CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

domingo, setembro 19, 2010

Memorial Amazonense XXXIV

Setembro, 19



1853 – O governo imperial, consoante a lei nº 715, estabeleceu em Manaus o Comando das Armas da Província. Ao mesmo tempo, extinguiu o Comando Militar do Amazonas que fora estabelecido, em 1837, para combater os cabanos. A posse do primeiro comandante, coronel Ignacio Corrêa de Vasconcelos, em 9 de setembro de 1854, marca o início de sua atividade.


1926 – Morreu em Belém (PA), Antônio Constantino Nery, general da reserva, que foi governador (1904-19070 e senador do Amazonas.


O Jornal,
10 março 70
1947 – Nasceu em Manaus (AM), Romeu Pimenta de Medeiros Filho, coronel da reserva da PMAM. Seu pai, Romeu, empregado da Cervejaria Amazonense, no bairro de Aparecida, era um comunista convicto e competente. Um dia no início da década de 1960, tentou influenciar este filho para que fosse estudar na antiga URSS, mas, algumas controvérsias impediram a viagem. Assim, o filho concluiu o curso secundário no Colégio Estadual do Amazonas e, a seguir, o curso do Núcleo de Preparação de Oficiais da Reserva (NPOR), na turma de 1967, onde adotou o sobrenome Medeiros como seu “nome de guerra”.


No mesmo ano, Medeiros ingressou na tradicional Polícia Militar, em fase de expansão pelo esforço do Governo Militar (1964-1985). Seu porte, de jogador de vôlei do Atlético Rio Negro Clube, permitia com vantagem enfrentar aqueles entreveros mais duros. Ao menos, em duas oportunidades foi enviado ao interior do Estado para tais missões.


Destacou-se na parte administrativa, gerenciando as finanças e a logística. Também se capacitou ao comando superior, ao conduzir a Companhia de Rádio Patrulha, o Corpo de Bombeiros, entre outras unidades subalternas. Depois, um tempo depois, realizados os cursos obrigatórios da corporação, em São Paulo e Minas Gerais, além do curso de Administração na Universidade do Amazonas, Medeiros alcançou o comando geral da PMAM, entre 22 de junho de 1989 a 7 de maio de 1991.


Ocorreu no primeiro governo de Amazonino Mendes (1987-1991). Tratava-se de grato reconhecimento do governante ao filho de um de seus mestres da doutrina comunista, Romeu sênior. Medeiros, no entanto, havia se capacitado para tanto, sua geração de colegas e subordinados ainda hoje reconhecem sua liderança. A assunção ao cargo era esperada com entusiasmo. Mas, Medeiros não pode realizar o comando que havia montado. Obrigado a atravessar o governo de José Sarney, marcado por criminosa inflação, todo o esforço deste comandante se concentrou em salvaguardar o soldo dos policiais militares.


Para isso, valeu-se de toda a amizade acumulada com os amigos da Secretaria da Fazenda e de outros órgãos governamentais. Conseguiu manter o soldo, mas teve que poupar os investimentos. Dedicou-se a modernizar o Centro de Operações, órgão de controle do policiamento urbano. Deu início a reunião de comandantes de PM da região Norte, entre suas marcantes iniciativas.


Enfim, ao discordar das diretrizes do Secretário de Segurança, Klinger Costa, pediu exoneração e passou o comando ao coronel Amilcar Ferreira. Foi, então, cuidar do sítio. Agora cuida da marca Zainffe, que produz roupas e fardamentos. E segue torcendo vivamente pelo Flamengo.


Medeiros, usufruindo da boa mesa, ao lado dos amigos

sábado, setembro 18, 2010

Espaço Cultural V

Às dez horas hoje, a Universidade Federal do Amazonas, em conjunto com o Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas, efetuou o lançamento de três livros póstumos do professor Mário Ypiranga Monteiro.
Presentes à mesa dirigente o vice-reitor da Ufam, , o presidente do Igha, Geraldo dos Anjos, a diretora da Edua, Iraildes Torres, e a filha do autor, Marita Monteiro. 

Iraildes Torres apresenta os livros
Tanto a diretora da Edua quanto o vice-reitor lembraram a existência de 30 produções do falecido mestre em processo de editoração. E que haverá um esforço da direção maior da Ufam nesse segmento, para publicar todas.



Marita Monteiro, emocionada,
agradece
Ao agradecer o cuidado dispensado a obra de seu pai, Marita emocionou-se.  Apesar das lágrimas, prosseguiu falando. A emocão circundou a plateia.

Os três livros ora lançados: O Pescador; Papagaio de papel e Escravidão indígena, todos a venda nas livrarias de Manaus.

Um dos livros lançados
Para alegrar os convivas, foi servido um coquetel básico: salgados, refrigerantes e uísque. A festa atraiu um bom número de simpatizantes da Casa de Bernardo Ramos e da obra do saudoso professor.

Visão do salão de honra, e parte dos presentes

sexta-feira, setembro 17, 2010

Espaço Cultural IV


Capa do folheto



O acadêmico Armando Andrade de Menezes acaba de publicar mais um trabalho literário. Trata-se da palestra que proferiu na Academia Amazonense de Letras, em 29 maio. Intitulada de Joaquim Nabuco, o abolicionista, a publicação faz parte da coleção Cadernos da Academia.
Armando de Menezes homenageou a dois acdêmicos nesta publicação: Almir Diniz e Zemaria Pinto.
Mereci, junto a outros colaboradores do autor, a seguinte manifestação:



Convencido de tudo haver feito no sentido de cumprir a missão a mim conferida pelo eminente confrade Cláudio Chaves, diretor de Promoções e Eventos desta Casa, desejo, de público, agradecer a colaboração de amigos na cessão de material sobre a vida e a obra de Joaquim Nabuco, destacando o próprio amigo/confrade Cláudio Chaves, o livreiro Antonio Diniz, e o historiador/pesquisador coronel Roberto Mendonça.


Contracapa do folheto com
foto do autor
 De minha parte, muitíssimo obrigado pela deferência, amigo Armando de Menezes.

quinta-feira, setembro 16, 2010

CINEMAS DE MANAUS (IV)

Cinema Avenida (Final)
 
Ed Lincon

Nas noites de sexta-feira, o cine Avenida promovia a “Sessão Chic das Moças”, rodando filmes adequados aos valores comportamentais da sociedade manauara: A Noiva, Suplício de uma saudade, Três dias de vida, O Coração não envelhece e Sonho de Estrelas, só para exemplificar. Essa sessão era especialmente frequentada por casais enamorados.

Para ampliar o conforto, em fevereiro de 1954, a Empresa Bernardino instalou cadeiras estofadas no cine Avenida. Mas, apesar de ostentar o título de “cinema da elite”, nele havia somente ventiladores de teto e, ao contrário de outros cinemas de Manaus, não possuía palco para a realização de espetáculos.

Em agosto, o técnico Mario Schneider, da Companhia Black de São Paulo, instalou no Avenida a tela panorâmica e os projetores da marca “Gaumont-Keller” (os existentes neste cine foram montados no cine Vitória). A estréia da tela panorâmica, marcada para 7 de setembro, ocorreu na 2ª quinzena desse mês, devido o atraso na chegada do filme Luzes da Ribalta, de Charles Chaplin.

Em 1955, veio mais um melhoramento na luxuosa sala da av. Eduardo Ribeiro: a instalação do “cinemascope”. A estréia sucedeu na noite de 16 de julho, apresentando O Príncipe Valente, com James Mason e Robert Wagner. “O sistema proporcionava maior raio visual, emprestando à película maior campo de ação e permitindo, igualmente, a apresentação, em primeiro plano de tantos atores quantos a cena requer e, de modo simultâneo, uma vista panorâmica de ação filmada”, explicava o Jornal do Commércio (Manaus, 14.7. 1955).

A 18 de agosto de 1956, faleceu no Pará o fundador da empresa, Antonio Lamarão. Na igreja de D. Bosco, foi rezada a missa de 30º dia, encomendada por seus amigos e ex-sócios, Adriano Bernardino e Aurélio Antunes.

Todos os anos, em 27 de março, a empresa Bernardino comemorava o aniversário do cine Avenida, exclusivamente com a exibição de filmes. No 21º aniversário desta sala, o jornal A Gazeta (Manaus, 27.3.1957) destacou:


Ponto obrigatório de frequência da melhor sociedade amazonense, que dirigentes da Empresa, para brindar seus clientes, o aniversário do Cinema AVENIDA, por isso mesmo, é uma efeméride que leva satisfação e alegria também aos seus frequentadores, aos quais a empresa proprietária, numa justíssima homenagem, pela preferência, brindará durante todo o dia de hoje, com um excelente programa de muito bem escolhidas películas.

Cine Avenida, Manaus, 1973
No período de 17 a 22 de novembro de 1966, foi realizado em Manaus, o I (e único) Festival de Cinema Amador do Amazonas, patrocinado pelo Clube da Madrugada, J. Borges Filmes, Rádio Rio Mar e A Crítica. O encerramento ocorreu na noite de 21, no cine Avenida, em sessão especial para convidados.
Contrariando as previsões de que só teria sucesso de bilheteria nos cinemas suburbanos, o filme “Paixão de um Homem” levou ontem, ao Cinema Avenida (em plena Eduardo Ribeiro), uma das maiores enchentes já recebidas por aquela casa. O principal figurante da película é o discutido cantor Waldik Soriano, que, com o chapéu e o óculos que marcam a sua personalidade fez a fila do “Avenida” atingir a Rua Joaquim Sarmento. 
A intenção era mostrar a loja Bemol, sucedânea do cine Avenida,
todavia, hoje as barracas não permitem 
A comissão julgadora do I Festival de Cinema Amador era composta por: Madalena de Almeida (Jornal do Brasil); Décio Luiz (da J. Borges Filmes e TV Continental); Padre Luiz Ruas (1931-2000) e José Gaspar (1937-). Saiu vencedor do Festival o curta-metragem Carniça, de Normandy Littaiff, sob protestos dos demais participantes.

Tal qual sucedeu a outros cinemas da cidade, a televisão afastou o grande público. As chanchadas nacionais foram substituídas pelos faroestes italianos, conhecidos popularmente como “Western Spaghetti”: Viva Django, Os Abutres têm fome, 7 Dólares ensangüentados, A Marca da forca, etc. O baixo custo no aluguel dessas fitas ainda garantia pequena lotação aos domingos.

Em outubro de 71, a comissão formada pelos vereadores Francisco Flores, Aluizio Oliveira e Praxíteles Antony, visitou os cinemas da cidade e constatou vários problemas. Entre esses, a falta de higiene, conforto, conservação e segurança. Consultados os proprietários, todos alegavam os mesmos motivos: um, a televisão, que afugentou os freqüentadores; outro, o ingresso a Cr$ 1,50 (um cruzeiro e cinquenta centavos), mais barato que o cobrado nos cinemas do Sul, que cobravam entre quatro e cinco cruzeiros. Mais dois, as cadeiras quebradas pelos espectadores; e a exigência de ingressos padronizados pelo INC, impostos etc.

Em junho de 1972, a Prefeitura de Manaus determina o fechamento de todos os cinemas da cidade, exceto o Avenida. O INC, por seu delegado regional, Afonso Lopes, diverge da Comuna, por entender que cabia à entidade o serviço de fiscalização das casas de diversões. O cine Avenida apesar da crise, ainda desfrutava de boa frequência, como atesta o Jornal do Commércio (27.02.1973).

A 16 de março de 1973, o controle acionário da A. Bernardino passou para o grupo Phellipe Daou. Daou cogitou montar ao lado do cine Avenida uma espécie de cinema-modelo: Cine Hora, equipado com bastante luxo e conforto e capacidade para 200 ou 300 lugares. Esse projeto, todavia, não se concretizou.
A campanha encetada pela Prefeitura já havia ocasionado o fechamento de quase todos os cinemas da cidade. Ainda resistiam o Avenida, o Guarany e Ipiranga. A agonia do “fecha ou não fecha” do Avenida prolongou-se até o encerramento de suas atividades na noite de 2 de julho de 1973. Projetou nessa noite o filme Fugindo do Inferno. Lamentou A Crítica:


Manaus hoje deve estar regredindo, pois todos os cinemas foram fechados, seja por qual for o motivo, isso significa uma grande perda para a população. Os cinemas Polytheama e Éden fecharam no último fim de semana. O Avenida ia continuar por mais algumas horas. Ontem chegou a sua vez. As placas com os cartazes desapareceram. A porta ficou fechada e o movimento cotidiano em frente àquela casa de diversões acabou. Tudo ficou no maior silêncio e dentro do prédio, um empregado cuidava da limpeza para conservar a casa.
A seguir, o imóvel foi vendido para a firma Benchimol, Irmãos Cia. Ltda., que ali instalou mais uma loja de eletrodomésticos.