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domingo, agosto 09, 2026

POESIA DOMINICAL (34)

 São dois poemas de AMÉRICO ANTONY (1895-1970) publicados em A Crítica, em dezembro de 1957. Meus abraços aos Pais de minha casa. 

Américo Antony

A Crítica, 7 dezembro 1957

 

Nas divinas cisternas de astros louros

Meu pensamento vai bebendo a Vida

Daquelas sendas da manhã vivida

Nas peregrinas vozes dos tesouros;

É dele o sonho em fontes, bebedouros

Onde a alma se alimenta, já ferida

Como ave triste, sem pousada, caída

Dos temporais, dos torvos sorvedouros;

Lá, das almeias das estrelas, sente

Dos êxtases, radiar o mais silente

Universo, em libélulas de opala:

São faúlhas incriadas de infinitos

A povoações de mundos mais benditos

Onde, o Silêncio, adormecendo, fala...

 

 

A Crítica, 4 dezembro 1957

 

A Saudade se fez um íntimo da Mata:

Foi viver nos cristais, de igarapés, no alfombra,

Fez da Floresta a voz dos seus lábios de sombra,

Da auriflama nos trons dos longes da cascata.

Fez-se o exílio da luz, crisálida em sonata,

Solar da Tradição que em séculos se ensombra. 

Batentes do alcantil que pouco a pouco encombra

A escalada do ideal dos astros de oiro e prata:

Fez-se flor de remanso adorando a penumbra, 

Renúncia do presente a suspirar, res umbra

De idades através reconstruindo um ninho:

Tecido de ansiedade à Paz que ela gorjeia

Como Ave do Silêncio onde emoções semeia

Para o eterno florir do Encanto e do Carinho!

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