CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

10 de maio de 2016

IGHA: TÓPICO PARA O CENTENÁRIO

O festejo do cinquentenário do IGHA foi assim descrito pelo associado André Jobim, em sua coluna Velhos Tempos, encartada em O Jornal – domingo, 23 de abril de 1967.

VELHOS TEMPOS 

                                                              
Realizou o Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas, a sua primeira festa em comemoração aos seus 50 anos de existência, na noite do dia 17 de março de 1967. Aberta a sessão pelo presidente, Des. João Pereira Machado Júnior teve, ao seu lado o Dr. Mário Jorge de Couto Lopes, digno representante do Governador do Estado, Sr. Danilo Duarte de Matos Areosa.

Iniciada a sessão, disse o Des. Presidente dos propósitos daquelas festividades congratulando-se com os presentes em prestigiar uma entidade cultural, cuja história constitui um marco de glórias para a intelectualidade amazonense.

A seguir, usou da palavra o professor João Bosco Evangelista, dizendo o jovem orador da União Brasileira de Escritores do Amazonas, dos objetivos de seus companheiros no congraçamento intelectual da juventude amazonense, irmanados com os ideais de bem servir ao soerguimento da cultura desta terra, no qual estava com a sua tradição gloriosa, o Instituto.

A seguir, o Presidente deu a palavra ao conferencista da noite, Des. André Vidal de Araújo, que abordou com raro brilho e cultura o tema “A Antropologia Filosófica”, de Pierre Teilhard de Cardin, empolgando por vezes, o auditório seleto, pela beleza da sua eloquência e erudição.
Finalizando a noite de gala vivida, depois de um interregno longínquo, o orador oficial, padre Raimundo Nonato Pinheiro, com sua palavra fácil, teceu ligeiramente comentários sobre a vida do Instituto: referindo-se aos oradores que o precederam e especialmente ao conferencista, Des. André Vidal de Araújo; Dr. Mário Jorge do Couto Lopes; o representante do Comando da Força Federal no Amazonas; Dr. Gilvandro Raposo da Câmara; Sr. Venâncio Igrejas Lopes e a todos que se fizeram presentes a uma festa tão bonita, classificando a festa de ouro em que o Instituto iniciava os festejos também de ouro do seu cinquentenário, como também a conferência e o conferencista, homem de dotes aprimorados de inteligência e cultura.

Por fim, fez uso da palavra o representante do Sr. Governador do Estado, agradecendo as deferências recebidas, registrando seu entusiasmo pelo alevantamento daquele sodalício, finda a qual, o desembargador Presidente encerrou a sessão demorando-se ainda os presentes na visitação das dependências do IGHA, tendo para nós outros palavras de carinho, e respeito e admiração a imponência das festividades e da “Casa da Memória Amazonense”.

Intelectual do passado, frutos de uma época não muito remota, em que a preocupação do alto custo de vida, a política e a deficiência dos costumes educativos, deixaram-nos uma marca indelével no povo desta terra e que, a muito custo começa a reviver e a se integrar aos estudos da beleza da ciência, das letras e da história. Mesmo assim a imponência com que se abriram as festividades do conquentenário do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas, para mais uma vez glorificá-los na vida desse grande povo.

Não foram em vão as noites de vigílias, as intranquilidades e os receios de que fosse o nosso trabalho julgado à altura do que realizamos para bem servir a este Estado.
Todo iluminado, o Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas reviveu, como nunca os velhos tempos... Vimos passar na nossa mente, os vultos que ali pontificaram e cantaram hinos de glórias e de aleluias, para que nós, o povo que tudo vê, anota e observa pudéssemos reverenciar as memórias daqueles abnegados estudiosos...

Sentimos também as ausências dos mestres hoje vivos, para que rendêssemos, como é devido, as nossas homenagens nas venerandas figuras de Agnelo Bittencourt e Manoel Anísio Jobim, que o tempo os impossibilitou de estarem presentes e repartindo com nós outros, as alegrias e as homenagens deste glorioso cinquentenário da “Casa de Memória Amazonense”...