CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

terça-feira, outubro 18, 2022

PMAM: SEUS PRIMÓRDIOS (1)

 Meus esforços para concluir uma trilogia sobre a história da Polícia Militar do Amazonas acabaram há bastante tempo, contado em anos. Conclui apenas o livro da primeira parte, restando sem impressão e, consequente, divulgação. Todavia, como é possível divulgar por outros meios, início hoje essa reprodução nas páginas deste Blog. 

Capa projetada para o livro



Preliminares

Instruído entre outras lições pela Síntese Histórica da Polícia Militar do Amazonas (1972) de Mário Ypiranga, e, bem mais, motivado pelas constantes exortações de colegas, assumi o desafio de ampliar o conhecimento, os dados sabidos acerca desta corporação. Minha pretensão seguirá com bastante sensatez trilhando a severa linha do tempo. De plano, todavia, aventuro-me a explicar uma arriscada questão: quando e como ocorreu a origem desta hoje em dia mais que sesquicentenária instituição? Ou seja, como se originou a Força Policial do Amazonas. Terá surgida na conjuntura da rebelião cabocla historiada por Cabanagem? Ou pouco antes da conjuntura das Ordenanças? As indagações seguem descobertas.

Para responder tais questionamentos, contei com a cooperação de altivos parceiros, além de ter envidado pesquisas nos diversos acervos da capital amazonense. Estendi a busca nos arquivos da capital paraense, porque desde os idos coloniais a correspondência do Lugar da Barra do Rio Negro é acolá recolhida. Um pouco mais de investigação exerci em monografias de concludentes de cursos e Aperfeiçoamento de Oficiais e Superior de Polícia, concluídos em corporações congêneres. Já em fase de conclusão deste trabalho, consultei ao professor Francisco Jorge dos Santos, integrante do Departamento de História da Ufam, estudioso da Amazônia Colonial, que me instigou a buscar as formas de policiamento acaso exercidas no mencionado período.

Por algum tempo, acalentei um projeto latente: alcançar o elo que liga a existência das organizações policiais militares no Brasil, cujo aparecimento prepondera no largo período que se estende da chegada da Família Real no Brasil (1808), ultrapassa a Menoridade imperial, as lutas pela consolidação da Independência, com seus movimentos sediciosos, até alcançar a República. Movimentação que alcança o lapso de oito décadas do século XIX. Esse projeto, contudo, feneceu no nascedouro. Restou-me consolar com o estudo sobre a trajetória da corporação estadual do Amazonas, na qual laborei por trinta anos, a partir de 1966.

Capa da publicação do mestre
Mário Ypiranga (1972)

Logo entendi que, para melhor motivar esta retrospectiva, era conveniente traçar algumas reflexões sobre a prática policial na Amazônia Ocidental, limitando essa ressalva ao ano em que este território tomou a denominação de Capitania do Rio Negro (1757). Ao me referir ao mister da polícia, desejo considerar o conjunto de leis e práticas que objetivavam garantir a segurança e a ordem pública. Para melhor entendimento, convém retroceder alguns passos na História universal. Quando Portugal desvinculou-se do domínio espanhol, em 1640, um dos primeiros atos de Dom Pedro IV foi a renovação do exército, para atender a Metrópole e as Colônias. Na ocasião, estabeleceu três níveis de forças: 1) o Exército de linha, pago; 2) os Auxiliares, destinados à segurança e reserva, mas somente convocados quando necessário; e 3) as Ordenanças. Nestas, as que mais interessa a percepção do exposto, eram alistados homens de 16 a 60 anos.

Essa estrutura permaneceu no Brasil até a Independência, tendo sido alterada em 1824, quando o Exército nacional assume as tropas de primeira linha; surgem as Milícias, consoante os decretos de 13 de outubro e 1º de dezembro, para constituir a 2ª Linha. As Ordenanças perdem paulatinamente o valimento e caem em declínio, especialmente, a partir de 15 de agosto de 1827, com a substituição de seu dirigente, o Capitão-mor das Ordenanças pelo Juiz de Paz, “misto de autoridade judicial e policial”. Para auxiliar a este, existia uma Guarda Municipal, composta de elementos alistados compulsoriamente.

quarta-feira, outubro 05, 2022

ACAPULCO NIGHT CLUB

 Mário Oliveira conta para os leitores de A GAZETA a história do famoso night club da Estrada do Parque 10, destacando os nomes que grandemente incentivaram o seu trabalho pioneiro: governadores Plínio Coelho e Gilberto Mestrinho. Proprietário do maior patrimônio turístico-recreativo da capital amazonense também ressalta o apoio da sociedade, imprensa e radiodifusão

 

Vespertino A Gazeta, 12 janeiro 1963

Mario de Oliveira, um nome que em Manaus já está tão identificado com as noites como as estrelas, contou para A Gazeta a história do “Night Club Acapulco”. A narração de Mario Oliveira ocorreu minutos depois da conquista de mais um grande êxito, que foi o réveillon que assinalou o nascimento de 1963. Assim, o novo sucesso que aquela iniciativa tradicional do ACA (para os íntimos) conquistou aos primeiros minutos deste ano, levou Mario Oliveira a contar para a reportagem detalhando o que dissera resumidamente para a grande frequência que fora passar no seu “night-club" a noite do Ano-Bom - como nasceu o Acapulco, que, sendo hoje o principal património turístico-recreativo de Manaus, dispôs para isso da atenção da sociedade, da Imprensa e da radiodifusão e, destacadamente dos governadores Plinio Coelho e Gilberto Mestrinho, que sempre o prestigiaram.

 

Recorte do Jornal do Commercio, 7 setembro 1956

A HISTÓRIA DO ACAPULCO

Nos meus tempos de rapaz, quando todos gostamos, sem maiores preocupações, de participar de noitadas, eu já sentia que nossa Manaus necessitava de um local de diversão, o qual, embora público, estivesse de acordo pelo seu bom gosto, pelo seu ambiente selecionado, com seus foros de cidade civilizada.

Os aspectos, aos mais modernos existentes por todo o país. O Acapulco não foi, portanto, uma inspiração repentina, mais um ideal acalentado durante muito tempo. Foi somente em 1955 que me foi possível concretizar esse sonho que, hoje, é uma das mais fulgurantes de nossa vida social. (...)

Ninguém é autossuficiente bastante, pela riqueza, pela inteligência, pela força de mando, para poder desprezar a solidariedade de quem quer que seja. É de lembrar-se que os pobres coveiros são os que sepultam os reis e os mendigos. 

CABOCLO AMAZONENSE

Sou amazonense, e do interior, e, como tal sou genuinamente caboclo. E faço questão de sê-lo, e me orgulho disso. Quem me conhece sabe que não troco ovas de acari-bodo pelas de esturjão. Nasci na foz do Jutaí, onde meu finado pai possuía propriedade. Vivi lá os dias despreocupados de minha infância, de anzol n’água, virando tartarugas na praia, remando igarités, saboreando deliciosos “arabus”, comendo peixe na pá do remo.

Vim para Manaus para estudar. Cursei o tradicional Ginásio Amazonense. Interrompi meus estudos com a morte de meu pai. Modéstia à parte não fui mau aluno. De Manaus apenas saí poucas vezes, quase sempre para Belém. O Rio de Janeiro, somente fui conhecê-lo há três anos.

Não tenho inclinações a Marco Polo. Sou caboclamente sedentário. Podem chamar-me de tabaréu, mas não existe cidade melhor do que Manaus. Sou amazonense de corpo e alma, e o Acapulco é tão amazonense quanto eu.

É que, naqueles tempos, nossa Capital, do ponto de vista de divertimento, se situava entre dois extremos: ou os clubes “fechados”, exclusivamente para os sócios, ou cabarés de ínfima categoria. E então eu já dizia aos meus amigos que, no dia em que eu tivesse recursos financeiros, haveria de criar, em Manaus, um night club que se igualasse, sob todos os aspectos, aos mais modernos existentes por todo o país. O Acapulco não foi, portanto, uma inspiração repentina, mas um ideal acalentado durante muito tempo. 

PIONEIRISMO E AMOR À TERRA

“O segundo motivo por que eu desejei deslocar a atenção e o interesse de meus conterrâneos para a periferia de nossa Capital, pois, até então era hábito nosso o restringirmos nossas atividades exclusivamente ao centro da cidade.

Quando adquiri o prédio meus recursos financeiros só davam para tanto. Foi uma audácia minha; mas um ideal audacioso sempre atrai simpatia. Foi o que ocorreu. Amigos cederam-me recursos para eu levar adiante meu plano. Elementos do Comércio e da Indústria forneceram-me material para pagamento em prazo mais dilatado. A imprensa e o Rádio, desde o primeiro instante, colocaram-se a meu favor. Nossa população deu-nos apoio de sua frequência, e, como toque final e decisivo tivemos a solidariedade indispensável das autoridades sobressaindo-se o Dr. Plinio Ramos Coelho, então governador do Estudo, o qual, autêntico bandeirante do progresso que compreendeu minha iniciativa de bem servir nossa terra, e prestigiou-a sempre, desde a inauguração do Acapulco, à qual compareceu para nossa honra, em companhia de seus auxiliares, até o término de sua fecunda administração.

Seguiu-se-lhe, então, o ilustre governador Gilberto Mestrinho, que também jamais nos negou a sua solidariedade, inclusive honrando o Acapulco, de quando em quando, com sua presença. Eis por que aproveito o ensejo para testemunhar a todos a minha Imperecível gratidão. 

ASSISTÊNCIA SOCIAL

Pessoas menos avisadas, formulando conceitos apressados, talvez julguem que a única finalidade do Acapulco é a de ganhar dinheiro às pamparras, para encher usurariamente pés-de-meia, colchões e “burras”. Mas não é verdade. Reafirmo o que já disse: tudo o que já ganhei no Acapulco nele tem sido empregado. Não possuo apartamento no Rio ou em outra qualquer cidade. Como não pretendo, jamais, me mudar de Manaus, tudo o que eu ganhar será utilizado aqui mesmo.  Naturalmente que sem lucro não poderia haver o Acapulco. Temos de ter sempre uma reserva para atender ao aleatório de nosso negócio. Afora isso o Acapulco emprega 60 pessoas, desde os trabalhadores de campo ao gerente.

segunda-feira, outubro 03, 2022

PMAM: FOTOS HISTÓRICAS

Quando do aniversário da Polícia Militar do Amazonas, em abril de 2003, a corporação organizou uma festividade no início da noite. A solenidade ocorreu na Praça da Polícia, logradouro que abrigava o Café do Pina que, em seus derradeiros dias, servia além do moca, a apreciadíssima cerveja, atraindo uma respeitável clientela.

A mudança do quartel da PMAM em Centro Cultural
transferiu o Café para o outro extremo da praça


Pois bem, durante a solenidade ocorreu a execução do Hino Nacional. Como de praxe, vê-se as continências executadas, os visitantes perfilados, porém, os frequentadores do Pina “não estavam nem aí pro hino”. Em outra foto, uma senhora idosa portando uma sombrinha circula próxima ao maestro.

A direita, vê-se a senhorinha idosa circulando

Detalhes: o comandante-geral da PMAM era o coronel José Bernardo da Encarnação Neto, empossado em janeiro e substituído em outubro de 2003. E, como esse escrevinhador estava presente, pode afirmar, adaptando o jargão: “camaradas, eu vi”.

Da esquerda, coronéis Roberto (de costas), Eber, Assante,
Bernardo (de perfil) e Ary Renato

sábado, outubro 01, 2022

ROBERTO SOUZA MENDONÇA: MORTO EM 2006

 O dia de hoje me relembra, desafortunadamente, um drama familiar. Neste 1º de outubro, no qual se completam dezesseis anos, a despeito de atenuadas, as dores ainda ferem. Morreu Roberto Souza Mendonça, nascido em 1971, um dos meus herdeiros, em um domingo de eleições gerais. Detalhe: Lula se reelegeu presidente. Coincidência, amanhã na festa democrática o nome deste candidato volta ao noticiário. 


Este ano tomei a iniciativa de restaurar o mausoléu da família. A construção estava finalizando quando a lousa da sepultura foi furtada, de certo por algum vivo... bem vivo. Diante da inoperância da administração do São João Batista, renovei a peça.

Para relembrar o episódio, renovo a publicação de uma repetida foto, pessoalmente marcante sob diversos aspectos.

Sepultura no cemitério S João Batista Manaus