CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

7 de maio de 2016

INSTITUTOS HISTÓRICOS: COLÓQUIO BRASILEIRO (2)

Roberto Mendonça
Abaixo, a segunda parte do meu discurso proferido no Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, proferido por ocasião do III Colóquio de Institutos estaduais, em outubro de 2001.


Abro aqui um espaço para uma justa publicidade do governo do Estado que, através da Secretaria de Cultura, vem ativando ousados projetos  no Amazonas: (1) a organização de uma orquestra filarmônica, composta basicamente por músicos estrangeiros, com destaque para os oriundos do leste europeu; (2) a  criação do Festival de Operas, que já se encontra no sexto ano consecutivo de atividade; (3) a presença dos músicos ensejou o ensino de música e a prática de instrumentos para jovens; (4) a criação de alguns teatros menores, distintos do exuberante Teatro Amazonas; (5) a instalação de uma Biblioteca Virtual com obras de referência da historiografia amazonense, a ser implantada na Internet, sob o gerenciamento do IGHA, e, finalmente, (6) a aquisição e inauguração, no próximo dia 6 de novembro, da biblioteca particular do professor Arthur Cézar Ferreira Reis, que integrou por anos a diretoria do IHG Brasileiro.

Assim, pois, a Casa de Bernardo Ramos tem usufruído deste desenvolvimento cultural que perpassa o Estado. A biblioteca Ramayana de Chevalier, que acabo de mencionar, foi entregue a especialistas para que ultimem a sua recuperação. Ao final do trabalho, que deve ocorrer antes do ano novo, a mesma será disposta ao público devidamente informatizada. Para tanto, já foram adquiridos microcomputadores e acessórios bastante para a modernização do esforço bibliográfico.

Há ainda na Casa toda uma operação para digitalizar e/ou digitar os clássicos arquivos, transmudando-os em dados informatizados. Da mesma maneira, os arquivos de fotografias e as Atas de diferentes épocas brevemente estarão disponíveis em Cd Rom.
Todo este esforço se fundamenta na crença de que as ferramentas da Informática devem ser utilizadas em nossos Institutos, se quisermos avançar. Penso que a legislação que nos norteia ainda tem um sentido regencial, memória imperial. Penso que proximamente os sócios correspondentes serão substituídos por sócios internautas; afinal, não mais se indaga pelo endereço postal, mas pelo e-mail, o endereço eletrônico. 

Senhor Presidente:

A descrição sucinta de toda esta situação vivenciada pelo Instituto Amazonense visa caracterizar a situação de desconforto financeiro que acomete a maioria dos congêneres. É preciso, pois, insurgir-se com categoria. A aquisição de micros, que tantos nos interessa, vem sendo financiada pelos governos aos particulares. Que razões nos obstam, nos bloqueiam para aproveitarmos tais ofertas? Não cabe aqui pensar em terceirizar algum serviço prestado pelos Institutos, como a exploração de museu, quando teríamos uma melhor apresentação e obtenção de recursos de alguma forma.
Breve, no IGHA, quando tivermos inaugurado os serviços almejados, e obtido algum sucesso, avançaremos para estender nossa credibilidade. Alcançado este objetivo, será momento de buscar novas doações, utilizando, para tanto, a mídia estatal.
 
Sede do IGHA, na rua Bernardo Ramos, em Manaus
Desejo satisfazer neste espaço outro questionamento proposto: o do relacionamento com a Universidade. Para ser bem prático, o IGHA não abriga entre os seus sócios efetivos nenhum graduado em História ou Geografia. Que contrassenso! A consternação nesta ocasião não é total, porque acabamos de aprovar o ingresso de dois candidatos com estes atributos, na esperança de, em curto tempo, contornar o precário diálogo existente entre estes organismos.

Também estou inteiramente de acordo com o aproveitamento da legislação das Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP). Por assim entender, nossa instituição vem envidando esforços, organizando os documentos pertinentes para a obtenção do registro.

Que sejam as derradeiras palavras desta Comunicação do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas, de saudação, repletas de amazonicidade, aos presentes e, em particular, a todos quantos organizaram este Colóquio. E de estímulo, aos que se entusiasmam em congregar em diferentes pontos do País os dirigentes dos Institutos Históricos. Qualquer que seja a dimensão do Encontro, caríssimo presidente do IHG Paraibano, confrade Luis Hugo Guimarães, sempre resultará em melhoramentos.


Com meu fraterno abraço amazônico, muito obrigado!