Quando da passagem do terceiro centenário de criação da capital amazonense, em1969, o acadêmico Robério Braga publicou o artigo aqui postado.
Manaus, tem uma área de 14.500 quilômetros quadrados,
com uma população de aproximadamente 300.000 habitantes, sua temperatura média
é de 26° C. Está a 40m33 acima do nível do mar, situada à margem esquerda do rio
Negro, a 1.700 km do Oceano Atlântico. Há duas estações, não são propriamente o
Inverno e o Verão, e sim, a temperatura de chuva e a de estiagem. Conta com
mais de 270 Grupos Escolares diversos Ginásios, sendo uns mantidos pelo Estado,
outros pela Prefeitura, e há ainda os particulares. Além das bibliotecas de
cada colégio, existe a Biblioteca Pública do Estado, a do Instituto Nacional de
Pesquisas da Amazônia e a do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas.
Existem 5 jornais, 4 emissoras de rádio, e uma estação
de televisão; 10 cinemas, e além dos teatros de cada escola nós temos o Teatro
da Divina Providência, o Teatro do Luso e o Teatro Amazonas, um monumento histórico
de real valor arquitetônico, que desafia as épocas da nova arquitetura.
Na formação esportiva, conta com cerca de 12
clubes, sociais e esportivos, possuidores em sua maioria de quadra para
esportes, além de academia de Judô, Defesa Pessoal e Luta Livre. Como forja de
formação dos jovens em Manaus, podemos citar o Escotismo, para o qual existem
10 Grupos, com aproximadamente 600 escoteiros.
Temos ainda clubes de caráter intelectual, como o Clube
da Madrugada, Clube Mário de Andrade, Teatro Escola Amazonense de Amadores,
Teatro Jovem do Amazonas, Teatro Experimental do SESC-SENAC, Teatro Universitário,
e vários outros grupos da arte que em Manaus, teve nos últimos tempos, seu
expoente máximo na pessoa de Américo Alvarez, para, no campo do cinema, encontrarmos
o GEC (Grupo de Estudos Cinematográficos).
São 5 as faculdades que compõem a Universidade do
Amazonas, e vale aqui ressaltar a existência da Escola Professor Abílio
Alencar, no quilômetro 35 da Estrada Manaus-Itacoatiara [hoje AM-010].
COISAS DO PASSADO DE MANAUS
Em 1906, o Dr. Afonso Pena, à época presidente da
República, veio assentar a “primeira pedra” do prédio da atual Alfândega de
Manaus e tal empolgado ficou pelo desenvolvimento desta terra, que em seu
discurso disse: “Manaus é uma revelação da República”. Pouco tempo depois,
faleceu, quando então surgiram conversas de que “ele foi morto, porque se
interessou pelos problemas do Amazonas”.
— Antônio Bittencourt foi preso, quando deixou por
uma das vezes o governo, de pijama quando estava passeando na calçada de sua
casa com seus netos. Voltando ao governo determinou a prisão, por um dos seus
homens do determinante de sua prisão anterior, que foi levado para a Força
Policial em trajes bem menores (cueca).
— Rêgo
Monteiro, determinava a prisão dos ladrões e prostitutas, após o que mandava
que se pelasse a cabeça dos mesmos para um desfile pelas ruas com a Banda da Força
Policial à frente. Era Chefe de Polícia, o Coronel José Travassos Maranhão.
— Eduardo Ribeiro, com seu tradicional terno de listras
e seu eterno acompanhante o guarda-sol e chapéu de massa, supervisionando as
obras do Teatro Amazonas, percebeu que a massa (cimento), que estava sendo
usada não era a que havia sido contratada com o mestre daquela obra, preparou
com suas próprias mãos a verdadeira massa e determinou em seguida a derrubada
de toda a parte esquerda da amurada do Teatro Amazonas. Referente ao caso,
disse à altura um pedreiro de nacionalidade portuguesa: “se o AMAZONAS tivesse
3 “pensadores”, esta terra seria um colosso”.
— Antônio Bittencourt, governador em época de revolução,
deu a sua palavra, segurando em seu característico cavanhaque, que não
permitiria a sua queda do governo, para o que recebeu o apoio do seu Cmt da Força
Policial, que espalhou bombas por toda a atual Praça da Polícia, e ficou
acompanhado de um corneteiro e seu ordenança, sentado à porta principal, com o
acionador das mesmas em mãos, para defender a qualquer preço o sistema de governo
do Coronel Bittencourt. Porém, pensando melhor, disse ele, com muitos conselhos
que lhe foram dados, o Coronel António Bittencourt resolveu, chamar seu Cmt Coronel
Pedro de Souza, por sinal cearense, para avisá-lo de que desistia do governo.
Pedro de Souza, após dirigir palavras de caráter informativo, zangou-se e
arrancando os galões de sua farda, jogou-os em cima do governador, saindo em
seguida. Daí, Antônio Bittencourt seguiu para Belém, para retornar com ordens
de assumir novamente o governo.

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