CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

quarta-feira, dezembro 09, 2015

VILA MUNICIPAL (2)

Palácio Rio Negro, hoje Centro Cultural
Mais um nobre fundador deste bairro, que foi construído com o intuito de renovar a cidade de Manaus da belle époque.
Algumas observações pertinentes: a Vila se transformou no bairro de Adrianópolis; a rua Belém mencionada, hoje se conhece por Marciano Armond, e a Recife, por Mário Ypiranga. Enfim, o alemão Waldemar Scholtz era o então o proprietário do Palácio (sua residência), depois conhecido por Rio Negro, sede do governo do Estado, na avenida Sete de Setembro.

Em nossos dias o citado cruzamento está bastante modificado. E diante da ausência de outros dados sobre esse, mesmo em consulta ao GPS, tornou-se impossível identificar o lote de Scholtz. Pouco interessa. Certo mesmo é que a Vila teve múltiplos requisitos para prosperar, um deles, os poucos lotes de atrativos valores. Tanto que foram aforados aos homens endinheirados e bem situados na administração. Ainda assim, a única residência ali construída, e ainda existente, foi o Castelinho do prefeito Adolfo Lisboa.

LOTE Nº 6 – RUA BELÉM

Termo de aforamento feito ao Sr. Waldemar Scholtz de um lote de terras do patrimônio desta municipalidade, situado à rua Belém da Vila Municipal, como abaixo se declara:
 Aos vinte e oito dias do mês de dezembro de mil novecentos e seis, nesta cidade de Manaus, capital do estado do Amazonas, na secretaria da Superintendência Municipal onde se achava presente o Sr. Coronel Adolpho Guilherme de Miranda Lisboa, superintendente do município, e eu, secretário, Dr. Thaumaturgo Vaz, compareceu o Sr. Waldemar Scholtz e disse que vinha assinar o presente termo de contrato de aforamento de um lote de terras que lhe foi concedido na rua Belém da “Vila Municipal”, bairro de S. João desta cidade de Manaus, em sete de novembro findo, limitando-se ao Norte com a rua Belém; ao Sul com o terreno aforado a Antonio de Berredo Lisboa; a Leste com a rua Recife; e a Oeste com o terreno aforado ao Dr. José Duarte Sobrinho, tendo uma área de mil seiscentos e oitenta metros quadrados (1.680m2); ficando o enfiteuta sujeito às cláusulas seguintes: 1ª) O enfiteuta obriga-se a pagar o foro de dezesseis mil (16$800) réis correspondente a mil e seiscentos e oitenta  metros quadrados (1.680m2) da área ocupada pelo Lote número 6 da “Vila Municipal”, bairro de S. João dessa cidade, assim como o direito dominical em – laudêmio – correspondente à percentagem que estiver determinada por lei. 2ª) O pagamento do foro será feito na Contadoria da Intendência Municipal.

segunda-feira, dezembro 07, 2015

ITINERÁRIO TRASANDINO (2)

Na metade do século passado, dois médicos amazonenses empreenderam uma viagem por países andinos. Concluído o périplo, Djalma Batista, saudoso cientista, efetuou a publicação do relato dos acontecimentos.
Aviação regional na minha travessia para Lima (Peru)
Foi transformado em impresso, sob o título: Itinerário transadino (1951), que o autor dedicou ao companheiro de viagem – doutor Moura Tapajós, cujo nome designa a maternidade municipal instalada na avenida Brasil, bairro da Compensa.

Em agosto passado efetuei pela segunda vez a mesma travessia, entre Iquitos e Lima, em avião bem mais moderno, que impede de se sentir as agruras do doutor Djalma. Mas sua descrição do relevo andino me fez rever a sensação dessa mudança bem característica da região: da selva ao oceano, curtindo as cordilheiras.


UM VOO DO AMAZONAS AOS ANDES


O DC-4 da Fawcett ganhava altura, os rios passavam a filetes minúsculos e a própria selva apequenava-se; começamos a notar a transição: rarefazia-se a vegetação; as carecas reluzentes dos granitos expostos a um sol vivo, e as lagoas sucessivas oriundas do degelo, alternavam com vales abissais; ao longe a fita geométrica da estrada de rodagem asfaltada. Estavam transportas (sic) afinal as fraldas orientais da Cordilheira! 

Já no alto o boletim aeronáutico distribuído aos passageiros anunciava: altura 22 000 pés (fiz mentalmente o cálculo: quase 6 000 metros!); temperatura — 4° (do lado de fora, bem entendido...). Começou a funcionar o sistema de aquecimento do aparelho e as mamadeiras de oxigênio foram instaladas junto de cada passageiro.

A princípio não me dei conta da rarefação atmosférica; achei mesmo desagradável o frio e o gosto do oxigênio (ninguém pense o contrário: o oxigênio a 6 000 metros não é insípido...). Aos montes se sucediam outros montes; aos vales se seguiam outros vales; as lagunas se repetiam a cada passo (aqui o passo é de centenas de HP dos quatro motores do aeroplano...), modificado o recorte caprichoso das bordas e variando a cor, ora esverdeada, ora clara, ora azulada das águas remansadas no infinito deserto de pedra escura.

Visão dos altiplanos peruanos, em direção a capital peruana



Bem em frente, batido da claridade de uma tarde límpida, o primeiro nevado, branco como a pureza, alto como a virtude, inatingível como o próprio céu. Ei-lo cada vez mais próximo, o Huascaran, ponto culminante do Peru e 3° pico andino: o comandante Bennett manda chamar-nos para a cabine, onde o Ingeniero de vuelo E. Arenas nos dá explicações e nos anima a fotografar o panorama deslumbrador, facilitando-nos a procura da Kodak na valise em que viajava (ainda tínhamos o complexo brasileiro de que é crime do aero viajante se acompanhar de máquina fotográfica). Não consegui no tumulto daquele momento dar com o aparelho, que por sinal sempre nos falhou, apesar da boa-vontade com que o Waldir Vieiralves nô-lo emprestou...

E senti naqueles minutos a estranha e terrível fome de ar! Foi então que me coube o bico do gás vital... Na cabine de comando andou ele de boca em boca: beijámo-nos todos por procuração, unidos pela emoção de contemplarmos, desnuda e inteira, a montanha gelada impassível, como se fosse um imenso bolo festivo, a que a natureza confeitara com os requintes que adoçam os sentidos e embevecem particularmente o olhar... Flanqueámos o pico soberbo e lá reapareceu a Cordilheira Negra. Aos quandos, numa fralda, indicava-nos o Sr. Arenas, se escondia um pueblo.
Pensávamos: antes ficara a solidão vegetal da Amazônia, quente e úmida, agressiva e feraz; agora tínhamos à vista o domínio mil vezes mais amedrontador do mineral, frio e seco, onde a vida não tinha o apoio da clorofila e a esterilidade da rocha fazia da sobrevivência um milagre. Só depois vim conhecer a frase do político escaldado: "Viver na Amazônia já é um heroísmo...”

Outra tomada dos Andes peruanos

O PACÍFICO DE DENTRO DE CAPUZES DE ALGODÃO


Aos poucos fomos tendo a sensação de que o avião baixava. O ar atmosférico passou a satisfazer a respiração e as elevações do terreno só eram visíveis quando se olhava para trás. Nesse instante vimo-nos como que sobrevoando um mar sereno, de espumas alvíssimas e intermináveis, batendo contra os penedos andinos e se estendendo até onde o olhar alcançava.
Só depois de muito andarmos convenci-me de que eram nuvens justapostas, que pareciam formar um tapete de algodão protegendo o céu... Nuvens densas, para atravessar as quais foram gastos vários minutos; por fim, ao sair dos capuzes de estratos e cúmulos, apresentou-se nos em toda a sua beleza e em toda a sua grandiosidade o oceano de Balboa. Eis-nos diante do mar! Dias depois conheci o desafio soberbo que lhe lançou o poeta cuencano Palacios Bravo:

Oh inmensidad de gotas! Oh vanidad de espuma!Y si quieres que luego tu soberbia se ablande,
medita que solo eres una lágrima grande...
Son tus aguas amargas una inmensa amargura...
Menos mísero fueras si fueses más pequeño!
Desventurado amigo, tus enojos aquieta,
y aprende mansedumbre de mi alma de poeta ...
Que si tu eres conjunto de gotas a millares,
mi inmensidad se forma de millones de mares.
                
LIMA, SUAS FLORES E SEUS ENCANTOS


A sala de visitas da capital peruana é magnífica: um palácio de mármore e pórfiro, onde o viajante admira majestosa obra de arte, com uma perfeita distribuição de serviços. Do Aeroporto de Limatambo, numa tarde friorenta e sem sol, começamos a mirar a cidade, cercada de morros nublados e se estendendo para todos os lados. (continua)

domingo, dezembro 06, 2015

ANÚNCIOS COMERCIAIS

Anúncios retirados de revistas circuladas no século passado

Raras, mas duas empresas ainda em atividade











sábado, dezembro 05, 2015

PRIMEIRO AMAZONENSE NA FAB (2)

Mais algumas informações sobre o primeiro oficial amazonense graduado na FAB, recolhidas no Google, sigo catando.
Coronel Afranio, então comandante
da Base Aérea de BH

ESCOLA PREPARATÓRIA DE PORTO ALEGRE FORMANDOS DO ANO DE 1941  
Adalberto Gomes Macedo
Afranio da Silva AguiarAfrânio Mendonça Sarmento Aimône Espindola (...) 

1944 
Criação do 2o Grupo de Caça

O Decreto-Lei nº 6.796, de 17 de agosto de 1944, criou o 2o Grupo de Caça, equipado com aviões Curtiss P-40, com sede na Base Aérea de Natal.  Decreto-lei nº 6.796, de 17 de agosto de 1944
Cria Unidades de Aviação

 Os primeiros aspirantes-aviadores classificados nessa nova Unidade Aérea, relacionados no Boletim de 6 de setembro, foram os seguintes: Rodopiano de Azevedo Barbalho, Ney Osório, Octávio Campos, Afrânio da Silva Aguiar, Orze de Morais Pupo, Murilo Altemberg Brasil, (...). Art. 2.º O 2.º Grupo de Caça tem sua sede transferida da Base Aérea de Natal para a Base Aérea de Santa Cruz [Rio], a fim de integrar o 1.º Regimento de Aviação (Art. 2º) do Decreto-lei n.º 6.796, de 17 de agosto do corrente ano. Rio de Janeiro, 5 de outubro de 1944,


Getúlio Vargas
Joaquim Pedro Salgado Filho
 

1959 
Base Aérea de Santa Cruz, 1o Grupo de Aviação de Caça, Primeiro Esquadrão: Cmt. Maj. Av. Afrânio da Silva Aguiar, gente boa, homem dos P-40; Operações Cap. Av. Luis de Gonzaga Lopes, o Lopão, muito fechado. A esquadrilha, 4 aviões F-8, código "Vermelho", missão operacional no aeródromo de Pirassununga tempo estimado de voo 50 minutos, Bombardeio Picado (BP) simulado, ataque ao solo com tiro terrestre de canhão (TT), algumas passagens até a conta corrente para o abandono com proa de Santa Cruz, reunião em rota.

 1963-67 
Escudo militar
Centro de Instrução e Adaptação da Aeronáutica,
Comandante da Base Aérea de Belo Horizonte Ten Cel Av AFRANIO DA SILVA AGUIAR 
De: 3 de fevereiro de 1963
Até: 16 de março de 1967  


1964 
MINAS: HORA A HORA

Reportagem de Fernando Richard e José Nicolau 

Dia 31 de março.
3h30m. A reunião continua. O General Bragança é incumbido de fazer a convocação dos civis para a revolução. O Governador Magalhães Pinto, no Palácio da Liberdade, declara que apoia e comanda o movimento. 
7h30m. O Comandante da Base Aérea de Belo Horizonte, Coronel Afrânio da Silva Aguiar, é chamado ao Palácio da Liberdade pelo Governador Magalhães Pinto. O Chefe do Executivo mineiro expõe ao oficial os seus planos. Fala a respeito dos motivos que o levaram a tomar a decisão. Após conferência de uma hora, a portas fechadas, o Coronel Afrânio dirige-se para a Base Aérea: tinha dado total apoio ao Governador.

1964 

Concede o título de Cidadão Honorário de Belo Horizonte ao tenente-coronel aviador Afrânio da Silva AguiarFica concedido o título de "Cidadão Honorário de Belo Horizonte" ao Tenente-Coronel Aviador Afrânio da Silva Aguiar, em reconhecimento aos grandes serviços que tem prestado a este Município.
A entrega do título, objeto da presente lei, será feita em sessão solene da Câmara Municipal.
Belo Horizonte, 25 de setembro de 1964.

Jorge Carone Filho
Prefeito de Belo Horizonte


(Publicado no Minas Gerais de 26/09/1964)