CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

1 de outubro de 2016

ROBERTO SOUZA MENDONÇA (1971-2006)


O dia de hoje me relembra, desafortunadamente, três tragédias. Duas, de cunho nacional, e a terceira, pessoal em abundância. Estão encadeadas. Neste 1º de outubro, no qual se completa um decênio, as dores a despeito de atenuadas, ainda ferem. Morreu Roberto, um dos meus herdeiros.



A imprensa falou sobre a queda do voo 1907 da Gol, que voava de Manaus para Brasília e acabou em densa floresta do Mato Grosso, atingido pelo Legacy, pilotado por americanos. O fato ocorreu em 30 de setembro.

Agora a parte que me toca nesse “latifúndio”: a morte do filho Roberto. A doença fatal muito exigiu dos parentes e amigos. Na véspera de sua morte, atravessei a noite com ele no edifício anterior do Hospital 28 de Agosto. Total desespero para mim, tanto que não conseguia contornar a situação pela falta de recursos. Sequer consegui reunir amigos e parentes. Os mais próximos estavam distante, em Brasília. Graça, a mãe dele, já havia morrido.

A noite de sábado era véspera das eleições gerais. Era a noite seguinte ao desastre do avião da Gol. A televisão estava ligada no desastre aéreo, daí ter eu, em pequenos intervalos, na lanche contíguo ao hospital, engrossado essa audiência.

No domingo, 1º de outubro, pelas onze horas, faleceu o Roberto. O pesar que nos afligiu foi suprido em boa parte pelos membros da Igreja Batista da União, onde ele frequentava com constância. Acolheram ao irmão morto, realizando o velório na própria igreja.

A foto que repetidamente utilizo para recordar este acontecimento encontrei afixada na entrada da igreja. Quando a vi, vendo a imagem do filho sorridente, tive um sobressalto. Parecia assistir a um fato milagroso. Mas este prodígio não fora possível, daí as lágrimas que deixei rolar pela perda do filho.

Enfim, o terceiro acontecimento triste do dia: o resultado do pleito. A vitória do presidente do Brasil, consolidada na sua reeleição adiante, sucesso que legou-nos – dez anos depois – intensa desonra. Falo do último ex-presidente do país.

Dez anos são passados, a minha dor pelo filho vem sendo anestesiada. Mas, aqui e ali, sofro novo sobressalto, ou ao rever as lembranças deixadas ou ao ser perguntado sobre o Roberto.


Até a eternidade, Roberto Souza Mendonça!