CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

segunda-feira, abril 08, 2024

PM AMAZONAS: ANIVERSÁRIO HÁ 50 ANOS

Há 50 anos, sendo comandante-geral o tenente-coronel EB Luci Vicente Coutinho de Castro, e a sede da corporação instalada na praça Heliodoro Balbi, que a tradição crismou de Praça da Polícia, foi desse modo relembrado aquele aniversário. 

Cópia do destaque do JC, 4 abr. 1974

Todos os matutinos da cidade destacaram em página inteira a festa, cada um detalhando um aspecto da Força Policial. Creio que o resultado dessa ampla cobertura coube ao empenho da PM5 (5ª Seção), responsável pelas então relações públicas.

Compartilho recortes de dois jornais, sendo que um deles descreveu o programa cumprido pela data - 4 de abril de 1974, que vai abaixo transcrito. 

Recorte de O Jornal, de 4 abr. 1974, que
publicou a programação abaixo

É a seguinte a programação da PMAM (Polícia Militar do Amazonas) para o dia de seu aniversário:

Às 6h. - toque da “Alvorada” e cântico da canção da PMAM em fita magnética, em todas as emissoras de Radiodifusão do Estado;

Alvorada festiva pela Banda de Música na Praça do Congresso;

Às 8h. - será hasteado o Pavilhão Nacional, em todos os quarteis da PMAM;

Às 9h. - ocorrerá a solenidade militar na área fronteiriça ao QCG (Praça da Polícia);

Às 10h30 - será oferecido coquetel às autoridades e convidados;

Às 17h. - o Arcebispo Metropolitano, Dom João de Souza Lima, oficiará missa em Ação de Graças na Catedral Metropolitana de Manaus;

Às 18h. - retreta pela Banda de Música na Praça Heliodoro Balbi e, finalmente, à noite;

Às 20h. O Governador do Estado oferecerá um jantar à oficialidade da PMAM e convidados.

 

domingo, abril 07, 2024

MANAUS: JORNAL CULTURA

A extinta publicação JORNAL CULTURA, órgão da SEDUC (Secretaria de Educação e Cultura), editada pela FCA (Fundação Cultural do Amazonas), circulou por décadas. Com periocidade trimestral, possuía o apoio do Diário Oficial do Estado e a colaboração de inúmeros escritores e ilustradores (designers), como se observa neste número. Trata-se do nº 14, referente a julho-setembro de 1985, quando governador do Estado Henoch Reis.

Recorte da capa do Jornal
A mensagem principal saúda a data magna do Amazonas: o 5 de Setembro, com mensagem do titular do Poder Executivo. Mais adiante, relembra o IX Congresso Eucarístico Nacional, realizado nesta capital, em julho do ano anterior, cujo marco construído de madeiras regionais, de autoria do arquiteto Severiano Porto, segue ancorado no pátio da igreja de Nossa Senhora de Fátima, no bairro da Praça 14 de Janeiro. 
Recordação do encontro eucarístico

Enfim, a página compartilhada do JORNAL foi ilustrada por José Barroncas (de quem nada sei).

Ilustração de Barroncas


sexta-feira, abril 05, 2024

ARQUIVO HISTÓRICO DO CORPO DE BOMBEIROS (2)

O CBMAM (Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas) foi criado em julho de 1876, meses depois do surgimento da Guarda Policial, atualmente Polícia Militar do Amazonas (esta
a posteriori demudou sua data de inauguração). Os Bombeiros surgiram não como entidade militar, mas apenas como acerto de funções que diversos órgãos provinciais executavam em caso de incêndio. Desse modo se manteve até o advento da República, embora sem grande definição, pois a mudança de governantes estaduais ocorria de modo confuso.

Cópia do decreto

Somente no governo de Eduardo Ribeiro (1891-96) acontecem algumas importantes iniciativas: o desembarque em janeiro de 1892 de graduados do Corpo de Bombeiros do Distrito Federal para instruir o pessoal amazonense; os Bombeiros são subordinados à Força Estadual e, finalmente, em 15 de dezembro do mesmo ano a promulgação do decreto 12, estabelecendo o Regulamento da Companhia de Bombeiros do Estado. Trata-se da primeira legislação a dirigir os serviços de extinção de incêndios na capital amazonense.

quarta-feira, abril 03, 2024

PM AMAZONAS: AOS 187 ANOS

Amanhã, 04, a PMAM (Polícia Militar do Amazonas) completa 187 anos de vivência. Diante desta existência, é óbvio que foi contemplada com etapas brilhantes e outras nenhum tanto, como sua desativação (1930-36) à época do regime de Getúlio Vargas. No mesmo diapasão, a mudança de nomenclatura em decorrência da centenária Rebelião de Ribeiro Junior (1924). Todavia, “em Canudos, com sangue batizado” celebra com ênfase a participação naquele conflito fratricida, ocorrido na Bahia (1897).

Cartão Postal cerca de 1910

É regra castrense a elaboração da Ordem do Dia sobre a efeméride, desse modo, são tantas disponibilizadas quantos os aniversários. Escolhi, todavia, o texto do saudoso prof. Mário Ypiranga Monteiro sobre a Polícia Militar do Estado, circulado em A Crítica, de 6 de abril de 1983. Assim sendo, homenageando a corporação por sua data magna. Nele introduzi entre parênteses algum dado para melhor compreensão do leitor. 

Recorte do artigo referenciado

Quando se comemorava o aniversário de criação da Polícia Militar do Estado do Amazonas, calculando-se apenas o evento do ato que criou o Regimento Militar, por Eduardo Gonçalves Ribeiro, sugeri ao então coronel comandante Luci (Vicente Coutinho 1973-75) que a vida daquela corporação era mais dilatada e ofereci os subsídios mais ou menos suficientes para que se houvesse uma noção do testemunho da força pública da Província e do Estado nos eventos nacionais. Então eu já estava com uma considerável cópia de fichas e de anotações e a história redatada em parte, só esperando uma oportunidade para publicação. A oportunidade chegou quando o coronel Pedro Lustosa (chefe da Casa Militar) mostrou-se interessado e concluí a primeira redação. O livrinho foi publicado sob o título geral de SÍNTESE HISTÓRICA DA POLICIA MILITAR DO ESTADO (Imprensa Oficial, 1972) com apresentação de Genesino Braga, no governo João Walter (1971-75). Foi sobre esse documentário que as Relações Públicas (PM5) da mesma corporação fez publicar nos jornais de Manaus uma súmula, deixando de aparecer meu nome por mero esquecimento.

Entre os fatos mais consagratórios da posição dessa milícia de que me honro de ser filiado por condecorações e por amizade continuada, figuram a sua reação heroica às turbulências provocadas no dia oito de outubro de 1910 e a que me referi recentemente numa série de artigos. Foi a essa reação desigual que me referi também no meu ELOGIO HISTÓRICO DA POLICIA MILITAR DO ESTADO, palestra realizada a 4 de abril de 1973, no Teatro Amazonas, elogio que de certa forma dependeu mais da atitude sentimental do historiador sem que a história sofresse com os rasgos de elevação retórica: não houve felizmente nenhuma influência. Andava eu no primeiro ano de idade quando a família foi obrigada, com milhares de outras, a procurar refúgio nas matas distantes do bairro de São Raimundo Nonato, porque o excelente senhor presidente Nilo Peçanha se dera ao luxo ignominioso de mandar bombardear uma cidade pacífica. O que ponho de relevo é que foi nos ombros do miliciano Reis, músico, que me transportei, enquanto, horas depois e por todo o dia aziago, a metralha assassina destruía propriedades e ensanguentava lares inocentes, tudo isso sob a calma assistência do doutor (Antonio Gonçalves Pereira de) Sá Peixoto (vice governador).

É daquele discurso no Teatro Amazonas o trecho abaixo, transcrito das notícias publicadas nos jornais quando da passagem dos 139 anos de existência da corporação: Verdadeiros heróis do silêncio, às vezes morriam abraçados ao silêncio, agônicos, febrentos, os olhos felizes bebendo a alegria triunfante que cantava alto nas dobras do pavilhão nacional. Heróis mudos da Pátria! trouxestes à nossa Polícia Militar as glórias que não foram decantadas, mas eu imprimo na comovente comemoração desta história singular a saudade do vosso destemor caboclo, da vossa bravura moral. (...)

De qualquer sorte, foi a nossa Policia Militar, em todos os tempos, uma corporação que esteve presente em todos os conflitos em que o Amazonas foi chamado a intervir: guerra contra o Paraguai, guerra de Canudos, guerra contra o Acre, guerra contra o Pará, revolução de 1924 e a última de 1930. Possui, portanto, um acervo de glórias e a sua bandeira não foi ainda gratificada com outras condecorações merecidas.

Nota: o mestre Monteiro cometeu alguns enganos, cujos reparos efetuei na edição da Síntese Histórica.