Pela manhã vi a postagem de Manaus de Antigamente sobre o edifício demolido na Praça da Saudade, à tarde, consultando ao Ramayana de Chevalier, encontrei sua crônica A Vez da Juventude, circulada em A Gazeta, edição de 3 de maio de 1961. O autor era então secretário de Administração do governo Gilberto Mestrinho (1959-63). A postagem reproduz parte da crônica.
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| Edifício demolido na Praça da Saudade |
(...) Tudo isso me ocorreu, numa destas tardes de sol caboclo, sentado democraticamente num dos degraus do Palácio dos Espelhos, onde se abriga o Atlético Rio Negro Clube, olhando a praça da Saudade. Dentro do esquema idealizado pelo governador Gilberto Mestrinho, estive a sonhar com a nossa futura ágora amazônica, em cujo redondel se travarão as mais puras discussões filosóficas e se resolverão os mais intrincados problemas técnicos. Ali, na praça da Saudade, se erguerá, em tempo recorde, um centro universitário de entusiasmar. Segundo as diretrizes do Professor Mestrinho, esse guapo diretor dos destinos amazônicos até janeiro de 1963, a praça onde se levanta, imponente, a estátua ao primeiro Governador do Amazonas emancipado, terá, em cada face, um edifício moderno, abrigando a cultura. As construções devem obedecer a um critério moderno, de linhas aerodinâmicas, elegantes, finas, atraentes, sóbrias, utilitárias.
Serão quatro prédios que, pela minha vontade, eu veria montados sobre pilotis, deixando à visão dos pedestres e dos que viajam em carros, toda a amplitude da praça graciosa e remodelada em jardins amazônicos, em palmas e tinhorões coloridos, em flores tropicais de excelsa beleza. Enroscando-se nesses pilotis, teríamos as nossas trepadeiras ornamentais, de flores sugestivas, revestindo o plano inferior dos edifícios, num dossel. Não perturba a mirada do monumento, não obstrui a contemplação da praça ajardinada, com os seus bancos estendidos ao longo dos passeios, convidando à meditação ou ao colóquio, como de resto se usa em todos os países do mundo. Nos quatro cantos da praça, entradas largas irão, em X, até ao monumento, cortadas por círculos de cimento. Ali se instalarão a Faculdade de Filosofia, a Faculdade de Ciências Econômicas, a injustamente esquecida Escola de Comércio Sólon de Lucena e a própria Secretaria de Educação e Cultura, cada uma no seu próprio edifício e os quatro, cercando a praça, numa visão arcádica. (...)

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