá, das almeias das estrelas, sente
Dos êxtases, radiar o mais silente
Universo, em libélulas de opala:
São faúlhas incriadas de infinitos
A povoações de mundos mais benditos
Onde, o Silêncio, adormecendo, fala...
A Saudade se fez um íntimo da Mata:
Foi viver nos cristais, de igarapés, no alfombra,
Fez da Floresta a voz dos seus lábios de sombra,
Da auriflama nos trons dos longes da cascata.
Fez-se o exílio da luz, crisálida em sonata,
Solar da Tradição que em séculos se ensombra.
Batentes do alcantil que pouco a pouco encombra
A escalada do ideal dos astros de oiro e prata:
Fez-se flor de remanso adorando a penumbra,
Renúncia do presente a suspirar, res umbra
De idades através reconstruindo um ninho:
Tecido de ansiedade à Paz que ela gorjeia
Como Ave do Silêncio onde emoções semeia
Para o eterno florir do Encanto e do Carinho!
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