CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

22 de maio de 2016

MENSAGEM DO IGHA

Proferindo o discurso no IHGG
Em comemoração ao 70º aniversário de fundação do Instituto Histórico e Geográfico de Goiás, proferi na condição de presidente interino, em outubro de 2002, a Comunicação que vai aqui postada.


Senhor Presidente
Senhoras e Senhores 
                                                                            
Faustoso encontro nacional de Institutos Históricos acaba de se instalar nesta capital, permitindo aos participantes um novo e sempre revigorante momento de júbilo e, igualmente, um instante de reflexão. Aqui viemos para solenizar a data e congraçar com os associados do Instituto Histórico e Geográfico de Goiás (IHGG) pela respeitável data de 7 de outubro de 1932.

São sete décadas de atividade desse sodalício que, sob a direção de Mendonça Telles, ainda tem muito a escrever não apenas sobre a prosperidade da Casa da Memória, mas para vulgarizar a saga de homens e mulheres que diuturnamente constroem este grandioso Estado. Seja, pois, a primeira parte desta Comunicação destinada às justas felicitações ao IHGG pelo alvissareiro aniversário.

Certamente uma entidade que já ultrapassou esta etapa de vida, pode expressar com mais conforto, ou desconforto pela mesma razão, o valor do significado da efeméride. Venho da Amazônia ocidental conduzindo uma pequena chama representativa do valor, da importância destes organismos de cultura no país - refiro-me aos Institutos Históricos estaduais - para dedicar ao jovem aniversariante.

Desembarco com a incumbência firmada por meus pares de abraçar pela data aos dirigentes e associados do IHGG. Trago, enfim, do IGHA os ardorosos votos de sucesso, os anseios de desenvolvimento e os desejos ardentes de prosperidade para o IHGG.

Meu caro presidente Mendonça Telles, o recado está posto, ao vivo e em cores, que surta os efeitos com que foram incensados pelos caciques da "terra de Ajuricaba".

A segunda parte desta Comunicação diz respeito ao próprio IGHA, que vai bem, obrigado. A despeito de "bem, obrigado", falta alguma coisa para consolidar sua prosperidade. Solicito pois pequena atenção para esta reflexão. Relatei, em outro instante, que o IGHA reencontrou um presidente bem relacionado com os Poderes Constituídos, do que vem resultando em boa soma de recursos financeiros. Com estes, completou a restauração da sede social, dotando-a de recursos técnicos compatíveis com a modernidade, e ainda adquiriu dois imóveis para ampliá-la. Outro benefício, a artéria onde se encontra situado foi devidamente revitalizada pelo governo municipal, emprestando ao Centro Histórico, onde se situa, um maior alento.

Entretanto, mesmo diante de tantos benefícios, sinto que o IGHA não se move com leveza, com galhardia, com desenvoltura. Algo lhe causa desalento. Que será? Suspeito que careça de alma. Como é importante a uma casa que tenha alma, para melhor consolidar sua história. Cumpre lembrar que pouco ou quase nada conseguimos avançar, desde o último Colóquio realizado no Rio de Janeiro.
De outra maneira, isolado pela geografia o IGHA padece sob esse enorme peso e, consequentemente, não prospera com desenvoltura. Afinal, onde encontrar a alma dessa corporação? Encontra-se nos sócios? Essa fixação com os associados precisa ser explicada, para isso busquei a opinião de ex-presidente da Casa de Bernardo Ramos. Observou que o desafio é antigo, e o desconsolo aflige a instituição amazonense há algumas décadas.
Momento da leitura da Comunicação

O ex-presidente, lamentando as faltas sentidas ou o reduzido interesse dos associados, arguia: "Porque as forças contemporâneas estão enfraquecendo com a sociedade, vislumbrando rumos que fogem ao deleite cultural, à pesquisa apurada, à dedicação diária ao Instituto vividas por todos os que já partiram para a terra da beleza e do fulgor dos espíritos iluminados".

Em outro trecho, relembrou que "corre o mundo, correm os tempos, mudamos nós por imposição da necessidade de sobrevivência material e o Instituto cede lugar a estas aspirações novas que não casam com as suas verdades tradicionais, com a sua história, com a sua filosofia". Enfim, o exército - referindo-se aos sócios - "que não está salvando o eterno, porque o Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas é eterno, mas que está querendo ampliar as suas fronteiras, abrir as suas portas, receber os mais novos, dar a conhecer os seus arquivos, os artistas de seus membros, ter vida, (...). Está sendo reduzido a cada ano, mas a bandeira estará hasteada e há de ter um novo cristão, um novo historiador, um grupo mais jovem que a faça permanecer de pé, sem quedar um só instante, para que não se manche a honra e a glória de tantos homens de valor do nosso passado aos quais, sempre que nos lembramos, damos glórias e muitas glórias".

Encerro a reflexão e a Comunicação com a leitura de uma composição elaborada por jovem Valor da Terra amazonense. Na condição de presidente interino, tomei-a por lema de trabalho, para bandeira de uma campanha de renovação no IGHA, coincidência, Renovação é o título da canção, e o autor o jovem conhecido por Candinho.
É hora de jogar as coisas velhas fora deste quarto.
Tomar nas mãos o leme desse barco,
Sair da tempestade por ordem do tempo,
Sair de encontro ao vento cheio de vontade.
Contar de novo a história como há muito tempo
Já não se ouve mais, nem se contou verdade.

Com o fraternal canto amazônico, renovo os votos de congratulações, os agradecimentos pela acolhida, e de sucesso pleno ao IHGG.